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FOLIA

Mocidade da Nova Corumbá e Pesada na disputa pelo título do maior carnaval de MS

Com público menor que as edições anteriores, a passagem das dez escolas de samba pela Avenida General Rondon mostrou evolução do maior carnaval de rua do Centro-Oeste

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Depois de dois dias de grandes espetáculos na Avenida General Rondon, durante os desfiles de dez escolas de samba em Corumbá, a cidade dividida se envolve agora na discussão sempre polêmica das notas dos jurados. A apuração vai ocorrer nesta quarta-feira, a partir das 16h, e duas escolas está com maiores chances de conquistar o título de campeã: A Pesada e a Mocidade da Nova Corumbá.

Uma das favoritas, a Império do Morro fez uma apresentação grandiosa, na noite desta segunda-feira, mas pecou em detalhes – como os vazios na pista – e vacilou no final ao ultrapassar em um minuto o tempo cronometrado de 70 minutos previsto no regulamento. Encerrando o segundo dia de desfile, a Mocidade da Nova Corumbá veio no vácuo da concorrente e arrasou, com favoritismo ao campeonato.

A passagem das dez escolas de samba pela avenida mostrou evolução do maior carnaval de rua do Centro-Oeste, porém o público foi menor em relação aos anos anteriores, cuja explicação a organização vai buscar após fazer um diagnóstico do que foi a festa, que começou em janeiro e teve uma programação oficial de oito dias. A ausência de shows nacionais pode ser um dos efeitos da participação maciça da população.

Púbico menor

A Capital do Pantanal recebeu muitos turistas brasileiros e bolivianos – mais de 70% de ocupação da rede hoteleira -, e a cidade consumiu carnaval nas últimas semanas com uma extensa programação organizada pela prefeitura. O clima ajudou, sem chuvas, no entanto a mudança de comportamento do público se notava nos 1.500 lugares disponibilizados nos camarotes, que permaneceram parcialmente lotados nos dois dias de desfiles.

Na passarela do samba, o samba no pé prevaleceu com o show de passistas, destaques dos carros alegóricos e as rainhas e a explosão das baterias. O desfile de ontem superou o de domingo com a passagem da Mocidade da Nova Corumbá e Império do Morro, com o público se manifestando com aplausos e cantando os enredos. O último dia contou com um convidado especial: o governador Eduardo Riedel, acompanhado da esposa, Mônica.

As lideranças políticas e os carnavalescos não se manifestaram publicamente, aproveitando a visita do governador e do diretor-presidente da Fundação de Turismo, Cultura e Esporte, Marcelo Miranda, sobre a redução do repasse financeiro do Governo do Estado para as escolas de samba. A imprensa local também não questionou, mas cobrou de Riedel um maior apoio para alavanca a folia pantaneira além do Rio Paraguai.

Show na passarela

Terceira escola a desfilar, depois da Imperatriz Corumbaense e Estação Primeira do Pantanal, a Império do Morro, campeã em 2024, entrou triunfante na avenida com 700 componentes, 18 alas e quatro carros alegóricos, apresentando muito luxo, mas pouca energia de seus integrantes, com a maioria não cantando o samba-enredo “Entre devaneios e mistérios – a vida é um sonho”. No final, a constatação: passou um minuto regulamentar no seu desfile, o que vale penalização de dois décimos.

O clima de expectativa aumentou no circuito do samba. Passou a escola Marques de Sapucaí, discretamente com avanços em sua concepção técnica, e a entrada da Mocidade da Nova Corumbá, já na primeira hora de terça-feira, foi emocionante. O público logo reagiu, acenava e aplaudia das arquibancadas e camarotes, e a escola se agigantou com um samba-enredo - “Mocidade grita forte Salve Tereza, Rainha do Quilombo, A Voz da Liberdade”, fácil de cantar.

Com alegorias e fantasias bem elaboradas e uma energia tomando conta dos seus integrantes, a escola foi ovacionada na passarela e não havendo erros apontados pelos jurados é a franca candidata ao título de campeã de 2026. A bateria foi o ponto alto, com interpretação impecável do carioca Braguinha, ecoando musicalidade e ritmo forte pela avenida. A Mocidade fechou o desfile às 2h20 arrastando o público das arquibancadas.

impasse

Novo balneário de Ribas do Rio Pardo vira alvo de inquérito do MP

Espaço que durante décadas recebeu banhistas, no Córrego Mantena, foi interditado depois da ativação de uma fábrica de celulose

17/02/2026 11h40

Fábrica de celulose foi ativada em julho de 2024, mas até agora o novo balneário municipal não saiu do papel

Fábrica de celulose foi ativada em julho de 2024, mas até agora o novo balneário municipal não saiu do papel

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Publicação do diário oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul relativa ao dia 19 de fevereiro, mas que já está disponível no site da instituição nesta terça-feira (17), revela que a promotoria de Ribas do Rio Pardo abriu inquérito civil para apurar possíveis irregularidades nos procedimentos para instalação de um novo balneário municipal nas imediações daquela cidade.

