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Novas tecnologias, emprego e perspectivas de mão de obra

Novas tecnologias, emprego e perspectivas de mão de obra

FLÁVIA CONSONI

01/02/2010 - 06h45
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Nas últimas décadas, a economia brasileira vem sofrendo um amplo conjunto de transformações associadas aos processos de modernização e de reestruturação produtiva, com destaque para a introdução de novas tecnologias e de formas de organização do trabalho e da produção. A partir de uma perspectiva histórica, o ritmo dessas mudanças se intensificou na passagem entre as décadas de 1980 e 1990. As transformações no ambiente econômico e político, com destaque para a abertura econômica, revelaram a necessidade de melhorar os padrões de qualidade, produtividade e competitividade das empresas brasileiras. Como reação a este ambiente altamente competitivo, parcela considerável das empresas encerrou suas operações. Outras empresas implementaram processos de reestruturação, movidas pelo propósito de conciliar as novas tecnologias e as novas técnicas de organização do trabalho como estratégias de racionalização da produção e de ampliação do desempenho competitivo. Tais iniciativas foram vistas como inovadoras no setor industrial brasileiro e marcaram uma inflexão no contexto que prevaleceu na década de 1980, que se caracterizava pelo processo seletivo de introdução da automação microeletrônica e pela baixa difusão de técnicas modernas de organização do trabalho. O emprego industrial tem sido particularmente afetado pelas mudanças, com os trabalhadores compelidos a se adaptarem a esse novo contexto. A saber, o progresso técnico possui um potencial altamente desestabilizador sobre as características do emprego: novas ocupações são criadas, enquanto outras são destruídas ou radicalmente reduzidas. Vejamos exemplos dessas mudanças a partir da experiência do setor automotivo, ator sempre proeminente no cenário industrial brasileiro. Até início de 1990, houve um crescimento constante e contínuo no volume do emprego. Em 1990, eram 138 mil pessoas empregadas nas montadoras no Brasil, sendo que a produção anual de veículos ficou próxima de 915 mil unidades. A partir de então, verificou-se forte dinamismo na indústria automotiva brasileira, com intensas mudanças tecnológicas e na produção. Além disso, novas montadoras de carros e caminhões se somaram às tradicionais empresas já instaladas no País, como a Renault, PSA, Honda e a Toyota Automóveis. A produção de veículos, desde então, registra recordes anuais. Em 2008, atingiu o pico de 3.215 milhões de veículos produzidos no Brasil. Em contrapartida, o volume do emprego diretamente ligado a todas as montadoras se manteve próximo a 127 mil trabalhadores, segundo a Anfavea, a associação nacional dos fabricantes. Conclusão óbvia: o aumento da produtividade no setor automotivo não tem resultado em aumento do volume do emprego direto. Mas a estabilidade, e mesmo redução do volume do emprego, é apenas uma das faces dessa mudança. Os empregos remanescentes também têm sido afetados pelas mudanças tecnológicas, e em duplo sentido: no que concerne aos postos de trabalho (ocupações) e no que tange às qualificações para ocupar tais posições. Em relação às ocupações, considere que a introdução de novas tecnologias coloca a necessidade de maior flexibilidade e de alto nível de utilização dos equipamentos, cada vez mais automatizados. Como efeito direto, o tipo de profissional apto a operar tais equipamentos se alterou! Como exemplo, funções que no passado estavam diretamente em contato com a produção e que incluíam a realização de atividades fragmentadas e predominantemente manuais têm continuamente perdido espaço para atividades de natureza considerada indireta, dando-se prioridade a trabalhos de ação preventiva, diagnósticos e resolução de problemas a partir de atuação rápida e eficiente, manutenção e regulagem do fluxo de produção, controle de qualidade, monitoração, supervisão, manutenção contínua etc. Quanto à qualificação da força de trabalho, as novas demandas colocadas vão além das competências tradicionais, tidas como cognitivas e técnicas. O novo perfil da força de trabalho tende a incorporar qualificações de natureza comportamental, que perpassam o subjetivo da força de trabalho e seu consentimento na expectativa de um completo envolvimento do trabalhador com a produção. Prova disso é a intensificação dos investimentos em programas de treinamento e requalificação, voltados para a maior polivalência do trabalhador, e para a ampliação dos cursos técnicos e comportamentais. As novas ocupações e exigências de qualificações têm demandado dos trabalhadores autorrevisão acerca de sua postura e especialização, principalmente no que diz respeito à educação formal, crescentemente tida como atributo essencial no sentido de viabilizar o aumento da produtividade. Por sinal, a preferência por parte das empresas por trabalhadores mais escolarizados é característica marcante da nova conjuntura, a ponto de caracterizar mudança considerável no nível médio de educação formal dos trabalhadores, com redução progressiva dos estratos inferiores de escolaridade (primário e primeiro grau incompletos), substituídos pelos estratos intermediários de instrução (segundo grau, sobretudo completo). Essas mudanças independem do tipo de ocupação. Decorrem das exigências do processo produtivo modernizado.

