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Operação Gutenberg: ação penal trava no TJMS e família Jafar segue presa

Processo está suspenso após impasse entre varas; Tribunal já havia rejeitado tese de impedimento da juíza em caso semelhante

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A tese mais ousada das defesas da família Jafar para derrubar as prisões da Operação Gutenberg já tem resposta do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, e a resposta é não.

A operação deflagrada pelo Gaeco apura a venda de R$ 27 milhões em livros paradidáticos a prefeituras do Estado mediante benesses com a central de regulação. Os prefeitos clientes teriam preferência em vagas e exames na rede. Quem se recusava, podia ter dificuldades para encaminhar seus pacientes. O grupo tinha participação de advogado, gestor da saúde estadual e assessor parlamentar.

Em 9 de setembro, ao negar habeas corpus a Giovanni Paroschi Jafar, os desembargadores rejeitaram, por unanimidade, o argumento de que a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, estaria impedida de atuar no caso. A ementa do acórdão diz: “Alegação de impedimento da magistrada. Inocorrência. Hipóteses do art. 252 do CPP. Rol taxativo. Atuação de magistrados cônjuges em juízos distintos. Possibilidade.”

A defesa sustentava que tudo o que a juíza decidiu, as 16 prisões, as buscas em 40 endereços e as novas quebras de sigilo, seria nulo por ela ser casada com o juiz Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, titular da 2ª Vara Criminal, que em 22 de agosto de 2023 autorizou as primeiras quebras de sigilo da investigação, contra Giovanni, a ex-companheira dele e a Editora Avante. 

Para os advogados, o Código de Organização Judiciária do Estado proíbe um juiz de atuar em causa em que já atuou o cônjuge.

A juíza já havia recusado o impedimento em agosto. Escreveu que a lei processual traz uma lista fechada de hipóteses, que cônjuges titulares de varas diferentes podem atuar no mesmo caso e que a exceção era “mero inconformismo”. O Tribunal seguiu a mesma linha. 

A família Jafar foi alvo de outra grande operação, com a gráfica Alvorada: a Lama Asfáltica. O operador foi Mirched Jafar, falecido em 2021 por covid. Ficou famosa a gravação do ex-governador André Puccinelli dizendo para André Cance: “Preciso falar com você para que amanhã tenha uma boa alvorada”.

O que parou, e o que não parou

O incidente em que Giovanni pede o reconhecimento do impedimento ainda existe. Em 18 de setembro, a juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, mandou que ele aguardasse “suspenso”. Na segunda-feira (22), quando a decisão foi publicada, parte do noticiário a leu como a suspensão da ação penal inteira, provocada pela tese do impedimento.

Não é o que a decisão diz. O que está suspenso é o incidente, à espera de o Tribunal definir qual vara vai julgar o caso. A juíza registrou ainda que ali “não se verifica, neste momento, qualquer matéria urgente”.

A ação penal está travada, sim, mas por outro motivo, que também saiu da defesa de Giovanni. Em 4 de setembro, a 2ª Vara Criminal aceitou o argumento dos advogados, com apoio do Ministério Público, e se declarou incompetente. A 3ª Vara discordou e levou o impasse ao Tribunal em 17 de setembro. Desde então, nenhuma das duas conduz o processo, e os pedidos de liberdade da família foram encaminhados ao desembargador que vai resolver o conflito.

Já se passaram onze semanas desde a a operação e este é o sumário de quem está onde.

Rossana Paroschi Jafar, a matriarca

Situação: presa desde julho no presídio feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande.

Acusação: organização criminosa, lavagem de dinheiro e três atos de corrupção ativa. É apontada pelo Gaeco como uma das três líderes do grupo, ao lado de Heyder Bartz, foragido, e Francisco Anizio dos Santos.

O que pesa contra ela: segundo o MP, nunca assinou pela Avante, mas decidia quem recebia quanto a cada pagamento das prefeituras. Depois que Bonito pagou R$ 818.958,50 em dezembro de 2022, a lista de repasses que Rhayane deveria fazer inclui “Rossana – R$ 47.103,34”.

Pedidos: primeiro pedido de soltura negado pela 2ª Vara. Habeas corpus negado por unanimidade pelo TJ em 9 de setembro. Em 16 de setembro, a defesa pediu de novo a revogação da prisão, alegando a incompetência da vara, e, se negada, prisão domiciliar por doença neurológica crônica atestada por médico particular. O MP se opôs e disse que ela recebe a medicação na unidade.

