Cidades

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Novo teste 'diferencia' gêmeos e pode solucionar casos de estupro e paternidade

Novo teste 'diferencia' gêmeos e pode solucionar casos de estupro e paternidade

terra

16/01/2014 - 12h30
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Já se sabe que gêmeos idênticos não são totalmente iguais. Mas, até agora era quase impossível diferenciar o DNA destes gêmeos.

Mas, um laboratório da Alemanha elaborou um novo exame de DNA que seria capaz de fazer essa diferenciação e que promete ajudar a esclarecer crimes não solucionados ou questões de paternidade.

Um exemplo de crime que pode ser resolvido com o novo teste é o caso dos estupros de seis mulheres em Marselha, sul da França, ocorridos no fim de 2012. As provas, inclusive amostras de DNA, levaram a polícia a dois suspeitos, os gêmeos idênticos Elwin e Yohan, que não tiveram os sobrenomes revelados.

As vítimas reconheceram os gêmeos, mas não conseguiram identificar qual dos dois tinha sido o estuprador.

Os dois estão presos desde fevereiro de 2013; ambos se dizem inocentes e se recusam a culpar o outro.

Quando foram presos, a imprensa deu a entender que os testes para determinar qual dos gêmeos deveria ser acusado seriam caros demais. Mas isso pode mudar, com ajuda dos cientistas especializados em pesquisa de genoma no laboratório Eurofins, em Ebersberg, Alemanha.

"O genoma humano é formado por um código alfabético de três bilhões de letras", explicou Georg Gradl, especialista em sequenciamento genético do laboratório.

"Se o corpo está crescendo, ou um embrião está se desenvolvendo, então todos as três bilhões de letras precisam ser copiados".

"Durante este processo de cópia no corpo acontecem 'erros de digitação'", disse o cientista se referindo a pequenas mutações.

Partes de DNA

Em exames de DNA tradicionais apenas uma pequena parte do código é analisada, o suficiente para diferenciar duas pessoas consideradas normais, mas não para diferenciar gêmeos idênticos.

Gradl e sua equipe recolheram amostras de um par de gêmeos idênticos e analisaram toda a sequência de três bilhões de letras. Com isso, encontraram algumas dezenas de diferenças no DNA.

Os cientistas também analisaram o filho de um dos homens e descobriram que ele herdou cinco destas mutações do pai. Após analisar os resultados, eles afirmam que agora podem diferenciar qualquer gêmeo idêntico do outro e os filhos destes gêmeos.

A rapidez do resultado é importante nesses casos; o teste alemão leva um mês para ser concluído.

Institutos de Criminalística da Europa, América Latina e Estados Unidos já pediram ajuda à Eurofins para solucionar dez casos diferentes.

Gradl afirma que casos de estupro ou violência sexual envolvendo gêmeos são "mais frequentes do que nós esperávamos". Com frequência há vestígios de sêmen e, "nestes casos, nós podemos diferenciar".

A empresa não pode revelar em quais casos está trabalhando, mas Gradl admite que o caso de Marselha é "certamente um destes que gostaríamos de ajudar... e estamos convencidos que vamos conseguir (um resultado)".

Crimes e paternidade

Outros crimes também poderiam se beneficiar do novo teste de DNA. Na Argentina, por exemplo, a Justiça suspendeu um julgamento para que fossem feitas mais investigações, depois que um homem acusado de estupro culpou o irmão gêmeo.

Vários casos de estupros ocorridos nos Estados Unidos também poderiam receber ajuda deste novo teste, mas também há complicações em casos ligados a tráfico de drogas.

Em 2009, em Kuala Lumpur, na Malásia, a polícia apreendeu 166 quilos de maconha e 1,7 quilo de ópio em um carro. O motorista foi preso e, ao chegar na casa para onde o carro estava indo, os policiais encontraram o gêmeo idêntico do motorista.

A polícia sabia que o primeiro, o motorista, seria o culpado, mas durante o julgamento, surgiram dúvidas sobre quem seria quem entre os gêmeos, e exames de DNA disponíveis não puderam ajudar a diferenciá-los oficialmente.

Os dois foram libertados, escapando da pena de morte que geralmente é o destino dos traficantes de drogas do país.

E não apenas crimes seriam solucionados, mas também casos de dúvida em relação a paternidade envolvendo gêmeos idênticos.

Em 2007, a Justiça do Estado americano do Missouri tentou descobrir quem era o pai do filho de Holly Marie Adams, que manteve relações sexuais com dois irmãos, gêmeos idênticos, Raymon e Richard Miller.

Como neste caso o teste de DNA tradicional foi inconclusivo, foi necessário contar apenas com os testemunhos de Holly sobre os dias exatos em que ela manteve relações com os dois, como estas datas correspondiam ao ciclo menstrual e se algum deles usou preservativo.

No final, apenas com base nestas provas, foi determinado que Raymon era o pai.

