Cidades

VIOLÊNCIA

Medidas protetivas atingem a maior média mensal este ano

Ao todo, foram pedidas mais de 14,5 mil restrições contra supostos agressores de mulheres este ano em Mato Grosso do Sul, dos quais 88,6% foram concedidas

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Usadas para proteger mulheres em situação de violência familiar ou doméstica, as medidas protetivas de urgência já ultrapassaram 14,5 mil solicitações neste ano em Mato Grosso do Sul, o que resulta em uma média mensal de quase 1,3 mil, a maior desde quando os dados começaram a ser contabilizados, em 2015.

Conforme o Monitor da Violência contra a Mulher, disponibilizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, foram solicitadas 14.532 medidas protetivas até o fim de novembro, das quais 12.885 foram concedidas, o que corresponde a 88,67% dos pedidos. Sobre o recorte mensal, a média de solicitações está na casa dos 1,3 mil.

Em comparação com outros anos, 2023 teve o maior número em solicitações totais, com 15.401, enquanto no ano passado houve recorde de medidas protetivas concedidas, com 14.809, porém, a média mensal desses anos foi de 1,2 mil.

Recentemente, a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul (DPGE-MS) divulgou que as medidas protetivas solicitadas a partir do órgão saltaram de 1.536 em 2024 para 3.806 este ano, considerando aquelas que foram outorgadas pelo Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem).

“Identificamos que 58% das mulheres atendidas pelo núcleo são pretas, 53,7% são solteiras, e metade está entre 30 e 45 anos, faixa etária associada ao maior risco de violência doméstica e feminicídio, seguindo o cenário nacional. Esse perfil retrata a realidade de um atendimento voltado a mulheres que acumulam desigualdades raciais, sociais, econômicas e de acesso à rede de proteção”, analisa a coordenadora e defensora pública Kricilaine Oksman.

Porém, mesmo diante do alto número de medidas protetivas espalhadas pelo Estado, ocorreram 38 feminicídios nos 11 meses deste ano, mais do que nos últimos dois anos, quando foram registrados 35 e 30 feminicídios, respectivamente, neste período.

No último caso, ocorrido em Dourados, Alliene Nunes Barbosa foi morta pelo ex-companheiro, Cristian Alexandre Cebeza Henrique, do qual tinha medida protetiva. Ele inclusive usava tornozeleira eletrônica. 

DESTAQUE NACIONAL

A Lei Maria da Penha determina que haja urgência em conceder as medidas protetivas a mulheres em situações de risco ou sob ameaça iminente de violência doméstica e familiar, seja física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial.

No Brasil, 13 estados não cumprem o prazo de 48h para a concessão da medida que, segundo especialistas, é um “instrumento eficaz e deve ter sua aplicação incentivada”.

Em 2024, foram concedidas 598.457 medidas protetivas a mulheres em todo o País. Somente em Mato Grosso do Sul, 14.558 foram registradas – o 12º estado com menor número de medidas concedidas.

A pesquisa também mostrou que, em Mato Grosso do Sul, 95% dos pedidos foram atendidos – o 8º estado que mais concede as medidas no Brasil. A média do País é de 92% dos pedidos atendidos. Porém, a média deste ano está abaixo desta apresentada.

A Lei Maria da Penha prevê diferentes medidas protetivas, que podem ser aplicadas de forma isolada ou cumulativa, dependendo da gravidade do caso. A penalidade para o descumprimento da lei foi ampliada em 2024. Antes a pena era de 3 meses a 2 anos de detenção, enquanto hoje é de 2 a 5 anos de reclusão.

REPERCUSSÃO NEGATIVA

Desde sua inauguração em 2015, a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande tem sido apontada como uma referência em relação à política pública a favor das mulheres. Porém, em fevereiro deste ano, a morte da jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, colocou em xeque a eficácia do atendimento da entidade.

No mesmo dia em que foi assassinada pelo seu ex-noivo Caio Nascimento, de 35 anos, Vanessa procurou atendimento e ajuda na Casa da Mulher Brasileira da Capital, mas não foi atendida como deveria e foi encontrada morta horas depois.

Após esse caso, outras vítimas de violência doméstica relataram terem recebido o mesmo tipo de tratamento quando foram até o local.

