Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Na polêmica do silicone, cirurgiões são orientados a contactar pacientes

Na polêmica do silicone, cirurgiões são orientados a contactar pacientes

THIAGO ANDRADE

13/01/2012 - 16h00
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Pacientes que sofreram rupturas de próteses de silicone da marca francesa Poly Implant Protheses (PIP) e da marca holandesa Rofil poderão realizar a retirada dos implantes com os custos cobertos pelos planos de saúde. A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e divulgada ontem. No entanto, a substituição só será gratuita caso as mulheres tenham se submetido a uma cirurgia de reconstrução da mama, indicada em casos de lesões traumáticas ou tumores, sem finalidade estética.

Em Mato Grosso do Sul, os cirurgiões plásticos estão sendo orientados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), por meio da regional do Estado, a entrarem em contato com as pacientes que fizeram implantes utilizando as marcas de silicone da PIP e Rofil para que sejam realizados os exames necessários. "Não houve tantos implantes em clínicas particulares, estas marcas foram bem pouco consumidas. O problema maior está em hospitais públicos, que tinham como distribuidores os representantes", explica o cirurgião plástico e presidente da SBCP/MS, Alcides Martins Arruda, de Campo Grande.

Segundo ele, a remoção será realizada em pacientes nas quais a prótese sofreu perfurações ou danos, permitindo o contato do silicone com o organismo. "A questão é que as próteses das duas marcas utilizam o composto químico industrial que é tóxico e pode provocar reações inflamatórias como dor e formação de líquidos", descreve Arruda.

As pacientes devem ficar alertas a dores e mudanças no formato dos seios. Caso haja qualquer alteração, deve-se procurar o médico responsável.

Em casos de próteses nas quais não houve rompimento, Arruda explica que as pacientes serão orientadas a realizar exames de rotina anualmente. "Mas caso haja surgimento de sintomas antes do tempo, deve-se procurar o cirurgião imediatamente", pontua. Segundo ele, as pacientes que fizeram implantes recebem um cartão nos quais constam informações sobre a marca das próteses, portanto, todas devem checar e seguir os procedimentos indicados.

Planos de saúde

De acordo com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), órgão que representa as 15 maiores operadoras de planos de saúde do País, "as operadoras afiliadas cumprirão rigorosamente o que está previsto no rol da ANS e nos contratos". Para que haja reparação, basta se constatar a ruptura da prótese de silicone e a cirurgia de retirada será realizada. Com isso, pacientes atentidas por planos particulares de saúde, assim como as do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão fazer remoção gratuita.

Na última quarta-feira, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, informou que o SUS realizará também a troca de próteses das marcas PIP e Rofil. Segundo dados do Ministério da Saúde, todas as mulheres com próteses das marcas citadas serão convocadas para avaliação clínica que indicará a necessidade de substituir ou não o silicone. Os exames a serem realizados ainda estão sendo definidos, mas já está prevista a realização de ultrassonografia de rastreamento.

Cerca de 25 mil mulheres brasileiras têm próteses das marcas, das quais pouco mais da metade, ou seja, 12.267 mulheres podem estar com implantes problemáticos. A cirurgia de remoção pode variar entre R$ 6 e R$ 10 mil, dependendo do caso, o que significaria um custo mínimo de R$ 73,6 milhões para o SUS e para planos de saúde se todas as próteses forem substituídas.

Polêmica

Divergências entre a ANS e a Anvisa prorrogaram para hoje a decisão sobre como os planos de saúde devem agir diante dos problemas com as próteses da PIP e Rofil. Ao final da tarde de ontem, embora os planos tenham se comprometido a realizar a remoção gratuitamente, quando houvesse problemas, a questão sobre a substituição por uma nova prótese se tornou motivo de desacordo entre as agências.

Segundo nota publicada pela ANS, em "casos em que a colocação da prótese tenha finalidade estética, também é obrigatória a cobertura de eventuais complicações (...), mas não inclui o fornecimento de uma nova prótese", diz o texto em sua primeira versão. Em segunda versão, o trecho foi omitido e nova reunião foi marcada com a Anvisa para amanhã.

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Aprovação

Entenda quais os próximos passos da PEC que reduz a maioridade penal para 16 anos no Congresso

A aprovação na CCJ é apenas a primeira etapa jurídica de uma PEC

10/06/2026 19h00

Proposta reduz maioridade penal para 16 anos

Proposta reduz maioridade penal para 16 anos Divulgação/ Reprodução

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 10, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.

A aprovação na CCJ é apenas a primeira etapa jurídica de uma PEC. A CCJ analisa apenas a admissibilidade, se o texto viola ou não a Constituição.

A PEC irá agora para uma comissão especial. Como mostrou o Estadão, já há um acordo entre os deputados para alterar a redação e retirar os trechos relativos à obrigatoriedade do voto e à alteração da idade mínima exigida para candidatura a cargos políticos.

Comissão Especial

O próximo passo será a discussão em uma Comissão Especial. Cabe ao presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), instalar a comissão para o debate sobre mérito da proposta.