O balneário antigo, que funcionou durante décadas no Córrego Mantena, às margens da BR-262, foi desativado por conta da instalação da fábrica de celulose da Suzano. A empresa se comprometeu a bancar a instalação de um novo espaço de lazer, mas as proprietárias do local escolhido não aceitam e por conta disso, um ano e meio depois da ativação da fábrica, o novo balneário ainda não sai do papel.

Inicialmente a promotora Ana Rachel Borges Figueiredo Nina havia arquivado a denúncia. Porém, as proprietárias do imóvel desapropriado recorreram e a Procuradoria de Justiça determinou a sequência da investigação. 

No pedido de licença, a prefeitura alegou que o balneário seria para 100 pessoas, o que reduz as exigências para concessão de licença ambiental por parte do Imasul. Porém, as proprietárias do imóvel desapropriado alegam que o balneário tende a receber número superior a isso e por conta disso os estudos de impacto teriam de ser refeitos.  

Agora, a promotoria está dando prazo de 30 dias para que o Imasul e a prefeitura de Ribas do Rio Pardo apresentem os estudos que fundamentaram a desapropriação da área e a concessão de licença ambiental.  

Propietárias da área desapropriada, a professora universitária Maria Cristina Baracat Pereira e a advogada Maria Angela Baracat Cotrin, residentes em Viçosa (MG) e Araçatuba (SP), respectivamente, denunciam que a prefeitura e o Imasul teriam ignorado a legislação ambiental ao decidirem pela Fazenda Paraíso do Sul para o novo balneário. 

Inicialmente a Suzano tentou comprar 3 dos 538 hectares da fazenda, oferendo R$ 170 mil por hectare, conforme proposta feita em setembro de 2023. Porém, conforme o estudo ambiental, o represamento do Córrego Engano acabaria provocando o alagamento parcial de outros seis hectares e elas exigiam indenização por esta área também. 

Por conta disso, elas se recusaram a fechar negócio. Mas, em maio de 2024, apenas três meses antes da ativação da fábrica de celulose, a prefeitura desapropriou parte do imóvel. Por decreto, "tomou"  9,1 hectares da fazenda para virarem balneário. 

A área foi avaliada R$ 302.845,00, o que equivale a pouco mais de R$ 33 mil por hectare. Por conta disso, recorreram à Justiça contestando o valor e exigindo novos estudos ambientais.

Por isso, para tentar convencer o Judiciário, recorreram ao Ministério Público. E a Procuradoria, contrariando a promotora, entendeu que, apesar de não ter havido crime até agora, a instituição deve acompanhar o caso por conta de indícios de falhas na licença concedida pelo Imasul.

Fábrica de celulose foi ativada em julho de 2024, mas até agora o novo balneário municipal não saiu do papelEstudo que embasou licença informou que no local quase não havia vegetação nativa

O local do novo balneário fica a quase 7 quilômetros da cidade Ribas do Rio Pardo, às margens da MS-340. E, conforme a denúncia apresentada ao Ministério Público, a previsão é de que sejam desmatados em torno de sete hectares, embora o futuro lago esteja projetado para ter pouco menos de um hectare. 

As denunciantes alegam que a empresa contratada, que deveria arcar para fazer o estudo, contratou a Arater, deturpou as informações sobre a propriedade dizendo que ela já estava antropizada (praticamente sem vegetação nativa) e que por isso o impacto ambiental seria mínimo. 

SETE OPÇÕES

A Arater avaliou sete locais na região para implantação do novo balneário. O mais indicado foi justamente o do Córrego Engano, pelo fato de ser de fácil acesso e ser de água transparente e praticamente livre de poluição. 

Porém, as proprietárias contestam esta avaliação e até sugerem que o novo balneário seja instalado no Ribeirão São Félix, que fica a cerca de 14 quilômetros da praça central da cidade.

As fazendeiras utilizam, entre outros argumentos, o fato de que o Córrego Engano praticamente seca no período de estiagem e por isso o uso do futuro lago ficaria inviável em períodos de pouca chuva, já que seria formado por uma espécie de açude de água parada. 

Conforme a denúncia, o Ribeirão São Félix, com grande quantidade de água e que também é cortado pela MS-340, seria bem mais adequado para receber o balneário. 

Além disso, as fazendeiras denunciam que os estudos foram feitos para um espaço de lazer para receber, no máximo, cem pessoas, sendo que o número de frequentadores do antigo balneário ultrapassava isso em inúmeras datas. E foi justamente este um dos principais argumentos acatados pelo procurador ao votar pela reabertura da investigação.

