Cidades

TRAGÉDIA NO CINEMA

MPE investiga registro errado de BO para favorecer PM assassino

Comandante de Dourados é o alvo de apuração

RAFAEL RIBEIRO

06/08/2019 - 10h29
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul quer esclarecer as circunstâncias da prisão do policial militar Dijavan Batista dos Santos, de 37 anos, que matou com um tiro o bioquímico Julio Cesar Cerveira Filho, de 43, dentro de sala do cinema no shopping de Dourados, em 8 de julho. A motivação é denúncia anônima de falso testemunho feita à Ouvidoria da Procuradoria-Geral de Justiça. A suspeita pe que houve adulteração no boletim de ocorrência registrado para favorecer o PM.

Segundo o portal 'Dourados News', a promotora Tathiana Correa Pereira da Silva Façanha, da 24ª Promotora de Justiça de Campo Grande, determinou envio de ofício ao corregedor-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul requisitando a instauração de Inquérito Policial Militar.

Um dos objetivos é pedir explicações ao tenente-coronel Carlos Silva, comandante do 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar), sobre detalhes da prisão do policial lotado na PMA (Polícia Militar Ambiental).

Ao oficial, será questionado se “esteve presente durante a prisão em flagrante” de Dijavan Batista dos Santos, "se houve alguma orientação” por parte dele “aos militares responsáveis pela prisão, sobre como proceder”, e “quando foi o primeiro contato” do tenente-coronel “com o flagrado Dijavan”, além de “em que circunstâncias”.

No despacho obtido pelo 'Dourados News', o MPE também sugere perguntas a serem feitas aos policiais que fizeram a prisão de Dijavan. A intenção é saber “como, onde e quando se deu a prisão em flagrante”, “quanto tempo depois da prisão em flagrante, o flagrado foi apresentado à Delegacia de Polícia Civil”, se “houve alguma orientação sobre a prisão em flagrante por parte do tenete-coronel Carlos da Silva”, e se “o oficial compareceu ao shopping quando da prisão”.

Denunciado à Justiça por homicídio e preso no Presídio Militar de Campo Grande, o cabo Dijavan Batista dos Santos deverá responder “como, onde e quando se deu a prisão em flagrante”, e “quanto tempo depois da prisão em flagrante, foi apresentado à Delegacia de Polícia Civil”.

Além disso, a ele será questionado “quais foram os militares responsáveis pela efetivação da prisão”, se “o TC Carlos da Silva participou do flagrante”, se “houve alguma orientação por parte do TC Carlos da Silva sobre como proceder”, e se “o oficial compareceu ao shopping quando da prisão”.

TESTEMUNHAS

Para a esposa do autor do crime, haverá perguntas se “acompanhou a prisão em flagrante” e caso a resposta seja positiva, “como, onde e quando se deu a mesma”. O MPE também quer saber se ela “sabe indicar os militares responsáveis pela efetivação da prisão” e se “Dijavan recebeu a orientação de algum militar sobre como proceder no dia dos fatos”.

Por fim, ela será questionada se “conhece o tenente-coronel”, se “sabe se ele participou do flagrante”, e se ele compareceu ao shopping antes que o Sr. Dijavan fosse efetivamente preso”.

De testemunhas - inclusive os filhos do PM - e funcionários do shopping que atenderam a vítima, a Promotoria de Justiça quer saber se Dijavan tentou fugir do local do crime, detalhes de como, onde e/ou quando se deu a prisão em flagrante, e se o cabo foi visto “conversando com algum policial militar, antes da efetivação de sua prisão”, com detalhamento das características caso a reposta seja positiva.

Aos bombeiros e socorristas que atuaram no dia do crime, as questões visam esclarecer se Dijavan ainda estava no recinto quando chegaram, se o mesmo tentou fugir, e se foi possível ver como, onde e/ou quando se deu a prisão em flagrante.

ESCLARECIMENTO

No mesmo dia do homicídio, o comando do 3ºBPM divulgou nota à imprensa com esclarecimentos sobre a prisão do cabo Dijavan. Assinada pelo tenente-coronel Carlos Silva, pontuou que “o PM é da Ambiental, que “ele ligou para o 193 e 190 após o fato informando que seria o autor”, e que “ele aguardou a equipe no local e se apresentou para a mesma”.

Além disso, detalhou que ele foi detido e seria encaminhado para flagrante “como seria qualquer cidadão comum”.

