Cidades

Exemplo

Para incentivar filhos, homem de 71 anos se forma em direito e passa na OAB

Formado em 2014, Gomercindo está concluindo pós graduação em direito trabalhista

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Aos 71 anos e dois anos depois de concluir a faculdade de direito, o corretor de imóveis Gomercindo Portella de Andrade foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e comemora o título de advogado ao mesmo tempo em que se prepara para montar um escritório e trabalhar com direito trabalhista, área na qual está concluindo uma pós graduação.

Gomercindo disse ao Portal Correio do Estado que sempre se interessou pelo direito, porém, pai de oito filhos, precisava trabalhar para sustentar a família a não sobrava tempo e dinheiro para ingressar no curso superior.

Os filhos cresceram e apenas um se formou na faculdade. Os demais, segundo Gomercindo, não tiveram interesse quando eram jovens e depois passaram a usar a idade como “desculpa”. Como forma de incentivar os filhos e também por realização pessoal, o advogado decidiu entrar para a faculdade.

“Meus filhos, que estavam com idades entre 30 e 40 anos, falavam que estavam velhos para estudar e eu decidi voltar aos estudos para dar o exemplo, para mostrar que estão errados”, disse.

Decidido, aos 65 anos, ele fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conseguiu uma vaga na Faculdade Mato Grosso do Sul (Facsul) e ingressou no curso. Quando estava no quinto semestre, Gomercindo precisou interromper os estudos devido a questões financeiras.

“Sempre fiquei pensando: 'poxa, fiz cinco semestres, como vou perder todo esse tempo?' e decidi voltar”, conta.

O corretor de imóveis procurou, então, o Financiamento Estudantil (Fies) e voltou aos estudos em 2012, dessa vez na Universidade Unaes Anhanguera. O curso foi concluído no fim de 2014. No ano seguinte, Gomercindo já iniciou a pós-graduação em direito trabalhista, com previsão de conclusão para setembro deste ano.

OAB

Logo depois de terminar a faculdade, Gomercindo iniciou os estudos para o exame da Ordem. Nas duas primeiras tentativas, ele não foi aprovado.

“Em uma das vezes eu fui traído pelo tempo e não tive tempo de concluir. A gente que é idoso é um pouco lento. São quatro perguntas dissertativas, eu estava terminando a segunda e a moça [fiscal] me tomou a prova da mão. Fiquei chateado, mas eu errei”, contou.

Depois do episódio, Gomercindo se dedicou ainda mais aos estudos para fazer novamente a prova. "Quando terminei a última prova entreguei para a fiscal e disse que nunca mais voltava porque dessa vez tinha passado, e realmente passei", disse.

O resultado saiu na última sexta-feira (12) e o advogado não esconde a emoção pela conquista. "Estou muito feliz, era um sonho meu e essa era minha meta", disse, acrescentando que agora pretende trabalhar e continuar os estudos.  "Não estudo só para passar, estudo para aprender", contou.

EXEMPLO

Quando iniciou os estudos, Gomercindo buscava realização pessoal e também servir de exemplo para os filhos, porém, a trajetória e as conquistas serviram de referência também para outras pessoas, que se inspiraram no advogado e decidiram voltar aos estudos.

Casado há 11 anos com Celina Mendes, 42 anos, Gomercindo conta que quando se conheceram a esposa tinha o ensino fundamental incompleto, mas que como uma forma de dar apoio para o marido, voltou a estudar junto com ele e hoje está no segundo ano da faculdade de pedagogia.

Os filhos também sentem orgulho do pai e o tratam como herói, segundo o advogado. Além disso, um amigo de Gomercindo, um mestre de obras de 49 anos, também decidiu seguir o exemplo e se prepara para ingressar no curso de engenharia. 

Os próximos passos de Gomercindo agora são continuar estudando, trabalhar em sua área e motivar mais pessoas, mostrando que nunca é tarde para correr atrás dos sonhos. 

Anulação

Justiça volta anular eleição em Câmara do interior de MS

Juiz Silvio Cézar Prado declarou nulo o pleito realizado em outubro de 2025, apontando irregularidades graves no processo de escolha da direção do Legislativo municipal

08/05/2026 14h30

Foto: Divulgação

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Pela segunda vez em menos de uma semana, a Justiça anulou a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Chapadão do Sul. Em decisão proferida nesta quinta-feira (7), o juiz Silvio Cézar Prado, declarou nulo o pleito realizado em outubro de 2025, apontando irregularidades graves no processo de escolha da direção do Legislativo municipal, procedimento movido pelo vereador Marcel D’Angelis Ferreira Silva (PP).

A sentença envolve os vereadores , Alline Krug Tontini, Andréia Lourenço, Júnior Teixeira, Marcelo Costa, Maria Inez de Almeida Giralderlli Medeiros e Vanderson Cardoso, além da própria Câmara Municipal.

