Cidades

Réu em processo

Oposição quer afastamento
de Gilmar Olarte e defesa vai recorrer ao STJ

TJ aceitou, por unanimidade, denúncia do MPE e prefeito é réu em processo

ALINY MARY DIAS E KLEBER CLAJUS

12/08/2015 - 11h25
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Depois de os desembargadores do Tribunal de Justiça aceitarem, por unanimidade, a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra o prefeito Gilmar Olarte (PP) por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro e corrupção passiva, os vereadores da oposição afirmaram que irão solicitar o afastamento de Olarte. Por outro lado, a defesa do prefeito já disse que irá recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Logo depois da decisão dos desembargadores, os vereadores que estavam em sessão na Câmara interromperam os trabalhos e se reuniram em dois grupos, os da oposição e da situação, para discutir o assunto.

Representando os vereadores contrários à administração, Thais Helena (PT) afirmou que a lei que rege sobre afastamento de chefe do Executivo em casos de o investigado se tornar réu em processo é clara.

“Isso dá amparo legal para o afastamento do prefeito. Recebemos com satisfação a informação porque a sociedade passa a saber que denúncias contra ele estão sendo investigadas e merecem conhecimento”, afirmou.

A decisão de protocolar pedido de afastamento de Olarte foi compartilhada pelos vereadores Marcos Alex (PT), Luiza Ribeiro (PPS), Ayrton Araújo (PT), Cazuza (PP) e Paulo Pedra (PDT).

Líder do prefeito, Edil Albuquerque (PMDB) disse que a Casa não deve interferir em casos de processos que ainda possibilitam recurso. “Não acredito que a Câmara vai antecipar qualquer coisa que a Justiça esteja envolvida, temos que esperar qualquer desdobramento”, afirmou.

Presidente da Casa, Mario Cesar (PMDB) será o responsável por emitir decreto de afastamento caso o STJ não acate o recurso da defesa. “Vou esperar vir a informação oficial e pedir para procuradoria jurídica analisar a situação”.

Ao fim da sessão, que durou pouco mais de 1 hora, o clima era de desestabilização entre vereadores diante da decisão da Justiça.

DEFESA

Logo depois da decisão unânime dos vereadores, o advogado de Olarte, Jail Azambuja, afirmou que irá recorrer da decisão ao STJ, em Brasília, para que questões levantadas no processo sejam apreciadas. “Sobretudo, a questão da licitude de prova. Já que houve manifestação no sentido de que houve falha na investigação”.

As irregularidades apontadas pelo defensor estão ligadas a dois pontos principais. O primeiro se refere à falta de autorização do Tribunal de Justiça nos primeiros 15 dias de grampo feitas pelo Gaeco no telefone do prefeito. Segundo o advogado, houve autorização apenas de juiz do 1º grau.

A segunda falha apontada na defesa está relacionada com as diligências feitas na casa do prefeito que, em tese, deveria, ser acompanhadas de autoridade policial e não só por integrantes do Gaeco.

O recurso será feito, segundo o defensor de Olarte, assim que a decisão de hoje for publicada no Diário Oficial da Justiça.

*Colaborou Bruno Henrique

rota do tráfico

Garras faz apreensão histórica de cocaína em Campo Grande

A descoberta de 975 quilos, possivelmente a maior da Polícia Civil em MS, ocorreu em uma casa na região norte da Capital. Cinco pessoas foram presas

12/03/2026 12h10

Parte dos entorpecentes estava em embalagens impermeáveis, indicando que chegaram à Capital em tanques de combustívies

Parte dos entorpecentes estava em embalagens impermeáveis, indicando que chegaram à Capital em tanques de combustívies Divulgação

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Após receberem denúncia que informaram ser anônima, agentes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) apreenderam nesta quarta-feira cerca de 975 quilos de cocaína em uma oficina na região norte de Campo Grande. Cinco pessoas foram presas. 

Avaliada em cerca de R$ 30 milhões, a apreensão é maior do ano em Mato Grosso do Sul e uma das maiores da história da Polícia Civil do Estado, conforme informou a assessoria da instituição. 

