Cidades

Denúncias

Pardal: irregularidades eleitorais crescem 94% em uma semana em MS

Levantamento considera os registros apresentados desde 16 de agosto

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Consulta feita pelo Correio do Estado ao painel público do Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral destinada ao recebimento de denúncias sobre propaganda irregular, mostra que Mato Grosso do Sul já contabiliza 37 ocorrências relacionadas às eleições de 2026.

O levantamento foi realizado nesta quinta-feira (3), e considera os registros apresentados desde 16 de agosto, data do pontapé oficial do período de campanhas eleitorais. O número representa 94% mais denúncias em relação ao balanço do encerramento da segunda semana, que apontava 19 ocorrências.

Campo Grande concentra 19 registros, o equivalente a 51% das denúncias feitas no Estado. Dourados, Ponta Porã e Bonito aparecem em seguida, com 3 denúncias cada, seguidas por Jardim, com duas denúncias. Ivinhema, Corumbá, Miranda, Nova Andradina, Três Lagoas, Coxim e Caarapó possuem uma ocorrência cada.

Na Capital, as denúncias envolvem distribuição de material gráfico, comícios e showmícios, utilização de bens públicos, propaganda na internet e outdoors. Um dos registros aparece no sistema sem a informação sobre o tipo de irregularidade apontada.

Em Dourados, uma denúncia está relacionada ao uso de bens públicos e outra à propaganda na internet. Ivinhema tem um caso envolvendo omissão de informações obrigatórias, enquanto Jardim e Nova Andradina registraram ocorrências relacionadas a outdoors. Em Miranda e Três Lagoas, as denúncias tratam de propaganda eleitoral na internet.

Entre os cargos envolvidos, candidatos a deputado estadual (17) e a deputado federal (11) concentram a maioria das denúncias. Demais denúncias foram destinadas a candidatos a governador (3) e partido e coligação (6). 

O painel público do Pardal não informa os nomes dos candidatos ou responsáveis denunciados. O relatório disponibilizado pela Justiça Eleitoral apresenta somente o município, o tipo de irregularidade, o cargo envolvido e a situação da ocorrência. Os nomes podem constar no ambiente interno da Justiça Eleitoral ou em processos do PJe que não estejam sob sigilo.

A propaganda na internet é o tipo mais frequente, com sete registros. Bens públicos (7), outdoors (6), comícios e showmícios (5), distribuição de material gráfico (4) também estão entre as denúncias. Também há denúncias por adesivagem, confecção e distribuição de brindes. 

Das 19 denúncias apresentadas em Mato Grosso do Sul, 15 já foram peticionadas no Processo Judicial Eletrônico. Outras duas permanecem em andamento e duas foram baixadas do sistema. A maior parte dos registros, 21, foi enviada por aparelhos com sistema iOS, enquanto 16 partiram de dispositivos Android.

O registro no Pardal não significa que a irregularidade tenha sido comprovada. As informações encaminhadas pelos eleitores passam pela análise da Justiça Eleitoral, que verifica a existência de elementos mínimos e define as providências cabíveis para cada caso.

Disputa Territorial

Agraer bate o martelo sobre bairro com 5 mil moradores disputado em MS

Órgão considera limite "sacramentado", aponta o Córrego do Gonçalo como marco da divisa e sustenta que discussão se concentra agora na prestação dos serviços públicos

03/09/2026 16h46

Vista aérea do Conjunto Habitacional Padre Ernesto Sassida, principal ponto da disputa pelos limites territoriais entre Corumbá e Ladário.

Vista aérea do Conjunto Habitacional Padre Ernesto Sassida, principal ponto da disputa pelos limites territoriais entre Corumbá e Ladário. Foto: Divulgação.

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A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer) afirmou que o Conjunto Habitacional Padre Ernesto Sassida, onde vivem cerca de 5 mil pessoas, está localizado integralmente no município de Ladário.

O posicionamento acrescenta um novo capítulo à disputa territorial com Corumbá, que atualmente é responsável pela prestação de serviços públicos, pela infraestrutura e pelo atendimento aos moradores da região, conforme noticiado pelo Correio do Estado na última terça-feira (1º).

Em resposta encaminhada ao Correio do Estado, a agência declarou que o limite entre as duas cidades está tecnicamente definido e não depende de novo estudo cartográfico. O traçado adotado utiliza o Córrego do Gonçalo como marco da divisa.

“A Agraer vem ratificar que o limite entre os municípios de Corumbá e Ladário, o qual tem o Córrego do Gonçalo como definidor, do ponto de vista técnico está sacramentado, não havendo, portanto, o que se discutir”, afirma o documento.

