Cidades

MEGAOPERAÇÃO

Operação prende vereador e mira familiares de Marcinho VP, preso em MS

Investigação da Polícia Civil do Rio aponta rede de apoio ao Comando Vermelho e indica que Marcinho continua exercendo influência dentro da estrutura da facção

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Uma megaoperação da Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrada nesta terça-feira (11) mira integrantes e aliados do Comando Vermelho (CV), incluindo familiares do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, que cumpre pena em presídio federal em Campo Grande.

Segundo as autoridades, mesmo preso há cerca de três décadas, ele continua exercendo influência dentro da estrutura da facção e é apontado como integrante do chamado “conselho federal permanente” do grupo, responsável por decisões estratégicas.

Entre os presos na operação está o vereador carioca Salvino Oliveira (PSD), investigado por suposta ligação com integrantes da organização criminosa.

De acordo com o portal de notícias Uol, o parlamentar teria mantido contato direto com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, apontado pela polícia como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em liberdade.

Os investigadores afirmam que Salvino teria solicitado autorização ao grupo criminoso para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área dominada pela facção no Rio de Janeiro.

Em troca, segundo a apuração policial, o vereador teria articulado benefícios para moradores da região e pessoas ligadas ao grupo criminoso. Um dos episódios citados envolve a instalação de quiosques na comunidade, cuja definição de parte dos beneficiários teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem processo público formal.

Ao chegar preso à Cidade da Polícia, no Rio, o vereador afirmou ser vítima da situação e declarou à imprensa que estaria envolvido em “uma briga que não é sua”.

Salvino está no primeiro mandato e foi secretário especial da Juventude na gestão do prefeito Eduardo Paes entre 2021 e 2024, cargo que deixou para disputar uma vaga na Câmara Municipal.

Rede de apoio à facção

A operação também tem como alvo pessoas próximas a Marcinho VP que, segundo a investigação, ajudariam a manter a articulação do grupo fora do sistema prisional.

Ainda segundo informações do portal de notícias UOL, um dos procurados é Landerson, sobrinho do traficante, apontado pela polícia como responsável por intermediar contatos entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo CV e pessoas ligadas às atividades financeiras do grupo. Ele ainda não foi localizado.

Outro alvo é Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, considerada foragida. Segundo a Polícia Civil, ela teria papel estratégico na mediação de interesses da organização criminosa e na circulação de informações entre faccionados.

Márcia é mãe do cantor Oruam, nome artístico de Mauro Davi Nepomuceno, que já esteve no radar da Justiça por sucessivas violações das regras da tornozeleira eletrônica.

As investigações também indicam que o Comando Vermelho mantém uma estrutura organizada com conselhos nacionais e regionais responsáveis por decisões estratégicas e articulação entre integrantes em diferentes estados.

A polícia ainda apura possíveis conexões entre a facção e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação segue em andamento e novas prisões não estão descartadas.

Suspeita de negociação política

O vereador Salvino Oliveira é investigado por supostamente manter contato direto com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado pela polícia como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em liberdade.

Segundo as investigações, o parlamentar teria solicitado autorização ao grupo criminoso para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área dominada pela facção.

Em troca, de acordo com a apuração policial, ele teria articulado benefícios à região e a integrantes do grupo. Um dos episódios citados envolve a instalação de quiosques na comunidade, cuja escolha de parte dos beneficiários teria sido definida por integrantes da facção, sem processo público formal.

Ao chegar preso à Cidade da Polícia, no Rio, Salvino afirmou ser vítima da situação e declarou à imprensa que estaria envolvido em “uma briga que não é sua”.

O vereador está no primeiro mandato e anteriormente ocupou o cargo de secretário especial da Juventude na gestão do prefeito Eduardo Paes entre 2021 e 2024.

Estrutura 

De acordo com a Polícia Civil, a investigação identificou uma estrutura complexa dentro do Comando Vermelho, com conselhos nacionais e regionais responsáveis por decisões estratégicas e articulação entre estados.

Ainda conforme os investigadores, o traficante Marcinho VP, preso há cerca de três décadas, continua exercendo influência na organização criminosa.

Segundo informações divulgadas pela polícia e de acordo com o portal de notícias UOL, ele ainda é apontado como integrante central do chamado “conselho federal permanente” da facção, responsável por decisões estratégicas do grupo.

As autoridades também investigam indícios de cooperação entre organizações criminosas de diferentes estados, incluindo possíveis conexões entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação segue em andamento e novas prisões não estão descartadas.

Marcinho VP 

Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado com nome proeminente da criminalidade do Rio de Janeiro há quase três décadas, sendo um dos principais chefes do Comando Vermelho, ao lado de Fernandinho Beira Mar.

