Cidades

JUSTIÇA

MPMS condena funkeira após show com conteúdo sexual em frente a escola de MS

Justiça determinou indenização de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos

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A Justiça acolheu pedidos apresentados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e condenou a funkeira MC Pipokinha, integrantes de seu grupo de bailarinos e organizadores de um evento realizado em Corumbá, a 426 km de Campo Grande, por danos morais coletivos.

O caso envolve uma apresentação realizada em fevereiro de 2023, durante o evento conhecido como "Esquenta do Magrão". O show aconteceu em um trio elétrico instalado em área aberta da cidade, em frente à Escola Estadual Dr. João Leite de Barros.

Segundo o MPMS, durante a apresentação, a cantora ficou com os seios à mostra e, acompanhada dos bailarinos, protagonizou movimentos e simulações de atos sexuais. 

Um dos principais pontos considerados no processo foi o fato do espetáculo ter ocorrido em espaço público e sem uma estratégia que impeddisem crianças e adolescentes de acompanhar o conteúdo apresentado. 

A estrutura estava instalada em via pública e o show podia ser visto por pedestres e pessoas que circulavam pela região. Conforme os elementos reunidos no processo, havia adolescentes com aproximadamente 14 anos no local, enquanto a escola localizada em frente ao evento, permanecia em horário de aula. 

A Promotora de Justiça Gabriela Rabelo Vasconcelos explicou que a atuação do Ministério Público começou antes mesmo da realização do evento.

O órgão havia recebido denúncias de que a apresentação poderia expor crianças e adolescentes a conteúdo considerado inadequado para a faixa etária.

Diante disso, recomendações e notificações foram encaminhadas previamente aos responsáveis pela organização e ao Conselho Tutelar, com o objetivo de garantir medidas de proteção ao público infantojuvenil.

Apesar das providências adotadas antes do show, o MPMS sustentou que as provas posteriormente reunidas demonstraram que menores ficaram expostos à apresentação. 

Na ação civil pública, o Ministério Público pediu que os envolvidos fossem condenados solidariamente ao pagamento de pelo menos R$ 1,4 milhão por danos morais coletivos.

O dinheiro, conforme o pedido, deveria ser destinado ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA) de Corumbá.

A sentença, entretanto, estabeleceu a indenização em R$ 162,1 mil.

O valor não encerrou a discussão judicial. A Promotoria responsável pelo caso recorreu da decisão e busca aumentar a indenização, sob o argumento de que o montante fixado em primeira instância não seria proporcional à extensão do dano e à repercussão social da conduta.

Outros episódios

A apresentação em Corumbá ocorreu em um período marcado por sucessivas controvérsias envolvendo MC Pipokinha, que ganhou projeção nacional principalmente pelo teor sexual de suas performances.

De acordo com o jornal Extra, episódios registrados em shows e nas redes sociais colocaram a artista no centro de diferentes discussões ao longo de 2023.

Em janeiro daquele ano, por exemplo, imagens de uma apresentação viralizaram após um dos bailarinos da cantora atingir o rosto de uma fã durante uma coreografia. A jovem, que participava da performance, aparece desmaiando após o impacto.

Na mesma época, a própria cantora relatou ter sido vítima de assédio durante uma apresentação, quando homens que estavam na plateia tocaram seus seios e tentaram retirar sua roupa íntima. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais.

Outro show também provocou forte reação após uma fã subir ao palco e protagonizar uma cena de sexo oral com a cantora. Imagens da apresentação circularam amplamente pela internet e ampliaram as críticas relacionadas ao conteúdo sexual dos espetáculos.

Já em março, ao responder a um seguidor que afirmou ter discutido com uma professora por causa da cantora, Pipokinha comparou o salário dos profissionais da educação ao valor que recebia por suas apresentações.

Na ocasião, afirmou receber cerca de R$ 70 mil por aproximadamente 30 minutos de show e ironizou a remuneração de professores.

A declaração provocou críticas de educadores, artistas e usuários das redes sociais e teve consequências para a agenda profissional da cantora, com apresentações canceladas em diferentes locais.

 

Infraestrutura rural

No Pantanal, contrato milionário não tira produtores do atoleiro

Contrato chega ao fim, mas produtores dizem que estradas seguem intransitáveis; empresa alega verba insuficiente para os 472,7 km e que reajuste é recente

01/09/2026 07h55

Caminhão tenta circular pela estrada do Nabileque, que sofre com manutenção precária

Caminhão tenta circular pela estrada do Nabileque, que sofre com manutenção precária Foto: Marcelo Victor

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Um contrato assinado em dezembro de 2020 por R$ 9,1 milhões para conservar as estradas da região de Corumbá já consumiu, no mínimo, R$ 54,2 milhões dos cofres do Estado, seis vezes o valor original. Enquanto isso, produtores rurais do Pantanal do Nabileque, no extremo-sul do município, dizem que a estrada que dá acesso às suas fazendas continua intransitável.