Para Laura Walton-Williams, do Departamento de Ciência do Crime e Criminalística da Universidade de Staffordshire, na Grã-Bretanha, o teste de DNA da Eurofins é um grande avanço, e poderia ser usado até para descobrir se um gêmeo está envolvido no assassinato de um irmão idêntico, pois, pela primeira vez, será possível diferenciar o DNA da vítima e do suspeito.

Mas, a especialista acredita que a Justiça precisará saber se este exame foi rigorosamente testado, e se o custo poderá influenciar na decisão de usá-lo ou não.

Até o momento a Eurofins não divulgou quando este exame de DNA vai custar.

OPERAÇÃO PROTETOR

Dois suspeitos morrem em confronto com o Choque em Rio Brilhante

Ações ocorreram após denúncia de possível planejamento de crimes na cidade; um dos mortos seria comparsa de Jonas, morto em operação policial em Sidrolândia na sexta-feira (9)

11/10/2026 08h25

As ações ocorreram durante a Operação Protetor, após a Polícia Militar receber informações de que suspeitos armados estariam se preparando para cometer crimes na região

As ações ocorreram durante a Operação Protetor, após a Polícia Militar receber informações de que suspeitos armados estariam se preparando para cometer crimes na região Foto: Rio Verde News

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Dois homens morreram após confrontos com policiais militares do Batalhão de Choque em Rio Brilhante, município localizado a cerca de 160 quilômetros de Campo Grande. As ações ocorreram durante a Operação Protetor, após a Polícia Militar receber informações de que suspeitos armados estariam se preparando para cometer crimes na região.

Um dos mortos foi identificado como Anderson Gabriel Barreto de Morais, de 24 anos, conhecido pelo apelido de “Mandrake”. Segundo as informações levantadas, ele estava foragido da Justiça e possuía mandado de prisão por roubo. Gesiel também é apontado como comparsa de Jonas Gabriel de Souza Sales, de 19 anos, morto na sexta-feira (9), durante uma operação policial em Sidrolândia.

A ligação entre os dois é reforçada por uma fotografia em que aparecem juntos, com um revólver sobre o braço de um sofá. Conforme informações preliminares, ambos teriam participado de crimes na região. A eventual relação entre as ocorrências ainda deverá ser esclarecida pelas autoridades.

De acordo com o Batalhão de Choque, a ocorrência em Rio Brilhante teve início após uma denúncia anônima recebida pelo telefone 190. O relato indicava que um homem vindo de Sidrolândia estaria armado em um imóvel da cidade, aguardando a chegada de outro suspeito para a prática de crimes.

Durante as diligências, os militares localizaram o primeiro homem na residência indicada. Segundo a versão policial, ele estava armado e, ao perceber a aproximação da equipe, correu para o interior do imóvel e efetuou um disparo contra os agentes.

Os policiais reagiram e atingiram o suspeito. Após ser desarmado, ele recebeu atendimento e foi encaminhado ao Hospital Beneficente de Rio Brilhante, mas não resistiu aos ferimentos.

Ainda durante a operação, outro homem, que havia fugido pelos fundos da residência, foi localizado por equipes da Rondas Ostensivas Táticas e Ações de Choque (Rotac) em um segundo endereço do município.

Conforme a Polícia Militar, o suspeito também teria atirado contra os policiais durante a tentativa de abordagem. Houve reação da equipe e o homem acabou baleado. Ele foi socorrido, mas também morreu. O homem foi identificado como Gesiel Erion de Oliveira Brás, de 25 anos.

As armas encontradas nos locais dos confrontos foram apreendidas, assim como os armamentos utilizados pelos policiais envolvidos, para os procedimentos legais e administrativos.

Os militares também recolheram documentos relacionados à locação de um dos imóveis e registros de movimentações financeiras que serão analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Ligação com grupo criminoso

As mortes de Gabriel e Gesiel ocorrem em meio a uma sequência de operações policiais contra suspeitos de integrar grupos criminosos com atuação em municípios do interior de Mato Grosso do Sul.

Na sexta-feira (9), quatro pessoas apontadas como integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) morreram durante uma ação conjunta do Batalhão de Choque e do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), em Sidrolândia.

Entre os mortos estava Jonas Gabriel de Souza Sales, de 19 anos, apontado como comparsa de Gabriel. Também morreram Miguel Felipe Santana, de 17 anos, Vanessa Thiel de Almeida, de 19, e Thalyson Miguel Acosta de Oliveira, de 21 anos.

Conforme divulgado pelo Correio do Estado, os policiais foram até uma residência na Rua Dolício Pereira da Silva, no Bairro Alto da Figueira, para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do grupo.

Segundo o major Cleyton, do Batalhão de Choque, os quatro suspeitos estavam armados e teriam reagido à abordagem policial em diferentes pontos do imóvel. Todos foram atingidos, socorridos e encaminhados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, mas não resistiram.

Durante a operação, foram apreendidas quatro armas de fogo, sendo dois revólveres calibre .38, um revólver calibre .32 e uma pistola calibre 7,65 mm. Uma motocicleta Honda Fan 125, suspeita de ter sido utilizada em atentados criminosos, também foi recolhida.