A pressão foi tão grande que o governo do Estado veio à público admitir falhas na rede de proteção às mulheres vítimas de violência e no atendimento prestado a Vanessa.

Entre as ações adotadas após o caso, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) anunciou a instalação de uma nova vara judicial dentro da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande.

Já a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) propôs a implementação de programa de capacitação e treinamento humanizado para policiais e funcionários da Casa da Mulher Brasileira. O Monitor da Violência contra a Mulher também surgiu após este caso.

*SAIBA

A Central de Atendimento à Mulher pode ser acionada pelo número 180. 

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extremos

Previsão aponta que MS terá onda de calor e frente fria entre quinta-feira e domingo

Tempo oscila de um extremo a outro nos próximos dias em Mato Grosso do Sul, com variações também entre dias de tempo seco e temporais

22/04/2026 18h30

Chuva e frio devem chegar entre a noite de domingo e segunda-feira, após período de onda de calor

Chuva e frio devem chegar entre a noite de domingo e segunda-feira, após período de onda de calor Foto: Paulo Ribas / Arquivo

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O tempo terá grandes oscilações em Mato Grosso do Sul nos próximos dias, com previsão de onda de calor e tempo seco, seguida de frente fria com queda nas temperaturas e chuvas, segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec).

Conforme o Cemtec, entre quinta-feira (23) e sábado (25), a previsão indica tempo firme, com predomínio de sol e variação de nebulosidade.

Nestes dias, as temperaturas estarão elevadas, com máximas que podem atingir 37°C, especialmente nas regiões pantaneira e nordeste do Estado. Em Campo Grande, a mínim prevista é de 20°C, com máxima de 34°C.

O tempo deve ficar seco, com umidade relativa do ar entre 25% a 45%, índices considerados estado de atenção.

Essa situação ocorre devido a atuação de um sistema de alta pressão atmosférica que favorece o tempo mais
quente e seco.

"Diante desse cenário de calor intenso, acima da média para o período, associado à baixa umidade do ar, recomenda-se à população evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia e manter-se bem hidratado", alerta o Cemtec, em nota.

"Além disso, as condições meteorológicas previstas tornam o ambiente atmosférico propício para ocorrência de incêndios florestais e recomenda-se que a população não coloque fogo em nenhuma situação", acrescenta o centro.

Apesar do predomínio de tempo estável, não se descartam pancadas de chuva em áreas isoladas.

Frente fria

O domingo (26) começa com previsão de sol e temperaturas elevadas, de até 37°C.

Porém, entre tarde e noite o tempo começa a mudar e há possibilidade de chuvas e tempestades que podem vir acompanhadas de raios e rajadas de vento, principalmente nas regões sul e oeste do Estado.

Essa condição meteorológica é favorecida pela aproximação e o avanço de uma frente fria. Além disso, o intenso transporte de calor e umidade, aliado ao deslocamento de cavados, contribui para a formação de instabilidades em Mato Grosso do Sul, segundo o Cemtec.

Na segunda-feira (27), a instabilidade persiste e a chuva tende a se espalhar para outras regiões do estado.

Com a passagem do sistema frontal, deve haver queda nas temperaturas, especialmente no sul do Estado, onde as temperaturas mínimas podem ficar entre 16°C e 18°C.

O Cemtec destaca ainda a ocorrência de mínima invertida, condição em que a menor temperatura do dia é registrada entre a tarde e a noite, em função da entrada gradual de ar mais frio ao longo do período.

Em relação a previsão de temperaturas por regiões, são esperadas:

  • Regiões Sul, Cone-Sul e Grande Dourados: mínimas entre 16-20°C e máximas entre 22-31°C.
  • Regiões Pantaneira e Sudoeste: Mínimas entre 20-24°C e máximas entre 25-37°C.
  • Regiões Bolsão, Norte e Leste: Mínimas entre 20-23°C e máximas entre 29-35°C.
  • Campo Grande: Mínimas entre 21-23°C e máximas entre 29-33°C.

Transtorno

Evento "Cê Tá Doido" provoca caos no trânsito e expõe falhas na mobilidade em Campo Grande

Caos na Duque de Caxias expõe despreparo da Capital para megaeventos

22/04/2026 18h18

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A realização do projeto “Cê Tá Doido” em Campo Grande mobiliza fãs de música sertaneja e provoca grandes transtornos no trânsito em uma das principais vias da cidade. O evento, que transforma postos de combustíveis em palco para gravações musicais, ocorre nesta quarta-feira (22), com apresentações de Ícaro & Gilmar e Humberto & Ronaldo.