Onde está o pedido: enviado em 22 de setembro ao desembargador do conflito de competência. Sem decisão.

Giovanni Paroschi Jafar, o filho que mais recorreu

Situação: preso. Não foi encontrado no dia da operação, 7 de julho, e se apresentou numa delegacia em 14 de julho, levado pela advogada. O MP chama o intervalo de “sete dias foragido”; a defesa, de apresentação espontânea.

Acusação: organização criminosa e lavagem. O mandado de prisão citava corrupção passiva e ativa, que não entraram na denúncia.

O que pesa contra ele: o nome dele está na primeira ordem judicial do caso, de 2023. Segundo o Gaeco, recebeu R$ 61.752,74 depois de um pagamento de Itaporã, em outubro de 2022, exatamente o mesmo valor pago no mesmo dia à empresa de Heyder Bartz. Rossana também usaria a conta do filho para receber.

Pedidos: soltura negada pela 2ª Vara. Habeas corpus negado pelo TJ em 9 de setembro, com a rejeição da tese do impedimento. No STJ, o ministro Messod Azulay Neto negou a liminar. A exceção de impedimento está suspensa. A exceção de incompetência foi aceita e originou o conflito entre as varas. Novo pedido de soltura apresentado em 15 de setembro.

Onde está o pedido: enviado ao desembargador do conflito. Sem decisão.

 

Felipe Paroschi Jafar, o irmão do “comercial”

Situação: preso desde 7 de julho no Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande.

Acusação: organização criminosa e lavagem.

O que pesa contra ele: a defesa diz que ele saiu das empresas da família em março de 2023. O Gaeco apresenta áudios em que ele diz ter entrado “para fazer o comercial da editora” e a mensagem “Aqui é o Felipe, da Editora Avante”. A gráfica dos irmãos recebeu R$ 300 mil em três transferências feitas entre quatro e sete dias depois de a Avante receber R$ 640 mil de São Gabriel do Oeste, em maio de 2024.

Pedidos: soltura negada pelo Núcleo de Garantias em julho. Habeas corpus negado pelo TJ em 12 de agosto. Em 19 de setembro, a defesa pediu a soltura alegando igualdade de tratamento com a irmã. O MP admitiu que nenhum dos dois figura “no núcleo que chefia a organização criminosa”, mas disse que Olívia foi solta também por razões de saúde.

Onde está o pedido: sem decisão até a última peça analisada.

 

Olívia Paroschi Jafar, a única solta

Situação: em liberdade desde 17 de julho, dez dias depois de presa, com tornozeleira eletrônica por 180 dias, fiança de R$ 20 mil e proibição de falar com a mãe e os irmãos e de frequentar as empresas investigadas.

Acusação: organização criminosa e lavagem.

O que pesa contra ela: segundo o MP, recebeu mais de R$ 350 mil da Avante ou de Rhayane. A própria defesa escreveu que ela “cedeu ocasionalmente” a conta à mãe, porque Rossana estava com as contas bloqueadas por uma investigação anterior, e fala em R$ 75 mil. O decreto de prisão aponta a Clínica Ross, formalmente dela, como “um dos centros de operações” da Avante.

Por que saiu: o juiz substituto do Núcleo de Garantias entendeu que ela não integrava o comando do grupo e levou em conta razões de saúde documentadas em laudo.

Pedido pendente: autorização para viajar pelo interior como médica de uma empresa de saúde. O MP não se opôs, desde que ela comprove cada atendimento. Enviado ao desembargador do conflito em 22 de setembro.

 

Rhayane Souza Fanaia, a ex-nora e “dona” no papel

 

Situação: presa desde 7 de julho numa unidade feminina em Aparecida de Goiânia (GO). Segundo a defesa, divorciou-se de Giovanni em novembro de 2025 e, desde fevereiro, morava em Abadiânia (GO).

Acusação: organização criminosa e lavagem, sem corrupção, peculato nem crime licitatório.

O que pesa contra ela: foi a sócia formal da Avante de 2021 a 2024. A própria denúncia diz que ela “não possuía autonomia gerencial ou financeira” e “agia a mando dos líderes”. Para o Gaeco, porém, emprestou o nome “deliberadamente” e ficava com parte do dinheiro. Depois de um pagamento de prefeitura, escreveu à Rossana: “Pagaram. Agora só distribuir.”

