Cidades

ESPECIAL 123 ANOS

Migração contribuiu para a formação da cultura campo-grandense

Paraguaios são um dos povos que chegaram a Campo Grande com a instalação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, inaugurada em 1914

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Com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), Campo Grande ganhou muito mais que novos habitantes. A cidade se desenvolveu e, junto do crescimento, vieram imigrantes que contribuíram para que a hoje capital de Mato Grosso do Sul enriquecesse a sua cultura.  

Entre esses povos, alguns se destacaram mais que outros, e talvez um dos mais presentes atualmente no que temos como inconsciente coletivo de Campo Grande é a colônia paraguaia.

“Não podemos esquecer que Campo Grande fica bem no meio dessa parte sul do Estado, e essa posição geográfica só vai interferir com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Se tudo que nós tínhamos de relações era por meio de Cuiabá, a partir da chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que une Campo Grande com a Bolívia e com o Paraguai, todo esse contexto de Bolívia e Paraguai começa a ter uma relação muito forte com Campo Grande”, explica o historiador Roberto Figueiredo.  

“Então, se isso não existia, a partir da estrada de ferro a gente vai ter esse grande contato com esses dois povos”, completa Figueiredo. A inauguração da ferrovia em Campo Grande ocorreu em 1914.

Segundo o diretor cultural da Associação Colônia Paraguaia, Ricardo Zelada Cafure, hoje há pelo menos 100 mil paraguaios e descendentes diretos morando em Campo Grande.  

O maior fluxo de chegada dessa população ocorreu de 1930 a 1940, quando houve a vinda de trabalhadores para as plantações de erva-mate na região sul de Mato Grosso do Sul, já que, na época, a região era uma das maiores exportadoras do produto do mundo.

A vinda para Campo Grande foi um pouco depois, por causa do desenvolvimento da cidade, que ainda pertencia a Mato Grosso. “Como se trata de uma cidade desenvolvida, famílias inteiras se instalaram em Campo Grande. A cidade recebeu muitos paraguaios, principalmente de Concepción, onde houve uma grande migração, principalmente nas décadas de 1950, 1960”, conta Cafure.  

“O regime que eles tinham no Paraguai [na época] era um regime ditatorial, e as famílias se sentiam ameaçadas e não progrediam. Campo Grande recebeu muitos paraguaios que vinham trabalhar no frigorífico Bordon. Era um trabalho simples, mas honrado, e eles eram considerados os melhores desossadores do Estado”, relata Albino Romero, presidente do conselho deliberativo permanente da Associação Colônia Paraguaia.

“Vieram também os barbeiros paraguaios, e além deles vieram os alfaiates, os sapateiros. Esses que vieram para cá começaram a ter filhos, netos, e esses filhos e netos foram crescendo e hoje são um grupo de bons médicos, bons advogados, bons engenheiros. Se sobressaíram na profissão, somos respeitados”, acrescenta Romero.

GUERRA DO PARAGUAI

Mas antes mesmo de receber o nome de Campo Grande e de ser uma região desenvolvida, a cidade e o restante do Estado já tinham um vínculo com o país vizinho. Isso porque, durante a Guerra do Paraguai (1864 a 1870), o sul do que era a província de Mato Grosso foi invadido e tomado pelo Paraguai.

“Esse contato, principalmente com o Paraguai, é histórico. O sul do nosso estado em determinados momentos pertenceu ao Paraguai, durante a guerra, e em outros momentos não. Por termos essa relação de fronteira seca, em que é mais difícil de coordenar a passagem das pessoas, ela vai cada vez mais fortalecer esse laço entre os estados. Essa relação pós-guerra do Paraguai, uma relação doída e de sofrimento, não podemos esquecer disso, começa a existir principalmente por conta dessas questões de fronteira”, contextualiza o historiador Roberto Figueiredo.

Nessas condições foi que a região foi moldada e recebeu uma entrada cada vez maior de paraguaios que chegavam em busca de melhores condições de vida.

Operação Leviatã 2

Polícia Civil deflagra operação contra avanço do Comando Vermelho em MS; dois suspeitos morrem

Dos quatro alvos da operação, três foram localizados em Rondonópolis, no Mato Grosso, e um em Coxim

11/06/2026 17h00

Foto: Divulgação / PCMS

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta quinta-feira (10) a segunda fase da Operação Leviatã, voltada ao combate à expansão da organização criminosa Comando Vermelho no Estado.

Durante a ação, quatro mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Dois investigados morreram após confronto com policiais em Rondonópolis (MT).

A operação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Especializada (DPE), por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras), em conjunto com o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), através da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Decco).

Segundo a Polícia Civil, a investigação apura a atuação de integrantes da facção criminosa envolvidos em crimes graves praticados na região norte de Mato Grosso do Sul. Dos quatro alvos da operação, três foram localizados em Rondonópolis, no Mato Grosso, e um em Coxim.

Durante o cumprimento de um dos mandados em Rondonópolis, equipes do Garras localizaram um dos principais investigados em uma residência apontada como esconderijo da organização criminosa. Conforme a polícia, dois suspeitos reagiram à abordagem utilizando armas de fogo e passaram a representar risco aos agentes que participavam da operação.