Motta define os partidos que farão parte da comissão, e o colegiado elege seu presidente, que por sua vez designa um relator. Se o presidente da Casa decidir segurar o projeto, a proposta pode ficar travada nesta fase por tempo indeterminado.

Com a comissão instalada, os deputados terão dez sessões para apresentar emendas ao texto. Para ser incluída no texto final, cada emenda necessita de pelo menos 171 assinaturas. O relator estuda o impacto e elabora um parecer. A comissão tem, ao todo, 40 sessões para votar esse parecer, que pode alterar drasticamente o texto original, criar um substitutivo ou até rejeitar a proposta.

Votação em plenário

Se aprovada na Comissão Especial, a PEC vai para o Plenário da Câmara. Por alterar a Constituição, ela exige um quórum qualificado: são necessários os votos favoráveis de, no mínimo, 308 dos 513 deputados.

Após a aprovação em primeiro turno, o regimento exige um intervalo de cinco sessões antes da nova votação. No segundo turno, o texto precisa passar novamente pelo mesmo crivo: 308 votos favoráveis.

Se a Câmara aprovar o texto nos dois turnos, o projeto segue para o Senado. O texto passa por uma análise na CCJ do Senado e depois por votação em dois turnos no Plenário, exigindo o voto favorável de 49 dos 81 senadores.

Imunizante

MS recebe 8,3 mil doses de vacina que amplia proteção contra pneumonia

Primeiro lote com 8,3 mil doses será distribuído aos municípios e amplia a proteção contra pneumonia, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo

10/06/2026 17h28

Fotos: Divulgação SES

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A rede pública de saúde de Mato Grosso do Sul iniciou uma nova etapa no combate a doenças graves causadas pela bactéria pneumococo.

O Estado recebeu nesta quarta-feira (10) o primeiro lote com 8,3 mil doses da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), imunizante recentemente incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que oferece proteção ampliada contra infecções responsáveis por milhares de internações todos os anos no país.

As doses chegaram à Rede de Frio Estadual e serão distribuídas aos municípios conforme os critérios definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A expectativa é que a nova vacina fortaleça a prevenção contra doenças como pneumonia, meningite, otite média e infecções generalizadas, principalmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas com condições de saúde que aumentam o risco de complicações.

A principal novidade da VPC20 é a ampliação da cobertura imunológica. Enquanto a vacina atualmente utilizada no calendário nacional protege contra dez sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, a nova versão passa a oferecer proteção contra 20 variantes do microrganismo, considerado um dos principais causadores de doenças respiratórias graves e infecções invasivas.

Segundo a coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ana Paula Goldfinger, a incorporação da vacina representa um avanço importante para a saúde pública brasileira.

“A Pneumo 20 é uma importante inovação incorporada ao calendário vacinal do SUS. Ela amplia significativamente a proteção oferecida às crianças e demais grupos contemplados, fortalecendo a prevenção contra doenças graves e contribuindo para reduzir internações e óbitos causados pelo pneumococo”, afirmou.

Como será a vacinação

Neste primeiro momento, a implantação da nova vacina ocorrerá de forma gradual. Como Mato Grosso do Sul ainda possui estoque da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10), os dois imunizantes serão utilizados simultaneamente durante o período de transição.

O esquema vacinal definido pelo Ministério da Saúde prevê:

  • Uma dose da Pneumo 20 aos dois meses de idade;
  • Uma dose da Pneumo 10 aos quatro meses;
  • Uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses.

Após o esgotamento dos estoques da Pneumo 10, o esquema passará a utilizar exclusivamente a nova vacina.

Para garantir a implementação adequada da estratégia, a SES informou que realizará orientações técnicas e capacitações destinadas aos profissionais de saúde dos municípios.

Públicos prioritários

Além das crianças menores de cinco anos, a vacinação com a Pneumo 20 contemplará grupos considerados mais vulneráveis às complicações causadas pelo pneumococo.

Entre os públicos prioritários estão:

  • Povos indígenas com mais de cinco anos sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada;
  • Idosos acamados ou institucionalizados com 60 anos ou mais;
  • Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs).

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a distribuição das doses será feita de forma proporcional à população-alvo de cada município.

Redução de internações e mortes

A chegada da nova vacina ocorre em um cenário em que as doenças pneumocócicas continuam sendo uma importante causa de hospitalizações, especialmente entre crianças e idosos.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, desde a introdução da vacina pneumocócica no calendário nacional, em 2010, o Brasil registrou reduções expressivas nos casos de doença pneumocócica invasiva e meningite pneumocócica em crianças pequenas.

A expectativa das autoridades sanitárias é que a ampliação da cobertura vacinal proporcionada pela Pneumo 20 contribua para reduzir ainda mais a circulação dos sorotipos mais agressivos da bactéria, diminuindo o número de casos graves, internações hospitalares e óbitos relacionados à doença.

Com a chegada das primeiras 8,3 mil doses ao Estado, Mato Grosso do Sul passa a integrar a estratégia nacional de modernização do calendário vacinal do SUS, ampliando o acesso gratuito da população a uma das mais recentes tecnologias disponíveis para prevenção de doenças infecciosas.

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