Cidades

FONTE SIGILOSA

PF investiga advogado pego com R$ 100 mil em espécie em MS

Inquérito apura eventual crime de lavagem de dinheiro; jurista disse que montante seria de cliente preso por ligação com quadrilha de traficantes de droga 

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A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar um indistinto episódio ocorrido em Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense, situada na faixa de fronteira com o Paraguai: um advogado carregava consigo, dentro do veículo, uma caminhonete, R$ 100 mil, em notas de R$ 100.

Na abordagem, o jurista afirmou que o dinheiro seria de clientes seus, implicados com o tráfico de drogas, mas negou-se a revelar o nome de quem havia entregado a cifra. Limitou-se a dizer que "não conhece as pessoas" que o "pagaram". 

O caso envolve um advogado de 43 anos, que toca escritório em Dourados, cidade 120 quilômetros distante do local da apreensão. 

“Em razão do nervosismo incomum apresentado [assim que abordado pelos federais], foi nos termos do narrado, procedidas perguntas tendo o mesmo após revista, sido encontrado na posse de R$ 100.000,00 (cem mil reais) em dinheiro, em notas de cem, e mais inúmeros cheques. Na sequência fixou que seria advogado e teria recebido tais valores, no Brasil (Ponta Porã/MS), de terceiros que não iria identificar por sigilo profissional e também porque tinha medo de morrer já que seriam pagamentos para o mesmo e outros advogados em razão de estar atuando como advogado na operação AKÃ da Polícia Federal, deflagrada na Justiça Estadual em Dourados há poucos meses”, diz trecho do inquérito, instaurado semana passada, o qual o Correio do Estado teve acesso. 

De acordo com a PF, a tal Akã, trata-se de operação deflagrada no dia 19 de setembro passado com a finalidade de cumprir três mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Dourados e Douradina.  

A apuração recaiu sobre uma quadrilha que mandava cargas de drogas para cidades da região Sudeste do País.

Investigação em questão começou em janeiro do ano passado com a apreensão, na fronteira, de meia tonelada de cocaína que era transportada em um caminhão frigorífico. 

INQUÉRITO

Consta ainda no inquérito, que a carteira da OAB do advogado Saldivar Cabral está “suspensa”, mas não revela-se o motivo. Assim que soube do embargo sobre a carteira do advogado, os policiais federais questionaram a questão do “sigilo profissional” alegado pelo jurista. A partir daí, surgiu a necessidade da instauração do inquérito. 

Diz trecho da investigação, conduzida pelo delegado da PF, Marcelo Guimarães Mascarenhas. 

“De se fixar que em princípio, necessário a instauração de investigação, eis que tenho que: a) a argumentação fixada, de sigilo profissional de advogado, principalmente em se tratando de advogado suspenso pela OAB, torna inviável a alegação de "sigilo profissional" para apontar origem de numerário, ou mesmo direito a qualquer prerrogativa de advogado enquanto suspenso; b) causa espécie e espanto a informação de que tinha medo de morrer ao identificar quem realizou o pagamento, máxime quando é seu dever, em tempo oportuno, realizar a devida declaração de IR [Imposto de Renda] identificando o responsável pelo pagamento e realizar o recolhimento dos tributos devidos; c) absolutamente incomum o trânsito de valores tão altos em região de fronteira (R$ 100.000,00), mesmo porque acima de U$ 10.000,00 da lei 14.286/21 que revogou expressamente o artigo 65 da Lei 9.069/95, e estabeleceu US$ 10 mil (ou o equivalente em outras moedas) como valor máximo para dispensa de declaração de saída com recursos em espécie”. 

FONTE SIGILOSA

Em depoimento à PF, o advogado afirmou que recebeu os R$ 100 mil “na Avenida Brasil, em Ponta Porã, fixando que não foi no Paraguai; QUE perguntado em qual residência buscou o dinheiro, afirma não saber o número sendo a primeira vez que foi lá; QUE não conhece as pessoas que pagaram o valor de R$ 100.000,00, não assinou recibo; QUE não sacou o valor no Banco; QUE não tem contrato formal só verbal com o terceiro que mandou buscar o dinheiro; QUE diz que depois iria no presídio conversar com os clientes para fazer contrato de prestação de serviços”. 

