Cidades

MATO GROSSO DO SUL

MP questiona taxa diária de R$ 15 cobrada de turistas em Bonito

Entre os principais pontos levantados, está a necessidade do município esclarecer o que, na prática, justifica a cobrança deste valor

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento administrativo para apurar a regularidade jurídica da Taxa de Conservação Ambiental (TCA), cobrada de turistas que visitam Bonito, um dos principais destinos de ecoturismo do País. A taxa é de R$ 15 por pessoa, por dia de permanência no município, e vem sendo questionada quanto à sua legalidade e aos critérios utilizados para justificar a cobrança.

A apuração é conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça de Bonito e tem como base a Lei Complementar Municipal nº 162/2021, que instituiu a taxa, e o Decreto Municipal nº 412/2025, que regulamentou sua aplicação. 

Entre os principais pontos levantados pela Promotoria está a necessidade de o município esclarecer o que, na prática, justifica a cobrança da taxa. Isso significa detalhar quais ações de fiscalização ou serviços públicos específicos e divisíveis estariam sendo prestados aos turistas.

O Ministério Público explica que uma taxa só é legal quando está ligada a um serviço específico prestado ao contribuinte ou a ações de fiscalização do poder público. Sem essa ligação, a cobrança pode perder a base legal e se tornar inconstitucional.

Além disso, cobra informações sobre a metodologia de cálculo do valor de R$ 15, como se chegou a esse montante e quais custos reais do município estariam sendo cobertos com a arrecadação proveniente da taxa.

Outro ponto que está sob análise é a forma de operacionalização da cobrança, que ocorre por dia de permanência no município. A Promotoria pediu explicações sobre o sistema de cadastro dos turistas, controle, emissão de vouchers, fiscalização e arrecadação, bem como os critérios utilizados para aferir o tempo de estadia dos visitantes.

A cobrança diária tem impacto direto no custo da viagem, especialmente para turistas que permanecem mais tempo na cidade, o que pode refletir tanto na economia local quanto no fluxo turístico.

Seguro obrigatório

Um dos trechos do ofício encaminhado à Prefeitura de Bonito que mais chama atenção é o questionamento específico sobre o seguro de vida obrigatório previsto na Lei Complementar nº 162/2021. O Ministério Público quer saber se o município já realizou licitação para contratar o seguro, qual é o custo efetivo por pessoa e como essa despesa está sendo incorporada ao valor cobrado dos turistas.

A Promotoria também questiona se esse seguro está sendo tratado como um serviço agregado dentro da TCA, o que pode influenciar diretamente na legalidade da taxa. A inclusão de itens que não guardam relação direta com serviços ambientais ou com o exercício do poder de polícia pode descaracterizar a natureza da cobrança.

Por fim, foi solicitado esclarecimentos sobre a existência de mecanismos de transparência e prestação de contas quanto à arrecadação e à aplicação dos recursos obtidos com a TCA. O objetivo é verificar se os valores arrecadados estão sendo efetivamente revertidos em ações de conservação ambiental e em serviços compatíveis com a finalidade da taxa.

Diante do Ofício nº 0001/2026/02PJ/BTO, a Prefeitura de Bonito foi notificada e tem prazo de 15 dias úteis para apresentar todos os esclarecimentos solicitados pela Promotoria. Após o recebimento das informações, o MP deverá analisar os dados e decidir se adota providências adicionais, como a expedição de recomendações, a celebração de termos de ajustamento de conduta (TAC) ou o ajuizamento de ação judicial.

Justiça rejeita ação de entidades do turismo

A Justiça de Mato Grosso do Sul extinguiu, nesta quinta-feira (8), o Mandado de Segurança Coletivo ajuizado por entidades do setor turístico contra a Prefeitura de Bonito, que buscava suspender a cobrança da Taxa de Conservação Ambiental (TCA), instituída pela Lei Complementar Municipal nº 162/2021.

As associações que entraram com a ação (Associação Bonitense de Proprietários de Agências de Ecoturismo; Associação Bonitense de Hotelaria; e a Associação de Guias de Turismo de Bonito) alegavam que a taxa de R$ 15 apresentava ilegalidades e inconstitucionalidades. Com isto, requeriram a suspensão da cobrança, o afastamento de obrigações impostas aos prestadores de serviços turísticos e a anulação de eventuais penalidades relacionadas à TCA.

O juiz da 1ª Vara da Comarca de Bonito concluiu que o mandado de segurança não era o instrumento processual adequado para o tipo de questionamento apresentado. Na decisão, o magistrado destacou que o mandado de segurança não pode ser utilizado para afastar, de forma genérica e abstrata, a aplicação de uma lei municipal, ainda que sob a alegação de inconstitucionalidade.

Além disso, a autoridade entende que a pretensão das associações consistia, na prática, em impedir a aplicação futura da legislação que instituiu a Taxa de Conservação Ambiental, o que caracteriza tentativa de controle abstrato de constitucionalidade.

