Maíra Ferreira de Oliveira, de 9 anos — completa 10 no próximo dia 8 de novembro — foi diagnosticada com meningite bacteriana e, internada no Hospital Regional Rosa Pedrossian, teve morte cerebral na última quinta-feira. Ela permanece ligada a aparelhos, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A família da criança afirma que houve negligência médica no diagnóstico da doença, além de demora na remoção da vítima do posto de saúde para o HR. Desde o início do ano, 11 pessoas morreram em Mato Grosso do Sul (seis em Campo Grande) vítimas de meningite.
A mãe de Maíra é Maria Esmeralda Ferreira Ortiz, de 47 anos, pensionista e manicure, moradora do Parque do Lageado, região da saída para Sidrolândia. Ela relatou que a filha foi para escola normalmente na segunda-feira, jantou e estava bem. Por volta das 2h, começou vomitar e apresentava febre. "Fui às 5h para a unidade 24h da Coophavila II. Só fui atendida às 6h20min e o médico disse que era uma virose. Contei que minha filha, em 2004, teve meningite viral, mas o médico falou que não tinha nenhuma relação", relembrou a mãe.
A menina foi colocada para tomar soro e, até as 7h, ainda não havia sido medicada (o médico havia receitado dipirona e outro remédio para cortar o vômito). "Ela continuava vomitando e não abria mais o olho. Outra coisas que achei errado foi que havia apenas pediatra no posto 24h e nenhum clínico-geral. Foram necessários dois pediatras para avaliar minha filha", reclamou. Por volta das 11h30min, os médicos decidiram encaminhá-la ao HR.
"O problema, dessa vez, foi que não havia ambulância na unidade de saúde. Tivemos que esperar mais um tempo até que o transporte chegasse. Quando arrumaram o carro, minha filha teve que ir junto com outra paciente, que estava em uma maca. A Maíra estava com febre de 38,5 graus".
Isolamento
Ao chegar no Hospital Regional, mãe e filha foram colocadas em uma sala, isoladas, e orientadas para que, em caso de necessidade de ir ao banheiro, colocassem máscaras cirúrgicas. "Minha filha não aguentava mais nem andar. Já estava sem enxergar e eu tinha que carregá-la. Comecei a implorar para que os médicos a atendessem. Ainda não tinham feito nenhum exame", relatou Maria Esmeralda.
Somente após a reclamação foi colhida amostra de urina e de sangue para fazer o diagnóstico de qual doença ela tinha. Enquanto isso, a menina tomou cinco frascos de soro. Era por volta das 16h30min quando a vítima "arruinou" e, em convulsão, perdeu um dos dentes. "A médica abriu a boca dela, que estava cheia de sangue e imediatamente chamou um infectologista para fazer uma tomografia. Esse exame mostrou que não havia nada de errado no cérebro. Foi feita, então, coleta do líquido da coluna. Nisso ela já não se mexia mais".
Por volta das 17h, ela foi encaminhada para a UTI. O exame confirmou que Maíra tinha meningite bacteriana. Anteontem, o médico que cuida da criança confirmou à família que Maíra está em coma e com morte cerebral. "Eles fizeram o que podia ser feito. Ela está muito debilitada, o coração está fraco. Aqui no Regional, com exceção do PAM, todos os profissionais nos atenderam bem. O problema maior foi a demora no posto de saúde", acusou a mãe.