A resposta, assinada pelo gerente de Regularização Fundiária e Cartografia da Agraer, Jadir Bocato, sustenta que a controvérsia levada à Justiça não estaria mais concentrada na localização do córrego ou na definição técnica da divisa.

Segundo o órgão estadual, o principal impasse passou a ser a continuidade dos serviços básicos prestados por Corumbá aos moradores de uma área que, pela delimitação reconhecida pela agência, pertence a Ladário.

“Quem oferece tais serviços hoje é o município de Corumbá e pode, a qualquer momento, deixar de prestá-los, em função de que o bairro está localizado integralmente no município de Ladário”, registra a manifestação.

A possibilidade de interrupção, entretanto, é apresentada pela Agraer como consequência administrativa possível da mudança territorial. Até o momento, não há informação de que Corumbá tenha anunciado a suspensão dos atendimentos.

Disputa começou há mais de 40 anos 

A discussão sobre a divisa é antiga. Conforme a Agraer, o primeiro ofício que questionava o limite entre Corumbá e Ladário foi registrado em 18 de agosto de 1981.

Desde então, diferentes equipes realizaram levantamentos, vistorias e análises documentais para tentar estabelecer a localização correta do Córrego do Gonçalo, citado na legislação como um dos marcos territoriais.

A base jurídica utilizada remonta à Lei Provincial nº 4, de 19 de abril de 1838, que criou o Distrito de Ladário ainda dentro do território de Corumbá. A norma descreveu o Córrego do Gonçalo e sua foz no Rio Paraguai como parte da delimitação.

O mesmo traçado foi mantido por decretos estaduais posteriores. Em 1953, a Lei nº 679 criou oficialmente o município de Ladário, desmembrado de Corumbá, com os limites que já haviam sido estabelecidos para o antigo distrito.

O problema surgiu porque diferentes cursos d’água foram identificados ao longo das décadas como possíveis localizações do Córrego do Gonçalo. Estudos anteriores também encontraram dificuldades para visualizar o curso em determinadas épocas do ano.

A Agraer explica que o córrego é intermitente. Isso significa que a presença de água pode variar conforme o período de chuvas ou de estiagem, dificultando sua identificação em levantamentos realizados exclusivamente em campo.

Mapa do Exército mudou o traçado

O entendimento atual da Agraer foi consolidado em um parecer técnico elaborado em 2023, após novos questionamentos apresentados pela Prefeitura de Corumbá.

A agência utilizava como referência uma carta topográfica do Departamento do Serviço Geográfico do Exército na escala de 1:100.000. Nesse documento, porém, o Córrego do Gonçalo não podia ser identificado com precisão.

Durante a revisão, técnicos solicitaram ao Banco de Dados Geográficos do Exército documentos mais detalhados. Foi localizada a Folha SE21-U-I-2, produzida na escala de 1:50.000, que não constava anteriormente na base cartográfica da Agraer.

Por apresentar maior nível de detalhamento, o mapa permitiu identificar o traçado atribuído ao Córrego do Gonçalo. O estudo também analisou fotografias aéreas feitas entre 1964 e 1966 e utilizadas na elaboração das cartas topográficas da região.

As imagens foram analisadas por meio de técnicas de fotointerpretação, método que permite identificar e diferenciar características do terreno a partir de elementos visuais.

Na avaliação, foram considerados aspectos como tonalidade, formato, tamanho, sinuosidade e textura, que ajudam a reconhecer feições da paisagem e compreender as características da área observada.

Em 14 de fevereiro de 2023, uma equipe da Agraer realizou nova vistoria em Corumbá. Os técnicos afirmam que encontraram o leito do córrego e fizeram o rastreamento dos pontos com um receptor do Sistema Global de Navegação por Satélite, conhecido pela sigla GNSS.

Segundo o parecer, o levantamento de campo coincidiu com o traçado apresentado no mapa do Exército. A agência considera que a combinação da carta topográfica, das fotografias aéreas e da vistoria eliminou as dúvidas sobre a localização do curso d’água.

Com a nova conclusão, a Agraer determinou que deveria ser desconsiderado o traçado produzido anteriormente pelo extinto Instituto de Terras de Mato Grosso do Sul, o Terrasul. O estudo antigo ainda era utilizado como referência nos mapas disponibilizados pelo Estado.

O novo limite foi encaminhado ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 6 de março de 2026, durante a sexta etapa de atualização das bases territoriais.

