Cidades

Mato Grosso do Sul

PF fecha cerco a prefeituras que investiram no Banco Master

Operações da Polícia Federal deflagradas ontem investigam aplicações milionárias de institutos de previdência no banco de Daniel Vorcaro

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A Polícia Federal (PF) avança nas investigações sobre como institutos de previdência municipais de Mato Grosso do Sul investiram milhões no Banco Master.

Em duas apurações distintas, mas com a mesma finalidade, a PF apura em que circunstâncias os regimes próprios de previdência das cidades de Fátima do Sul e Angélica colocaram milhões de reais de aposentados e pensionistas no Banco Master, pouco tempo antes de a instituição ser liquidada.

O Banco Master pertence ao banqueiro Daniel Vorcaro, que atualmente está preso na PF, em Brasília (DF), e que, dados os bilhões de reais envolvidos na investigação da operação Compliance Zero, pode ser o autor da maior fraude bancária da história do Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, a PF denominou as operações que investigam aportes de R$ 9 milhões no Banco Master de Zehirut e Charitzut.

A suspeita é de irregularidades nas aplicações destes fundos de previdência municipais no banco de Daniel Vorcaro, liquidado no ano passado pelo Banco Central do Brasil.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de Angélica (7 mandados), Fátima do Sul (6 mandados) e São Paulo (SP). As aplicações destes fundos de previdência ocorreram por meio da compra de títulos (letras financeiras) do banco privado em 2024. Há a suspeita de que os títulos seriam podres.

A PF também apura se responsáveis por estes institutos municipais de previdência teriam recebido propina de corretoras para aplicar o dinheiro da previdência de seus servidores no Banco Master.

Entre os endereços onde ontem foram cumpridos mandados de busca e apreensão estão os institutos de previdência de Angélica e de Fátima do Sul (Iprefsul).

Foram apreendidos 11 telefones celulares com pessoas que foram alvo da investigação: servidores públicos e corretores de investimentos.

Também estão em poder da PF quatro pendrives, seis microcomputadores, quatro discos rígidos e ainda pastas com várias atas de reuniões relacionadas ao Banco Master.

“Após procedimentos de perícia e análise dos dados, será possível dimensionar o tamanho da fraude envolvendo o Banco Master e os administradores dos institutos de previdência”.

A prefeitura de Angélica, cujo prefeito é Edinho Cassuci (PSDB), informou que o instituto de previdência é uma autarquia municipal, com autonomia administrativa e financeira.

A prefeitura ainda sustentou que os R$ 2 milhões investidos no Banco Master teriam sido resgatados em novembro de 2025, antes até mesmo da prisão de Daniel Vorcaro.

Em Fátima do Sul, onde o Iprefsul investiu R$ 7 milhões no Banco Master, também existe a versão sobre a autonomia do instituto.

Corretora

Em Angélica, os recursos foram captados pela “Crédito e Mercado Consultoria de Investimentos”, empresa com sede em São Paulo (SP) que fez captações em prefeituras em todo o País, inclusive na capital sul-mato-grossense, onde o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aportou R$ 1,2 milhão no Banco Master.

No caso da capital de MS, a Justiça local autorizou, em dezembro do ano passado, uma compensação de valores.

Como a Prefeitura Municipal de Campo Grande também tinha acordo com o braço de crédito popular do banco de Daniel Vorcaro, o Credcesta, a Justiça autorizou a retenção dos valores consignados dos servidores, que seriam direcionados ao Credcesta ou a outros consignados do Banco Master, para cobrir o rombo do IMPCG.

O caso, contudo, ainda não está plenamente resolvido.

Ao todo, institutos de previdência municipais de MS aportaram R$ 15,7 milhões no Banco Master. Fátima do Sul fez o maior aporte: R$ 7 milhões, seguida de São Gabriel do Oeste (R$ 3 milhões), Jateí (R$ 2,5 milhões), Angélica (R$ 2 milhões) e Campo Grande (R$ 1,2 milhão).

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Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

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A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

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