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Consultoria que deve faturar R$ 1,8 milhão com leilão da folha "vende gato por lebre"

Entre os argumentos para tentar convencer banqueiros, BR TEC eleva número de moradores da Capital e apela à rota bioceânica, que está longe de virar realidade

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Embora esteja longe de virar realidade, a tão falada rota bioceânica está sendo apontada como um dos atrativos de Campo Grande para tentar aumentar o faturamento com o leilão da folha de pagamento dos servidores municipais, previsto para ser aberto na próxima terça-feira, dia 23 de janeiro. Além, disso, o estudo usa até o fato de a Capital ter muita árvore como argumento para tentar atrair os banqueiros.

Contratado sem licitação pela prefeitura por ser especializado nesse tipo de consultoria, o Instituto Brasileiro de Tecnologia, Empreendedorismo e Gestão (BR TEC) cita, em seu estudo, que Campo Grande está no “coração da rota bioceânica”. Porém, o que os consultores especializados talvez ignorem é que a obra de acesso à ponte sobre o Rio Paraguai, sem a qual não existe rota, nem mesmo começou. 

E a partir do dia em que tiver início, o que deve acontecer somente no segundo semestre deste ano, vai se estender por pelo menos 26 meses. Sendo assim, caso os prazos sejam cumpridos, o que é muito raro em se tratando de obra pública desta magnitude, orçada em R$ 472 milhões, vai ter acabado mais da metade do contrato com o banco vencedor da licitação, que será de cinco anos. 

Ou seja, os consultores estão “vendendo” para a próxima semana um atrativo que vai existir somente daqui a três anos, no mais otimista dos cenários. Além disso, a construção da ponte, do seu acesso e a pavimentação de rodovias do lado paraguaio não garantirão, por si só, que a rota bioceânica realmente vai  vingar e que vai aquecer a economia de Campo Grande. 

E para tentar fundamentar a argumentação, os consultores inclusive anexam no estudo uma foto da construção da ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho. Além disso, colocam um mapa rodoviário destacando a ligação entre o Porto de Santos com os portos chilenos, de Iquique e Antofagasta. 

Porém, para incluir Campo Grande, esta trajeto aumentou artificialmente em mais de 200 quilômetros, já que o traçado mostrado no estudo abandona a BR-267, segue por 110 quilômetros pela BR-163 no sentido norte até Campo Grande e depois volta para o sentido sul para novamente pegar a BR-267, na região de Jardim. 

Na prática, qualquer caminhoneiro que viesse de São Paulo, entrando em MS por Bataguassu, e fosse para Porto Murtinho não chegaria nem perto de Campo Grande, considerada pelos consultores como “coração da rota”. Assim que chegasse a Nova Alvorada do Sul pegaria à esquerda (Campo Grande fica à direita), iria até Rio Brilhante e depois seguiria até Maracaju, Jardim e Porto Murtinho, para depois seguir pelo Paraguai, Argentina e Chile. 

O estudo destes mesmo consultores especializados nesse tipo de trabalho também estão “vendendo” Campo Grande como uma cidade com cerca de um milhão de habitantes, levando em consideração estimativas de 2021. 

Porém, quando a empresa foi contratada, em setembro do ano passado, para receber até R$ 7 milhões, o IBGE já havia divulgado os números do censo revelando que a cidade conta com 898.100 moradores. 

Outro argumento curioso que os consultores utilizaram para tentar convencer os banqueiros a abrirem os cofres e oferecer um valor alto pela folha é o fato de Campo Grande ser “referência em preservação e desenvolvimento sustentável, com reconhecimento internacional – Tree City of the world2 (cidade árvore do mundo)”, dando a entender que a grande quantidade de árvores tem alguma relação com a possibilidade de o banco obter lucro maior. 

Mas apesar de ignorarem o IBGE e redesenharem a geografia, os consultores fazem acreditar que o investimento que a prefeitura está fazendo trará retorno. Trazem dados informando que em Goiânia, em 2021, a Caixa ofereceu R$ 100 milhões pela folha. Mas, “ao optar pela realização do Estudo Prévio, mesmo com todos os impactos daquele ano (Pandemia, Vetos FUNDEB...)  foi possível vender o ativo por R$165.000.000,00, ou seja, 65% a maior que a oferta formal na Contratação Direta. O Estudo foi realizado pelo BR TEC”.

