Cidades

INVESTIGAÇÃO

Morador de MS gerenciava R$ 360 milhões do tráfico

Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Ajura em Ponta Porã e em mais dois municípios do interior de SP

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A Polícia Federal (PF) prendeu, em Ponta Porã, um dos responsáveis por gerenciar o caixa milionário de uma quadrilha especializada no tráfico de drogas interestadual, que pegava cocaína na fronteira de Mato Grosso do Sul e transportava para cidades da Região Sudeste do País, e apresenta ligação até com o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Brasil.

A PF deflagrou ontem a segunda fase da Operação Ajura nos municípios de Ponta Porã, Ribeirão Preto (SP) e Jardinópolis (SP), com o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão e mais quatro de prisão preventiva. Além disso, houve o bloqueio de bens e de valores que superam a casa dos R$ 360 milhões.

Em conversa com o Correio do Estado, o delegado Luiz Henrique Corrêa da Silveira afirmou que dois dos quatro presos ontem, um deles de MS, eram os responsáveis por gerenciar a entrada e saída do dinheiro da quadrilha, especialmente nos gastos com o transporte da droga e compra de veículos que viriam a ser utilizados no tráfico, e foram intitulados como “administradores” pela PF.

“Dois desses que foram presos hoje [segunda-feira], um em Ribeirão [Preto] e um em Ponta Porã, são essas pessoas que tinham poder de gerência sobre esses R$ 360 milhões. Eles que determinavam: ‘deposita R$ 1 milhão na conta do beltrano’, ‘saca R$ 2 milhões da conta do ciclano’”, pontua.

“Ambos promoviam a transferência de dinheiro de empresas fantasma para pagar a droga, para comprar veículos que foram apreendidos, para alugar prédio, contrataram inclusive empilhadeira para carregar droga em Dourados. Então, todo o dinheiro por essas contas, de uma forma ou de outra, entraram em depósitos de pequeno valor, depósitos fracionados, e em contas de empresas fantasmas criadas apenas para isso”, completa Corrêa.

Contudo, o delegado destaca que todo o montante de R$ 360 milhões não estava presente na conta bancária dos investigados, e sim que é uma junção dos valores dos bens apreendidos dos investigados.

“A decisão determina o bloqueio de valores e bens. Então, tem casas e apartamentos em condomínio no estado de São Paulo, enquanto aqui em Mato Grosso do Sul tem residência e veículos. Todos esses bens que vão sendo apreendidos constam nesses R$ 360 milhões que o juiz determinou o bloqueio”, explica Corrêa.

Mesmo que esta segunda fase tenha prendido apenas quatro alvos, o delegado reforça que o número de investigados ligados a esta quadrilha chega a 45 nomes espalhados por Mato Grosso do Sul e São Paulo, oriundos de outras operações da Polícia Federal nos anos anteriores.

INVESTIGAÇÃO

Tudo começou em 2022, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 500 quilos de cocaína dentro de um caminhão frigorífico.

A partir da análise de mensagens do celular do motorista e observação da movimentação do dinheiro para comprar a droga e o caminhão, foi deflagrada a Operação Akã 1, em setembro de 2023, da qual resultou na prisão de Izael de Souza Junior, o Cabeça, líder operacional da quadrilha, que era de Dourados.

Corrêa confirmou que Cabeça já foi julgado e condenado a 31 anos de reclusão. Depois dele, mais 10 pessoas envolvidas com a logística do tráfico foram presas – todas de Mato Grosso do Sul – e, juntas, acabaram condenadas a 125 anos de cadeia.

Porém, mesmo diante dessas prisões, a polícia identificou mais suspeitos que seriam membros da associação criminosa, por meio de investigações paralelas, o que resultou nas duas fases da Operação Ajura, a primeira em agosto do ano passado e a segunda ontem.

O delegado também afirma que um dos investigados apresenta ligação com o Comando Vermelho (CV), facção do Rio de Janeiro, uma das duas maiores organizações criminosas do Brasil.

Ademais, não descartou novas operações em breve, já que com as novas apreensões de celulares devem revelar mais suspeitos ligados a quadrilha. “Novas análises e novos nomes vão surgir e assim vai. Já estamos com 45 investigados. Para ir para 50, 60 e 70 não custa nada”, declara.

*Saiba

O delegado da PF afirmou que a quadrilha utiliza um trajeto chamado Rota Caipira para transportar a droga. Este corredor “nasce” na fronteira com países vizinhos e pode atravessar Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e interior paulista.

“Ainda aqui, a droga é realojada em compartimentos de veículos de carga, porque são quantidades grandes. Daqui, ela segue para a região de Ribeirão Preto e Campinas, no interior de São Paulo, onde é descarregada”, disse. Inclusive, a rota é muito associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Jardim Noroeste

Homem é morto após atacar policiais com facão no Jardim Noroeste

Policiais teriam utilizado inclusive uma arma de choque na tentativa de contê-lo

26/04/2026 17h45

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Um homem de 41 anos, identificado como Carlos Carneiro Pinto, morreu por volta das 6h neste domingo (26) após avançar contra policiais militares armado com um facão, no bairro Jardim Noroeste.