Com proposta inovadora, o “Cê Tá Doido” ganhou notoriedade nas redes sociais ao apostar em um formato diferente de show: apresentações gravadas em postos de combustível, com palco em 360° e proximidade com o público, criando um ambiente semelhante a uma confraternização entre amigos. O que começou como uma gravação improvisada se transformou em um fenômeno itinerante, percorrendo diversas cidades do país.

Situações como essa expõem fragilidades no planejamento urbano da Capital ao receber eventos de grande porte, especialmente quando há mudanças de última hora em uma das vias mais importantes da cidade, gerando impactos diretos à população.

A Prefeitura confirmou interdições parciais na Avenida Duque de Caxias a partir das 15h, horário de pico para motoristas que seguem em direção ao aeroporto ou retornam do trabalho.

A medida gerou preocupação entre moradores, que apontam que os impactos vão além do evento pontual e evidenciam desafios estruturais no planejamento viário de Campo Grande.

Motoristas já sentem os reflexos das alterações no trânsito. O professor de Educação Física Bruno Silva, de 30 anos, que tinha um voo de Campo Grande para Campinas, relatou atraso no trajeto.

“Demorei cerca de 10 minutos a mais para chegar ao aeroporto. Aparentemente, o caos vai começar a partir de agora”, afirmou.

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O comerciante Fábio Pereira, de 40 anos, disse que já esperava os transtornos.

“Campo Grande não tem estrutura para receber um evento dessa proporção. O horário de pico agrava ainda mais o trânsito em uma via que dá acesso a várias regiões da cidade e também prejudica quem precisa chegar ao aeroporto”, destacou.

Já o administrador Luiz Oliveira afirmou que não tinha conhecimento do evento.

“Nem estava sabendo de show nenhum. Estou voltando para casa e, de repente, esse caos aqui na Duque de Caxias. Se com organização prévia nada funciona nessa cidade, imagina com show marcado em cima da hora”, criticou.

Problemas semelhantes já foram registrados recentemente, como no dia 9 de abril, durante o show da banda Guns N' Roses, que também causou transtornos a fãs e moradores.

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Apesar de gratuito, o evento exigiu cadastro prévio para retirada de ingressos, que se esgotaram rapidamente, cerca de 4 mil entradas foram disponibilizadas. A organização reforçou que os ingressos são nominais e vinculados ao CPF, sendo obrigatória a apresentação de documento oficial.

A abertura dos portões está prevista para as 16h, com início da gravação às 18h. Com temática inspirada na Copa do Mundo, o público foi incentivado a comparecer com roupas nas cores do Brasil, com o objetivo de criar uma atmosfera de celebração coletiva durante a gravação do DVD.

A estrutura do evento e a expectativa de grande público ampliam as preocupações com a mobilidade urbana na região. A Avenida Duque de Caxias, importante ligação com a região da Nova Campo Grande e acesso ao aeroporto, pode sofrer impactos significativos, especialmente devido a estacionamentos irregulares e à presença de ambulantes.

Organizador

Em pronunciamento nas redes sociais, o organizador Rafael Cabral pediu a colaboração do público para evitar transtornos e garantir a segurança. Ele destacou que a escolha de Campo Grande foi feita com carinho, mas reconheceu os desafios logísticos.

Segundo ele, mudanças na estrutura ou no local do evento não são viáveis neste momento, pois poderiam adiar a gravação por até dois meses, em função da agenda dos artistas.

O organizador também ressaltou que houve apoio das autoridades locais desde a apresentação da proposta e afirmou que a equipe trabalha para acomodar o maior número possível de pessoas no espaço do evento.

Ele ainda revelou que participou de uma reunião com autoridades na manhã desta quarta-feira, horas antes do show, sem detalhar quais órgãos estiveram presentes.

A reportagem procurou a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) para saber como foi realizado o planejamento das interdições, mas, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

A orientação final é para que o público compareça com responsabilidade, respeitando as regras e colaborando para que o evento ocorra de forma organizada e segura.

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