Além disso, “em Boa Vista, ao ser contratado o BR TEC, em 2022, fez o levantamento detalhado das informações e constatou que em 2019, o Banco do Brasil havia firmado contrato com a Capital, por R$ 6.400.000,00.  Após Estudo, concluiu que o valor  para negociação do ativo FOPAG deveria ser, no mínimo, R$22.000.000,00. Ao anunciar a publicação do novo Edital e a rescisão antecipada com o Banco do Brasil, este, optou por rever o Contrato anteriormente firmado e aportar os R$ 22.000.000,00”, diz o estudo técnico anexado ao edital que prevê a abertura das ofertas no próximo dia 23. 

Esse edital estipulou em R$ 79,8 milhões o valor mínimo a ser aceito pela administração municipal para que algum banco tenha exclusividade para o pagamento do salário dos 38,2 mil servidores efetivos, aposentados e temporários.Na tentativa anterior de leilão, o valor mínimo havia sido de R$ 87,4 milhões, mas nenhum banco se interessou.

Se algum banco aceitar pagar os R$ 79,8 milhões, o instituto que fez a consultoria apontando as árvores como um atrativo para os banqueiros receberá R$ 1,79 milhão. O contrato prevê que receba 13% sobre tudo aquilo que ultrapassar os R$ 66 milhões, valor atual que o Bradesco está pagando por um período que seria equivalente a 60 meses.

E, se houver ágio no leilão, os embolsos do BR TEC vão aumentar automaticamente. O máximo que poderão receber está limitado a R$ 7 milhões, conforme o contrato assinado em setembro do ano passado.

O estudo também traz outras incongruências. Uma delas diz que "há concurso aprovado para preenchimento de 380 (trezentos e oitenta) vagas na Secretaria de Educação em 2024". Na realidade, na última segunda-feira acabou a inscrição ao concurso para o preenchimento de 323 vagas.

O estudo diz ainda que "os servidores da Educação terão aumento salarial de 14,95%". Este índice, porém, se refere à correção do piso nacional da educação do ano passado, e se aplica somente aos professores, excluindo o restante dos servidores da Educação. Parte dele já foi concedido e, por enquanto, não existe negociação prevendo novo aumento nesta proporção ao longo de 2024.


 

PROMOÇÃO POLÍTICA

MPE abre investigação para perfil de notícias que promove prefeito de Pedro Gomes

Dono de portal de notícias tem cargo comissionado em prefeitura do município desde 2025

13/08/2026 10h30

Divulgação

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O Ministério Público Estadual (MPE) abriu um inquérito civil para investigar um possível esquema de promoção pessoal do prefeito de Pedro Gomes, Murilo Jorge (PL), com a contratação de um dono de portal de notícias para um cargo comissionado na prefeitura.

A investigação iniciou após o MPE receber uma denúncia anônima de que Paulo Siqueira da Silva, dono do site de notícias "Portal PNews" e funcionário público em cargo de confiança da prefeitura, utilizava pautas da administração pública para promover a figura política do prefeito em seu próprio jornal, utilizando inclusive publicações colaborativas com o perfil pessoal do prefeito.

Publicações em portais de notícias utilizavam figura de prefeito para promoção pessoal - Foto: Reprodução

O chefe do executivo, conhecido também por Delegado Murilo, devido à sua ocupação anterior antes de assumir o atual cargo, teria contratado Paulo Silva para exercer o cargo de Assessor II. No entanto, o servidor utilizava o horário do expediente na prefeitura para realizar publicações no perfil do portal de notícias. 

Anteriormente, as postagens colaborativas do perfil pessoal do prefeito, com o do jornal e o perfil oficial da prefeitura de Pedro Gomes, geraram a instauração de uma Notícia Fato, a qual foi investigada e retirou as publicações dos perfis.

Foto: Reprodução

Na época, o logo da prefeitura do município apareceu em postagem de um outro perfil de notícias, associando a imagem do Delegado Murilo e sua família ao logo da Prefeitura de Pedro Gomes.

Questionado pelo MPE por quem teria sido contratada a publicidade e qual o motivo da utilização do logo, o dono do site respondeu que a publicidade foi "cortesia" e o uso do logo foi um erro.

Nos autos ainda há publicações de outros perfis que também promoviam a figura do prefeito em forma de publicidade. Além do próprio perfil pessoal do prefeito com conteúdos de promoção pessoal em relação ao cargo de executivo municipal.

No inquérito civil, divulgado no Diário Oficial do MPE de hoje (13), foram apresentadas ao MPE uma série de imagens, em que o prefeito e seu vice eram destaques nas postagens do Portal PNews, associado ao servidor público Paulo Silva.

A utilização das figuras políticas representava a realização de obras ou ações da prefeitura, em que comumente são utilizadas imagens das obras, ou mesmo dos resultados dos serviços.