Segundo o boletim de ocorrência da PM, Carlos teria passado a noite consumindo bebidas alcoólicas em uma conveniência da região, antes de seguir, por volta das 4h, para a casa de um conhecido, junto de uma mulher. Na casa, o consumo de álcool continuou, até que o homem passou a apresentar comportamento alterado, com sinais de surto, "agressividade e paranoia" após utilizar o banheiro.

Conforme o boletim de ocorrência, a vítima passou a afirmar que estava sendo perseguida e ameaçou os presentes com uma faca de serra. Em seguida, se armou com um facão e começou a golpear os móveis da residência. Diante da situação, o dono da casa conseguiu sair para pedir ajuda, enquanto a mulher se trancou no banheiro e acionou a Polícia Militar.

Ao chegar na casa, a equipe policial teria ordenado que Carlos largasse a arma e se deitasse no chão. Ele chegou a soltar a faca inicialmente, mas não obedeceu às ordens e voltou a agir de forma agressiva, destaca o boletim de ocorrência. Os policiais teriam utilizado inclusive uma arma de choque na tentativa de contê-lo, porém sem sucesso.

Na sequência, Carlos voltou a se armar com a faca e avançou contra os agentes. Diante do risco, um policial atirou contra Carlos, que caminhou alguns passos antes de cair. O Corpo de Bombeiros foi acionado e, ao chegar ao local, constatou a morte.  

A perícia identificou que a vítima foi atingida por disparos no antebraço, bíceps, abdômen e clavícula. O facão utilizado, com aproximadamente 60 centímetros de comprimento, e a arma do policial foram recolhidos para análise pericial.

As testemunhas foram encaminhadas à delegacia para prestar esclarecimentos. O caso foi registrado e será investigado pelas autoridades competentes. Conforme a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), está foi a 29ª morte por intervenção de agente de estado em 2026. 

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INTERIOR

Foragido da Justiça por roubo morre em confronto com o Choque em MS

Dois dias após fugir e descumprir ordem judicial, o homem foi localizado em uma residência, onde estaria escondido

26/04/2026 17h30

Ação foi realizada pelo Choque do município de Rio Verde

Ação foi realizada pelo Choque do município de Rio Verde Foto: Rio Verde News

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Um homem de 31 anos, identificado como Edivaldo Gomes dos Santos, conhecido como “Hungria”, morreu depois de entrar em confronto com o Pelotão de Choque da Polícia Militar, em Rio Verde, cerca de 48 horas depois de ser perseguido por policiais e descumprir ordem judicial, sendo considerado um foragido da Justiça.

De acordo com informações do jornal Rio Verde News, tudo começou na noite da última quinta-feira (24), no bairro Nova Rio Verde, onde uma equipe de policiais avistou uma motocicleta com dois ocupantes - um homem e uma mulher -, que quando percebeu a presença dos oficiais, o condutor iniciou fuga em alta velocidade.

Diante disso, foi iniciado acompanhamento tático, que não durou muito. Em determinado momento da fuga, o condutor perdeu o controle do veículo, subiu na calçada e colidiu contra um muro. Porém, mesmo com o forte impacto, o motorista conseguiu sair da motocicleta e fugir a pé, deixando a outra passageira para trás, que foi abordada pelos policiais.

No interrogatório, a mulher informou que foi contratada para um programa e que não sabia o motivo da fuga, mas ajudou os agentes ao informar a identidade do homem, que chegou a ser procurado pelas redondezas do local do acidente, mas não foi encontrado naquela ocasião.

Durante checagem no sistema da Polícia, foi constatado que o homem tinha um mandado de prisão em aberto “nas costas”. Enquanto isso, a passageira foi encaminhada ao Hospital Geral Paulino Alves da Cunha (HGPAC) devido aos ferimentos do acidente, onde recebeu atendimento médico e foi liberada ainda na mesma noite.

Dois dias depois, por volta dás 19h deste sábado (25), a Polícia Militar recebeu denúncia de que o procurado estaria escondido em uma residência, localizada no bairro Jardim Semiramis. Ao chegarem no local, os agentes avistaram Edivaldo e tentaram abordá-lo, porém, o suspeito reagiu à ação policial, o que resultou em um confronto armado.

Durante a troca de tiros, Edivaldo foi atingido e ainda chegou a ser socorrido pelos policiais, que o encaminharam para o hospital. Contudo, o suspeito não resistiu aos ferimentos e morreu assim que deu entrada no complexo hospitalar.

Segundo informações policiais, o baleado em confronto era investigado por envolvimento em um roubo armado de motocicleta ocorrido no mês passado, em Rio Verde, e também era apontado como suspeito de um homicídio registrado na mesma noite na cidade de Coxim, cidade que fica a aproximadamente 50 quilômetros de Rio Verde.

Dados

Conforme revela a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), o estado registrou, até o momento, 27 mortes por intervenção legal de agente do Estado em 2026, número levemente inferior quando comparado com o mesmo período do ano passado. O portal foi atualizado a última vez às 23h59 deste sábado.

Em suma, a morte por intervenção legal de agente do Estado ocorre quando um agente de segurança pública (policial civil, militar, federal, ou sistema prisional), no exercício de sua função, causa a morte de uma pessoa para cessar uma injusta agressão ou em cumprimento de dever legal.

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