Mesmo contando com uma série de equipamentos do bilionário Sisfron, programa que funciona como uma espécie de barreira virtual de alta tecnologia para monitorar os mais de 16 mil quilômetros de fronteira seca do Brasil, a mais eficaz arma do Exército no combate ao narcotráfico na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia é Sindy, uma cadela farejadora da raça Pastor Belga Malinois.
Com quatro anos e 26 quilos, faz três anos que ela “trabalha” ao lado dos militares de Corumbá e desde o começo de julho deste ano entra e sai dos ônibus que passam por um pente-fino na altura do posto fiscal Lampião Aceso, na BR-262, a cerca de dez quilômetros da área urbana da chamada Cidade Branca.
“Ela é fundamental na nossa operação. O grau de erro do cão é muito baixo”, explica um dos 30 militares que diariamente fazem vistorias em carros de passeio, caminhões e ônibus que saem da região de fronteira com a Bolívia rumo ao centro de Mato Grosso do Sul.
Desde o começo de julho, quando começou a operação Jaguaretê, os militares estimam ter causado prejuízo da ordem de R$ 1 milhão ao narcotráfico em Corumbá e a maior parte das descobertas, quase todas de maconha ou sub-produtos da droga, ocorreu por conta do faro treinado a Pastor Belga, revelam os militares.
Ao mesmo tempo em que Sindy percorre o interior dos ônibus em busca de algum entorpecente escondido e fareja as bagagens dos passageiros, a alguns metros dalí outros militares fazem questão de destacar a importância de um binóculo termal adquirido no ano passado com recursos do Sisfron, programa que já teve investimentos da ordem de R$ 3 bilhões na aquisição de equipamentos usados para vigiar as fronteiras.
Binóculo térmico importado de Israel é usado pelo Exército no combate ao narcotráfico próximo a Corumbá Adquirido de indústria bélica de Israel, o binóculo tem longo alcance inclusive no período noturno. Com ele é possível, por exemplo, identificar a placa de um veículo a 200 ou 300 metros de distância. Ele detecta, também, emissões de calor de corpos humanos, veículos e animais, permitindo visibilidade total em noites escuras, neblina, fumaça ou mata fechada.
Mas, apesar da alta tecnologia, os militares não lembram de terem feito alguma apreensão de drogas na Operação Jaguaretê especificamente por conta do uso do binóculo.
O binóculo israelense, porém, está longe de ser o principal equipamento adquirido com recursos do Sisfron e que estão disponíveis em Corumbá. A cerca de dez quilômetros do local da barreira os militares, na sede de uma das unidades do Exército em Corumbá, eles contam com uma espécie de quartel-general digital montado sobre veículos.
QG MÓVEL
Oficialmente chamado de CC2 Móvel (Centro de Comando e Controle Móvel), o quartel é composto por três viaturas. Do interior delas é possível acompanhar todos os dados de radares, sensores, câmeras, patrulhas e tropas que estão espalhadas pela região.
Entregue ao Exército em Corumbá em junho deste ano, o o CC2 Móvel é composto por três viaturas integradas, batizadas de Autoridades, Células e Apoio de Tecnologia da Informação, cada uma com função específica dentro do conjunto.
Juntas, formam um ambiente capaz de receber, analisar e difundir informações em tempo real, permitindo que o comandante e seu estado-maior planejem operações e emitam ordens a partir do próprio terreno, em vez de depender exclusivamente de centros fixos distantes da área de operações.
Os equipamentos são fabricados pela Embraer e fazem parte da segunda etapa de investimentos do Sisfron. A previsão é de que pelo menos 15 destes conjuntos sejam distribuídos ao longo da fronteira brasileira.
Viaturas equipadas com uma série de sistemas de comunicação são apelidadas de quartel-general móvel



