Cidades

Hospital Regional Rosa Pedrossian

Menina sofre morte cerebral por meningite

Menina sofre morte cerebral por meningite

Silvia Tada

30/10/2010 - 00h00
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Maíra Ferreira de Oliveira, de 9 anos — completa 10 no próximo dia 8 de novembro — foi diagnosticada com meningite bacteriana e, internada no Hospital Regional Rosa Pedrossian, teve morte cerebral na última quinta-feira. Ela permanece ligada a aparelhos, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A família da criança afirma que houve negligência médica no diagnóstico da doença, além de demora na remoção da vítima do posto de saúde para o HR. Desde o início do ano, 11 pessoas morreram em Mato Grosso do Sul (seis em Campo Grande) vítimas de meningite.

A mãe de Maíra é Maria Esmeralda Ferreira Ortiz, de 47 anos, pensionista e manicure, moradora do Parque do Lageado, região da saída para Sidrolândia. Ela relatou que a filha foi para escola normalmente na segunda-feira, jantou e estava bem. Por volta das 2h, começou vomitar e apresentava febre. "Fui às 5h para a unidade 24h da Coophavila II. Só fui atendida às 6h20min e o médico disse que era uma virose. Contei que minha filha, em 2004, teve meningite viral, mas o médico falou que não tinha nenhuma relação", relembrou a mãe.

A menina foi colocada para tomar soro e, até as 7h, ainda não havia sido medicada (o médico havia receitado dipirona e outro remédio para cortar o vômito). "Ela continuava vomitando e não abria mais o olho. Outra coisas que achei errado foi que havia apenas pediatra no posto 24h e nenhum clínico-geral. Foram necessários dois pediatras para avaliar minha filha", reclamou. Por volta das 11h30min, os médicos decidiram encaminhá-la ao HR.

"O problema, dessa vez, foi que não havia ambulância na unidade de saúde. Tivemos que esperar mais um tempo até que o transporte chegasse. Quando arrumaram o carro, minha filha teve que ir junto com outra paciente, que estava em uma maca. A Maíra estava com febre de 38,5 graus".

Isolamento
Ao chegar no Hospital Regional, mãe e filha foram colocadas em uma sala, isoladas, e orientadas para que, em caso de necessidade de ir ao banheiro, colocassem máscaras cirúrgicas. "Minha filha não aguentava mais nem andar. Já estava sem enxergar e eu tinha que carregá-la. Comecei a implorar para que os médicos a atendessem. Ainda não tinham feito nenhum exame", relatou Maria Esmeralda.

Somente após a reclamação foi colhida amostra de urina e de sangue para fazer o diagnóstico de qual doença ela tinha. Enquanto isso, a menina tomou cinco frascos de soro. Era por volta das 16h30min quando a vítima "arruinou" e, em convulsão, perdeu um dos dentes. "A médica abriu a boca dela, que estava cheia de sangue e imediatamente chamou um infectologista para fazer uma tomografia. Esse exame mostrou que não havia nada de errado no cérebro. Foi feita, então, coleta do líquido da coluna. Nisso ela já não se mexia mais".

Por volta das 17h, ela foi encaminhada para a UTI. O exame confirmou que Maíra tinha meningite bacteriana. Anteontem, o médico que cuida da criança confirmou à família que Maíra está em coma e com morte cerebral. "Eles fizeram o que podia ser feito. Ela está muito debilitada, o coração está fraco. Aqui no Regional, com exceção do PAM, todos os profissionais nos atenderam bem. O problema maior foi a demora no posto de saúde", acusou a mãe.

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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