Cidades

Cidades

O avestruz e a merenda escolar

O avestruz e a merenda escolar

Redação

23/02/2010 - 03h51
Continue lendo...

Foi destaque recente na imprensa local: ainda neste ano letivo de 2010, o cardápio da merenda escolar de cerca de 100 mil alunos da rede municipal de ensino de Campo Grande será reforçado com carne de avestruz e de boi orgânico. A ideia é do titular da Sedesc (Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico, de Ciência e Tecnologia e do Agronegócio – ufa!), e vice-prefeito da Capital, Edil Albuquerque (PMDB), que além das 15 toneladas de polpa de peixe, 33 toneladas de coxa e sobrecoxa de frango e 33 toneladas de salsicha de frango congeladas normalmente utilizadas na merenda, vai comprar 55 toneladas de carne bovina orgânica e 33 toneladas de carne de avestruz moídas e congeladas. A licitação, no valor de R$ 1,3 milhão (R$ 768 mil de carnes exóticas), para a compra desses produtos será aberta dia 25/2 e os recursos são oriundos do MEC (Ministério da Educação). (Campo Grande News, 14/2/2010). O vice-prefeito justificou assim a medida: “O boi orgânico é uma carne saudável e produzida respeitando questões ambientais, e a carne de avestruz é nutritiva, tem alto teor de ferro, baixo porcentual de gordura, além de ser macia e saborosa. Serão importantes no desenvolvimento das crianças”. Segundo ele, “as carnes exóticas já foram testadas nas escolas por três meses e a aceitação foi muito grande”. Embora o preço de referência para o quilo da carne bovina orgânica seja de R$ 8,25 (30% a mais que a carne de segunda), e o da carne de avestruz R$ 9,85, ele diz que “a municipalidade ao comprar o produto mais caro incentiva a produção orgânica, porque os 16 fazendeiros pantaneiros envolvidos no negócio não conseguem exportar os cortes de segunda. O mesmo se aplica aos produtores de avestruz”. (Correio do Estado, 13/2/2010). Em editorial intitulado “Nutrindo investidores” (13/2/2010), porém, o “Correio do Estado” diz que, embora o argumento do vice-prefeito de que o poder público tem obrigação de incentivar a produção local faça algum sentido,“é no mínimo ilógico utilizar o dinheiro dos campo-grandenses para pagar caro por uma carne proveniente de fazendeiros do Pantanal, que além de serem de outras regiões do Estado, certamente são bem menos necessitados que 95% daqueles que pagam impostos na Capital”. E que, “absolutamente todos aqueles que se aventuraram na criação das gigantescas e desengonçadas aves o fizerem sabendo dos riscos e porque tinham algum dinheiro para investir na novidade. Então, se não obtiveram o sucesso que esperavam, não faz sentido agora utilizar dinheiro público para minimizar a decepção dos investidores”. É preciso entender, no entanto, que mesmo considerando que há fortes indícios de jogo de interesses na compra de carnes exóticas para a merenda escolar de Campo Grande, o problema maior parece não estar relacionado ao fato de que uma delas – a do boi orgânico – ser de dianteiro e produzida no pantanal sul-mato-grossense. Afinal, embora seja considerada uma carne de “segunda linha” e proveniente de terras distantes daqui, ela advém de animais criados de forma mais saudável que a usual e portanto deve fazer bem às crianças quando adicionada ao lanche escolar. Além disso, não deixa de ser politicamente correto incentivar a produção do boi orgânico e outros itens desse tipo quando utilizados na alimentação humana. Ora, se esse raciocínio for correto, a questão central se resume em saber: por que cargas d’água a prefeitura local decidiu comprar carne de avestruz para compor a merenda escolar das escolas municipais da Capital? Para responder a isso, é preciso voltar aos tempos do mestre químico francês Lavoisier (1743-1794), e traduzir sua mais famosa frase para o “brasilianês”, que ficaria assim: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se copia”. É que Campo Grande não é a primeira, nem provavelmente será a última cidade brasileira a adotar a carne de avestruz na merenda escolar de suas escolas municipais. Desde o início de 2009, Campinas (SP) é a primeira cidade do Brasil a utilizar esse tipo de carne no cardápio da merenda escolar dos alunos de suas 507 escolas municipais e estaduais! A iniciativa é da Secretaria de Educação de lá, em parceria com as Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa) e faz parte do Programa Municipal de Alimentação Escolar (PMAE),cujo objetivo é agregar novas opções ao cardápio escolar (Agência Anhanguera, 19/6/09). E o mesmo acontece em Almirante Tamandaré, PR, onde o teste de degustação realizado numa escola infantil mostrou que 75% das crianças aprovaram o sabor da carne de avestruz (Bem Paraná On-Line, 25/3/09). Parece haver, porém, outros motivos para justificar a decisão do vice-prefeito Edil de inserir a carne de avestruz na merenda escolar da Capital. Um deles, talvez, seja resposta à forte campanha de marketing desencadeada pelas cooperativas regionais de estruticultores (criadores de avestruzes) desde o IX Congresso Brasileiro de Estrutiocultura de dezembro de 2008, em São Paulo,SP, e cujo tema central foi de estimular o consumo de carne de avestruz via merenda escolar! (ACAB,11/12/2008). O outro pode ser uma tentativa do poder público municipal em ajudar os estruticultores a desovar a produção e estoque de carne de avestruz que se encontra no campo e não encontra compradores! É como diz Ester Figueiredo em sua coluna “Diálogo” no Correio do Estado de 20/2/2010, sob o título “Exóticas”: “Uma das justificativas da prefeitura para incluir na merenda dos alunos de Campo Grande as carnes orgânicas de boi e avestruz é de apoio aos produtores. Já imaginaram se os de rã, de jacaré em cativeiro e por aí afora decidem pedir auxílio, hein?”.