Segundo a sentença, houve “vícios substanciais na formação da vontade parlamentar”, incluindo antecipação material da eleição, combinação prévia de votos, promessa de vantagem pessoal, fraude ao processo deliberativo e desvio de finalidade.

Com a decisão, o magistrado determinou que a Câmara realize imediatamente uma nova eleição para a composição da Mesa Diretora, respeitando princípios constitucionais como moralidade administrativa, impessoalidade, publicidade, pluralismo político, alternância de poder e autenticidade da deliberação parlamentar.

“A tutela de urgência anteriormente deferida deve ser confirmada, passando a ter natureza definitiva em razão do julgamento de mérito”, destacou o juiz na decisão.

O magistrado também condenou os réus ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, fixados em R$ 15 mil.

Na decisão, Silvio Prado reforçou que o processo eleitoral interno do Legislativo foi comprometido por práticas incompatíveis com a legalidade e a independência parlamentar.

“Declaro nula a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Chapadão do Sul realizada em 06 de outubro de 2025, por vícios substanciais na formação da vontade parlamentar, consistentes em antecipação material da eleição, combinação prévia de votos, promessa de vantagem pessoal, fraude ao processo deliberativo e desvio de finalidade”, escreveu.

A nova eleição ainda não teve data divulgada pela Câmara Municipal.

Imbróglio

Silvio Prado acatou denuncia de irregularidades e suspendeu, em caráter liminar, a eleição para mesa diretora no Município de Chapadao do Sul. A decisão atendeu uma ação anulatória de eleição proposta por Marcel D’Angelis Ferreira Silva contra a Câmara Municipal e outros vereadores.

Nesta semana, a 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul havia derrubado a liminar dele, mantendo a eleição para mesa diretora da Câmara. 

No tribunal de justiça, o relator, desembargador Amaury da Silva Kuklinski, entendeu que os elementos apresentados como prova, especialmente gravação audiovisual, não demonstravam "violação direta às normas constitucionais que regem o processos legislativo, tampouco evidenciam, de forma inequívoca, fraude comprovada ou desvio de finalidade aptos a justificar a excepcional intervenção do Poder Judiciário em matéria tipicamente inserida na esfera de autonomia organizacional do Poder Legislativo". O voto dele foi acompanhado pelo desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa.

O juiz Fábio Possik Salamene apresentou voto divergente, entendendo haver conluio entre vereadores para afetar o resultado da eleição.

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Inquérito ambiental

Promotor volta a abrir investigação por corte de uma única árvore

O mesmo promotor já havia aberto investigação em fevereiro pelo corte de uma única "sete-copas" em um imóvel de Três Lagoas

08/05/2026 14h00

Oiti é espécie comum em regiões metropolitanas

Oiti é espécie comum em regiões metropolitanas Divulgação

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O Promotor de Justiça Antônio Carlos Garcia de Oliveira abriu, mais uma vez, um inquérito civil para investigar o corte de uma única árvore. 

Desta vez, a investigação é sobre o corte de uma Moquilea tomentosa, a 'oiti', árvore muito comum em regiões urbanas, mas conhecida por causar quebra de calçadas, já que suas raízes crescem para o lado em busca de água. 

De acordo com o Promotor, um sujeito de Três Lagoas de nome Benedito Franscisco de Oliveira, teria cortado uma unidade da oiti no município sem autorização, sendo necessário apurar o possível dano ambiental desse corte. 

Antônio Carlos Garcia já havia instaurado outro Inquérito Civil para investigar  o corte de uma árvore sete-copas na calçada de uma residência também em Três Lagoas em fevereiro deste ano. 

Na época, a proprietária do imóvel foi notificada e levou multa de 250 UFMIs, bem como autuada a plantar duas  mudas de 1,5m de altura no mesmo local e prestar esclarecimentos. 

O Promotor alega, nos dois casos, dano ambiental e o processo corre em sigilo.

Oiti é espécie comum em regiões metropolitanasDiário Oficial do MPMS

Crime ambiental

Segundo a Lei de Crimes Ambientais, a Lei nº 9.605, é considerado crime ambiental o corte de árvores em floresta de preservação permanente; provocar incêndio em floresta ou demais formas de vegetação; a extração de minerais como areia, cal, pedras de florestas de domínio público ou de preservação permanente; destruir, danificar, lesar ou maltratar qualquer planta de ornamentação de locais públicos ou propriedade privada alheia; entre outros. Para esta última, a detenção é de três meses a um ano ou multa. 

No entanto, não se configura crime a poda ou corte de árvores quando o órgão ambiental responsável não atender ou responder de forma fundamentada a requerimentos para o corte ou poda no prazo de 45 dias. Passado o prazo, a realização da ação é autorizada pelo indivíduo. 

No caso da instauração do inquérito, o requerido terá um prazo para apresentar esclarecimentos. 

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