Cidades

Ação Civil

MP quer que Estado pague R$ 8 milhões de multa por reforma em escola tombada

Idealizada por Oscar Niemeyer, imóvel passou por obras sem autorização, além de estar em desacordo com a legislação local

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com ação civil pública contra o Estado onde pede multa de R$ 8,1 milhões após ser constatada a realização de obras de ampliação na Escola Estadual Maria Constança Barros Machado, que é tombada.

Além disso, a obra teria sido feita sem os documentos necessários que deveriam ser emitidos antes de qualquer intervenção física.

A estrutura da escola é tombada no âmbito estadual como patrimônio cultural material representativo do estilo modernista há 29 anos, e foi concebida pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, amplamente conhecido como um dos maiores arquitetos modernos do século passado.

A história de irregularidade envolvendo a escola estadual começou em 2022, quando a Promotoria de Justiça recebeu denúncia de que o imóvel estaria sendo submetido a intervenções que estariam “descaracterizando completamente” o que foi arquitetado por Oscar Niemeyer, o que era contrário à legislação que protege espaços tombados, especialmente no âmbito histórico-cultural.

Em um primeiro momento, após o órgão questionar a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), foi informado que “as obras realizadas visavam adaptar o planejamento de acessibilidade na Escola, de forma a adequá-la à legislação de acessibilidade, segurança contra incêndio e pânico, bem como demais exigências legais contempladas para escolas de tempo integral”.

Porém, mesmo diante da justificativa apresentada pela Setesc, o MPMS contatou a Pasta da época, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), para saber se o projeto prévio de reforma do edifício contava com o Guia de Diretrizes Urbanísticas (GDU), se havia sido aprovado, além de confirmar sobre a possível irregularidade da intervenção.

Em resposta, a Semadur afirmou ter vistoriado o imóvel em junho de 2022 e constatou que a reforma com ampliação não foi precedida de alvará, razão pela qual foram registrados o auto de infração e o termo de embargo imediato.

Três meses depois, em setembro, a Semadur realizou nova vistoria, onde foi observado que as obras continuaram mesmo diante das ações da secretaria.

Corroborando com a investigação, a Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) disse que foi solicitada a GDU para realização da intervenção na escola pelo governo do Estado em novembro de 2021.

Porém, ao dar entrada na análise do processo administrativo, foi observado que a reforma já estava em andamento.

“As reformas estavam ocorrendo nos três blocos do corpo principal do edifício, em estágio avançado, de modo que os novos anexos implantados encontravam-se com suas estruturas totalmente consolidadas, em fase de fechamento de alvenaria, restando constatado, portanto, que se tratava de uma obra em pleno andamento e adiantada fase de execução, razão pela qual não havia fundamento legal que justificasse a expedição de GDU naquele momento”, pontuou a diretoria de planejamento urbano em vistoria.

Diante da situação, o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS) emitiu um relatório afirmando que a aprovação da Setesc não daria aval constitucional para que o Estado realize intervenções estruturais no imóvel tombado, apenas quando se trata de reparação, pintura ou restauração, o que não seria o caso desta reforma.

Em julho de 2024, o Departamento de Apoio às Atividades de Execução (Daex) realizou nova vistoria no local que confirmou a interferência em desacordo com a legislação local e os impactos negativos gerados ao patrimônio pelas obras de ampliação, além de terem sido identificadas inúmeras falhas de projeto e planejamento.

Como última tentativa de solução extrajudicial antes de instaurar a ação, foi oferecido à Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul (PGE-MS) um termo de ajustamento de conduta (TAC), que foi recusado pelo órgão sob justificativa de que “as intervenções não geraram danos aos significados culturais que orientam o tombamento da Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado enquanto bem tombado”.

Com a negativa, o MPMS ingressou com a ação com objetivo de “ressarcir os danos ocasionados ao meio ambiente cultural em razão das intervenções irregulares que descaracterizaram o patrimônio protegido pelo tombamento, em total desacordo com as normas e diretrizes que norteiam a proteção desse tipo de bem”.

Por fim, o órgão pede que seja concedida a inversão do ônus da prova, ou seja, provar que não realizou obras irregulares, além de colocar como obrigação que não seja mais realizada nenhuma outra intervenção na estrutura da escola ou em outros imóveis tombados. 