Pedidos: soltura negada em 20 de julho. Novo pedido negado pela 2ª Vara em setembro. No habeas corpus, o TJ negou a liminar em 11 de setembro. O mérito ainda será julgado.

DA ALVORADA À AVANTE

A família Jafar está no ramo dos livros há décadas. A Gráfica e Editora Alvorada, fundada em 1961, tornou-se uma das principais gráficas de Campo Grande e chegou a publicar obras de Manoel de Barros.

O prestígio conviveu com investigações. Em 2017, Mirched Jafar Júnior, principal diretor da Alvorada, foi réu e chegou a ser preso na quarta fase da Operação Lama Asfáltica, que apurava lavagem de dinheiro e pagamento de propina a servidores públicos. Segundo documentos da Polícia Federal, da CGU e da Receita, contratos de livros didáticos com o governo do Estado, entre 2012 e 2014, somaram R$ 29 milhões. Na época, a PF disse que os livros “não foram utilizados”.

Em dezembro de 2019, foi a vez do Gaeco. Mirched e outros foram denunciados oito vezes por contratação direta ilegal: segundo a acusação, a Prefeitura de Campo Grande comprou R$ 5,66 milhões em livros paradidáticos da Alvorada sem licitação, fora das hipóteses legais. Segundo a decisão judicial que abriu a Gutenberg, a PF e a CGU apontaram depois fraudes de mais de R$ 16 milhões em contratos da capital com a editora, e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve o bloqueio de R$ 16,1 milhões mesmo depois da morte de Mirched.

Mirched morreu em abril de 2021, de complicações da Covid-19. Sete meses depois, em São Paulo, nasceu a Editora Avante, com capital de R$ 40 mil e, no papel, uma dona jovem que namorava o filho dele.

Para o Gaeco, não foi coincidência: “Não sendo mais possível usar a referida empresa para continuidade das atividades criminosas”, a família “criou uma nova empresa”. O modelo seria o mesmo: livros paradidáticos vendidos a prefeituras sem licitação, com base numa exclusividade que, segundo a acusação, não existia.

O resultado, de agosto de 2022 a setembro de 2024, foram R$ 27,4 milhões pagos por prefeituras e mais de R$ 9 milhões sacados em dinheiro vivo, em saques de cerca de R$ 49 mil, logo abaixo do limite que obriga o banco a avisar o Coaf. Segundo o Gaeco, a Avante, já com outros donos no papel, seguiu assinando contratos em 2025 e 2026, com Anaurilândia, Japorã, Fátima do Sul, Deodápolis e Caarapó.

Todos os investigados têm direito à presunção de inocência. Nenhum foi julgado.

El niño

Após temporal, Defesa Civil prevê "tempos difíceis" com mudanças climáticas abruptas

Prefeitura afirma que tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027

16/10/2026 17h30

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após as fortes chuvas que caíram em Campo Grande nessa quinta-feira (16) e que causou diversos estragos, principalmente relacionados a transbormamento de córregos e alagamentos, a Defesa Civil Municipal alerta que o cenário para os próximos meses é preocupante.

Conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), em cerca de 24 horas, choveu quase todo o acumulado registrado em outubro do ano passado.

"Nós vamos ter tempos difíceis agora, mudanças climáticas abruptas", disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, Enéas Netto.

Isto porque, conforme o Executivo Municipal, a tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.

Enéas afirmou que o órgão recebeu mais de 50 chamados relacionados ao temporal de quinta-feira e que as equipes estão nas ruas trabalhando no rescaldo.

O coordenador pediu para que a população utilize o número 199, de emergência, para reportar qualquer tipo de situação relacionada às chuvas. Através deste número, a Defesa Civil faz a coordenação, com direcionamento para cada secretaria específica tomar as devidas providências e ações necessárias.

Enéas Netto também pediu para que a população tome medidas preventivas para evitar qualquer ocorrência dutrante as chuvas.

"Orientamos a população, por exemplo, numa situação de advento climático como a que aconteceu ontem, a Defesa Civil pôde presenciar, inclusive, pessoas enfrentando fortes enxurradas, expondo a vida em risco.
Então, a partir do momento que emitir o alerta da Defesa Civil, para que a população respeite e siga as orientações", alertou.

