Cidades

CAMPO GRANDE

Multa para conversão à esquerda na Avenida Afonso Pena entra em vigor

Para a Agetran, medida contribuem para melhor distribuição do fluxo do trânsito, com o intuito de evitar congestionamentos em alguns pontos estratégicos

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Conforme previsto pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), já nesta segunda-feira (27) começam a ser aplicadas as multas aos condutores que realizaram a conversão à esquerda agora proibida em cruzamento para quem segue na Avenida Afonso Pena no centro de Campo Grande. 

Esse trecho, vale lembrar, trata-se do cruzamento para quem costumava sair da Avenida Afonso Pena para convergir nas seguintes ruas: 

  • Treze de Maio, 
  • Pedro Celestino,
  • Padre João Crippa, 
  • 25 de dezembro

Também cabe relembrar que, a última semana serviu justamente como período educativo para os motoristas que costumeiramente cruzam esse trecho, reordenamentos viários esses que seguem o modelo anteriormente adotado na rua Bahia. 

Como abordado anteriormente, o acesso às vias, agora, deverá ser feito através do chamado "laço de quadra", em referência ao contorno do quarteirão para acessar a rua em questão. 

Para a Agetran, essas medidas contribuem para melhor distribuição do fluxo do trânsito, com o intuito de evitar congestionamentos em alguns pontos estratégicos. 

Conforme estabelecido por meio do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a multa que é aplicada em caso de conversão proibida é de R$ 195,23, além de resultar para o motorista 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Mudanças nas vias

Essa reordenação dos pontos de conversão, principalmente à esquerda, na região central, é uma uma forma que o Executivo de Campo Grande encontrou para reduzir a concentração de veículos em alguns locais, com o objetivo de alcançar uma maior fluidez ao trânsito de uma das principais avenidas da Cidade Morena. 

“Percebemos que as caixas [faixas de vias que cruzam a avenida] não suportam o volume de tráfeco, então, fizemos vários estudos, contamos o número de carros para encontrar uma solução. Essas conversões travam uma das faixas, então, as mudanças são para evitar que isso aconteça”, esclareceu o atual diretor-presidente da Agetran, Ciro Vieira Ferreira.

Ele, que também passou pelo cargo de superintendente no Estado da Polícia Rodoviária Federal (PRF), afirmou ao Correio do Estado que as mudanças não ficam restritas apenas ao Centro pois, segundo o novo diretor-presidente, vários estudos estão em andamento para os bairros, e o primeiro a receber as mudanças será o São Francisco.

“Vamos colocar mão única em todas as ruas, da Amazonas até a Rachid Neder, para dar mais fluidez e segurança no trânsito. Isso deve reduzir os conflitos que haviam em alguns pontos de mão dupla, principalmente próximo à Rachid. Isso vai otimizar o trânsito, principalmente na região norte, e reduzir sinistros”, disse. 

No bairro São Francisco, por exemplo, as Ruas Pedro Celestino, Padre João Crippa, José Antônio e 13 de Junho, no trecho entre a Avenida Rachid Neder e a Rua Amazonas, passam a ter mão única, assim como a Rua Alegrete, entre a Rua Brasil e a Rua José Antônio. 

Segundo a prefeitura, também serão implantados semáforos nos cruzamentos das Ruas Arthur Jorge e José Antônio com a Avenida Rachid Neder.

Assim como na Afonso Pena, as mudanças serão feitas de forma gradual. Outros bairros, segundo o diretor-presidente da Agetran, também estão sendo estudados.

 

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MATO GROSSO DO SUL

Em 24h, seis suspeitos morrem em confrontos com a polícia

Casos foram registrados em Campo Grande, Fátima do Sul, Costa Rica e Rio Verde; número de mortes por intervenção policial segue em alta no Estado

27/04/2026 11h45

Um dos casos aconteceu em Campo Grande

Um dos casos aconteceu em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Pelo menos seis pessoas morreram em confrontos com forças de segurança em um intervalo inferior a 24 horas em Mato Grosso do Sul, entre a noite de sábado (25) e o domingo (26). As ocorrências foram registradas em Campo Grande, Fátima do Sul, Costa Rica e Rio Verde.