descanso

Governo de MS cria feriadão em outubro e servidor terá 4 dias de folga

Folga vale para órgãos e entidades da Administração Direta, Autárquica e Fundacional do Poder Executivo Estadual

06/10/2026 10h00

Fachada da Governadoria, no Parque dos Poderes, em Campo Grande

Fachada da Governadoria, no Parque dos Poderes, em Campo Grande GERSON OLIVEIRA

Continue Lendo...

Governo de Mato Grosso do Sul emendou dois feriados e criou um feriadão para o servidor público no fim deste mês.

Na prática, o Estado transferiu o Dia do Servidor Público, comemorado em 28 de outubro (quarta-feira), para 30 de outubro (sexta-feira), para emendar com o feriado de 2 de novembro (domingo).

Com isso, o servidor terá 4 dias seguidos de folga: 30 de outubro (sexta-feira), 31 de outubro (sábado), 1° de novembro (domingo) e 2 de novembro (segunda-feira).

O funcionário retornará ao trabalho em 3 de novembro (terça-feira). Vale ressaltar que haverá expediente normal no dia 28 de outubro (quarta-feira).

A folga vale para órgãos e entidades da Administração Direta, Autárquica e Fundacional do Poder Executivo Estadual.

Serviços públicos considerados essenciais, como saúde e segurança, funcionarão normalmente e devem ser divididos por meio de escala ou plantão.

De acordo com o Governo de MS, a alteração do ponto facultativo relacionado ao dia do servidor público estadual não ocasionará nenhum prejuízo às atividades da Administração Pública do Poder Executivo Estadual.

O Decreto Especial n° 69 foi assinado pelo governador de MS Eduardo Riedel e publicado nesta terça-feira (6) o Diário Oficial Eletrônico (DOE-MS).

A Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) fez o mesmo: transferiu o ponto facultativo do Dia do Servidor Público para 30 de outubro de 2026, criando um feriadão de quatro dias para os servidores municipais.

MORENÃO

Empresa oferece desconto de 0,3% e dá menor lance para obra de R$ 17,8 milhões no Morenão

Alcance Engenharia apresentou proposta R$ 53,6 mil abaixo do valor estimado pelo Estado; governo também contratou consultoria por R$ 3,8 milhões para projeto do estádio

06/10/2026 09h45

Concorrência do estádio Morenão chega a quase R$ 18 milhões para serviços de adequação e requalificação.