O magistrado também observou que não foram apresentados atos administrativos concretos e individualizados capazes de demonstrar lesão ou ameaça direta a direito líquido e certo das impetrantes.

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IPTU

Tarifaço em terrenos baldios afetou mais de 33 mil imóveis em Campo Grande

Até o ano passado proprietários de boa parcela dos imóveis territoriais pagavam 1% de alíquota, até mudança para 3,5% que, sozinha, representa aumento de 250% no valor do carnê

15/01/2026 10h30

Números oficiais do Cadastro Imobiliário Municipal apontam que cerca de 48.138 imóveis estavam dentro da alíquota de 3,5%, com um total de 33.850 outros terrenos baldios nas classes mais baixas de cobrança que foram

Números oficiais do Cadastro Imobiliário Municipal apontam que cerca de 48.138 imóveis estavam dentro da alíquota de 3,5%, com um total de 33.850 outros terrenos baldios nas classes mais baixas de cobrança que foram "majorados" em 2026 Marcelo Victor/Correio do Estado

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Na Cidade Morena 2026 começou com surpresas para boa parte dos campo-grandenses sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), com quatro alterações sofridas para o exercício deste ano e somente o "tarifaço em terrenos baldios", por exemplo, atingindo mais de 33 mil imóveis sem edificação em Campo Grande. 

Ainda em meados de novembro - como bem acompanha o Correio do Estado - a Prefeitura de Campo Grande reduziu pela metade (de 20 para 10%) o desconto de quem paga o IPTU à vista, mas as alterações que incidem sobre os valores desse imposto não parariam por aí. 

Há cerca de uma semana, nos desdobramentos das tratativas entre o Executivo de Campo Grande e a Câmara Municipal, o secretário Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulysses da Silva Rocha, detalhou os valores praticados no IPTU 2026 em Campo Grande. 

Nos carnês deste 2026, se considerado apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), haveria somente a correção no valor do IPTU em Campo Grande conforme o chamado IPCA-E, que para esse exercício seria de 5,32%. 

Porém, o titular da Segov de Campo Grande, Ulysses Rocha, também pontuou uma cobrança que, segundo ele, já estaria prevista nos códigos municipal e nacional.

Conforme o secretário de Relações, para imóveis territoriais em bairros com mais de três equipamentos públicos (iluminação pública, escola, água, luz, etc.), por parâmetro municipal a Prefeitura pode e aplicou a cobrança de 3,5%, o máximo que estaria previsto no Código Tributário Nacional. 

Justamente esse "tarifaço sobre os terrenos baldios", como bem abordado no Correio do Estado, é o que ajuda a explicar a "chiadeira" sobre o IPTU neste começo de 2026.

Em outras palavras, até o ano passado os proprietários de boa parcela destes terrenos pagavam 1% de imposto, até essa mudança para 3,5% que sozinha já representa um aumento de 250% no valor do carnê e, se estes terrenos estão na lista dos 45% dos imóveis que sofreram majoração desta taxa por conta da reclassificação feita este ano, acabaram sofrendo tarifaço duplamente.

"Então, se o cara tinha um imóvel de 100 mil reais e pagava mil, ele pode, dependendo do caso, estar pagando 3.500 reais, mas sem uma alteração do valor venal do imóvel, mas dentro de acordo com o que o Código Tributário Municipal estabelece em consonância com o Código Tributário Nacional", disse o próprio secretário de relação há exatamente uma semana (07). 

Números do tarifaço em terrenos baldios

Questionada acerca da incidência do IPTU sobre terrenos sem construção (os chamados imóveis territoriais), a Prefeitura de Campo Grande detalhou ao Correio do Estado dados oficiais extraídos do Cadastro Imobiliário Municipal que apontam para um total de 82.589 imóveis classificados como "baldios". 

"Para os imóveis territoriais, esses que estão localizados em bairros que tenham mais de três equipamentos públicos, a prefeitura pode - de acordo com o Código Tributário Municipal, e que o Código Tributário Nacional cobra de 1 a 3,5% -, e aplicou a cobrança de 3,5%", disse o secretário há pouco mais de uma semana. 

Em complemento, os números oficiais do Cadastro Imobiliário Municipal apontam que cerca de 48.138 imóveis estavam dentro da alíquota de 3,5%, com um total de 33.850 outros terrenos baldios nas classes mais baixas de cobrança que foram "majorados" em 2026, distribuídos até o último exercício da seguinte forma: 

  • 2,5% | 18.531 imóveis
  • 1,5% | 3.798 imóveis
  • 1,0% | 11.521 imóveis

Diferente da alteração que cai sobre o valor do IPTU com a instituição de um novo Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI) - atualizado após quase uma década, que subiu valores da taxa de lixo para 44% dos moradores e que foi aprovado inclusive na Câmara Municipal no segundo semestre do ano passado -, o "tarifaço sobre os terrenos baldios" afeta principalmente a população que vive em áreas mais populares.