O Contrato nº 237/2020 é mantido pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) com a empresa RR Ceni. O objeto é a manutenção e conservação de 472,7 quilômetros de rodovias pavimentadas e não pavimentadas da 8ª Residência Regional, sediada em Corumbá. Seis anos e 12 aditivos depois, ele segue em vigor.

Nesta semana, produtores da região gravaram mensagens de áudio relatando o estado da via. As identidades são preservadas a pedido das fontes, que temem represálias.

“A gente descobriu agora que a Agesul tá lá. Mas vai só fazer um pedaço lá pro [omitido nome de fazenda] e vai abandonar nossa estrada. Então, hoje eu vou receber umas fotos dos lugares ruins, nem mexeram lá”.

Em outra mensagem, um segundo produtor descreve o mesmo padrão: “Eu tô sabendo que eles vão só fazer lá um pedaço lá, que é o pedaço lá da [omitido nome da fazenda], e vão abandonar”.

Aditivos

Os números da execução financeira estão no Portal da Transparência do Estado. Entre 2023 e agosto deste ano, a Agesul empenhou R$ 59.648.244,18 no contrato e pagou R$ 54.269.360,71 à empresa.

O valor é um piso, não um total: o extrato consultado começa em fevereiro de 2023, e os pagamentos referentes aos dois primeiros anos de execução, de dezembro de 2020 a dezembro de 2022, não constam do documento.

Há um ponto específico que chama atenção no exercício deste ano. Entre 4 de fevereiro e 5 de maio, a Agesul empenhou R$ 16.289.100,25 no contrato. O valor total previsto para a vigência anual, fixado no 11º termo aditivo, era de R$ 14.339.023,81. Ou seja: em pouco mais de três meses, o órgão comprometeu R$ 1,95 milhão a mais do que o contrato permitia para o ano inteiro.

O ajuste veio depois. Em 28 de julho, o 12º termo aditivo elevou o valor do contrato para R$ 16.459.168,86, apenas R$ 170.068,61 acima do que já havia sido empenhado meses antes. A nota de empenho que custeia esse aditivo foi emitida em 23 de julho, cinco dias antes de o próprio aditivo ser assinado.

O contrato está na sexta renovação e soma 72 meses de vigência, o teto máximo que a Lei Federal nº 8.666/93 admite para serviços contínuos, somados os 60 meses ordinários à prorrogação excepcional de mais 12 meses.

O 11º aditivo, assinado em dezembro de 2025, não fixa apenas uma data final. Ele condiciona a vigência a “12 meses […] ou até a celebração de uma nova contratação referente ao mesmo objeto, o que ocorrer primeiro”. Em outra cláusula, a contratada aceita a rescisão sem ônus assim que essa nova contratação for celebrada.

Neste ano, após o escândalo que derrubou o diretor-presidente da Agesul, Rudi Fioresi, o Estado lançou 18 lotes de licitação para manutenção de rodovias, somando cerca de R$ 2,1 bilhões, entre eles uma concorrência com lotes destinados à região do Pantanal.

Empresa

A RR Ceni não cuida apenas da conservação das estradas da região. A empresa também venceu, na mesma 8ª Residência Regional, o contrato para implantar 45 km da MS-228 até o acesso a Porto Rolon, por R$ 43,4 milhões, obra embargada pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) em 2023 por falta de licenciamento ambiental.

Em janeiro deste ano, a empresa foi contratada por mais R$ 65.142.918,32 para recuperar 160,6 km da mesma MS-228, num trecho que outra empreiteira já havia recebido R$ 54,1 milhões para pavimentar.
Somados, os três contratos ultrapassam R$ 164 milhões, todos na mesma região administrativa e com a mesma contratada.

A reclamação dos produtores do Nabileque não é de agora. Em fevereiro deste ano, já se registrava a falta de duas pontes na região, sobre a Vazante do Relógio e o Rio Naitaca, destruídas nos incêndios que atingiram o Pantanal entre 2020 e 2021.

As estruturas provisórias de madeira erguidas em 2022 também queimaram. A reconstrução em concreto seguia, até então, em fase de projeto, à espera de licenciamento ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. Sem as pontes, produtores relatam ter de fazer um desvio de 140 km por estrada de terra, via Miranda, na época da cheia.

O efeito chega também às escolas. Em um dos áudios obtidos pela reportagem, um morador afirma: “Tem a escola Estâncias Esmeraldas e tá desde maio um ônibus só funcionando, as crianças sem aula. […] Só um ônibus funcionando, tinha aula duas vezes na semana”.

O que diz a empresa

Procurada, a RR Ceni afirmou que a extensão da malha sob sua responsabilidade, os 472,7 km da 8ª Residência Regional, não é integralmente coberta pelo valor originalmente licitado, que segundo a empresa está defasado desde a assinatura do contrato, em 2020. A empresa disse que o reajustamento do valor contratual “foi feito agora”, em referência ao 12º aditivo.