Na Capital, um homem de 41 anos morreu após avançar contra policiais militares armado com um facão, no bairro Jardim Noroeste. Conforme o boletim de ocorrência, ele apresentava comportamento agressivo e chegou a ameaçar pessoas dentro de uma residência. Os policiais utilizaram arma de choque, mas não conseguiram contê-lo. Diante do avanço, houve disparo de arma de fogo. O homem foi atingido e morreu no local.

Ainda em Campo Grande, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) contabilizava, até então, 29 mortes decorrentes de intervenção policial em 2026.

Em Fátima do Sul, um homem de 37 anos morreu após um desentendimento com vizinhos evoluir para confronto com um policial militar que mora nas proximidades. Segundo o registro policial, a confusão começou por causa de um cachorro e terminou quando o homem retornou ao local com um facão. Ele foi baleado e morreu antes da chegada do socorro.

Já em Costa Rica, três suspeitos morreram após troca de tiros com a Polícia Militar no bairro Polo Industrial. De acordo com o portal Jovem Sul News, a corporação recebeu informações de que o grupo estaria armado e planejando um ataque ligado à disputa entre organizações criminosas. Durante a abordagem, houve reação e confronto. Dois homens morreram no local e o terceiro chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

Na ação, foram apreendidas armas de fogo, um facão, drogas e celulares. A Polícia Civil investiga o caso.

Outro confronto foi registrado em Rio Verde, onde um homem de 31 anos, considerado foragido da Justiça, morreu após reagir à abordagem policial. Ele era procurado desde uma perseguição ocorrida dois dias antes e foi localizado escondido em uma residência. Durante a tentativa de prisão, houve troca de tiros e o suspeito foi baleado. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.

Segundo dados da Sejusp, as mortes por intervenção de agentes do Estado ocorrem quando há necessidade de conter uma agressão ou em cumprimento do dever legal. Os casos registrados no fim de semana devem ser investigados pela Polícia Civil e pelas corregedorias.

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CAMPO GRANDE (MS)

TCU apura suposto remanejamento indevido de R$ 156 milhões de verba do SUS

Denúncia partiu de dentro do próprio Conselho Municipal da Capital, apontando irregularidades na gestão orçamentária sobre transferências fundo a fundo de recursos do Sistema Único de Saúde provenientes da União

27/04/2026 11h24

Segundo o Conselho, há meses o órgão não estaria recebendo os extratos e conciliações bancárias da Sesau

Segundo o Conselho, há meses o órgão não estaria recebendo os extratos e conciliações bancárias da Sesau Marcelo Victor

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Com foco em apurar o suposto remanejamento indevido de recursos que, inicialmente giram em torno da ordem de R$156,8 milhões, o Executivo de Campo Grande entra na mira do Tribunal de Contas da União (TCU) após uma denúncia que partiu de dentro do próprio Conselho Municipal da Capital apontar irregularidades na gestão orçamentária sobre transferências fundo a fundo de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Provenientes da União, os indícios de execução de despesas vultosas sem o prévio empenho, e em potencial desacordo com a Lei 4.320/1964 e a Lei de Responsabilidade Fiscal, segundo o Tribunal, apresenta cenário de risco elevado para a gestão da saúde pública local. 

Conforme representação encaminhada ao TCU, pela 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública do Ministério Público do Mato Grosso do Sul, as possíveis irregularidades partiram em um primeiro momento do próprio Conselho Municipal e, posteriormente, do MPMS.

Diante das possíveis graves irregularidades na gestão orçamentária e financeira do Fundo Municipal de Saúde da Capital, fica destacada a necessidade do órgão fiscalizador da União, principalmente frente aos relatos de obstrução sistemática ao controle social exercido pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS). 

Segundo o Conselho, há meses o órgão não estaria recebendo os extratos e conciliações bancárias, o que motivou um ofício circular solicitando ao TCU, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e também Departamento Nacional de Auditoria dos Sistema Único de Saúde (Denasus), a realização de "auditoria técnica, contábil e financeira do Fundo Municipal da Capital do Mato Grosso do Sul. 

Essa solicitação fundamentou-se em uma série de supostas inconsistências observadas pelo próprio Conselho, como: 

  • Ausência de envio regular de extratos bancários pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau);
  • Inexistência de lançamentos de "contas a pagar" nos balancetes;
  • Relatos de atrasos em pagamentos a fornecedores. 