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Mudança torna o processo da CNH 80% mais barato

Além de retirar a obrigatoriedade de tirar a primeira habilitação em uma autoescola, foi anunciada a redução de 40% no custo dos exames médicos e psicológicos

09/12/2025 14h30

Crédito: Lidiana Cuiabano / Detran-MT / Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, nesta terça-feira (9), a CNH do Brasil, modelo que pretende democratizar o acesso à primeira habilitação, com redução de até 80% no custo.

Na cerimônia, esteve presente o ministro dos Transportes, Renan Filho, que chegou a apresentar um levantamento que colocava Mato Grosso do Sul em 2º lugar no ranking entre as CNHs mais caras do país.

A nova medida retira a obrigatoriedade de procurar um Centro de Formação de Condutores (CFC) no processo da primeira habilitação. Desse modo, o interessado pode iniciar o processo por conta própria, pelo site do governo.

“Nós estamos anunciando não apenas o barateamento da CNH, nós estamos oferecendo às pessoas mais humildes o direito de serem cidadãos de primeira categoria, respeitados na sua plenitude, nos direitos que eles têm de ter e, ao mesmo tempo, passando a garantia de que eles vão ser profissionais agora muito mais preparados, com mais responsabilidade, porque eles estarão totalmente legalizados”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Sistema falido”

Conforme a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), 20 milhões de pessoas dirigem sem habilitação no país.

O valor para tirar a CNH, que em alguns estados pode chegar a R$ 5 mil, foi apontado pelo Ministério dos Transportes como entrave para o acesso à habilitação.

“Essa iniciativa vai melhorar a segurança do trânsito, porque vai formalizar. No Brasil, quando a gente checa um CPF de quem tem uma moto e depois olha se esse CPF tem CNH, 54% não têm. Isso demonstra que o modelo estava falido. As pessoas mais pobres não tinham mais condição de ter uma Carteira Nacional de Habilitação”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho.

O modelo aproxima o Brasil de práticas já adotadas em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Argentina.

Entenda como vai funcionar

A mudança prevê aulas teóricas gratuitas on-line, e o interessado pode escolher se deseja ter aulas práticas com instrutor de autoescola ou com profissionais autônomos devidamente cadastrados no Detran.

Como ficam os exames?

Os exames teórico e prático (percurso e baliza) continuam obrigatórios, como garantia de que o futuro condutor está apto a trafegar com segurança, e seguem sendo realizados nos Detrans.

Mudança de valores

Com expectativa de redução do custo em 80%, o ministro Renan Filho informou que os exames médicos e psicológicos terão redução de valor, e o custo não passará de R$ 180.

Saiba como iniciar o processo

O interessado pode acessar o site do Ministério dos Transportes, o aplicativo CNH do Brasil (antigo app Carteira Digital de Trânsito) ou os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).

Curso gratuito

O curso teórico será ofertado gratuitamente, com acessibilidade (Libras, legendas e recursos visuais), e poderá ser acessado pelo site do Ministério dos Transportes ou presencialmente, nas autoescolas.

Aulas práticas

Houve redução das aulas práticas para duas horas, diminuindo exponencialmente, já que anteriormente o exigido era de 20 horas-aula.

Escolha

Fica a critério do candidato a escolha entre realizar as aulas práticas em uma autoescola ou com um instrutor autorizado.

Reprovei. E agora?

Caso o candidato não consiga passar na primeira prova, ele tem direito de refazer o exame sem custo adicional. Se não passar novamente, terá de arcar com as taxas.

