Índicide ainda está acima da média nacional mas o percentual de automação teve crescimento significativo depois de agosto do ano passado
Dois anos depois de começar a aceitar cartões de débito e crédito nas nove praças de pedágio e um ano depois de entrar em vigor o desconto de pelo menos 5% para quem utiliza tag, apenas 6% dos pagamentos de pedágio ainda são feitos em dinheiro ao longo dos 850 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso do Sul.
Além de economia no bolso, a principal vantagem desta automação é a agilidade na passagem dos motoristas nos locais de cobrança, explicou Jorge Pereira, Gerente Executivo de Estratégia de Operações da Motiva Pantanal, durante a Jornada Valor de Jornalismo em Concessões e Infraestrutura, que ocorreu entre os dias 21 e 25 de setembro na sede do jornal Valor Econômico, na cidade de São Paulo.
Este índice de 6%, porém, ainda é o dobro da média daquilo que ocorre nos 5 mil quilômetros de rodovias sob responsabilidade da Motiva nas 13 concessões que estão sob sua responsabilidade em todo o País.
Mas, a adesão ao pagamento automatizado cresce rapidamente. De acordo com Miguel Setas, CEO da Motiva, em 2021 o percentual de faturamento da empresa em dinheiro vivo era da ordem de 28% em todas as rodovias do país e em junho deste ano já havia recuado para apenas 3%.
E, com o advento do sistema free flow, a tendência é de erradicação total do pagamento em dinheiro, deixam claro os executivos da concessionária. Na BR-163, porém, essa é uma realidade que ainda deve demorar. De acordo com Jorge Pereira, o contrato de repactuação, em vigor desde agosto do ano passado, não prevê a extinção das praças de pedágio.
Mesmo assim, destaca ele, a concessionária pretende renegociar esta cláusula com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e, no máximo, até 2035 as praças de cobrança serão substituídas por sistema de cobrança totalmente automatizado, como já vai ocorrer ao longo dos 870 quilômetros da chamada Rota da Celulose a partir de fevereiro do próximo ano em Mato Grosso do Sul.
Uma sensível adesão à utilização de tags ocorreu a partir de agosto do ano passado, quando a concessionária passou a oferecer desconto de pelo menos 5% para quem pagasse a tarifa por meio deste sistema, o que tinha potencial de beneficiar em torno de 39% dos usuários da rodovia, já que caminhoneiros não contam com o benefício..
Estes desconto é progressivo e cresce a cada vez que o mesmo veículo passa por determinada praça, podendo chegar à casa dos 93% caso este carro passe mais de 30 vezes no mesmo sentido da rodovia no período de um mês.
Antes do último reajuste da tarifa, por exemplo, o pedágio na praça entre Campo Grande e Anhanduí, que estava em R$ 10,00, era reduzido para apenas R$ 0,65 a partir da 31ª passagem de um carro de passeio que estivesse equipado com tag para o pagamento. A redução é aplicada mensalmente, ou seja, a cada mês o ciclo é reiniciado.
E estes descontos chegaram a impactar o balanço financeiro da empresa. Conforme o balanço relativo ao segundo trimestre do ano, o tráfego na rodovia recuou 3,8% na comparação com igual período de 2025, passando de 12,855 milhões de veículos para 12,368 milhões.
No primeiro trimestre do ano, a Motiva Pantanal já havia reportado queda de 2,6% no número de veículos que passou nas praças de pedágio. Nos três primeiros meses do ano passado foram 13,416 milhões. Em igual período deste ano, o total caiu para 13,017 milhões. Por conta disso, o faturamento com a cobrança de pedágio recuou de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.
No segundo trimestre ocorreu fenômeno parecido, apesar do reajuste da tarifa em junho do ano passado. A queda no faturamento, segundo a empresa, foi de 5,7%, passando de R$ 105 milhões para R$ 99 milhões. Na soma dos dois trimestres, a empresa reporta recuo de 3,3% na arrecadação, que caiu de R$ 213 milhões para R$ 206 milhões.
Este recuo no tráfego, informou a empresa no balanço relativo ao primeiro trimestre, poderia ter sido compensado pelo reajuste tarifário de agosto de 2025. Porém, os descontos oferecidos pelo pagamento com tag, algo previsto somente nos contratos de concessão mais recentes no País, acabaram neutralizado o impacto daquele reajuste.
CONECTIVIDADE
Além da automação, o novo contrato de concessão também determina que sinal de celular seja oferecido pela concessionária ao logo de todo o percurso. No acordo está previsto que isso ocorra no terceiro ano de concessão, ou até agosto de 2028.
O Gerente Executivo da concessionária não quis mencionar prazo ou data para uma possível antecipação desta oferta, mas deixou claro que a concessionária já está em tratativas com empresas de telefonia, como a TIM, para tentar garantir este benefício aos usuários da rodovia bem antes do prazo final.