A resposta explica, em linhas gerais, por que o valor pago cresceu ao longo de seis anos, a defasagem de preços em contratos longos de manutenção rodoviária é conhecida e prevista no próprio instrumento, que estabelece reajuste pelo índice do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Jogatina on-line

Apostadores na Capital superam população de 80% das cidades

Levantamento mostra que 32,5 mil campo-grandenses apostam on-line, número maior que a população da maioria dos municípios de MS

01/09/2026 07h30

Incentivo a pessoas se cadastrarem em plataformas de apostas on-line está por toda a parte, como neste painel em Campo Grande

Incentivo a pessoas se cadastrarem em plataformas de apostas on-line está por toda a parte, como neste painel em Campo Grande Foto: Paulo Ribas

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A quantidade de apostadores em Campo Grande é maior que a população total de 63 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, aponta levantamento realizado pelo Ministério da Fazenda.

Legalizadas no Brasil desde o governo de Michel Temer (MDB), por meio da Lei nº 13.756/2018, as apostas esportivas e os jogos on-line são alvo de inúmeros debates no País em razão do aumento de usuários dependentes.

Tanto que, no dia 1º de janeiro de 2025, entrou em vigor a regularização desse tipo de jogos de azar, com a chamada Lei das Bets (Lei nº 14.790/2023).

Diante da rigorosa regularização que criou a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda, para fiscalizar o setor, inúmeras empresas que de apostas esportivas deixaram de existir. Apesar disso, o número de apostadores não apresentou queda significativa.

A União aponta que 3,35% dos campo-grandenses estão envolvidos em jogos de azar on-line, o que corresponde a aproximadamente 32,5 mil pessoas. Esse número é superior à população de 79,75% (63 de 79) dos municípios de Mato Grosso do Sul, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A título de comparação, o número de apostadores em Campo Grande é praticamente igual ao da população de São Gabriel do Oeste e maior que o da população de cidades como Ivinhema, Aparecida do Taboado, Costa Rica e Miranda. 

Mesmo com esse panorama estadual que assusta, Campo Grande é uma das capitais com o menor porcentual de apostadores em seu território. Para efeito de comparação, quem lidera essa lista é o Rio de Janeiro (RJ), com 26,89% da população sendo apostadores, portanto, um a cada quatro cariocas está no mundo das apostas esportivas.

Ao todo, 85 empresas são autorizadas pelo Ministério da Fazenda a ofertar apostas de quota fixa em âmbito nacional, responsáveis por 188 plataformas de jogos de azar on-line.

Saúde mental

Para o psicólogo clínico Alexandre Zanirato Contini da Silva Vitoriano, especialista em Análise do Comportamento, os dados expostos pelo Ministério da Fazenda preocupam, principalmente, por darem a ideia de que está cada vez mais difícil criar artifícios sociais para diminuir a influência dessas empresas na vida da população. 

“Quanto mais pessoas apostando, mais isso indica para os sites e aplicativos que há um público a ser explorado, e quanto mais dinheiro essas empresas geram, mais elas se estabelecem e mais difícil é criar movimentações em níveis sociais e políticos para sua regulação e conscientização acerca dos riscos que a aposta pode produzir”, disse.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece um serviço de teleatendimento em saúde mental gratuito e sigiloso para pessoas com mais de 18 anos que enfrentam problemas com jogos e apostas on-line, além de prestar suporte a familiares e à rede de apoio. São disponibilizados até 100 mil atendimentos por mês com profissionais da saúde.

Em maio deste ano, durante audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, o Ministério da Saúde informou que houve um crescimento de quase 140% nos último cinco anos na procura pelo serviço, além de mais de 500 mil pessoas terem pedido a exclusão dos cadastros de bets por tempo indeterminado, sob a justificativa de terem perdido o controle das apostas.

“Ter uma linha aberta e acolhedora para começar a conversar a respeito, entender e identificar a necessidade de ajuda pode, sim, atuar como um fator protetivo para pessoas que enfrentam essas questões, para compreender como esses comportamentos se desenvolveram e quais alternativas são possíveis para uma melhor qualidade de vida”, afirmou o especialista.

Ainda segundo o psicólogo, há alguns sinais que merecem atenção para observar se uma pessoa está viciada em jogos. Até porque, quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico e a busca por ajuda, menor será o prejuízo financeiro e psicológico do afetado.

“Podemos observar alguns elementos, como a quantidade de tempo que a pessoa passa apostando, quais os valores, como reage quando está em uma sequência de derrotas, como estão as relações sociais, se há algum afastamento em função de apostar e se tem deixado de arcar com compromissos financeiros essenciais para poder utilizar o dinheiro em apostas”, explicou.

Vale destacar que há um transtorno mental reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que se caracteriza pelo impulso incontrolável e compulsivo de jogar e apostar em jogos de azar, chamado de ludopatia.

Em pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mais de 1,4 milhão de brasileiros apresentaram diagnóstico da doença.

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