Novo levantamento da ONU mostra que o Brasil entrou na faixa de desenvolvimento humano "muito alto"; Mato Grosso do Sul segue abaixo desta faixa e tem uma das menores expectativas do país
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da Organização das Nações Unidas (ONU) atualizou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil e dos Estados nesta terça-feira (26). A novidade é que o Brasil, pela primeira vez, tem um IDHM considerado muito alto pelos padrões das Nações Unidas. Mato Grosso do Sul, por sua vez, não conseguiu ultrapassar a barreira do 0,8, e ainda tem um índice considerado “alto”, como tinha antes.
O Brasil, que tinha um IDHM de 0,744 há 12 anos, quando a ONU divulgou o índice pela última vez. A escala para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo muito alto: acima de 0,800. Atualmente, o do Brasil é de 0,805.
Em Mato Grosso do Sul, o IDHM era muito semelhante ao brasileiro em 2012: o Estado tinha um IDHM de 0,742. Agora, o Índice de Desenvolvimento Humano de Mato Grosso do Sul foi para 0,797: o 11º mais alto do Brasil.
Os dez primeiros estados da lista têm um índice muito alto, assim como o Brasil, acima de 0,8. O Distrito Federal tem o melhor IDHM do Brasil (0,866). E é seguido por São Paulo (0,838), Santa Catarina (0,833), Paraná (0,822) e Rio de Janeiro (0,819).
Na região Centro-Oeste, apenas Mato Grosso do Sul não teve um índice superior a 0,8: O Distrito Federal, com o maior índice do Brasil, lidera, seguido por Goiás (0,815), Mato Grosso (0,812) e Mato Grosso do Sul (0,797).
Os cinco menores IDHMs do Brasil são: Maranhão (0,745), Alagoas (0,746), Acre (0,754), Pará (0,758) e Bahia (0,759).
Veja a lista completa
Muito alto
- 1º Distrito Federal: 0,866
- 2º São Paulo: 0,838
- 3º Santa Catarina: 0,833
- 4º Paraná: 0,822
- 5 º Rio de Janeiro: 0,819
- 6 º Rio Grande do Sul: 0,818
- 7 º Goiás: 0,815
- 8º Mato Grosso: 0,812
- 9º Minas Gerais: 0,809
- 10º Espírito Santo: 0,804
Alto
- 11º Mato Grosso do Sul: 0,798
- 12º Tocantins: 0,797
- 13º Rondônia: 0,786
- 14º Roraima: 0,780
- 15º Rio Grande do Norte: 0,778
- 16º Ceará: 0,773
- 17º Pernambuco: 0,767
- 18º Amazonas: 0,767
- 19º Piauí: 0,764
- 20º Sergipe: 0,761
- 21º Paraíba: 0,760
- 22º Bahia: 0,759
- 23º Amapá: 0,759
- 24º Pará: 0,758
- 25º Acre: 0,754
- 26º Alagoas: 0,746
- 27º Maranhão: 0,745
O IDHM varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local. Dessa forma, a leitura se dá desta forma:
- De 0 a 0,499: muito baixo
- De 0,5 a 0,599: baixo
- De 0,6 a 0,699: médio
- De 0,7 a 0,799: alto
- 0,8 a 1: muito alto
A formação do IDHM depende de três índices de desenvolvimento humano. Um deles avalia a longevidade, o outro a educação e, por último, a renda.
Mato Grosso do Sul teve um bom desempenho quando se trata de renda, tendo o oitavo melhor índice do Brasil: 0,766.
Entretanto, nos quesitos longevidade e educação, ficou aquém de outras unidades da federação. Em longevidade, por exemplo, teve o quarto pior desempenho entre as unidades da federação: 0,840. Em se tratando de educação, teve o 13º melhor desempenho: 0,786.
No caso específico da longevidade, Mato Grosso do Sul tem a terceira menor expectativa de vida do Brasil: 75,39 anos. Só fica a frente do Amapá (74,3 anos) e Roraima (74,35 anos).
A maior expectativa de vida do Brasil é no Distrito Federal: 79.75 anos, seguido por Santa Catarina, 78,25 anos; e Rio Grande do Norte, 77,83 anos. A expectativa brasileira (média nacional) é de 76,61 anos, superior à expectativa de vida de quem nasce especificamente no território sul-mato-grossense.
Uma curiosidade é que Mato Grosso do Sul tem a menor expectativa de vida do Brasil no segmento da população branca: 76,55 anos. Neste segmento, a expectativa de vida nacional é de 79,8 anos.
Entre a população negra, a expectativa de vida ao nascer do sul-mato-grossense é de 74,96 anos. A nacional é de 75,73 anos.
Brasil
O Brasil, que marcou um IDHM de 0,805, teve os seguintes depenhos nos segmentos: longevidade, 0,860; educação, 0,798; renda, 0,760.
No Brasil, relação à renda da população, o Brasil teve uma trajetória de altos e baixos desde 2012 e a média anual de crescimento calculada ficou em 0,31%. Já a taxa de escolaridade foi o índice que mais evoluiu no período de 2012 a 2024, registrando um crescimento médio anual de 1,35%, apesar dos retrocessos causados pela pandemia. A longevidade, assim como as demais dimensões que compõem o IDHM, também foi impactada pela pandemia de covid-19, mas ainda assim cresceu a uma média de 0,31% ao ano.