Cidades

TRABALHO ESCRAVO

MS tem 27 nomes na 'lista suja' do trabalho escravo; veja quem aparece

Cadastro atualizado nesta terça-feira (6) reúne pessoas e empresas ligadas a fiscalizações que envolveram 199 trabalhadores em Mato Grosso do Sul

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Mato Grosso do Sul tem 27 empregadores na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro oficial que reúne pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas administrativamente por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. Somados, os registros ligados ao Estado envolvem 199 trabalhadores, conforme levantamento feito pelo Correio do Estado a partir da atualização publicada nesta terça-feira (6).

A relação é o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, atualizado periodicamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O documento identifica o empregador, estabelecimento fiscalizado, número de trabalhadores envolvidos, ano da ação fiscal, decisão administrativa de procedência e data de inclusão. 

Os casos de Mato Grosso do Sul estão espalhados por diferentes regiões e têm forte concentração no meio rural. Fazendas aparecem em 25 dos 27 registros, enquanto os outros dois estão relacionados a uma empreiteira e a um estabelecimento localizado em Ivinhema.

Entre todos os registros sul-mato-grossenses, o maior número de trabalhadores aparece no caso de Valdinei Aparecido Roque, relacionado à Fazenda Pedra Negra, na zona rural de Aparecida do Taboado.

A fiscalização, realizada em 2024, envolveu 20 trabalhadores. A decisão administrativa de procedência ocorreu em novembro daquele ano e a inclusão no cadastro foi registrada em abril de 2025.

Na sequência está Aparecido Christofolli, ligado à Fazenda São Cristóvão I, em Nova Andradina. A ação fiscal de 2024 envolveu 19 trabalhadores, e o nome foi incluído no cadastro em outubro de 2025. 

Também aparecem entre os maiores números Altemar Estevam, relacionado à Fazenda Represa, em Ribas do Rio Pardo, com 12 trabalhadores, além de Jessica Aparecida dos Santos, da Fazenda Progresso, em Deodápolis, e Wanderlei Lopes, relacionado à Fazenda Guarujá, em Caracol, ambos com 11 trabalhadores. 

Corumbá concentra cinco registros

Corumbá é o município que mais aparece entre os estabelecimentos de Mato Grosso do Sul, com cinco dos 27 registros.

Um deles é Airton de Araujo Gomes, relacionado à Fazenda São José. O documento aponta nove trabalhadores envolvidos na ação fiscal realizada em 2024. A decisão administrativa de procedência ocorreu em maio de 2025 e a inclusão no cadastro, em outubro do mesmo ano.

Também aparece Nilton de Araujo Gomes, igualmente relacionado à Fazenda São José, com sete trabalhadores.

A lista traz ainda Claudinei Leite de Queiroz, ligado à Fazenda Santo Antonio, com um trabalhador, e a LLB Prestadora de Serviços Ltda, relacionada à Fazenda Campo Alegre, com oito.

O quinto registro de Corumbá é Rubens Antonio Claro, relacionado à Fazenda MR2. A ação fiscal ocorreu em 2026, envolveu oito trabalhadores e resultou em decisão administrativa de procedência em julho. A inclusão ocorreu na atualização desta terça-feira.

Novos nomes entram na atualização

Entre os registros cuja data de inclusão é 6 de outubro de 2026, aparecem empregadores de Mato Grosso do Sul.

A A. B. Pires Empreiteira Ltda, de Ivinhema, consta no cadastro com nove trabalhadores envolvidos em fiscalização realizada em 2025. A decisão administrativa de procedência ocorreu em abril deste ano.

Em Aquidauana, João Luiz Righetti Ltda aparece relacionado à Fazenda Mamãe Querida. A ação fiscal ocorreu em 2026, envolveu três trabalhadores e teve decisão administrativa registrada em agosto deste ano.

Também foi incluído nesta terça-feira o Espólio de Paulo Sergio Angelo, relacionado à Fazenda Alegria, em Bela Vista, com três trabalhadores envolvidos em ação fiscal realizada neste ano.

Completa o grupo de registros de MS incluídos nesta atualização Rubens Antonio Claro, da Fazenda MR2, em Corumbá, com oito trabalhadores.

Veja os 27 nomes de Mato Grosso do Sul

A relação abaixo reproduz os registros classificados como MS no cadastro oficial atualizado em 6 de outubro. O número ao fim de cada item corresponde à quantidade de trabalhadores envolvidos indicada pelo próprio documento:

• Airton de Araujo Gomes - Fazenda São José, Corumbá  - 9 trabalhadores

• A. B. Pires Empreiteira Ltda - Ivinhema - 9

• Agropecuária Formosa Ltda - Fazenda Formosa, Bonito - 7

• Alberto Junior Pellin - Fazenda Sucuri II, Caracol - 5

• Altemar Estevam - Fazenda Represa, Ribas do Rio Pardo - 12

• Aparecido Christofolli - Fazenda São Cristóvão I, Nova Andradina - 19

• Claudinei Leite de Queiroz - Fazenda Santo Antonio, Corumbá - 1

• Claudio Martinho Rojas - Fazenda Bandeirantes, Porto Murtinho - 7

• Edmur Miglioli Junior - Fazenda Persistência, Anastácio - 3

• Espólio de Paulo Sergio Angelo - Fazenda Alegria, Bela Vista - 3

• Fazenda Serradinho Ltda - Fazenda Formoso, Bonito - 8

• Jessica Aparecida dos Santos - Fazenda Progresso, Deodápolis - 11

• João Luiz Righetti Ltda - Fazenda Mamãe Querida, Aquidauana - 3

• João Silva de Souza - Fazenda São Lourenço, Ponta Porã - 5

• Leonice Vilharga de Brito - Fazenda São Camilo, Camapuã - 1

• LLB Prestadora de Serviços Ltda - Fazenda Campo Alegre, Corumbá - 8

• Luis Alberto de Souza - Fazenda Sobradinho, Caracol - 3

• Marcelo Botassini Ambiental Ltda - Fazenda Bertoncin, Coxim - 10

• Marcio Antonio de Carvalho - Fazenda Boa Sorte, Porto Murtinho - 7

• Marcio Antonio Nantes - Fazenda Vaca Branca, Nova Alvorada do Sul - 5

• Nilson Pereira Bento -  Fazenda Invernada do Piri, Reserva Indígena Kadiwéu, Porto Murtinho - 1

• Nilton de Araujo Gomes -  Fazenda São José, Corumbá - 7

• Rubens Antonio Claro -  Fazenda MR2, Corumbá - 8

• Sumaia Carvão Vegetal Ltda -  Fazenda Piúva, Aquidauana - 9

• Valdinei Aparecido Roque -  Fazenda Pedra Negra, Aparecida do Taboado - 20

• Valdir Fernandes Pessoa -  P.A. Tamakavi, lote 118, zona rural de Itaquiraí - 7

• Wanderlei Lopes - Fazenda Guarujá, Caracol - 11

Os registros estão relacionados a ações fiscais realizadas entre 2022 e 2026, o que significa que a atualização da lista nesta terça-feira não representa que todos os fatos tenham ocorrido recentemente.

Há nomes incluídos no cadastro em abril ou outubro de 2025, abril de 2026 e na atualização atual.

O que é a ‘lista suja’

A chamada “lista suja” é o nome pelo qual ficou conhecido o cadastro mantido pelo governo federal com empregadores responsabilizados, na esfera administrativa, por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.

A presença de uma pessoa ou empresa na relação não significa, necessariamente, que exista condenação criminal. O cadastro é resultado de um processo administrativo relacionado à fiscalização trabalhista.

Na relação atualizada em 6 de outubro, o Ministério do Trabalho e Emprego informa, entre outros dados, o empregador, o local fiscalizado, a quantidade de trabalhadores envolvidos, o ano da fiscalização, a data da decisão administrativa de procedência e quando ocorreu a inclusão no cadastro.

A publicação segue as regras estabelecidas pela Portaria Interministerial MTE/MDHC/MIR nº 18, de 13 de setembro de 2024.

Quando o trabalho é considerado análogo à escravidão

Pela legislação brasileira, reduzir alguém a condição análoga à de escravo pode envolver a submissão a trabalhos forçados ou jornada exaustiva, condições degradantes de trabalho ou a restrição da liberdade de locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.

O artigo 149 do Código Penal também alcança situações como impedir o trabalhador de deixar o local por meio de vigilância ostensiva, retenção de documentos ou outros mecanismos previstos na lei.

O crime é punido com reclusão de dois a oito anos e multa, além da pena correspondente à violência eventualmente praticada, podendo haver aumento de pena nas hipóteses previstas na legislação.

 

 

Chuvas acima da média

Do seco ao alagado: chuvas mudam cenário do Pantanal e acendem alerta

Vídeo mostra propriedade cercada pela água no Nabileque após temporais; previsão indica chuvas acima da média em MS

06/10/2026 16h25

Morador registrou cheia após chuva intensa no  Nabileque

Morador registrou cheia após chuva intensa no Nabileque Reprodução/Mais MS Notícias

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Depois de meses marcados pela falta de chuva, o Pantanal do Nabileque, na região de Corumbá, voltou a ter áreas tomadas pela água após as chuvas dos últimos dias. Um vídeo gravado na região mostra uma propriedade rural com a água passando sobre o aterro e impedindo o acesso por terra. O cenário chama atenção justamente pelo contraste com o período de estiagem que marcou o Pantanal e ocorre no início de uma temporada em que a previsão aponta para mais chuva em Mato Grosso do Sul.

Em Corumbá, a Defesa Civil registrou 80,8 milímetros de chuva em 24 horas até a manhã de segunda-feira (5). A precipitação provocou pontos isolados de enxurrada e alagamento no município.

O episódio no Nabileque, porém, não significa que uma grande cheia já tenha se instalado no Pantanal. A régua de Ladário, uma das principais referências para acompanhar o comportamento do Rio Paraguai na região, marcava 1,20 metro nesta terça-feira (6), com elevação de 5 centímetros em relação à medição anterior.

