Cidades

Dinheiro público

Patrola e outros dois são condenados em esquema de corrupção milionário

Investigações revelaram esquema complexo de pagamento de propinas a agentes públicos

Continue lendo...

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou o empresário André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, o procurador jurídico aposentado da Câmara Municipal, André Luiz Scaff, e o empresário Ariel Dittmar Raghiant, por envolvimento em um esquema milionário de corrupção passiva em Campo Grande.

A sentença, proferida pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, impôs penas que somam mais de 25 anos de prisão, além do pagamento de multas calculadas com base no salário mínimo vigente à época dos fatos, investigados há quase uma década.

Do ramo empreiteiro, Patrola possui contratos ligados à prefeitura municipal, foi condenado a 5 anos de reclusão pela prática de corrupção ativa continuada. Segundo a Justiça, ele ofereceu vantagens indevidas a agente público em mais de uma ocasião.

Em 2023, foi alvo da Operação Cascalhos de Areia, também conduzida pelo Ministério Público Estadual, que apurou desvios de recursos da Prefeitura de Campo Grande por meio de contratos de locação de máquinas e manutenção de vias sem pavimentação. 

Investigações

As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) há quase nove anos,revelaram um esquema complexo de pagamento de propinas a agentes públicos. O processo, que tramitava em sigilo, foi concluído em fevereiro deste ano. 

A Justiça identificou indícios de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, especialmente envolvendo André Luiz Scaff, ex-secretário municipal de Planejamento e Finanças na gestão de Gilmar Olarte.

De acordo com a decisão, ele foi condenado a 16 anos e 8 meses de reclusão pela prática de corrupção passiva continuada.

O tribunal concluiu que, na condição de servidor público, enquanto Procurador Jurídico da Câmara, e chefe de gabinete, Scaff aceitou promessas e recebeu vantagens econômicas indevidas de empresários em diversas ocasiões.

A denúncia destacou que o ex-secretário enriqueceu ilicitamente e ocultou a origem dos valores obtidos por meio de propina, utilizando-se de "estratagemas de mascaramento" para reintroduzir o dinheiro no sistema financeiro nacional.

Segundo o Gaeco, ele chegou a movimentar mais de R$ 3 milhões em remessas identificadas como propinas, além de possuir dezenas de imóveis urbanos e rurais, apartamentos e áreas em condomínios de alto padrão.

Outro ponto mencionado pela magistrada é que, entre 2010 e 2015, Scaff e sua esposa, Karina Ribeiro Mauro Scaff, teriam recebido R$ 10,8 milhões em propina, segundo denúncia do Gaeco. No entanto, Karina foi absolvida por falta de provas.

O juízo destacou ainda que o ex-procurador usou a função pública "para benefício próprio e de terceiros, violando de forma grave a confiança depositada pelo cargo".

Ariel Dittmar Raghiant, também empresário, recebeu pena idêntica à de Patrola, igualmente por corrupção ativa continuada. Assim, ele foi apontado como responsável por oferecer vantagens ilícitas a servidores públicos em troca de facilidades.

Scaff já havia sido apontado como um dos principais articuladores de contratos e decisões estratégicas dentro da administração municipal.

Ademais, a juíza absolveu outros 20 réus que eram investigados por integrar a suposta organização criminosa destinada a desviar recursos públicos, são eles:

  • Abimael Lossavero
  • Andréia Silva de Lima
  • Ariel Dittmar Raghiant
  • Conrado Jacobina Stephanini
  • Denis Peixoto Ferrão Filho
  • Edmilson Rosa
  • Guilherme Muller
  • Jean Michel Marsala Júnior
  • José Audax Cesar Oliva
  • Juarez Falcão Alves
  • Karina Ribeiro Mauro Scaff
  • Michel Chafic Ferzeli
  • Olmar Aparecido Moura
  • Reginaldo João Bacha
  • Ricardo Schettini Figueiredo
  • Sandra Maristela Velho Mondragon
  • Uilson Domingos Simioli
  • Wanderson Prado Rodrigues
  • William José de Melo
  • Zouhair Gorgis Admou

As condenações, no entanto, ainda são passíveis de recurso.

Assine o Correio do Estado

Imigrantes

Cubanos superam venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil; veja números

O estudo leva em conta o período de 2010 a 2025 e foi divulgado nesta segunda-feira (22)

22/06/2026 19h00

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

Os cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, superando os venezuelanos, que estiveram no topo do ranking nos últimos anos. O País recebeu 75.599 pedidos desse tipo de acolhimento feito por cidadãos de outras nacionalidades, atrás apenas de 2018 e 2019.

Destes, 41.919 (55,4%) vieram de Cuba, crescimento de 88,1% em relação ao ano anterior. Já 21.233 (28,1%) venezuelanos pediram refúgio - no ano anterior tinham sido 27.140.

Impulsionadas pelos cubanos, as solicitações de refúgio aumentaram 10,9% em 2025, em comparação com o ano anterior.

Os dados são do relatório Refúgio em Número 2026, produzido pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

O estudo leva em conta o período de 2010 a 2025 e foi divulgado nesta segunda-feira, 22, em evento alusivo ao Dia Mundial do Refugiado, que transcorreu no sábado, 20.