Contudo, foi afirmado que a versão apresentada pelo PM não seria repassada “para não parecer que estamos defendendo ou acusando, pois os sinais divergem muito destas apresentadas nos watts”, e que seriam instaurados dois inquéritos, “um na responsabilidade da Polícia Civil e outro Inquérito Policial Militar sob responsabilidade da PM”.

TRANQUILO

Procurado pelo 'Dourados News' na manhã desta terça-feira (6), Carlos Silva disse estar tranquilo para prestar esses esclarecimentos caso recebe o ofício com as perguntas.

“É normal todo o procedimento tomado, só ficamos na dúvida, no momento da prisão, se seguiríamos a legislação de encaminharmos a prisão como crime miliar, por nós mesmos [PM], ou pela Polícia Civil. Entramos em contato com o corregedor em Campo Grande, e foi batido o martelo que poderia encaminhar para a Polícia Civil”, afirmou.

O comandante do 3º BPM disse que Dijavan sequer é seu subordinado, por estar lotado na PMA. "Por dever de ofício, comandante do policiamento da área, fui no local do crime. Isso parece estranho para quem não conhece nosso trabalho, mas estou em todas, estava de serviço, fardado, vinha de uma reunião em Maracaju, e a primeira denúncia que recebemos é de que haveria tiroteio no shopping, por isso deslocamos todas as equipes”, detalhou.

nome estratégico

Presidente do PL deve convidar Tereza Cristina para ser vice de Flávio

Valdemar Costa Neto defende que Flávio Bolsonaro tenha uma vice mulher e que a senadora agrega todos os requisitos. Disse que fará o convite nos próximos dias

18/07/2026 14h08

Flávio Bolsonaro deve ser formalizado na convenção do próximo sábado (25), mas o nome de Tereza Cristina poderia esperar até 5 de agosto

Flávio Bolsonaro deve ser formalizado na convenção do próximo sábado (25), mas o nome de Tereza Cristina poderia esperar até 5 de agosto

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Às vésperas da convenção do PL que deve formalizar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, prevista para o dia 25 de julho, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, voltou a declarar nesta sexta-feira (17) que o nome dos sonhos para ser candidata a vice é o da senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina, do PP, com quem pretende conversar nos próximos dias.

As declarações foram dadas à revista Veja e ao jornal O Globo e, de acordo com Valdemar, a decisão sobre o nome que vai compor a chapa do senador passará pelo pré-candidato e também necessariamente pelo crivo do pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe e em prisão domiciliar.

Além disso, ponderou que a escolha precisa ser estratégica porque, na avaliação dele, as eleições de 2022 foram perdidas pela direita por falta de apoio das mulheres.  “Está provado que as mulheres derrotaram a gente. Se faz pesquisa hoje ainda as mulheres são maiores apoiando o Lula”.

O presidente do PL foi o entrevistado do programa Três Poderes, de VEJA+. “Percebi que é um problema pra nós [a falta de apoio do eleitorado feminino]. Perdemos uma eleição ganha, infelizmente, e estamos pagando caro por causa disso. Eu espero que a gente não cometa o mesmo erro agora e tire essa diferença. As mulheres são muito importantes na nossa campanha”, completou.

Afirmou, ainda, que ele próprio já havia sugerido o nome da senadora sul-mato-grossense, de forte interlocução junto ao agronegócio, para compor a chapa de Bolsonaro pai em 2022, mas o capitão preferiu o general Walter Braga Netto, também condenado por golpe.

“Essa eleição vai ser muito mais difícil do que a outra.  O [Jair] Bolsonaro é um camarada que tem muita personalidade. E não é que o Flávio não tenha, [mas Bolsonaro] não mudava as posições dele. Eu briguei com o Bolsonaro. Eu sempre repetia isso pra ele: para ele tirar o Braga Netto da vice, que nós estávamos com uma diferença muito grande entre as mulheres”, relatou.

Ex-deputada federal e ex-ministra da agricultura do Governo de Bolsonaro, Tereza Cristina foi eleita ao senado com 829 mil votos em 2022, o que equivale a quase 61% dos votos de Mato Grosso do Sul.

Procurada pelo Correio do Estado neste sábado (18), a senadora não se manifestou sobre o provável convite que deve receber nos próximos dias. Em março, porém, disse “estar preparada” para a possibilidade de ser chamada ao posto de vice, mas relatou que nunca houve um convite por parte da campanha.