Para elas, o caso deveria ter sido tratado como sendo balneário que teria capacidade para até 500 pessoas, o que traria a exigência de um estudo de impacto ambiental mais detalhado. 

Inicialmente as fazendeiras apresentaram ao Imasul denúncia de supostas irregularidades no licenciamento em abril do ano passado. Porém, como não obtiveram retorno, no começo de agosto voltaram ao Imasul, que mesmo assim manteve a concessão de licença para criação do lago. 

PREVISÕES

Em novembro do ano passado, ao ser procurada, a Suzano informou que os procedimentos para tirar o balneário do papel estavam em andamento.

Em nota, a empresa informou que "após receber as licenças e autorizações necessárias da Prefeitura Municipal de Ribas do Rio Pardo, iniciou a licitação para contratação da empresa que executará as obras do novo balneário. O processo está em andamento e a previsão é que a empresa seja definida no primeiro trimestre de 2026, com início imediato das obras. O cronograma foi estabelecido para coincidir com o período da seca, considerado o mais adequado para esse tipo de intervenção".

Fábrica de celulose foi ativada em julho de 2024, mas até agora o novo balneário municipal não saiu do papelAlém de um lago de cerca de um hectare, novo balneário receberá uma série de estruturas para acomodar visitanets

CAMPO GRANDE

Associação pede que MPMS apure morte de mulher trans baleada por policial

Caso ocorreu na tarde da última segunda-feira (16), Gabriella chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante atendimento médico

17/02/2026 11h15

Gabriella foi atingida por disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar

Gabriella foi atingida por disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar Gerson Oliveira

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A Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS) divulgou nota pública nesta segunda-feira (16) pedindo que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apure a morte de Gabriella, mulher trans de 27 anos baleada durante abordagem da Polícia Militar, em Campo Grande.

Conforme a entidade, Gabriella foi atingida por disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante atendimento médico. 

Na nota, a associação afirma que, ainda que haja discussão sobre a conduta da vítima no momento da abordagem, o uso da força precisa ser analisado sob os critérios da legalidade, necessidade e proporcionalidade. A ATMS sustenta que “quatro disparos não podem ser automaticamente compreendidos como legítima defesa sem uma análise técnica minuciosa” e cobra investigação “séria, transparente e imediata” por parte dos órgãos competentes.

"Esse histórico demonstra que, ainda que Gabriella estivesse errada em sua conduta, o uso desproporcional da força precisa ser rigorosamente apurado. Quatro disparos de arma de fogo não podem ser automaticamente compreendidos como legítima defesa sem uma análise técnica minuciosa. O que se tem agora é o extermínio de uma pessoa trans, fato gravíssimo que exige apuração séria, técnica e imediata por parte do MPE e demais órgãos competentes.

Ao realizarmos varreduras nas redes sociais, constatamos que não faltam comentários transfóbicos, com ataques, xingamentos, palavras de baixo calão e manifestações de cunho criminoso. Tais conteúdos serão levados às autoridades competentes, pois opinião não se confunde com violência verbal. Liberdade de expressão não é carta branca para incentivar ou aplaudir violência contra pessoas LGBT+. Todo e qualquer ato de violência é repudiável, seja praticado pela própria travesti, seja por agentes do Estado."

A entidade também declarou que não compactua com atos de violência, mas defende que eventuais excessos praticados por agentes públicos não podem ser relativizados. O documento reforça respeito à instituição Polícia Militar, ao mesmo tempo em que afirma que a farda “não pode servir de escudo para abusos” e que qualquer conduta irregular deve ser apurada com responsabilidade.

Outro ponto destacado pela associação é o aumento de manifestações consideradas transfóbicas nas redes sociais após a morte. Segundo a ATMS, comentários com ataques e ofensas serão reunidos e encaminhados às autoridades competentes.

Cabe ressaltar que a partir de 7 de maio, entra em vigor no Estado um novo procedimento que altera a forma de acompanhamento desses casos. As investigações sobre mortes registradas como decorrentes de “confronto” ou em razão da atividade policial passarão a ficar oficialmente sob responsabilidade de promotores de Justiça e de agentes de segurança que integram equipe específica designada para esse tipo de apuração.

Na prática, isso significa que o MPMS atuará desde o início das investigações, acompanhando a coleta de provas, laudos periciais e demais diligências, com o objetivo de garantir maior transparência e independência na análise dos fatos.

No caso de Gabriella, ainda deverão ser esclarecidos pontos como a dinâmica da abordagem, se houve reação por parte da vítima, quais meios foram empregados antes da utilização da arma de fogo e se havia alternativas de menor potencial ofensivo disponíveis.

A associação afirma que acompanhará o andamento do caso e cobrará a responsabilização de eventuais irregularidades.

Confira a nota completa: 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por Attms Attms (@attms2001)

 

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