Com a investigação, os esclarecimentos do município trouxeram novas dúvidas, uma vez que Paulo Silva é servidor efetivo do município desde o ano de 2003, concursado pelo cargo de técnico de enfermagem e dono do Portal PNews desde 2011, o qual também é editor do jornal, e recentemente foi designado ao outro cargo.

Em 2025, ano que o prefeito iniciou seu mandato, o servidor foi destinado para o cargo comissionado de Assessor II da gestão do prefeito atual, e o MPE solicitou ao prefeito, que seja apresentado ao órgão no período de 10 dias:

  • cópia do ato normativo que prevê a criação do cargo que o funcionário ocupa, bem como as atividades que devem ser realizadas por ele;
  • registro do ponto do servidor desde sua nomeação;
  • eventual justificativa para liberação de assinatura do ponto;

Foi registrado nos autos ainda que, mesmo após a instauração da notícia fato anteriormente, o servidor continuou as postagens durante o expediente, o que resultou na instauração do inquérito civil.

O caso investiga a irregularidade no exercício do cargo ocupado pelo servidor, devido à incompatibilidade apresentada até então com sua função pública e dono do portal de notícias, bem como a influência e interferência do prefeito no veículo, caracterizando improbidade administrativa ao atentar contra os princípios da administração pública, como legalidade, moralidade e impessoalidade administrativa.

Combate à Corrupção

MP lança 2.ª fase de operação contra falsos exames no interior do MS

Ao todo foram cumpridos um total de 17 mandados, sendo cinco de prisão preventiva e outros 12 de busca e apreensão

13/08/2026 10h01

Direcionamento de licitação e desvio de recursos eram todos feitos com um sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos

Direcionamento de licitação e desvio de recursos eram todos feitos com um sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos Reprodução/LeitorC.E

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Pelas ruas do interior do Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (13), o Ministério Público do Estado (MPMS) deflagra uma segunda fase da chamada Operação "Auditus", contra falsos exames, através de seus grupos Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) ,e da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque. 

Ao todo foram cumpridos na manhã de hoje (13) um total de 17 mandados, sendo cinco de prisão preventiva e outros 12 de busca e apreensão, nos seguintes municípios: 

  • Bela Vista 
  • Bonito, 
  • Guia Lopes da Laguna,
  • Jardim e
  • Nioaque. 

Toda essa investigação pelo Gecoc, em apoio à 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque, teve início com a apuração de fraudes que ocorriam em licitações executadas pela Prefeitura de Nioaque. Esses certames miravam a contratação de uma empresa para prestação de serviços de especialidades médicas: consultas, realização de exames e procedimentos médicos, como bem aponta o MPMS em nota. 

A primeira fase da Operação "Auditus" foi realizada em 1° de julho de 2025, quando dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos em: Nioaque, Bonito e Jardim. À época, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul havia constatado que o potencial dano dos contratos suspeitos já era estimado em mais de R$3 milhões em um esquema entre 2019 e 2024. 

Feita análise das apreensões da primeira fase, somadas à diligências posteriores, os agentes puderam reunir elementos que comprovaram a "existência de um esquema criminoso estruturado", como descreve o Ministério Público. 

Segundo o MPMS, esse esquema criminoso estruturado funcionava com o direcionamento das contratações, o que em outras palavras significa que os pagamentos eram feitos e os serviços médicos não eram executados.

Esse direcionamento e desvio de recursos públicos eram todos feitos através de suborno de funcionários, como bem aponta o Ministério, com um sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. 

Efeitos do crime

Sendo que "Auditus" trata-se de um termo latim que faz referência à "audição", com a Operação batizada dessa forma em menção aos exames auditivos que eram apenas simulados como um dos meios para desvio do dinheiro. 

Foi constatado posteriormente, porém, que diversos outros exames e serviços médicos fraudados também foram englobados no esquema criminoso para terem seus valores sistematicamente desviados. 

Em balanço sobre os reflexos das práticas criminosas, nota-se um aumento de mais de mil por cento (1.713%) no gasto com tais serviços médicos, no recorte feito pelo MPMS entre 2022 e 2025. 

"Ao passo que o total de 83% (oitenta e três por cento) dos exames e consultas pagos pelo Município foram simulados pelo grupo criminoso, composto por agentes públicos e privados, mediante a falsificação de documentos", complementa o Ministério Público em nota.

Além disso, a estimativa dos prejuízos aos cofres públicos somente em Nioaque já ultrapassa os quatro milhões de reais. 

Elementos coletados indicam inclusive a atuação na expansão do esquema criminoso para demais municípios, o que o Ministério classifica como continuidade e agravamento dessas atividades ilícitas. 

Até o momento não há identificação dos alvos dos mandados de prisão. 

 

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