“Esse assunto não sai da minha frente. Nunca fui convidada. Se eu for, lá na frente, vamos pensar. Nunca chegou esse convite”, disse ela no dia 31 de março.

“A Tereza Cristina reúne todas as condições, foi uma excelente ministra, tem carisma. Isso é importantíssimo. Tem habilidade, é uma vencedora. Ela passou na vida  (…) sem deixar ninguém pra trás, sem atropelar ninguém. Todos. (…)Ela é um fenômeno e ela tem uma imagem”, disse o cacique do PL. Costa Neto, no entanto, não soube descrever eventuais dificuldades para que o nome da senadora seja formalizado.

Ao jornal O Globo, Valdemar também descartou o nome da economista Daniella Marques, dizendo que “não tem voto” para ser vice. “Ela tem muito prestígio junto aos empresários e ela é muito competente. Agora, na minha opinião tem que ser alguém que tenha voto. O Bolsonaro [ex-presidente] vai decidir. Ele e o Flávio”, disse Valdemar, destacando a definição do nome para vice pode ficar em aberto na convenção do partido em 25 de julho. Segundo Valdemar, a Executiva Nacional do PL terá até 5 de agosto para fechar o nome da vice.

Apesar do aceno de Valdemar, a federação União Brasil-PP, à qual Tereza Cristina é filiada, tem sinalizado que não deve apoiar a pré-candidatura de Flávio. O mesmo cenário ocorre no Republicanos, partido de Daniella Marques.

Na quinta-feira, 16, Daniella Marques esteve ao lado de Flávio durante lançamento do pacote “Brasil Por Elas”, que prevê medidas voltadas ao público feminino. Na ocasião, o senador defendeu a possibilidade de ter uma mulher como vice e citou não só Daniella Marques como também as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE).

(Com informações da Veja e O Globo)

Em MS

Após 15 anos foragido, homem é preso por estupro em Camapuã

O caso aconteceu em abril de 2007 e o rapaz foi sentenciado a mais de 15 anos de prisão

18/07/2026 12h30

Justiça condena padrasto por estupro de vulnerável e mantém prisão, visando a proteção da vítima e o cumprimento da lei

Justiça condena padrasto por estupro de vulnerável e mantém prisão, visando a proteção da vítima e o cumprimento da lei Foto: Divulgação / MPMS

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Após mais de 15 anos sem resolução, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Camapuã, firmou a condenação de um homem acusado de praticar crimes contra a dignidade sexual contra a sua ex-enteada. 

Na época do caso, em meados de abril de 2007, na zona rural de Camapuã, a vítima que era até então enteada do condenado, possuía 14 anos e sofreu abusos de forma contínua, sob ameaças que eram direcionadas para si e à mãe da vítima. 

Diante da denúncia, a justiça tentou citar o rapaz, mas o mesmo fugiu logo no início do processo, o que impossibilitou a continuidade do processo na época do acontecimento.  

Em razão desse fato, no dia 27 de maio de 2009, foi decretada a suspensão tanto o andamento do processo criminal quanto à contagem do prazo para que o crime prescrevesse, com base no Artigo 366 do Código de Processo Penal. 

A medida foi tomada visando garantir que o Estado não perca o direito de julgar e punir o acusado enquanto ele estiver se esquivando da Justiça.

Mais de 15 anos após o acontecido a resposta do estado veio, em 14 de outubro de 2025 uma ação realizada em Campo Grande e resultou na captura do homem foragido, possibilitando a continuidade do processo, culminando na instrução criminal e no julgamento em julho de 2026.

O tribunal acatou integralmente a argumentação do Ministério Público e condenou o réu pelo crime de estupro de vulnerável. 

A pena imposta foi agravada devido ao fato de o condenado ser padrasto da vítima, uma circunstância que aumenta a sanção conforme o Código Penal. 

Além disso, a Justiça considerou a continuidade delitiva, já que os abusos foram praticados em diversas ocasiões, o que também resultou em um acréscimo na pena. 

Ainda foi utilizado como agravante o fato de que o padrasto havia dopado a vítima, utilizando uma injeção para facilitar o crime. 

Diante da condenação, a Justiça negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, determinando a manutenção de sua prisão preventiva. 

A medida visa garantir a aplicação da lei penal e, principalmente, proteger a integridade física e psicológica da vítima, que, segundo os autos, continuou a sofrer ameaças mesmo durante o período em que o agressor estava foragido.

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