O MPMS também pede indenização de R$ 8.191.525,51 pelos “danos irreparáveis e intercorrentes ocasionados ao meio ambiente cultural”, valor que deverá ser destinado ao Fundo municipal específico direcionado à recuperação de patrimônio cultural edificado de Campo Grande.

OUTRO LADO

O Correio do Estado entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação (SED) sobre o fato, que mesmo que não seja citada ao longo do documento da ação, é responsável pela gestão da escola. Em resposta, a Pasta afirmou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a ação.

“A Secretaria de Estado de Educação informa que ainda não recebeu a intimação referente à ação citada e reforça que seguirá com os ritos processuais necessários quando for formalmente notificada a respeito do assunto”, declarou.

Conforme divulgação da SED na época, a reforma da escola foi entregue em abril de 2023 e custou cerca de 
R$ 10 milhões aos cofres públicos, englobando tanto a reforma quanto a aquisição de novos equipamentos. 

Mais de 370 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3° ano do Ensino Médio estudam no complexo.

* Saiba

Inaugurada em 1954, a Escola Estadual Maria Constança Barros Machado é tombada pelo Estado desde 1997. Mesmo que não tombada pelo Município, é considerada como localizada em Zona Especial de Interesse Cultural I (Zeic-1).

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DEMOCRACIA

Lula tem 80,5% dos votos na Nova Zelândia, contra 19,4% de Flávio

Ao todo, 918.911 brasileiros residentes no exterior estão aptos a votar neste ano, segundo dados do TSE. O eleitorado está distribuído por 134 países

25/10/2026 07h32

Para que uma seção eleitoral seja instalada no exterior, é necessário haver pelo menos 30 eleitores aptos a votar na localidade

Para que uma seção eleitoral seja instalada no exterior, é necessário haver pelo menos 30 eleitores aptos a votar na localidade

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 80,54% dos votos na Nova Zelândia no segundo turno da eleição presidencial, contra 19,46% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Os dados foram apurados pelo Estadão na madrugada deste domingo, 25, com base nos boletins de urna das cinco seções eleitorais de Wellington, capital do país.

Os boletins de urna (BUs), disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em seu site de resultados, são documentos emitidos por cada urna eletrônica ao fim da votação. Eles registram a quantidade de votos recebidos por cada candidato na respectiva seção eleitoral e permitem conhecer os resultados antes da totalização oficial pelo tribunal.

Na Nova Zelândia, os boletins das cinco seções de Wellington foram publicados na madrugada deste domingo. Dos 526 brasileiros que compareceram às urnas no país, 418 votaram em Lula e 101 escolheram Flávio Bolsonaro. Outros quatro eleitores votaram em branco e três anularam o voto.

No primeiro turno, Lula também foi o vencedor das eleições na Nova Zelândia. O candidato recebeu 234 votos (70,48%), enquanto Flávio Bolsonaro, do PL, teve 64 votos (19,28%). Renan Santos recebeu 13 votos (3,92%).

No primeiro turno, a diferença entre Lula e Flávio na Nova Zelândia foi de 170 votos a favor do petista. Agora, ela subiu para 317 votos. 

As urnas na Nova Zelândia foram abertas às 16h de sábado, 24, pelo horário de Brasília. No Brasil, a votação começa às 8h deste domingo, no horário oficial.

Ao todo, 918.911 brasileiros residentes no exterior estão aptos a votar neste ano, segundo dados do TSE. O eleitorado está distribuído por 134 países, em 1.361 seções eleitorais, que contam com 1.407 urnas eletrônicas.

Para que uma seção eleitoral seja instalada no exterior, é necessário haver pelo menos 30 eleitores aptos a votar na localidade.

O número de brasileiros habilitados a votar fora do País representa um aumento de 31,82% em relação à eleição de 2022, quando cerca de 697 mil eleitores estavam aptos a participar do pleito no exterior.

Por causa da diferença de fuso horário entre os países, a votação no exterior começa antes da abertura das seções eleitorais no Brasil e se estende por mais de 29 horas. O processo teve início às 16h de sábado, 24, pelo horário de Brasília, na Nova Zelândia, e só termina na noite deste domingo, no Canadá, com o fechamento das últimas seções.