Mudança afetou estimativas do IBGE

A alteração cartográfica interferiu nas estimativas populacionais divulgadas pelo IBGE em 2026. Corumbá passou de uma população estimada de 98.751 habitantes, em 2025, para 96.334 neste ano, uma redução de 2.417 moradores. No mesmo período, Ladário avançou de 22.425 para 24.631 habitantes, crescimento de 2.206 pessoas.

O IBGE explicou anteriormente ao Correio do Estado que uma alteração na delimitação territorial modificou a população atribuída aos dois municípios. Parte dos moradores contabilizados em Corumbá passou a integrar novamente as estatísticas de Ladário.

O instituto também esclareceu que utiliza as informações territoriais oficiais encaminhadas pelos órgãos estaduais. Em Mato Grosso do Sul, a Agraer é responsável pela organização e atualização das bases referentes às divisas municipais.

Apesar de afirmar que o Bairro Padre Ernesto Sassida está integralmente em Ladário, a Agraer não informou se toda a população do conjunto foi incluída nas estimativas ladarenses de 2026.

Questionada sobre o assunto, respondeu que a contagem populacional e a elaboração das estimativas são atribuições do IBGE. O órgão estadual também não detalhou a extensão territorial alterada nem quantos imóveis, domicílios e moradores foram atingidos estatisticamente pela mudança.

Quanto ao número de residências, a agência orientou que os dados sejam solicitados à Prefeitura de Corumbá e ao IBGE.

A ausência dessas informações impede, até o momento, estabelecer se a variação populacional registrada pelos dois municípios corresponde integralmente aos moradores do conjunto habitacional ou se alcança outras áreas próximas à divisa.

Corumbá contestou novo limite

Como mostrado na reportagem anterior, Corumbá sustentou que o Padre Ernesto Sassida integra historicamente sua estrutura urbana.

O município argumenta que os imóveis, registros, autorizações, investimentos e serviços oferecidos aos moradores estão vinculados à administração corumbaense.

A prefeitura também defende que o Plano Diretor municipal abrange a região. A Agraer, porém, afirma que planos diretores e registros imobiliários não têm poder para alterar limites entre municípios.

Segundo a agência, os registros descrevem os limites das propriedades, mas não definem a qual cidade elas pertencem. Para o órgão, a divisão territorial precisa obedecer às leis de criação dos municípios.

O parecer técnico de 2023 atribuiu a situação atual à decisão de Corumbá de incluir a região em seu Plano Diretor de 2006, apesar dos estudos existentes sobre o Córrego do Gonçalo.

Ao mesmo tempo, a própria Agraer reconheceu a necessidade de proteger os moradores contra uma interrupção repentina de serviços públicos.

No documento, o órgão afirma compartilhar a preocupação de Corumbá para que a população não fique sem infraestrutura, saneamento, saúde e outros atendimentos. Ressalta, contudo, que não pode modificar a interpretação dos limites sem uma alteração legislativa.

Acordo poderia mudar a divisa

A Agraer informou que Corumbá contestou inicialmente a nova delimitação, mas que atualmente busca um acordo com Ladário para alterar oficialmente a divisão territorial.

Essa mudança dependeria de consenso entre as duas prefeituras e da alteração da legislação de criação dos municípios, com participação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

A agência afirma que poderia integrar uma equipe técnica destinada a elaborar uma proposta de mudança. Sem acordo, permanece válido para o Estado o traçado que coloca o Córrego do Gonçalo como limite e o Ernesto Sassida dentro de Ladário.

Representantes das prefeituras, das câmaras municipais e da Assembleia Legislativa participaram de uma audiência de conciliação em julho. A reunião terminou sem consenso e abriu prazo de 20 dias para que as administrações tentassem construir uma solução conjunta.

De acordo com a Agraer, suas equipes já participaram de pelo menos quatro reuniões sobre o tema: uma na Assembleia Legislativa, duas na Prefeitura de Corumbá e uma audiência de conciliação no Fórum de Corumbá.

Enquanto não há solução administrativa ou legislativa, permanece o impasse: o Estado considera o bairro parte de Ladário, mas é Corumbá quem mantém a maior parte da estrutura pública utilizada pelos cerca de 5 mil moradores da área disputada.

O que dizem os envolvidos

A equipe de reportagem do Correio do Estado procurou as prefeituras de Corumbá e Ladário para obter esclarecimentos sobre os diferentes pontos envolvidos na disputa territorial.

À Prefeitura de Corumbá, a reportagem questionou o resultado das negociações realizadas após a audiência, a situação atual do processo, os serviços mantidos no Bairro Padre Ernesto Sassida e os impactos financeiros e populacionais da delimitação utilizada pelo IBGE.