A ação policial começou depois que um suposto informante indicou que em uma oficina mecânica localizada na Avenida Senhor do Bonfim, na região norte de Campo Grande, estaria prestes a ocorrer uma negociação envolvendo grande quantidade de entorpecentes. 

Com esta informação, equipes do Garras passaram monitorar o local. Durante as diligências, na manhã desta quarta-feira os policiais visualizaram um homem, identificado apenas com com as iniciais de A.P.S., de 42 anos, deixando a oficina em um Celta. 

Ao mesmo tempo, uma caminhonete S-10, conduzida por R.P.S. (39 anos), também deixou o local. Os dois veículos foram seguidos até o estacionamento de um supermercado atacadista na saída para Cuiabá. 

No local, o condutor do Celta passou a circular pelo estacionamento de maneira suspeita, aparentando aguardar contato para realização da negociação ilícita. Por conta disso, foi abordado pelos agentes, que encontraram no interior do carro pequena quantidade de cocaína, de aproximadamente 0,6 gramas. A suspeita é de que a droga seria utilizada como amostra para negociação.

Paralelamente, outra equipe abordagem um Toyota Etios, conduzido por M.F.A. (38 anos), tendo como passageiro L.S.C. (25). Durante as buscas no automóvel foram localizados três tabletes de pasta base de cocaína, totalizando aproximadamente 3,2 quilos.

Diante da situação de flagrante, todos  foram levados à delegacia. Lá, segundo a Polícia, um dos presos  manifestou interesse em colaborar com as investigações, informando que havia grande quantidade de entorpecentes armazenada em sua residência.

Diante dessas informações, equipes policiais deslocaram-se até o imóvel indicado, onde foi localizada grande quantidade de entorpecentes, sendo 614 volumes entre tabletes e volumes cilíndricos. Após pesagem preliminar, totalizaram aproximadamente 975 quilos.

Na operação também foram apreendidos ao menos quatro veículos utilizados na logística do tráfico, incluindo uma caminhonete Nissan Frontier, que possuía registro de furto/roubo, sendo utilizada para o transporte do entorpecente.

Parte da cocaína estava embalada em 136 balões impermeáveis e com resíduos de óleo diesel. Por conta disso, os investigadores suspeitam que a droga tenha deixado a região de fronteira com o Paraguai em tanques de combustíveis de caminhonetes e Caminhões.

E, ao contrário do que normalmente ocorre, quando a cocaína é armazenada em esconderijos, desta vez ela estava espalhada em diferentes cômodos do imóvel, inclusive no banheiro.

O próximo passo dos policiais é tentar chegar aos proprietários do carregamento, já que os detidos indicam ser somene intermediários e serviçais dos verdadeiros proprietários. 

A suspeita dos investigadores é de que casas onde estava os entorpecentes estivesse sendo utilizada somente como depósito provisório e que todo o carregamento seria despachado para grandes centros consumidores ou até mesmo para a Europa. 

juliano ferro

"Mais louco" renova contrato de R$ 5 milhões com pivô de escândalo bilionário

Dono de empresa que quarteiriza serviços de manutenção da frota veicular de Ivinhema chegou a ser preso durante operação do Ministério Público de Mato Grosso

12/03/2026 11h32

Com quase dois milhões de seguidores nas redes sociais, Juliano Ferro fatura alto rifando carros de luxo e veículos antigos

Com quase dois milhões de seguidores nas redes sociais, Juliano Ferro fatura alto rifando carros de luxo e veículos antigos

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Publicação do diário oficial do Governo do Estado desta quinta-feira (12) revela que o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), que se autointitula "o mais louco do Brasil", renovou por mais seis meses um contrato de quase R$ 5 milhões para quarteirização para gestão da conservação de veículos e maquinários. 

O contrato original, firmado há um ano, é com uma empresa mato-grossense que está sendo investigada pelo Ministério Público daquele estado por supostas fraudes em contratos que somam R$ 1,8 bilhão com mais de cem prefeituras e câmaras de vereadores de Mato Grosso. 

O contrato, que já havia sido renovado pela primeira vez em setembro do ano passado, é para "prestação de serviços de Quarterização para conservação de veículos e maquinários". A prefeitura de Ivinhema, em vez de fazer uma licitação tradicional, preferiu pegar carona em uma ata de registro de preços feita pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário dos Municípios do Extremo Sul de Minas (CIMESMI). 