Em geral, os locais de votação fora do território nacional funcionam das 8h às 17h, conforme o horário de cada país.

Depois da Nova Zelândia, as urnas são abertas na Austrália e em países da Ásia, ainda na noite de sábado. Na madrugada e ao longo da manhã de domingo, é a vez dos brasileiros que vivem na Europa votarem.

DEMOCRACIA

Jardineiro perde o posto de 1º a chegar na escola com 8,4 mil eleitores

A escola no Parque do Lageado, em Campo Grande, tem mais eleitores que em 27 municípios de Mato Grosso do Sul

25/10/2026 07h17

Desta vez, José Vilmar (de verde), que normalmente era o segundo a chegar à escola, chegou mais cedo que o jardineiro Paulo Sérgio

Desta vez, José Vilmar (de verde), que normalmente era o segundo a chegar à escola, chegou mais cedo que o jardineiro Paulo Sérgio Marcelo Victor

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Embora tenha chegado de madrugada, desta vez jardineiro Paulo Sérgio Pires, 58 anos, foi o segundo na fila na porta da escola Padre Tomáz Ghirardelli, no bairro Parque do Lageado, para participar da disputa à Presidência da República. Ele perdeu o posto para José Vilmar, que chegou por volta das 04:50 e que nas três eleições anteriores fora o segundo a chegar.

O jardineiro que normalmente chegava em primeiro foi superado por um nordestino do Piauí de 62 anos que veio para trabalhar na usina Quebra Coco faz 26 anos e que se mudou para Campo Grande depois que e indústria deu sinais de falência.

E sua ligação com a escola não é somente por ser seu local de votação. Apesar de já ter passado dos 60, a Tomáz Ghirardelli é seu local de estudo, já que não conseguiu estudar durante sua infância em seu estado de origem.

Embora tenham  chegado um pouco mais tarde, pelo menos outras 80 pessoas também estavam na porta da escola, a que concentra o maior número de eleitores em um só endereço em todo o Estado, antes das 07:00, horário em que foram abertos os portos.

O jardineiro diz que chega cedo por pura ansiedade. Esta porém, não acaba assim que consegue votar. Ela se estende até o fim da apuração, diz ele. E neste domingo, na mais acirrada disputa da história brasileira depois da redemocratização, a ansiedade dele certamente está sendo compartilhada com boa parte dos 158 milhões de brasileiros aptos a participarem da votação presidencial.

Com suas 26 seções, nesta escola vota mais gente que em 27 municípios do interior. Somente nesta escola do Parque do Lageado estão cadastrados 8.415 eleitores. O número é um pouco menor que os 8.569 eleitores da disputa municipal realizada há dois anos. Mesmo assim, a quantidade de eleitores ainda é maior que o total de 27 municípios de Mato Grosso do Sul, O menor é Figueirão, com 2.810 aptos a votar.

PERFIL

Mas não é só na Escola Pe. Thomaz Ghirardelli que existe grande concentração de eleitores neste domingo. No Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), na região central de Campo Grande, por exemplo, são 7.893 eleitores.

Outro local que supera o número de eleitores de muitos municípios é a Escola Estadual Teotônio Vilela, situada no Núcleo Habitacional Universitário, com 7.885 eleitores. 

Na Capital, são 237 locais de votação e 2.242 seções eleitorais, que atendem 640.453 eleitores, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Em Mato Grosso do Sul, as seções eleitorais abriram às 7h e encerram às 16h.

Ao todo, a Capital conta com 2.242 urnas eletrônicas, uma para cada seção eleitoral. Em todo o estado, são 7.106 urnas. A Justiça Eleitoral conta com 908 urnas de reserva, disponíveis para eventuais substituições durante a votação.

ABSTENÇÃO RECORDE

No primeiro turno da votação, Mato Grosso do Sul teve o maior percentual de abstenções entre todos os estados, chegando a 23,87%. Somando exatos 2.024.430 eleitores aptos a votarem, o Estado registrou o comparecimento de somente 1.541.220 deste total.

Ou seja, com quase meio milhão de faltosos (483.210 que deixaram de votar em MS), além de estar no topo das abstenções Mato Grosso do Sul ficou ainda dois pontos percentuais acima da média nacional de abstenções, que ficou em 21,08%. 
 

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