"Tendo a possibilidade de uma chuva maior, de uma ventania e tudo mais, não deixar seus veículos embaixo das árvores, se possível não sair de casa, se tiver que sair, identificando uma situação de ponto de alagamento, não enfrente esse ponto de alagamento, preservando a vida sempre", orientou.

Rescaldo

A Prefeitura de Campo Grande está com equipes nas ruas desde a tarde de quinta-feira, com ações que incluem limpeza e desobstrução de vias, manutenção da drenagem urbana e acompanhamento de pontos de alagamento.

Entre os serviços em andamento estão a limpeza de grades e rebojos, retirada de terra acumulada e a desobstrução de bocas de lobo.

A atuação também envolve o atendimento a famílias afetadas pelas chuvas e o levantamento de possíveis danos em imóveis. 

O balanço geral das ocorrências, dos danos provocados pelo temporal e dos atendimentos realizados está em levantamento pelos órgãos municipais e não foi divulgada até a publicação desta reportagem.

Recorde para o mês

Conforme o Cemtec, nos primeiros 15 dias de outubro de 2026, houve predomínio de acumulados de chuva expressivos e acima da média climatológica mensal em grande parte de Mato Grosso do Sul.

O maior registro de precipitação acumulada em Campo Grande foi de 272,8 mm, valor que representa um excedente de 81% em relação à média esperada para todo o mês de outubro.

A média histórica utilizada para comparação é de 150,6mm, baseada nos dados climatológicos da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada na Embrapa Gado de Corte, referentes ao período 1981–2010. 

Em todo o Estado, os maiores volumes foram registrados em Itaquiraí (297,8 mm), Paraíso das Águas - Fazenda Ranchinho (294,6 mm), Dourados (290,4 mm), Amambai - Novo Horizonte (281,6 mm), Maracaju (281,2 mm) e Campo Grande (272,8 mm).

Operação Mulher Segura

Homens são presos após ameaçarem mulheres com faca em Campo Grande

Prisões ocorreram durante a Operação Mulher Segura; um dos investigados ameaçou a mãe, enquanto o outro teria ameaçado matar a ex-companheira

16/10/2026 17h24

Reprodução/PCMS

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Dois homens, de 27 e 28 anos, foram presos nesta sexta-feira (16), em Campo Grande, durante diligências da Operação Mulher Segura. Os casos envolvem violência doméstica, ameaças com faca e descumprimento de medidas protetivas de urgência, segundo a Polícia Civil.

A ação foi realizada pela Seção de Investigação Geral (SIG) e pela equipe de capturas da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª DEAM), em iniciativa articulada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No bairro Nova Lima, um homem de 27 anos foi preso em flagrante por descumprir medida protetiva. Conforme os depoimentos registrados pela polícia, a medida havia sido concedida após um episódio anterior em que ele teria ameaçado a própria mãe com uma faca.

A irmã do suspeito, de 34 anos, relatou às autoridades que ele apresentava comportamento agressivo e descumpria reiteradamente determinações judiciais. Segundo a Polícia Civil, o histórico do homem inclui registros por ameaça em ambiente familiar, tentativa de homicídio e lesão corporal, além de atos infracionais cometidos na adolescência.

Na segunda ocorrência, os policiais cumpriram um mandado de prisão preventiva contra um homem de 28 anos, investigado por ameaça e descumprimento de medida protetiva.

As investigações tiveram origem em um episódio ocorrido em 17 de setembro, no Jardim Nhanhá. De acordo com a Polícia Civil, o homem foi à casa da ex-companheira, de 26 anos, armado com uma faca, e fez ameaças de morte por não aceitar o fim do relacionamento, que durou cerca de dez anos.

A prisão preventiva foi determinada pelo Poder Judiciário durante a investigação do caso.

A Polícia Civil informou ainda que o investigado possui antecedentes criminais, incluindo condenação penal e registros relacionados a roubo majorado, associação criminosa, organização criminosa, receptação e maus-tratos contra menor de 14 anos.

As duas prisões ocorreram no âmbito da Operação Mulher Segura, que reúne ações de enfrentamento à violência contra mulheres. Os casos seguem sujeitos aos procedimentos legais.

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