O contrato, cujo valor exato é de R$ 4.995.750,45 por seis meses, foi assinado com a empresa Centro América Comércio, Serviço, Gestão e Tecnologia LTDA, que se autointitula como sendo uma empresa do setor de informática e por conta disso oferece esse serviço de quarteirização para gerenciar os serviços de manutenção da frota veicular. 

Para 2026 a prefeitura de Ivinhema prevê arrecadação de R$ 312 milhões. E, somente com este serviço está destinando o equivalente a R$ 3,2% de seu orçamento. Porém, a tendência pé de que este montante seja ainda maior. No ano passado, nos primeiros seis meses de vigência, o prefeito concedeu dois reajustes à empresa, elevando o valor inicial em mais R$ 370 mil. 

Quem assina o contrato, além do prefeito Juliano Ferro, é o dono da empresa, Janio Correa da Silva. Em novembro de 2024, junto com mais cinco pessoas de sua família, ele chegou a ser detido em uma operação do Ministério Público de Mato Grosso. 

Uma operação  batizada de Gomorra, que já fora sequência da Operação Sodoma, apontou que havia uma “organização criminosa constituída para fraudar licitações e obter vantagens indevidas em prefeituras e câmaras municipais de Mato Grosso”, conforme texto publicado em 7 de novembro de 2024 pelo MPE de Mato Grosso.

Segundo o MPE-MT, “as investigações revelaram que nos últimos cinco anos, os montantes pagos às empresas chegam à quantia de R$ 1.8 bilhão, conforme a lista de contratos divulgada no Radar MT do Tribunal de Contas do Estado (TCE).”

Segundo a apuração , “as empresas investigadas atuam em diversos segmentos, sempre com foco em fraudar a licitação e disponibilizam desde o fornecimento de combustível, locação de veículos e máquinas, fornecimento de material de construção até produtos e serviços médico-hospitalares”.

O “cabeça” do suposto esquema de corrupção em Mato Grosso foi apontado como sendo Edézio Correa, que é tio de Jânio Correa da Silva. Os dois e mais quatro familiares foram detidos naquela data. 

E, por conta das provas coletadas em novembro de 2024, nesta quarta-feira (11) o Tribunal de Justiça de Mato Grosso aceitou denúncia do MP e tornou ré a prefeita de Barão de Melgaço, Margareth Gonçalves da Silva (União Brasil).

Somente naquela município foram denunciadas fraudes em contratos da ordem de R$ 35 milhões. Além da prefeita, o esquema de desvio de recursos públicos também envolvia vereadores, segundo a denúncia aceita pelo Judiciário. 

Mas o prefeito de Ivinhema não é o único cliente do empresário Jânio Correa da Silva em Mato Grosso do Sul. Ele tem contrato com pelo menos outros quatro prefeitos. Somando as cinco cidades, os valores chegam a quase R$ 40 milhões por ano. 

Em Nova Andradina ele fatura em torno de  R$ 10,2 milhões por ano. Em Água Clara, um dos primeiros municípios de MS com os quais firmou parceria, ele recebe quase R$ 6 milhões anuais. Na pequena cidade de Anaurilândia, o contrato prevê repasse de R$ 7,8 milhões e em Coxim, o montante alcança R$ 10,8 milhões.

O MAIS LOUCO

Além de prefeito em seu segundo mandato, Juliano Ferro é também digital influencer, com quase dois milhões de seguidores, sendo o político com o maior alcance em Mato Grosso do Sul.  Ele tem mais de um milhão no Instagran, 332 mil no Facebook e 499,7 mil no TikToc. 

Embora tenha garantido, logo após ser reeleito, que cumpriria seu mandato de prefeito até o fim, na última semana foi divulgada uma carta de renúncia, que não tem sua assinatura. Porém, ao Correio do Estado chegou a admitir que está estudando a possibilidade de disputar um cargo na eleição de outubro. Para isso, terá de renunciar no começo de abril. 

E, além de conquistar votos e simpatizantes, usa as redes sociais principalmente para vender rifas. E é com o dinheiro destas rifas que diz conseguir bancar as caminhonetes  e outros carros de luxo com as quais costuma desfilar. 


 

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