Isso porque, os terrenos baldios que ficam em bairros como Jardim dos Estados, Santa Fé, Chácara Cachoeira e Carandá Bosque, por exemplo, já eram classificados na alíquota de 3,5%, que recai agora sobre a maior parte dos campo-grandenses, fora a população isenta e moradores de aglomerados urbanos, as favelas. 

Ou seja, essas possíveis mudanças, da alteração do Perfil Socioeconômico (PSEI), os 3,5% de alíquota, mais 5,32% de correção pelo IPCA-E, além da perda dos 20% do desconto para o pagamento à vista do IPTU, levaram a reajustes em parte dos imóveis que se aproximam de 400% de diferença do valor praticado em 2025.

Briga da taxa de lixo

Porém, alegando ter ficado de fora dos debates referentes ao  aumento do IPTU, a Câmara Municipal de Campo Grande indicou a constituição de uma equipe técnica especializada para estudar, discutir e avaliar os critérios utilizados na elaboração. 

Instituída a Comissão Técnica que tem atuado em cima das mudanças anunciadas sobre o IPTU, foram necessários alguns posicionamentos da Câmara e demais entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil do Mato Grosso do Sul (OAB-MS) para que os prazos do IPTU fossem alterados, e até uma sessão extraordinária na Câmara de Campo Grande na noite de segunda-feira (12), suspendendo cobrança da taxa de coleta de lixo que vem embutida no carnê do IPTU.

Menos de um dia depois, o Adriane Lopes decidiu pelo veto total ao projeto de Lei Complementar n. 1.016/2026 da Câmara Municipal, alegando entre outros pontos que o Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI) trata-se de um instrumento técnico-cadastral que depende de atualização e operacionalização administrativa. 

Ao Correio do Estado o procurador da Casa de Leis, Dr. Gustavo Lazzari esclareceu que a Câmara Municipal têm cerca de um mês para decidir se acatam ou derrubam o veto. Ou seja, se for publicada e promulgada ela passará a valer, só podendo ser derrubada através de ordem judicial ou por meio de um outro projeto de lei.

"Para derrubar o veto precisa de maioria, que nesse caso são 15 votos. É que está em recesso e por ser essa situação de emergência convocaram uma extraordinária, para tentar de alguma forma amenizar essa situação urgente. O que não é comum", disse. 

Ainda assim, o presidente da Comissão Técnica que tem atuado em cima das mudanças anunciadas sobre o IPTU, Rafael Tavares, reforçou ao Correio do Estado que os vereadores já estão trabalhando para que, de fato, aconteça essa derrubada do veto de Adriane Lopes. 

"Os Vereadores continuam contra o aumento de impostos em defesa da população. Na minha opinião temos que votar o quanto antes, mas estamos buscando um consenso entre os colegas", disse o vereador.

 

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ALIMENTAÇÃO INFANTIL

Três Lagoas gasta R$ 39 milhões com terceirização de merenda escolar

Básica Fornecimento de Refeições LTDA foi contratada para preparar refeições escolares de alunos da Rede Municipal de Ensino

15/01/2026 09h30

Fachada da Prefeitura de Três Lagoas

Fachada da Prefeitura de Três Lagoas Foto: Prefeitura Municipal de Três Lagoas/Divulgação

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Merenda escolar foi terceirizada nas escolas municipais de Três Lagoas, município localizado a 327 quilômetros de Campo Grande.

Com isso, empresa especializada – Básica Fornecimento de Refeições LTDA – foi contratada para preparar refeições escolares de alunos da Rede Municipal de Ensino de Três Lagoas. A empresa é paulista, com sede em São Paulo (SP) e está há mais de 15 anos no mercado.

As refeições (café da manhã, almoço e lanche) incluem alimentos perecíveis, não perecíveis, panificados, dietéticos, fórmulas infantis, hortifrutigranjeiros, entre outros.

Além do preparo de alimentos, a empresa também é responsável pela logística, supervisão, manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos e utensílios utilizados, limpeza, conservação, preparo e estoque.

O valor da licitação é de R$ 38.999.111,80. O pregão eletrônico/processo licitatório foi publicado, na manhã desta quinta-feira (15), na página 306 do Diário Oficial Eletrônico (DOE).

Veja o trecho redigido no DOE:

Fachada da Prefeitura de Três Lagoas

A Prefeitura de Três Lagoas iniciou o processo de terceirização da merenda escolar em dezembro de 2025, com o objetivo de equilibrar a folha de pagamento e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A vereadora Maria Diogo e o sindicato dos trabalhadores criticaram a decisão de terceirizar a merenda. No ano passado, estima-se que a prefeitura gastou cerca de R$ 6,5 milhões em merenda escolar própria.

O secretário de governo do município, André Ribeiro Bacalá, afirmou ao Portal RCN67, em 11 de dezembro de 2025, que a medida deve gerar alívio imediato na folha de pagamento.

“Hoje, não conseguimos conceder gratificações porque ultrapassaríamos o teto. Com a retirada das merendeiras e vigias da folha, já teremos um impacto significativo a partir de janeiro”, explicou.

A terceirização de serviços já era discutida pelo prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia desde o início da gestão.

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