Prazo

A partir de agora, deixa de existir um prazo para finalizar o processo. Desse modo, caso o candidato tenha algum problema financeiro, poderá paralisar sem perder o que já foi feito.

Instrutores independentes

Como adiantou o Correio do Estado, os instrutores agora têm uma nova oportunidade de carreira, com a possibilidade de atuar no mercado como profissionais autônomos.

“As autoescolas vão continuar, mas o cidadão vai poder escolher entre uma autoescola e um instrutor autônomo para formá-lo na condução daquele veículo. Isso estimula a concorrência, que significa preço justo pelo serviço prestado e melhor qualidade para as pessoas”, explicou Renan Filho.

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Rumo à Bolívia, familiares de megatraficante do RJ são presos em MS

Durante a abordagem, os motoristas informaram que foram contratados para levar os familiares do líder do Terceiro Comando Puro até Corumbá

09/12/2025 13h00

Divulgação: PCJR / PRF

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Familiares do megatraficante e líder do Terceiro Comando Puro (TCP), Álvaro Malaquias Santa Rosa, o vulgo Peixão, de 38 anos, foram presos na BR-262, em Campo Grande.

Peixão é chefe da facção rival do Comando Vermelho (CV) e domina o Complexo de Israel, que corresponde às comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, entre outras, na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).

Uma das características da facção é o uso da bandeira de Israel, espalhada pelas comunidades, ponto identificado nas joias localizadas em maletas, em que algumas continham o símbolo “IDF” (Israel Defense Force), que, em português, significa Forças de Defesa de Israel.

Os veículos foram parados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na segunda-feira (8), quando a inteligência recebeu a informação de que os carros saíram do Rio de Janeiro com destino a Corumbá.

Informações preliminares indicaram que Peixão estaria em um dos veículos. No entanto, a bordo estavam a esposa, três filhos e um sobrinho, sendo que este último teria dito que era o dono das joias.

Os familiares foram encaminhados à Polícia Federal (PF), na Capital sul-mato-grossense, onde foram ouvidos e liberados. Eles irão responder em liberdade por organização criminosa, ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

Durante a vistoria dos veículos, os motoristas informaram que foram contratados por uma pessoa conhecida, que reside na Bolívia, para fazer o transporte dos familiares de Peixão até a Cidade Branca e, posteriormente, atravessariam a fronteira rumo à Bolívia

Já a família, conforme informações do Estadão Conteúdo, disse que seguiu de avião até a capital fluminense, onde passou a noite antes de seguir viagem rumo a Mato Grosso do Sul.

Peixão

Atualmente, o traficante, Álvaro Malaquias Santa Rosa, está na lista dos mais procurados pela polícia no Rio de Janeiro e nunca foi preso. Em fevereiro deste ano, uma operação chegou a ser deflagrada em uma comunidade no Rio de Janeiro, mas a polícia não conseguiu localizá-lo.

Durante a pandemia da Covid-19, em 2020, a facção possuía o controle de Vigário Geral e Parada de Lucas. Na guerra pelo domínio de outras regiões, os criminosos conseguiram expulsar rivais e ocuparam as seguintes favelas:

  • Cidade Alta;
  • Cinco Bocas;
  • Pica-Pau.

Áreas que eram dominadas pelo Comando Vermelho. Por se dizer evangélico, Peixão passou a chamar os territórios dominados de Conjunto de Israel, tendo, inclusive, ordenado ser chamado de Aarão - o irmão de Moisés, que, conforme o Antigo Testamento, teve papel importante na libertação dos hebreus.

 

 

Em 2021, em outra incursão policial em busca de Peixão, a polícia chegou a uma mansão pertencente ao traficante, onde, em um dos muros do quintal, havia um desenho de Jerusalém e até um santuário.

O traficante foi condenado pela Justiça por ter mandado destruir locais de prática de religião de matriz africana. Além disso, possui várias ordens de prisão e aparece em mais de 70 inquéritos como alvo e em 26 processos.

No dia 24 de outubro de 2024, foi acusado de terrorismo pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, sob a suspeita de ter ordenado que integrantes do seu grupo atirassem para dispersar a população enquanto a polícia tentava capturá-lo, o que culminou em dois mortos e quatro feridos.

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