O nível ainda está distante das marcas observadas em anos de cheias mais expressivas. No fim de setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontava que o Rio Paraguai permanecia dentro da faixa de normalidade, mas abaixo da mediana histórica para o período.

A mudança rápida entre períodos de pouca água e episódios de chuva intensa expõe uma das características mais marcantes do Pantanal: o nível dos rios e a quantidade de água espalhada pela planície podem mudar conforme o comportamento das chuvas nas diferentes partes da bacia.

No caso do Nabileque, a água registrada nas imagens pode estar relacionada às chuvas que atingiram a região e ao escoamento local, sem necessariamente representar uma elevação generalizada do Rio Paraguai.

O próprio monitoramento oficial mostra que o comportamento do rio ainda é desigual ao longo da bacia. Enquanto pontos do sistema apresentam elevação após as chuvas recentes, a régua de Ladário permanece em patamar relativamente baixo.

A situação exige acompanhamento porque o Pantanal pode responder às chuvas de forma diferente conforme o local e o volume acumulado nas cabeceiras e afluentes. O que hoje aparece como alagamento localizado pode ganhar outra dimensão caso os volumes de chuva se mantenham elevados nas próximas semanas.

Mais chuva

O cenário pode mudar conforme as chuvas avancem pelas bacias que alimentam o Pantanal. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuvas acima da média histórica no Estado durante outubro.

Para o trimestre de mês de número 10 a dezembro, o quadro climático também está associado ao avanço do El Niño, fenômeno confirmado em junho e que, segundo o Painel El Niño 2026-2027, tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

O fenômeno não permite prever, sozinho, uma cheia no Pantanal, mas altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país. Por isso, os órgãos federais que acompanham o El Niño recomendam atenção contínua às condições meteorológicas e hidrológicas.

 

Previdência Municipal

Mais de 200 aposentados podem ter pagamento bloqueado em Campo Grande

Aposentados e pensionistas que não fizeram o recadastramento anual em setembro têm 30 dias para regularizar a situação; falta de comparecimento pode suspender os proventos

06/10/2026 16h01

Sede do IMPCG, em Campo Grande; instituto convocou aposentados e pensionistas que não fizeram o recadastramento anual em setembro.

Sede do IMPCG, em Campo Grande; instituto convocou aposentados e pensionistas que não fizeram o recadastramento anual em setembro. Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado.

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Mais de 200 aposentados e pensionistas da Prefeitura de Campo Grande precisam regularizar o recadastramento anual para evitar o bloqueio do benefício. A convocação foi feita pelo Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) e publicada no Diário Oficial do Município (Diogrande) desta terça-feira (6).

A medida atinge beneficiários que deveriam ter realizado o procedimento em setembro, mês de aniversário, mas não compareceram ao instituto.

O edital estabelece prazo improrrogável de 30 dias, contado a partir da primeira publicação da convocação, para que a situação cadastral seja regularizada. 

De acordo com o IMPCG, quem permanecer com o cadastro pendente depois do prazo poderá ter o pagamento do benefício bloqueado. A suspensão permanece até que o aposentado ou pensionista compareça ao instituto e efetive o recadastramento.

A relação publicada ocupa duas páginas do Diário Oficial e reúne mais de 200 nomes. Entre os aposentados convocados estão antigos servidores vinculados principalmente às secretarias municipais de Educação (Semed) e Saúde (Sesau), além de órgãos como Agetran, Sisep, Semades, Funesp, Funsat, Procuradoria-Geral do Município e Planurb.

Recadastramento é obrigatório

O recadastramento anual está previsto na Lei Complementar Municipal nº 415, de 8 de setembro de 2021, e no Decreto nº 13.500, de 18 de abril de 2018. Segundo o edital, a convocação desta vez é direcionada especificamente aos aposentados e pensionistas que não compareceram ao IMPCG durante setembro. 

Para regularizar a situação, os convocados devem comparecer à sede do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande levando os documentos pessoais. O Diário Oficial ressalta que o prazo de 30 dias é improrrogável.

O bloqueio, porém, não significa perda definitiva do benefício. Conforme estabelece a própria convocação, o pagamento permanece suspenso até a efetivação do recadastramento, ou seja, volta a ser regularizado depois que o beneficiário cumprir a exigência cadastral. 

Quem está na lista

A relação contempla aposentados de diferentes áreas da administração municipal e também pensionistas. Entre os nomes aparecem ex-servidores de Educação, Saúde, Infraestrutura, Trânsito, Meio Ambiente, Assistência Social e outros setores da Prefeitura.

O edital identifica os aposentados pelo nome, matrícula e órgão de origem. Já no caso dos pensionistas, são apresentados nome e matrícula.

A convocação serve como uma última oportunidade para que os beneficiários que perderam o período regular de recadastramento mantenham a folha de pagamento sem interrupções.

Onde consultar a lista

A lista completa dos aposentados e pensionistas convocados está disponível nas páginas 15 e 16 da edição nº 8.493 do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), publicada nesta terça-feira (6). O documento pode ser consultado diretamente no site do Diogrande.

Informações sobre aposentadorias, pensões e demais serviços previdenciários também estão disponíveis no site do IMPCG, em campogrande.ms.gov.br/impcg.

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