Conforme o MJSP, o refúgio é concedido para a pessoa que foi forçada a sair do país por fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social, opiniões políticas, ou por causa de grave e generalizada violação de direitos humanos. Enquanto tramita um processo de refúgio, pedidos de expulsão ou extradição ficam suspensos.

O refúgio tem diretrizes globais definidas e possui regulação pelo organismo internacional Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No Brasil, a matéria é regulada pela Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997, que criou o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), e pela Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, de 28 de julho de 1951.

O país receptor é obrigado a proteger contra a devolução ao país onde corre risco, além de dar acesso ao trabalho, educação, saúde, liberdade religiosa e à documentação legal.

Nacionalidades que mais pediram refúgio no Brasil em 2025

  • Cuba: 41.919 (55,4%)
  • Venezuela: 21.233 (28,1%)
  • Colômbia: 1.432 (1,9%)
  • Angola: 1.253 (1,7%)

Em um período mais amplo, de 2010 a 2025, um total de 551.072 imigrantes de 177 nacionalidades pediram refúgio ao Brasil. Por Estado, o maior volume de solicitações foi para Roraima (32%), São Paulo (26,5%) e Amapá (12,6%).

O estudo aponta que o maior volume de solicitações de refúgio no ano de 2025 tem relação com a retomada de fluxos em direção ao Brasil já verificados anteriormente para os anos de 2022 (50 355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após um período de maiores restrições à mobilidade humana internacional em decorrência das ações impostas em virtude da pandemia de covid-19.

O aumento das solicitações de refúgio por cubanos também pode estar relacionado ao momento político e social vivido por Cuba. O país caribenho está com a economia debilitada e em um momento tenso na relação com os Estados Unidos.

Na semana passada, no entanto, o Parlamento de Cuba aprovou um pacote de reformas na economia. A reforma aproxima Cuba de uma economia de mercado e reduz o controle do governo. Quando entrar em vigor, o pacote vai abrir a economia para investimentos privados e estrangeiros nos setores de turismo, agricultura, imobiliário, bancário e cambial. Bancos estrangeiros poderão se instalar em Cuba.

Região Norte recebe mais

No ano passado, 52,4% das solicitações de refúgio decididas pelo Conare foram registradas nos Estados da região Norte. Os solicitantes para essa região tinham como origem, principalmente, Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e Colômbia (524).

Roraima também foi a unidade da federação que concentrou o maior volume de solicitações de reconhecimento da condição de refugiado decididas pelo Conare, com 16.166 (32% do total), seguida por Amapá, com 6.372 (12,6%), e Amazonas, com 2.445 (4,8%).

A maioria dos pedidos atendidos pelo Conare (94,7%) foi por violação generalizada de direitos humanos. O maior grupo nessa categoria é o dos venezuelanos.

Mais homens solicitaram refúgio do que mulheres (55,9% contra 44%), e a maioria está na faixa etária dos 25 aos 40 anos (26 911 solicitantes).

Entre os cubanos, diferentemente, a maioria dos que pedem refúgio tem mais de 60 anos (67,8%).

Os trâmites são mais fáceis para países em que o Brasil reconhece que há grave e generalizada violação de direitos humanos, como nos casos de Venezuela, Síria e Afeganistão.

Diferente do refúgio, no caso do asilo, as garantias são dadas apenas após a concessão do benefício. Antes disso, a pessoa que estiver em território nacional estará em situação de ilegalidade

O asilo pode ser diplomático - quando o requerente está em país estrangeiro e pede asilo à embaixada brasileira - ou territorial - quando o requerente está em território nacional. Se concedido, o requerente estará ao abrigo do Estado brasileiro, com as garantias devidas.

flagrante

Médica veterinária é presa por suspeita de atear fogo no marido em Campo Grande

Durante discussão, ela jogou álcool e ateou fogo no homem, que teve 80% do corpo queimado e está internado, em coma e estado grave

22/06/2026 18h31

Caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento (Depac) Cepol

Caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento (Depac) Cepol FOTO: Arquivo

Continue Lendo...

Uma médica veterinária, de 42 anos, foi presa por suspeita de atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos, nesta segunda-feira (22), em Campo Grande. Ele está em coma e o estado de saúde é considerado grave.

De acordo com informações do boletim de ocorrência, o homem deu entrada no Hospital Proncor com queimaduras em praticamente 80% do corpo.

No momento em que chegou ao hospital, ele estava consciente e informou a equipe de atendimento que sua esposa teria ateado fogo nele.

Pouco depois, a veterinária chegou ao local pedindo para vê-lo, mas não foi autorizada por funcionários da unidade, que a informaram que não estava em horário de visita. Temendo que a mulher retornasse, eles acionaram a Polícia Militar (PM).

Quando os policias chegaram ao local, foram informados pelo médico responsável pelo atendimento que a vítima apresentava queimaduras extensas e estado saúde grave. Ainda segundo o médico, em razão da gravidade das lesões, o diretor administrativo se encontra internado, em coma e sob cuidados intensivos.

Os policiais apuraram junto ao médico, com base em informações repassadas pela vítima antes de entrar em coma, que o casal teria iniciado uma discussão e a esposa teria atirado álcool 70% nele, ateando fogo em seguida. Não há informações sobre o motivo da discussão inicial.

A mulher ainda estava no local e foi presa em flagrante e encaminhada à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Cepol).

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e será investigado pela Polícia Civil.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).