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SAÚDE DELAS

O que elas dizem: lei que visa dar "autonomia reprodutiva" à mulher em MS é "só a ponta do iceberg"

Enquanto norma nacional dispensa autorização para laqueadura, medida do Estado garante liberdade de escolha feminina somente para métodos reversíveis

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Quando se trata de luta por conquista de direitos femininos, 2022 marca como o ano em que a "autonomia reprodutiva" caminhou para se tornar realidade, tanto nas normais federais, quanto nas leis de Mato Grosso do Sul, que, na voz feminina, está longe de ser o necessário. 

Mais recente, foi sancionada no Estado, a lei (5.973) que proíbe os planos de saúde exigirem autorização do companhanrio, caso a mulher queira adotar um método contraceptivo. 

Importante frisar que, no caso de Mato Grosso do Sul, a norma diz que só poderá ser escolhido o método que "não importe em esterilização voluntária", ou seja, os reversíveis como DIU e diafragma. 

Sobre o cenário nacional, a lei sancionada em setembro deste ano, que permite laqueadura sem autorização do parceiro, tem prazo de 180 dias para começar a vigorar, restanto ainda quatro meses de espera, e passará a valer em março de 2023.

Como explica a Dra. Klissia Pires Souza, ginecologista e obstetra da Unimed Campo Grande, os contraceptivos hormonais combinados (as pílulas) e o preservativo masculino, tradicionalmente, são os métodos mais buscados quando o assunto é relação sexual saudável. 

" Porém, atualmente observa-se aumento da procura pelos LARCS (long action reversible contracepction), os métodos reversíveis de longa duração, devido à sua alta eficácia e baixas taxas de efeitos adversos."

Ela aponta que esses métodos tem duração mínima de três anos, sendo que há três disponíveis em território nacional: 

  • o DIU de Cobre (ou DIU de Cobre com Prata), 
  • o DIU hormonal e o 
  • implante transdérmico. 

"Após inseridos, independem do uso correto pela paciente e por isso, mantém alta eficácia por longos períodos", destaca ginecologista e obstetra.

Como bem salienta a Dra. Klissia, não existe um método contraceptivo ideal para todas as mulheres e fala sobre a lei estadual já caminha em uma boa direção. 

"Sem dúvidas, essa medida é um avanço na autonomia da mulher, já que ela é a responsável pela gestação e sente na pele todas as mudanças no seu corpo, sem falar na responsabilidade de cuidar de um novo ser", pontua. 

Ações Vs. Realidade

Jornalista criadora do portal de emancipação sexual feminina "Papo de Vênus", Yorrana Della Costa, em análise do contexto dessas ações, comenta que as mulheres sempre foram colocadas em sociedade como propriedade de seus conjugues. 

"Para mim, é uma loucura que estejamos discutindo autorização do marido para o que a mulher deseja ou não fazer com o seu corpo, a saúde dele e ações que afetam profundamento o futuro delas", diz. 

Sobre a medida estadual, ela vê como um sinal de avanço os planos começarem a entender  como a liberdade do corpo da mulher é importante para a luta delas, enquanto seres humanos.

"Mas é só a ponta do iceberg. É agravante que até hoje estejamos nessas discussões que já deveriam ter sido tocadas há muito tempo", afirma. 

Ainda, ela cita o exemplo da invenção dos anticoncepcionais, que a medicina e indústria farmacêuticas sabiam dos riscos e, como num experimento, realizaram testes em centenas de mulheres. 

"Ao qual muitas morrem e outras ficaram com sequelas. É um método que salvou muitas vidas e garantiu liberdade para muitas mulheres, é verdade. Mas até hoje é um método contraceptivo carregado de riscos e efeitos colaterais", expõe Yorrana. 

Em questionamento, ela argumenta se não passou pela cabeça dessas pessoas, a situação de os homens assumirem o compromisso de tomar as pílulas, ao invés delas. 

"Por que toco nesse assunto? Por a resposta ser muito simples, e casar muito bem com a resposta a esse tipo e lei, que vem, mas vem tarde e não garante a liberdade total do corpo dessas esposas". 