Esses pontos, entre outras irregularidades, indicariam um quadro de falta de transparência e fragilidade na gestão orçamentária. Em paralelo, o Conselho Municipal de Saúde comunicou os fatos ao MP, que instaurou a notícia de fato para apurar as irregularidades. 

"O ponto de inflexão da investigação no âmbito do MPMS, e que confere especial gravidade a esta representação, foi o recebimento de um denúncia anônima detalhada, a qual transformou as suspeitas em acusações diretas e forneceu roteiro técnico para a apuração", cita o despacho assinado pelo Ministro relator, Jhonatan de Jesus, autorizando realização das diligências propostas pela unidade inspetora em 1° de abril.

Estopim do escândalo

Através de denúncia anônima, é apontada uma movimentação de R$156.830.401,28 em forma de manobra deliberada para “encobrir despesas realizadas sem o devido processo legal”, o que consistiria  na realização de pagamentos sem prévio empenho e sem dotação orçamentária. 

Posteriormente, teriam sido editados os decretos (15.904, 15.915 e 15.917 (de abril de 2024) de crédito suplementar, para tentar dar uma aparência como um órgão colegiado de "caráter permanente e deliberativo". 

Segundo o denunciante, a operação consistiria na realização de pagamentos sem prévio empenho e sem dotação orçamentária, com a posterior edição dos decretos (15.904, 15.915 e 15.917 (de abril de 2024) para tentar conferir aparência como um órgão colegiado de "caráter permanente e deliberativo". 

Esse dito caráter deliberativo seria de suma importância, pois daria ao colegiado também o poder de decisão, e não de mera consulta, sobre as diretrizes da política de saúde. 

Em resumo, o Conselho Municipal de Saúde possui amparo de todas as disposições legais que lhe garantem a competência de fiscalizar não apenas a qualidade dos serviços, mas também a aplicação dos recursos públicos, como estabelecido através da resolução 453 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), com as diretrizes sobre suas atribuições, o que inclui: atuar na formulação e controle da execução da política de saúde, incluindo seus aspectos econômicos e financeiros e deliberar anualmente sobre aprovação ou não do relatório de gestão. 

Além disso, a lei complementar 141 do mesmo ano reforça esse papel do Conselho como instância de controle. No artigo 41 fica descrito que, a cada quadrimestre, o órgão avaliará o relatório consolidado da execução orçamentária financeira e o de gestão. 

"Portanto, a recusa da gestão municipal em fornecer informações financeiras detalhadas ao Conselho Municipal de Campo Grande, conforme relatado nos autos, não representa um mero cumprimento de uma formalidade administrativa. Configura, em tese, uma afronta direta ao arcabouço legal que sustenta o controle social e a gestão democrática do SUS, esvaziando a competência de um órgão legalmente instituído para fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, inclusive os de origem federal", cita um trecho do despacho. 

Eixos de irregularidades

Além dessa frente voltada para os remanejamentos indevidos, seria aparente uma “obstrução sistemática ao exercício do controle social”, já que o estopim para ação de denúncia do conselho seria a própria recusa reiterada da Sesau em fornecer informações “básicas” para a fiscalização, como por exemplo extratos bancários e conciliações de contas. 

Segundo o próprio Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande, essa falta de atuação, ou prevaricação, por parte da Sesau seria uma omissão que, em meados de 2025, já perdurava por aproximadamente um ano 

"A gravidade dessa obstrução foi reconhecida pelo próprio Denasus, que, ao confirmar a realização de auditoria no município, estabeleceu como um de seus objetivos específicos a verificação das 'condições propiciadas pelo ente municipal ao funcionamento adequado do Conselho de Saúde local para o efetivo cumprimento do exercício do controle social'", cita o documento. 

Consulta ao sistema DigiSUS Gestor do Ministério da Saúde revela ainda que, os chamados Relatórios Anuais de Gestão (RAGs) dos exercícios de 2018 até  2023 constam como "aprovados" pelo Conselho, enquanto o RAG de 2024 se encontra "em análise". 