Mortes em intervenções policiais

As ocorrências acontecem em um ano marcado pelo aumento das mortes decorrentes de intervenções policiais em Mato Grosso do Sul.

Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) divulgados anteriormente pelo Correio do Estado, o Estado registrou 150 mortes por intervenção legal de agentes de segurança em 2026, número que já superava o registrado em 2023, quando houve 131 mortes.

Somente neste ano, segundo balanço apresentado pelo Batalhão de Choque, a unidade contabilizou 348 prisões em flagrante, 165 capturas de foragidos da Justiça, 93 veículos recuperados e 172 armas de fogo apreendidas.

Ainda conforme a corporação, aproximadamente 14 toneladas de drogas foram apreendidas, representando prejuízo estimado em R$ 14 milhões ao crime organizado.

As circunstâncias dos dois confrontos em Rio Brilhante, assim como a possível participação de outros envolvidos e eventuais conexões com o grupo morto em Sidrolândia, seguem sob apuração das autoridades competentes.

Meio Ambiente

Estudo sugere melhorias para alertas de desastres no Brasil

Menos de 2% das mensagens tinham comunicação eficaz entre 2018 e 2023

10/10/2026 20h00

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Apenas 1,83% dos alertas de desastres disparados por SMS no país entre 2018 e 2023 continham todos os elementos considerados essenciais para uma comunicação eficaz, aponta o estudo Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades com base na experiência do Brasil.

Realizado pelos pesquisadores Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o estudo analisou 73.701 mensagens enviadas por órgãos de proteção e defesa civil do país, sobre o aspecto de eficiência das informações distribuídas.

O resultado apontou a ausência de vários elementos necessários à uma comunicação eficiente nas mensagens.

“Ao receber uma mensagem, a pessoa precisa conseguir identificar se está em risco, entender o que está acontecendo, saber onde o evento pode ocorrer, o que deve fazer e por quanto tempo precisa permanecer em alerta”, explica Luciene.

Foram analisadas as mensagens de SMS de até 160 caracteres cadastradas no sistema da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) entre 2018 e 2023.  Os pesquisadores classificaram o total de mensagens por fonte, perigo, localização, orientações e tempo e analisaram esses elementos conforme os padrões do Classificação e Codificação de Desastres (Cobrade).

Um exemplo do que é esperado pelo padrão é a explicação dos danos potenciais do perigo, que apareceram em apenas 7,7% das mensagens analisadas. A localidade precisa, também só foi identificada em 5,9% das mensagens e os horários do termino do perigo só constava em 9% dos textos.

A própria identificação da categoria da mensagem, se era um aviso, uma comunicação, um alerta ou uma advertência não aparecia em 76,2% das mensagens distribuídas. A palavra alerta estava presente em apenas 19% das mensagens, enquanto a palavra aviso apareceu em 2,2% e atenção em 1,8% dos textos disparados.

Na avaliação dos pesquisadores, a ausência desses elementos revela a ineficiência na comunicação do desastre.

“Quanto mais clara e específica for a mensagem, maiores são as condições para que ela seja compreendida e utilizada na tomada de decisão”, acrescenta a pesquisadora da PUCPR.

Limitações

O limite padrão de 160 caracteres, incluindo espaços e pontuações, determinado pela ferramenta de envio de SMS também foi apontado pelos pesquisadores como um dos desafios para a inclusão de informações mais completas e específicas nos alertas.

A diversificação com o uso complementar de diferentes canais de comunicação como Cell Broadcast, aplicativos de mensagens e sistemas locais de comunicação, conforme vem sendo adotado no Brasil mais recentemente resulta em uma estratégia capaz de aumentar a eficiência na comunicação, destaca o estudo.

Para o pesquisador Murilo Fonseca, não existe necessariamente um único canal capaz de atender a todas as situações.

“Um sistema multicanal precisa considerar as características da população, incluindo diferentes níveis de alfabetização e acesso à informação, a presença de pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros grupos que podem enfrentar barreiras de comunicação; as características do território; os meios de comunicação disponíveis e acessíveis; e a dinâmica do fenômeno”, afirma.

Dados

De forma geral, a maior parte das mensagens analisadas, 73,6%, tinham o objetivo de alertar sobre chuvas intensas. O segundo tipo de comunicação mais frequente foi a de baixa umidade do ar, representando 8,5% das mensagens, e, em seguida, aparece a mensagem de alerta para granizo, que representou 4,2% das mensagens analisadas.

As estações da primavera e do verão, que ocorrem entre os meses de setembro e março no Hemisfério Sul, foram os períodos do ano que concentraram 75% dos disparos de mensagens a cada ano.  Essas mensagens foram distribuídas principalmente nos meses de janeiro, 15,9%, e dezembro, 13,4%.

Em termos de regionalidade, o sudeste do Brasil apresentou o maior número de disparos de mensagens à população, com 75,2% dos textos enviados. A Região Sul foi responsável por 18,6%, o Centro-Oeste 3,7%, Nordeste, 1,5% e Norte, 0,98% das mensagens.

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