Em cidades do interior do Estado, o combustível era revendido a quase 50 centavos mais cara que a média nacional
A deputada federal Camila Jara (PT-MS) enviou um pedido à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para abertura de investigação sobre práticas abusivas no preço da gasolina em postos de combustíveis de Mato Grosso do Sul.
O pedido, enviado na última quarta-feira (11), se refere ao aumento do preço do combustível no Estado, mesmo sem o anúncio oficial de aumento dos valores das refinarias da Petrobrás.
Segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina no Brasil até o dia 3 de março de 2026 era de R$ 6,30. Em Campo Grande, por exemplo, a média analisada no mesmo período era de R$ 5,90.
No entanto, em outras cidades do Estado, foi possível observar médias superiores à da Capital e até mesmo, da média nacional. Em Dourados, a gasolina comum era revendida, em média, por R$ 6,40; em Ponta Porã, chegava a R$ 6,44; e em Corumbá, os preços variavam entre R$ 6,79 a R$ 6,85.
Camila Jara ressaltou, no pedido, que a Petrobrás não fez nenhum anúncio recente de aumento dos preços domésticos. A empresa, que responde por cerca de 75% do fornecimento de gasolina às distribuidoras, tem indicado que eventuais mudanças seguem critérios que evitam repasses imediatos de volatilidades externas ao mercado interno.
“A população não pode pagar a conta de aumentos que não se explicam pela política de preços nas refinarias. Esse aumento impacta diretamente na vida das pessoas, aumentando a inflação, encarecendo o transporte e o preço dos alimentos. Por isso, é fundamental garantir transparência e proteger o consumidor de possíveis abusos”, afirmou a parlamentar.
Desde janeiro
Em janeiro, a Petrobrás reduziu em 14 centavos o preço da gasolina nas refinarias. Porém, no início do mês de fevereiro, houve aumento nos preços médios nos postos de revenda no Estado.
Na pesquisa da ANP divulgada no dia 24 de janeiro, quando já havia sido aplicado o aumento de 10 centavos relativo ao aumento do ICMS, o preço médio da gasolina comum em Campo Grande era de R$ 5,89, variando entre R$ 5,69 e R$ 6,08.
Porém, duas semanas após a redução nas refinarias, a mesma pesquisa revelou que o preço médio está em R$ 5,90, com variação de R$ 5,65 a R$ 6,19. Ou seja, apesar da redução na refinaria, o preço médio subiu um centavo. No caso do preço máximo, a diferença a maior é de 11 centavos, sendo que a previsão era de que ocorresse queda de nove centavos.
E não é somente em Campo Grande que o setor de revenda mais uma vez "se esqueceu" de repassar a queda ao consumidor. Antes do anúncio feito pela Petrobras, o valor médio em Mato Grosso do Sul era de R$ 6,08. Neste sábado, conforme a ANP, está em R$ 6,10. O valor máximo, que era de R$ 6,89 no dia 24 de janeiro, subiu para R$ 6,19.
Em tese, o desconto feito no final de janeiro pela Petrobras deveria ter anulado o aumento do imposto estadual, que entrou em vigor no começo de janeiro, que foi de dez centavos sobre o litro da gasolina.
Ou seja, os revendedores elevaram os preços quando o governo estadual passou a cobrar mais ICMS e não reduziram quando a Petrobras baixou seus valores.