Concorrência do estádio Morenão chega a quase R$ 18 milhões para serviços de adequação e requalificação. Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

A reforma do Morenão deve movimentar quase R$ 18 milhões. A Alcance Engenharia e Construção Ltda. apresentou o menor lance na concorrência aberta pelo Governo de Mato Grosso do Sul para executar serviços de adequação e requalificação do estádio, em Campo Grande.

A empresa ofereceu R$ 17.821.250 pelo serviço, valor R$ 53.695,95 abaixo dos R$ 17.874.945,95 estimados pelo Estado. O desconto ficou em aproximadamente 0,3%.

A disputa ocorreu na segunda-feira (5) e teve duas empresas na fase de lances. Além da Alcance, participou a Engetal Engenharia e Construções Ltda., que encerrou a disputa com proposta de R$ 17.839.125. A diferença entre as duas ofertas foi de apenas R$ 17.875. 

Antes da abertura dos lances, as duas concorrentes haviam apresentado propostas no valor exato do orçamento do Estado, de R$ 17.874.945,95. Durante a sessão, o agente responsável pela licitação chegou a pedir que as empresas melhorassem os preços apresentados. O critério adotado para o julgamento é o de menor preço. 

A concorrência é conduzida pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), ligada à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), e prevê a execução de serviços de engenharia para “adequação e requalificação funcional” do Estádio Universitário Pedro Pedrossian. 

Apesar de ter apresentado o menor lance, a Alcance ainda precisava cumprir mais uma etapa prevista no processo. A empresa recebeu prazo até as 14h desta terça-feira (6) para readequar e apresentar a proposta conforme o valor ofertado.

A ata informa que o lance poderia ser desclassificado caso a documentação não fosse apresentada dentro do prazo. A sessão foi suspensa e tem retomada prevista para as 14h desta terça-feira. 

A concorrência começou com cinco empresas relacionadas, mas apenas Alcance e Engetal chegaram à fase de preços.

CR Arquitetura e Construção Ltda., Sustentare Empreendimentos Ltda. e Engelec Engenharia Elétrica e Civil Ltda. foram inabilitadas por não terem apresentado os documentos obrigatórios e as propostas iniciais no prazo estabelecido pelo edital. 

Alcance e Engetal também tiveram de fazer ajustes na documentação durante a fase de habilitação. No caso da Alcance, a administração apontou uma certidão negativa de falência, concordata e recuperação judicial vencida, além da falta de assinaturas de responsáveis técnicos em um termo de compromisso.

A empresa substituiu os documentos solicitados e acabou habilitada para prosseguir no certame. 

A Engetal também precisou regularizar documentos. Entre as pendências apontadas estavam documentação fiscal e a garantia da proposta, que havia sido inserida em campo incorreto do sistema. Depois das diligências, a empresa também foi habilitada. 

Não houve manifestação de interesse em recorrer da fase de habilitação e, na sequência, a Agesul abriu a disputa de preços. 

Consultoria de R$ 3,8 milhões

A licitação das intervenções no Morenão ocorre no mesmo período em que o Governo do Estado contratou uma empresa por R$ 3.832.274 para trabalhar na estruturação e no desenvolvimento do projeto do estádio.

Conforme extrato do Contrato nº 03/2026/Segov, publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado, a contratada é a Alvarez & Marçal Consultoria em Engenharia Ltda.

O serviço contratado pela Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov) tem como foco a modernização do Morenão, a maximização do uso do imóvel e o aproveitamento de sua localização estratégica, além da garantia de padrões adequados de segurança e conforto.

O contrato foi assinado em 21 de setembro e terá vigência de 24 meses. O valor de R$ 3,83 milhões será fixo e irreajustável pelo período de um ano contado da data-base da proposta comercial.

A contratação da consultoria foi feita com fundamento no artigo 74, inciso III, da Lei Federal nº 14.133/2021.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).