Preso desde 1996 , ele está em penitenciárias federais desde 2010, atualmente em Campo Grande.

No entanto, o encarceramento não impediu que Marcinho VP continuasse no mundo no crime. Mesmo de dentro do presídio, ele ordenou uma série de crimes que foram cometidos por outros faccionados. Nos últimos 14 anos, ele cumpre pena em unidades federais.

Em novembro de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por meio da Vara de Execuções Penais, autorizou a renovação, por mais três anos, da permanência de Marcinho VP no sistema penitenciário federal.

Na decisão, o juiz afirmou que a manutenção de Marcinho VP no sistema federal segue necessária para dificultar articulações criminosas no Rio de Janeiro.

A decisão cita a megaoperação deflagrada em 28 de outubro de 2024 nos complexos do Alemão e da Penha, áreas consideradas reduto de Marcinho VP, para alertar sobre o "risco do retorno do apenado ao sistema penal do estado".

O histórico de transgressões do líder do Comando Vermelho também foi apontado como motivo pela sua permanência. 

A Justiça considerou que a lei permite a renovação do prazo de permanência por um novo período, caso permaneçam os motivos da transferência. No caso de Marcinho VP, o interesse coletivo de segurança pública.

Fatalidade

Mulher de 32 anos morre em acidente na BR-262, em MS

Outras duas pessoas que estavam a bordo do veículo foram socorridas e encaminhadas ao hospital

11/03/2026 08h14

Crédito: Fatos Regionais

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Foi identificada como Rosemari Pereira de Souza, de 32 anos, a mulher que não resistiu após o veículo em que estava se envolver em um acidente na BR-262, em Água Clara, município localizado a 192 quilômetros de Campo Grande.

O acidente ocorreu por volta das 17 horas de terça-feira (10), a polícia não informou a dinâmica da ocorrência. O carro acabou saindo da pista. No veículo também estavam Geralmir Freire Lima, de 66 anos, e Luiza Alves, de 52 anos.

Segundo o portal local Fatos Regionais, o veículo faz parte da frota da Secretaria Municipal de Saúde do município. Os outros dois ocupantes foram resgatados e encaminhados ao Hospital Municipal Nossa Senhora Aparecida.


Informações preliminares indicam que o veículo retornava de Três Lagoas onde levou pacientes para receber atendimento médico, e retornava para Água Clara.

A prefeita do município, Gerolina, em seu perfil no Facebook, manifestou nota de pesar. Confira:


“Recebemos com profunda tristeza a notícia do falecimento de Rosemari Pereira. Neste momento de dor, manifestamos nossas mais sinceras condolências aos familiares e amigos, desejando que encontrem conforto e força para atravessar essa perda irreparável. Momento de muita tristeza para todos nós.
 

A morte de Rosenari gerou comoção nas redes sociais. Ela foi descrita como uma mulher de fé, de alto astral, acolhedora e boa mãe. Uma das pessoas lamentou o ocorrido. 

“Chorei ao saber dessa notícia. Quando me despedi dela, comentei que estaria orando para que surgisse um doador de rim, para que ela não precisasse mais ficar indo e vindo toda semana.

Me deparar com a notícia de seu falecimento me deixou profundamente triste.

Que Deus conforte o coração de todos os familiares e amigos neste momento de tanta dor”, escreveu uma usuária do Facebook.

“Não dá pra acreditar. Logo você. Que Deus conforte os corações das meninas e de toda a família. Você vai deixar saudades”, lamentou outra pessoa.

 

 

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Água Clara para um posicionamento sobre o acidente, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.

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Protesto

Presídio que abriga chefões do crime tem equipe reduzida

Com 1,4 mil servidores em escala de 24 horas por 72 horas, número está abaixo do ideal e até secretaria nacional pede contratação de mais 800 policiais

11/03/2026 07h45

Presidente do sindicato dos policiais penais, Renan Fonseca, falou sobre dificuldades enfrentadas pela categoria em Campo Grande

Presidente do sindicato dos policiais penais, Renan Fonseca, falou sobre dificuldades enfrentadas pela categoria em Campo Grande Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Penitenciária Federal em Campo Grande, de segurança máxima, tem atualmente 1,4 mil servidores, que atuam em escala de 24 horas por 72 horas de trabalho.