O fato dessas “RAGs” de múltiplos exercícios constarem como aprovadas, por si só, segundo o TCU, “causa estranheza e merece aprofundamento investigativo”, pois seria uma aparente normalidade formal que contrasta com o histórico de denúncias e a  narrativa de obstrução e má gestão, “o que levanta questionamentos sobre a efetividade do processo de controle social ou sobre a natureza dessas aprovações”.

“É prática comum e regimentalmente prevista que um Conselho de Saúde, diante da ausência de informações completas, aprove as contas ‘com ressalvas’, Tal ato, embora resulte no status de ‘aprovado’ no sistema, funciona como um importante alerta e um registro formal da insatisfação e das limitações enfrentadas pelo controle social. Portanto, a aparente contradição entre as aprovações formais e as denúncias crônicas não invalida as suspeitas; pelo contrário, reforça a necessidade de se investigar o processo deliberativo por trás dessas aprovações”, complementa o despacho. 

Escalada das denúncias 

Como bem considerado pelo Tribunal de Contas, essa suposta irregularidade de R$156,8 milhões pode ser apenas parte de um problema mais antigo, já que há denúncias do controle social referindo-se inclusive a possível desvio histórico de R$580 milhões, com base em um histórico de denúncias protocoladas desde 2018. 

As próprias investigações trouxeram à tona novas e graves frentes de apuração, segundo o TCU, que vão além das irregularidades da manobra orçamentária inicial. 

Entre elas, por exemplo, estaria um suposto desvio de finalidade para custeio de transporte público (com denúncia de um repasse de R$1.030.000,00 do Fundo Municipal de Saúde para o consórcio de transporte coletivo, Consórcio Guaicurus, a título de subsídio), justificado ainda, aparentemente, à base de “mentira”. 

Pela justificativa apresentada, o valor de mais de um milhão de reais seria para o custeio do transporte de pacientes específicos (renais crônicos, portadores de infecções sexualmente transmissíveis e oncológicos), com denúncia apontando execução do repasse sem a necessária deliberação prévia do Conselho Municipal de Saúde, o que por sua vez configura potencial desvio de finalidade e afronta direta ao controle social. 

Também foram acostadas aos autos, de forma ainda mais contundente, denúncias anônimas que imputam à Secretária Municipal de Fazenda, Sra. Márcia Hokama, um "padrão de condutas irregulares" e até mesmo "falsidade ideológica reincidente". 

Pelas acusações detalhadas em autos, os padrões de condutas irregulares incluem: 

  1. Prestação de declarações falsas sobre a regularidade fiscal do município; 
  2. Utilização de parecer técnico supostamente falso;
  3. Apresentação de informações contraditórias em audiências públicas e;
  4. Ocultação da real causa da inadimplência no Sistema de Informações sobre Requisitos Fiscais (CAUC)

Esse último, vale esclarecer, trata-se do sistema do Tesouro Nacional que funciona como um "extrato de regularidade" para Estados e municípios, simplificando a verificação de requisitos fiscais, previdenciários e de transparência, servindo como condição essencial para o recebimento de transferências voluntárias da União. 

Com condutas que,segundo as denúncias, configuram violação à Lei de Improbidade Administrativa e ao Código Penal, existe um robusto e convergente conjunto de indícios que apontam para a ocorrência de graves e reiteradas irregularidades na gestão de recursos do SUS em Campo Grande. 

"Essa escalada de denúncias, que tocam diferentes aspectos da gestão financeira e fiscal do município, eleva drasticamente a materialidade potencial sob exame e sugere a possibilidade da existência de um padrão de desvio de finalidade na aplicação dos recursos da saúde".

Tanto a precisão técnica da denúncia, por especificar os decretos; o elemento contábil e todo o modus operandi da irregularidade, segundo o Tribunal, trazem um elevado grau de plausibilidade aos fatos narrados, com a gravidade do fato central amplificada pela suposta participação central da gestão financeira do município (Sefin) na orquestração da irregularidade, conforme denunciado, além da aparente falha generalizada nos mecanismos de controle.

É citada inércia do sistema de controle interno municipal, cuja atuação não é mencionada em nenhum dos documentos iniciais “prevaricação” essa caracterizada pela ausência de alertas da Controladoria-Geral do município frente a uma suposta manobra de tamanha magnitude, considerado forte indício de falha sistêmica, “seja por deficiência técnica ou por omissão de dever”. 

 

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