A Prefeitura de Ladário foi questionada sobre a existência de eventual acordo com Corumbá, as áreas reivindicadas pelo município, o número de moradores envolvidos e a prestação dos serviços públicos caso a delimitação seja mantida.

Até a publicação desta reportagem, nenhum dos três havia respondido aos questionamentos. 

 

Tapete Vermelho

Presidente da CBF é exaltado por vereadores mesmo sem resultados concretos em MS

Em sua primeira agenda oficial no Estado, Samir Xaud recebeu título de Visitante Ilustre e foi apresentado como símbolo de "transformação", embora o centro inaugurado tenha sido planejado antes de sua gestão e o Morenão continue fechado.

03/09/2026 16h12

Autoridades e representantes do futebol participam de evento da CBF em Campo Grande durante visita de Samir Xaud à Capital.

Autoridades e representantes do futebol participam de evento da CBF em Campo Grande durante visita de Samir Xaud à Capital. Foto: Divulgação da Câmara Municipal de Campo Grande.

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Em sua primeira agenda oficial em Mato Grosso do Sul e ainda sem um histórico próprio de resultados consolidados para o futebol do Estado, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, foi recebido com homenagens e discursos entusiasmados de vereadores de Campo Grande.

A cerimônia foi realizada nesta quarta-feira (2), no Bioparque Pantanal, antes da inauguração do Centro de Desenvolvimento do Futebol, ocorrida na manhã desta quinta-feira (3). Durante o evento, Xaud recebeu da Câmara Municipal o Título de Visitante Ilustre de Campo Grande.

A homenagem foi entregue pelo presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), e pelo vereador Herculano Borges (Republicanos).

Além de reconhecerem a passagem do dirigente pela Capital, os parlamentares atribuíram à presença de Xaud um significado de renovação para o futebol sul-mato-grossense.

Papy afirmou que a visita representa um “contexto de esperança” para a retomada dos grandes jogos, o fortalecimento do esporte de alto rendimento e o desenvolvimento das categorias de base em Campo Grande.

Ao falar sobre a atual gestão da CBF, o vereador também atribuiu a Xaud um papel de renovação dentro da entidade e demonstrou expectativa sobre os rumos do futebol brasileiro.

“Esse momento é histórico e, talvez daqui a alguns anos, a gente olhe para trás e vá lembrar desse dia de uma transformação vivida pelo esporte sul-mato-grossense, principalmente no futebol. A pessoa do presidente Samir já é uma transformação da CBF, quando a gente fala de produtividade, de mudança; é uma figura jovem, com muita energia, trazendo um discurso do novo e de esperança. Para quem assiste e consome futebol, a gente percebe a credibilidade que o futebol brasileiro vai ter nos próximos anos”, destacou Papy.

O discurso, porém, antecipou resultados que ainda não podem ser medidos em Mato Grosso do Sul. A passagem por Campo Grande marcou a primeira agenda oficial de Samir Xaud no Estado desde que assumiu o comando da CBF e também a primeira visita de um presidente da entidade ao território sul-mato-grossense em 17 anos.

Durante o evento, Xaud afirmou que a presença da CBF no Estado faz parte de uma estratégia de aproximação com as federações e destacou a entrega do Centro de Desenvolvimento do Futebol, em Campo Grande, como uma das iniciativas para ampliar o apoio à formação de novos atletas.

“Nossa presença em Mato Grosso do Sul dá continuidade a nossas atividades de olhar com carinho para as federações. Em Campo Grande entregamos o Centro de Desenvolvimento. Vamos disponibilizar essas ferramentas para cada Estado para trabalhar e fomentar o futebol de base. Tudo isso estará à disposição de Mato Grosso do Sul”, disse Samir Xaud.

A dimensão das homenagens, no entanto, contrasta com a própria história de Mato Grosso do Sul no futebol. Em sua primeira agenda oficial no Estado à frente da CBF, e antes que os efeitos de sua gestão possam ser efetivamente medidos no futebol sul-mato-grossense, Samir Xaud foi recebido sob um discurso que o colocou como símbolo de renovação e esperança para a modalidade.

O tratamento ganhou ainda mais peso com a concessão do Título de Visitante Ilustre pela Câmara Municipal de Campo Grande, honraria que reforçou o protagonismo atribuído ao dirigente em uma passagem marcada mais pelas expectativas em torno de sua gestão do que por resultados já consolidados no Estado.

Durante a solenidade reproduzida pela Câmara, não foram anunciados novos investimentos com valores e prazos, programas de apoio financeiro aos clubes locais ou medidas imediatas para fortalecer as competições estaduais. As manifestações se concentraram principalmente em expectativas para o futuro.