No que chama de verdade "difícil de ser engolida", mas "necessária de ser tocadas", ela complementa. 

"As mulheres são responsabilizadas pela sociedade patriarcal — e quando me refiro a patriarcal, eu me refiro ao sistema que vivemos até os dias atuais — por tudo que ocorre com elas, inclusive, ironicamente,  lutarem por seus direitos", afirma. 

Recorte atual

Também, Yorrana cita ser ainda mais irônico que, dessas atitudes e decisões sobre os direitos dos corpos femininos, nenhuma delas são pensadas e realizadas por elas. 

Como comenta a jornalista, esse "controle" que há sobre os corpos femininos é estrategiado pelo sistema, "para mantê-las por ali, sob domínio", legislação essa que ampara um Brasil difícil de ser enfrentado por elas. 

"Sabemos que a taxa de gravidez indesejada no Brasil atinge a triste cifra de 55% das gestações e, se considerarmos a fase da adolescência, os índices são ainda maiores. Por isso, é tão importante falarmos dos métodos contraceptivos, sua eficácia e efeitos adversos", diz a Dra. Klissia. 

Conforme a médica, a mulher deve ter informação de qualidade e liberdade de escolha. 

Yorrana complementa relatando que, quando o assunto é direitos delas, nada é dado, eles são conquistados graduamente e "com muita luta". 

"Afinal de contas, a quem convém garantir emancipação ao corpo dessas mulheres?É um avanço, sim, mas não chega nem perto do que de fato precisa ser mudado no contexto legislativo para que a saúde pública comece a traçar um rumo que beneficie as mulheres enquanto seres humanos", finaliza.

 

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Campo grande

Prefeitura abre licitação para asfalto e drenagem em 23 bairros

Investimento é de R$ 188 milhões e obras contemplam melhorias da mobilidade urbana, segurança viária e condições de tráfego

24/06/2026 18h00

Obras de asfalto e drenagem

Obras de asfalto e drenagem ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) abriu licitação e está contratando empresas especializadas para executar obras de pavimentação e drenagem em 23 bairros.

As empresas interessadas poderão encaminhar propostas até as 7h44min do dia 10 de julho de 2026. A abertura da sessão pública para disputa de preços está prevista para as 7h45min da mesma data, em ambiente eletrônico.

O aviso da concorrência eletrônica foi publicado nesta quarta-feira (24) no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande).

Veja quais são os bairros contemplados:

  • Vila Nossa Senhora Aparecida
  • Vila Bosque da Saúde
  • Jardim Noroeste (Lote 3)
  • Jardim Mansur
  • Jardim Auxiliadora (Etapa B)
  • Complexo Itatiaia (Etapa D)
  • Jardim Los Angeles
  • Porto Galo
  • Parque Residencial Lisboa
  • Guanandi II
  • Jardim Tarumã
  • Coophavila
  • Batistão
  • Jardim Santa Emília
  • Residencial Aquarius I e II
  • Jardim São Conrado
  • Jardim Aero Rancho
  • Vila Nogueira
  • Vila Aimoré
  • Vila Amapá
  • Jardim das Nações
  • Jardim Tijuca II
  • Jardim Verdes Mares

O critério para escolha dos bairros são antiguidade, tempo de espera e bairros que estão “ilhados” sem pavimento em meio a outros bairros que já são asfaltados há anos.

O objetivo é proporcionar maior segurança viária, melhor mobilidade para motoristas e pedestres e valorização imobiliária. Asfalto novo representa moradia de qualidade e dignidade residencial para o cidadão.

As obras contemplam melhorias da mobilidade urbana, segurança viária e condições de tráfego nos bairros.

O processo é coordenado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O investimento é de R$ 188 milhões. Em 2026, a previsão é investir cerca de R$ 240 milhões em obras do setor. A bancada federal destinou a verba de R$ 100 milhões. Até 2028, os valores podem ultrapassar os R$ 640 milhões.