Diante da situação, houve intervenção policial para conter a agressão. Os dois homens foram socorridos e encaminhados a uma unidade hospitalar da região, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.

No imóvel, os policiais apreenderam armas de fogo supostamente utilizadas pelos investigados, além de uma quantidade de droga com características semelhantes à maconha. Todo o material foi recolhido para perícia e demais procedimentos de polícia judiciária.

De acordo com a Polícia Civil, a Operação Leviatã 2 integra uma série de ações permanentes de enfrentamento às organizações criminosas e ao tráfico de drogas no Estado. O objetivo é desarticular a estrutura da facção, identificar novos integrantes e impedir o avanço de suas atividades em Mato Grosso do Sul.

As investigações continuam para localizar outros envolvidos. 

Vandalismo

Campo Grande registra 113 ataques a semáforos e perde 3 km de cabos em 2026

Furtos, vandalismo e até ataques de aves comprometem a sinalização viária e obrigam prefeitura a redirecionar recursos para manutenção emergencial

11/06/2026 16h47

Foto: Divulgação

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A segurança e a fluidez do trânsito de Campo Grande vêm sendo impactadas por uma sequência de furtos e atos de vandalismo contra a rede semafórica da Capital.

Somente nos primeiros meses de 2026, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) contabilizou 113 ocorrências envolvendo furtos, tentativas de furto e depredação de equipamentos responsáveis pelo controle do tráfego em diferentes regiões da cidade.

O balanço do órgão aponta que os casos já resultaram na elaboração de 93 boletins de ocorrência e acenderam o alerta sobre os prejuízos causados à mobilidade urbana, à segurança viária e aos cofres públicos.

Entre os danos mais significativos está o furto de aproximadamente 3 mil metros de cabos elétricos utilizados na alimentação dos semáforos. Além disso, criminosos levaram 12 controladores semafóricos, equipamentos considerados essenciais para o funcionamento e a sincronização dos cruzamentos.

A retirada desses dispositivos provoca a interrupção total da sinalização em diversos pontos da cidade, aumentando os riscos de acidentes e exigindo resposta imediata das equipes técnicas da Agetran.

Equipamentos apagados elevam riscos no trânsito

Quando um semáforo deixa de funcionar, motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres passam a depender exclusivamente das regras gerais de circulação para atravessar os cruzamentos, situação que pode gerar conflitos e aumentar a possibilidade de colisões.

Segundo Ciro Ferreira, diretor-presidente da Agetran, que conversou com a equipe de reportagem do Correio do Estado, a recuperação dos equipamentos danificados exige o deslocamento de equipes especializadas, a reposição de materiais e, em alguns casos, a reconstrução completa da estrutura comprometida.

"Quando um componente semafórico é furtado, o prejuízo vai muito além do equipamento. A população perde uma ferramenta fundamental para a organização e a segurança do trânsito, especialmente em cruzamentos de grande movimento. Essas ocorrências colocam em risco a vida de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres, exigindo dos condutores atenção redobrada ao cruzar a via. Além dos impactos na mobilidade urbana, esses atos demandam a mobilização de equipes técnicas e de recursos públicos que poderiam ser destinados a melhorias no sistema viário. A AGETRAN permanece à disposição para atuar da forma mais ágil possível no restabelecimento dos equipamentos afetados, mas reforça a importância do apoio da sociedade no combate a esse tipo de crime", disse Ciro Ferreira.

Problema vai além da ação criminosa

Embora os furtos representem a maior parte das ocorrências, a Agetran também enfrenta outros desafios relacionados à manutenção da rede semafórica.

Neste ano, foram registradas 15 ocorrências envolvendo ataques de periquitos aos equipamentos. As aves costumam danificar componentes e fiações instaladas nos semáforos, provocando falhas operacionais que exigem reparos técnicos.

Outro problema recorrente são as colisões de veículos contra postes e estruturas de sustentação. Esses acidentes frequentemente comprometem o funcionamento da sinalização e obrigam a realização de intervenções emergenciais para restabelecer a operação dos cruzamentos.

Recursos deixam de ser investidos em melhorias

De acordo com a Agetran, os impactos financeiros dos furtos e atos de vandalismo vão além da simples reposição de peças.

Recursos que poderiam ser destinados à modernização da sinalização, ampliação da infraestrutura viária e projetos de mobilidade urbana acabam sendo direcionados para a recuperação de equipamentos danificados.

A situação gera um efeito em cadeia, retardando investimentos planejados para melhorar a circulação de veículos e a segurança dos usuários das vias públicas.

Monitoramento e manutenção diária

Para reduzir os impactos causados pelas ocorrências, a agência mantém equipes atuando diariamente no monitoramento e na manutenção dos semáforos espalhados pela Capital.

Sempre que uma falha é identificada, técnicos são mobilizados para realizar os reparos necessários e restabelecer a sinalização no menor tempo possível, minimizando os transtornos para a população.

 População pode ajudar

A Agetran orienta que qualquer irregularidade observada nos semáforos seja comunicada imediatamente à Central 156. O registro permite o acionamento rápido das equipes responsáveis e contribui para aumentar a segurança de motoristas e pedestres.

A participação da população também é considerada fundamental para auxiliar na identificação de atos de vandalismo e furtos que comprometem o funcionamento da rede semafórica da cidade.

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