Esse número é o mesmo desde que o local foi inaugurado, em dezembro de 2006, e muito inferior ao indicado para manter a segurança do local, que hoje comporta 130 presos e conta com alguns nomes famosos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Penais Federais em Mato Grosso do Sul (Sinppf-MS), Renan Fonseca, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) estabeleceu que o presídio federal na Capital necessita de pelo menos mais 800 servidores, o que elevaria o número para 2,2 mil funcionários, mas a categoria acredita que seria ideal 2,5 mil servidores.

“Muitas operações são iniciadas por informações de inteligência que passamos. Ouvimos entrevistas com advogados, visitas, monitoramos cartas, então, isso demanda um servidor ficar ouvindo todas as gravações. Quase tudo que eles falam é captado aqui, e isso demanda pessoal, essa pessoa poderia estar fazendo outros trabalhos dentro da penitenciária, o que impacta quando temos um efetivo que é o mesmo de 20 anos atrás”, afirma o servidor.

Fonseca afirma que, desde que a penitenciária foi inaugurada, muita coisa mudou ao longo dos anos, mas nada se modificou em recursos humanos na unidade, que, além da falta de pessoal, ainda tem outros problemas, como falta de munição para treino de equipamentos novos e a ausência da segurança necessária para um presídio federal que recebe presos como Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, chefe do Comando Vermelho, e Rogério de Andrade, o maior bicheiro do Rio de Janeiro.

“Mudou tudo em 20 anos, mas não estamos conseguindo evoluir em recursos humanos. Temos muitos servidores sobrecarregados, muitos servidores com atestado médico psiquiátrico. A estrutura já foi mexida, mas o número de pessoal continua o mesmo. Recebemos um armamento novo, mas a maioria das pessoas não conseguiu sequer fazer o treinamento para usá-lo”, lamenta o presidente do sindicato.

O armamento novo citado são metralhadoras israelenses Negev, equipamento que tem capacidade de disparar até 1.150 tiros por minuto.

Utilizada pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) desde 1997, a arma utiliza munição 5.56 mm (NG-5) e 7.62 mm (NG-7), ambas à disposição na Penitenciária Federal em Campo Grande.

Conforme Fonseca, o equipamento chegou no ano passado, entretanto, houve treinamento apenas para uma parte dos servidores, a outra parte já deveria ter feito o curso, mas, como não havia munição específica para os treinos, uma parcela dos funcionários recebeu o equipamento sem se habituar com o armamento.

Outro problema apontado é a falta da muralha, prometida pelo governo federal, mas até hoje não construída na unidade de Campo Grande.

O projeto foi apresentado em fevereiro de 2024, pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski, quando os detentos Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento fugiram da Penitenciária Federal em Mossoró, a primeira fuga de uma unidade do governo federal.

Na época, o secretário nacional de Políticas Penais André Garcia disse que a investigação apontou que a fuga foi resultado de “falhas estruturais, tecnológicas e procedimentais”, por isso, o governo federal preparou um pacote de modernização para as penitenciárias, porém, só a de Mossoró está com obras em andamento e a de Brasília já tem o sistema.

O projeto prevê que a muralha tenha estrutura com 40 centímetros de espessura e siga um padrão técnico mínimo de altura, fixado em 9 metros.

Além disso, o projeto prevê quatro torres de vigilância, com aproximadamente 17 m de altura, estruturadas para garantir visão panorâmica de todo o perímetro e para enfrentar, inclusive, possíveis ataques aéreos.

Porém, em Campo Grande, a unidade é protegida por uma cerca, o que deixa a situação mais complicada para os servidores em caso de tentativa de fuga.

“Essas penitenciárias [federais] foram inspiradas em presídios dos Estados Unidos. A diferença é que lá eles são feitos no deserto, então, a visão deles é muito boa. Mas aqui foi feito perto da cidade e em uma área abaixo da linha do trem. São 20 anos em que nunca aconteceu nada, mas, com a muralha, a segurança seria muito maior, porque é praticamente impossível penetrar no presídio com ela”, explica.

No ano passado, o Correio do Estado mostrou que o projeto havia tido problemas na fase licitatória em Mossoró, o que atrasou as outras obras.

Em Campo Grande não há previsão, assim como em Catanduvas (SC). A estimativa é de que a construção na Capital custe cerca de R$ 42 milhões.

Segundo o sindicato, o processo da Capital estaria pronto, aguardando apenas a publicação do edital, o que ainda não aconteceu.

FUNDO

Em razão de todos esses problemas, ontem os policiais penais federais fizeram uma mobilização em frente ao presídio na Capital, em que pediam a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc). 

O fundo tem como objetivo destinar bens e dinheiro apreendidos em operações contra organizações criminosas para o combate ao crime, permitindo o uso de recursos para investimento em tecnologia, equipamentos e recursos humanos das instituições.

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