“Essas melhorias em obras de pavimentação asfáltica e drenagem da Capital se devem ao plano de equilíbrio fiscal, com a contenção de despesas da Prefeitura, que possibilitou a obtenção do financiamento para essas obras, além do apoio da bancada federal, que destinou R$ 100 milhões para investimentos em infraestrutura em Campo Grande”, disse a prefeita da Capital, Adriane Lopes (PP).

A chefe do executivo municipal ainda afirmou, em 30 de abril de 2026, que 100% da Capital terá saneamento básico até 2028. Além disso, bairros asfaltados, mas com pavimentação “velha”, serão recapeados.

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Remoção Imediata

MPMS recomenda apagar vídeos de adolescentes sendo agredidos em MS

Recomendação foi expedida após divulgação de imagens de uma briga entre menores em Água Clara; administradores de páginas e veículos de comunicação podem ser responsabilizados pela exposição irregular

24/06/2026 17h31

Foto: Divulgação

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A divulgação de vídeos envolvendo crianças e adolescentes em situações de violência passou a ser alvo de uma ação direta do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Após a circulação de imagens que mostravam uma agressão entre adolescentes em Água Clara, a Promotoria de Justiça do município expediu uma recomendação determinando a remoção imediata do conteúdo.

O documento também reforça que administradores de páginas, perfis em redes sociais e veículos de comunicação podem ser responsabilizados caso mantenham ou divulguem materiais que violem os direitos de crianças e adolescentes.

A medida foi assinada pela promotora de Justiça Laura Assagra Rodrigues Barbosa e tem como objetivo impedir a continuidade da exposição indevida de crianças e adolescentes no ambiente digital, além de prevenir novos casos semelhantes.

O procedimento foi instaurado depois que o Conselho Tutelar comunicou ao Ministério Público a existência de vídeos que registravam um episódio de agressão física envolvendo adolescentes e que passaram a circular em páginas da internet e redes sociais do município.

Diante da repercussão do caso, a Promotoria abriu procedimento administrativo para apurar os fatos e adotar medidas voltadas à proteção dos envolvidos.

Na recomendação, o MPMS orienta que administradores de páginas, blogs, aplicativos, perfis em redes sociais e demais meios de comunicação deixem de divulgar, reproduzir ou compartilhar imagens, vídeos ou qualquer outro conteúdo capaz de identificar crianças e adolescentes envolvidos em situações de violência ou em suposta prática de ato infracional.

Além de impedir novas publicações, o documento determina que os responsáveis promovam a remoção imediata dos materiais já divulgados que contrariem a legislação.

Segundo o Ministério Público, a retirada rápida desses conteúdos é essencial para interromper a exposição indevida e evitar que os danos causados aos adolescentes sejam ampliados pela circulação contínua das imagens.

Responsabilidade também alcança administradores de páginas

A recomendação destaca que a responsabilidade não se limita aos autores das postagens. Os administradores de páginas e veículos de comunicação devem adotar medidas internas para garantir que equipes e colaboradores conheçam e cumpram as normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), evitando a publicação de conteúdos que violem direitos fundamentais.

Para o MPMS, a orientação busca estabelecer uma cultura de responsabilidade no ambiente digital, especialmente diante da velocidade com que vídeos e imagens são compartilhados nas redes sociais.

Proteção prevista no ECA

A fundamentação da recomendação está baseada no Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura a proteção da imagem, da identidade, da honra e da dignidade de menores de idade.

A legislação proíbe a divulgação de informações ou imagens que permitam a identificação de crianças e adolescentes envolvidos em situações ilícitas ou em ocorrências policiais, prevendo sanções administrativas para quem descumprir a norma.

Segundo a Promotoria, a iniciativa não se restringe ao episódio registrado em Água Clara. A recomendação foi encaminhada a diversos canais de comunicação do município com o objetivo de evitar que casos semelhantes se repitam e de conscientizar administradores de páginas sobre os limites legais da divulgação de conteúdos envolvendo menores de idade.

Ao reforçar a necessidade de remoção dos vídeos e o dever de cautela nas publicações, o Ministério Público deixa claro que o ambiente virtual não está acima da legislação e que a proteção integral de crianças e adolescentes deve prevalecer também nas redes sociais.

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