Centro não foi concebido na atual gesttão 

A principal entrega da agenda foi o Centro de Desenvolvimento do Futebol, construído na Avenida Tamandaré, em Campo Grande. A estrutura representa um reforço importante para as categorias de base e para o futebol feminino, mas não nasceu na gestão de Samir Xaud.

O projeto começou a ser idealizado em 2015, dentro do programa financiado pelo Fundo de Legado da Copa do Mundo de 2014. As obras em Mato Grosso do Sul foram iniciadas em março de 2024, mais de um ano antes de Xaud chegar à presidência da CBF.

O complexo já estava pronto antes da Copa do Mundo de 2026, mas a inauguração dependia da agenda do dirigente. Dessa forma, embora tenha comandado a cerimônia de entrega, Xaud não foi o responsável pela concepção nem pelo início da construção do equipamento. 

Avaliado em aproximadamente R$ 14 milhões, o centro possui campo de grama sintética com dimensões oficiais, arquibancadas, vestiários, iluminação, estacionamento e espaços administrativos.

A proposta é receber projetos de formação de atletas, competições amadoras, atividades do futebol feminino e cursos para treinadores e árbitros.

A entrega física do espaço, entretanto, é apenas a primeira etapa. O impacto sobre o futebol estadual dependerá da criação de projetos permanentes, da definição de critérios para utilização, da manutenção da estrutura e da capacidade da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) de garantir que clubes e atletas tenham acesso ao complexo.

Até agora, não foram apresentados publicamente o calendário completo de atividades, o orçamento anual de manutenção nem as metas de atendimento do centro.

Morenão continua sem receber jogos

Outro ponto da agenda foi a visita ao Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, principal palco esportivo de Mato Grosso do Sul. Samir Xaud acompanhou por cerca de 30 minutos os trabalhos relacionados à implantação do novo gramado.

A vistoria também ganhou caráter simbólico, uma vez que o estádio não recebe partidas profissionais desde 2022 e permanece sem os laudos necessários para eventos com público desde 2023. 

A contribuição concreta da CBF citada durante a agenda é de quase R$ 1 milhão para o novo gramado. O restante da recuperação depende principalmente do governo de Mato Grosso do Sul, que assumiu a gestão do estádio e prevê investir R$ 16,7 milhões em intervenções estruturais.

Os serviços planejados incluem adequações nas arquibancadas, cabines de imprensa, instalações elétricas e hidráulicas, acessibilidade, refletores e placar. Até a visita do presidente da CBF, porém, a licitação dessas obras ainda aguardava publicação.

A previsão é de que o Morenão seja reaberto parcialmente em 2027, inicialmente com capacidade para aproximadamente 12 mil torcedores. Portanto, a visita de Xaud não representou a volta imediata dos jogos nem a solução definitiva para os problemas acumulados pelo estádio.

O presidente da FFMS, Estevão Petrallás, agradeceu o apoio da CBF e afirmou que a federação assumirá a chamada “parte de baixo” do Morenão, envolvendo o gramado. Não foram detalhados, contudo, outros aportes da confederação na recuperação estrutural do complexo.

Futebol local segue distante do cenério nacional

As homenagens também ocorreram em um momento de dificuldades esportivas para os clubes da Capital. O Operário-MS, principal representante campo-grandense no cenário nacional em 2026, foi eliminado ainda na primeira fase da Série D do Campeonato Brasileiro.

O clube terminou sua participação com apenas duas vitórias em dez partidas e nunca conseguiu avançar à fase eliminatória da quarta divisão nas quatro vezes em que disputou o torneio. 

Além da baixa competitividade nacional, Campo Grande enfrenta há quatro anos a ausência de seu principal estádio. Nesse período, os clubes ficaram restritos principalmente ao Estádio Jacques da Luz, nas Moreninhas, com capacidade muito inferior à do Morenão.

Esse cenário dá dimensão ao desafio existente entre os discursos de retomada e aquilo que ainda precisa ser entregue.

A inauguração de um centro de treinamento e o investimento no gramado representam avanços, mas não são suficientes, isoladamente, para promover a transformação anunciada pelos vereadores.

A passagem de Samir Xaud pode marcar o início de uma aproximação entre a CBF e Mato Grosso do Sul.

A efetividade dessa relação, contudo, será medida pelo funcionamento permanente do novo centro, pela conclusão do Morenão, pelo fortalecimento dos clubes e pela recuperação da presença do Estado nas competições nacionais, e não pelo número de homenagens entregues durante uma visita institucional.

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