Os milicianos que controlam a cidade de Slaviansk, no leste da Ucrânia, libertaram hoje o sueco Thomas Johansson, um dos oito observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce) que foram capturados na última sexta.
Johansson deixou o prédio da prefeitura da cidade, onde os reféns foram apresentados mais cedo, escoltado por três homens desarmados da Osce, que negocia a liberação dos inspetores com os rebeldes. Ainda não há informações sobre o motivo que levou os insurgentes a soltarem apenas o sueco.
Os observadores faziam parte de uma missão para a Osce e eram escoltados por sete militares ucranianos, dos quais três estão detidos. Ontem, os milicianos disseram que os inspetores eram prisioneiros de guerra e os acusou de espionagem para a Otan.
A libertação do primeiro refém acontece horas após os oito serem apresentados pelo líder separatista local Viacheslav Pornomariov em uma entrevista coletiva para 60 jornalistas. O insurgente, no entanto, rejeitou o termo "refém" para se referir aos inspetores. "Eles são nossos convidados", disse.
Em seguida, o militar alemão Axel Schneider, que faz parte da missão da Osce, disse que todos os capturados estão bem e que os milicianos garantiram sua segurança. "Desejamos do fundo dos nossos corações voltar para casa o mais rápido possível".
Pornomariov disse que dialogará apenas com a Osce pela liberação dos reféns, já que, para ele, as autoridades ucranianas "não entendem nada que não seja o idioma da força". A organização enviou neste domingo uma delegação ao país, chefiada pelo secretário-geral Lamberto Zanier, para tentar liberar os inspetores.
Para o novo governo ucraniano, Moscou é responsável pela revolta no leste ucraniano e pretende anexá-lo, assim como aconteceu com a Crimeia. O Kremlin nega. Devido ao avanço russo, Estados Unidos e União Europeia aplicaram sanções econômicas, que devem ser intensificadas na semana que vem.
Obama
Mais cedo, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que é preciso aprovar as sanções conjuntamente com a União Europeia para mostrar ao líder russo, Vladimir Putin, que ele está isolado. Para ele, Moscou "não levantou um dedo" para resolver a crise com a Ucrânia.
"De fato, há fortes provas de que eles vem incentivando as atividades de extremistas no sul e no leste da Ucrânia", disse, em entrevista coletiva na Malásia.
Hoje, centenas de manifestantes pró-Rússia ocuparam a sede da TV regional de Donetsk, na cidade homônima. Os ativistas da intitulada República Popular de Donetsk exigiram que o canal passasse a transmitir a programação da emissora estatal russa Rossiya 24.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha emitiu um alerta de viagem para áreas no leste da Ucrânia devido à situação na região, com ênfase a jornalistas e profissionais de comunicação.

