A pequena Helloysa da Silva Martins, de 8 anos, que passou por um tratamento de cinco anos no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), foi chamada para receber um transplante renal.
O momento, conforme destacou a equipe do hospital que acompanhou o tratamento da menina, natural de Douradina, simboliza um recomeço para quem, desde os três anos, passou a encarar as idas ao hospital como parte da rotina.
Desde os três anos, Helloysa recebeu acompanhamento da equipe de nefropediatria do Humap, inicialmente devido a um quadro de hipertensão arterial grave.
Com o agravamento da doença renal crônica para o estágio cinco, desde julho de 2025, ela precisou iniciar tratamento de hemodiálise três vezes por semana.
Foi um percurso enfrentado pela pequena, sempre acompanhada da mãe, Rosângela da Silva Martins, moradora de Douradina, município localizado a 193 quilômetros de Campo Grande.
Juntas, cumpriam religiosamente as sessões de tratamento, três vezes por semana, com duração de quatro horas cada.
Mesmo diante de uma rotina exaustiva, Helloysa enfrentou todo o processo com um sorriso no rosto, brincadeiras e uma força que impressionou os profissionais com quem conviveu nesse período.
Bateria de exames
Em novembro de 2025, após passar por uma bateria de exames e avaliações realizadas pela equipe multiprofissional do hospital, a pequena, ao ser considerada apta, foi inscrita na fila nacional de transplantes.
O telefonema inesperado na madrugada do dia 8 de janeiro mudou o rumo da família, que não imaginava uma espera tão curta. Do outro lado da linha veio a informação tão aguardada: havia surgido um rim compatível em um centro transplantador de Belo Horizonte (MG).
“Quando ligaram de madrugada dizendo que tinha surgido um rim compatível, foi um susto e uma alegria ao mesmo tempo. Graças a Deus deu tudo certo. Ela já está comendo, andando, fazendo xixi. A gente sabe que ainda tem um caminho pela frente, mas hoje é só gratidão”, contou a mãe.
Imagem DivulgaçãoLogística
Ao receber a informação da convocação da menina, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), por meio da equipe de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), organizou toda a logística para garantir que a pequena sul-mato-grossense chegasse ao centro transplantador dentro do prazo estabelecido.
Como a situação exigia um transporte rápido, seguro e confortável, Helloysa foi levada até o aeroporto em uma ambulância, com o apoio de uma força-tarefa integrada que envolveu o Município de Douradina, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Durante o trajeto, a rodovia estava parcialmente interditada em decorrência de um acidente, o que tornou fundamental a escolta da PRF para que a criança chegasse ao aeroporto no horário previsto.
Embarque
Em Campo Grande, ela seguiu para Belo Horizonte (MG), onde o transplante foi realizado no dia 9 de janeiro.
Após a cirurgia, Helloysa permaneceu por um período no Centro de Terapia Intensiva (CTI), apresentou boa resposta ao procedimento e, atualmente, está internada na enfermaria, em processo de recuperação e adaptação ao novo órgão.
Equipe
A superintendente do Humap-UFMS, Andrea Lindenberg, destacou que a história de Helloysa simboliza o impacto do cuidado contínuo ofertado pelo hospital.
“Cada transplante carrega uma história de luta, dedicação e esperança. A Helloysa é o 16º paciente transplantado acompanhado pelo Humap-UFMS, um marco que reforça o compromisso da nossa equipe com um cuidado humanizado, multiprofissional e que acompanha o paciente ao longo de toda a sua trajetória”, ressaltou.
Segundo a enfermeira Flávia Nantes Fausto, que acompanhou de perto o tratamento, até os dias mais difíceis eram enfrentados com leveza pela menina.
“Mesmo com uma rotina tão pesada de hemodiálise e deslocamentos constantes, ela sempre chegava sorrindo. O transplante não representa a cura, mas traz qualidade de vida, esperança e novas possibilidades para essa criança e para a família”, explicou.
Transplante em Minas
No hospital mineiro, Helloysa foi recebida por João Guilherme Morales dos Santos, também paciente do Humap-UFMS e colega de hemodiálise, que havia passado por um transplante renal meses antes.
O encontro emocionou equipes e familiares, simbolizando a continuidade do cuidado e os vínculos criados ao longo do tratamento.
Helloysa permanecerá em Belo Horizonte pelos próximos meses para acompanhamento rigoroso. Somente após liberação da equipe médica ela passará a alternar o monitoramento entre Campo Grande e a capital mineira.
Os planos para quando deixar o hospital, embora simples, são cheios de significado: tomar banho de piscina, algo que não era permitido durante o período de hemodiálise.
O transplante, realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), representa para a pequena a possibilidade de viver a infância com mais liberdade, leveza e esperança.


Local de ocultação do corpo