O advogado declarou ainda “QUE não ajustou valor com as pessoas presas, iria fazer esse ajuste a partir do recebimento deste valor de R$ 100.000,00; QUE isso seria uma parcela; QUE não tem envolvimento com tráfico de drogas; QUE não está fazendo lavagem de dinheiro no seu entender; QUE o valor estava acondicionado com uns aíilhos em notas de cem; QUE não contou o dinheiro; QUE já buscou dinheiro de outros contratos de forma parecida; QUE não depositou o dinheiro em sua conta porque não era todo seu e seria dividido com outros advogados citados e está com dívidas”. 

A reportagem tentou conversar com o advogado investigado, na tarde desta quinta-feira (7), mas não conseguiu até a publicação. Assim que houver manifesto, este material será atualizado.

O montante segue apreendido.

 

 

Serviços de Limpeza

Prefeitura reconhece dívida de R$ 2,3 milhões por limpeza na rede saúde de Campo Grande

Pagamento é referente à continuidade dos serviços após o fim do saldo contratual; reconhecimento ocorreu após sindicância administrativa da Sesau

29/06/2026 18h00

Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande

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A Prefeitura de Campo Grande reconheceu oficialmente uma dívida de R$ 2.368.870,47 com a empresa Produserv Serviços Ltda., responsável pelos serviços de limpeza, conservação e higienização das unidades da rede municipal de saúde.

A medida foi publicada no Diário Oficial (Diogrande) desta segunda-feira (29) e formaliza o pagamento de despesas realizadas após o encerramento do saldo do contrato vigente.

Segundo o termo de reconhecimento de dívida, o débito corresponde à continuidade dos serviços prestados entre 2 e 30 de abril de 2026, período em que a empresa manteve a execução das atividades consideradas essenciais para o funcionamento da rede pública de saúde, mesmo após o esgotamento dos recursos previstos no contrato anterior.

Os serviços incluem a limpeza e higienização de unidades básicas de saúde, centros de referência e áreas administrativas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), além da lavagem interna e externa de viaturas utilizadas no transporte de pacientes, controle de vetores e pragas urbanas e higienização de caixas d'água.

De acordo com o documento oficial, o reconhecimento do débito foi embasado em uma sindicância administrativa, instaurada para apurar a regularidade da prestação dos serviços e verificar os valores efetivamente devidos à empresa.

Após a análise da comissão responsável, a administração municipal concluiu que havia comprovação da execução dos serviços e autorizou a liquidação da dívida.

O termo destaca que o pagamento representa a quitação das notas fiscais apresentadas pela empresa referentes ao período analisado.

Os recursos utilizados sairão do Tesouro Municipal, por meio de dotação orçamentária destinada à contratação de mão de obra para a Secretaria Municipal de Saúde.

A publicação, entretanto, não detalha os motivos que levaram à continuidade da prestação dos serviços após o encerramento do saldo do contrato nem informa se houve eventual falha administrativa que motivou a abertura da sindicância.

Também não esclarece se houve responsabilização de agentes públicos ou adoção de medidas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.

Como a limpeza e a higienização são consideradas atividades essenciais para o funcionamento das unidades de saúde, a interrupção do serviço poderia comprometer o atendimento à população e as condições sanitárias dos estabelecimentos.

Por isso, a empresa manteve a execução das atividades durante o período posteriormente reconhecido como dívida pelo município.

O termo foi assinado pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Luiz Brandão Vilela, e pelo representante da empresa, Luiz Carlos Ribeiro, com publicação oficial nesta segunda-feira (29).

Laudo Médico

Laudo conclui que Grazielle Machado morreu por choque anafilático

Documento divulgado pela família esclarece o que provocou a morte da ex-vereadora de Campo Grande e ex-deputada estadual, que faleceu aos 45 anos

29/06/2026 17h31

Foto: Rede Social

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A causa da morte da ex-vereadora de Campo Grande e ex-deputada estadual Grazielle Salgado Machado foi oficialmente esclarecida nesta segunda-feira (29).

De acordo com o laudo médico divulgado pelo gabinete do deputado estadual Londres Machado (PP), pai da ex-parlamentar, ela morreu em decorrência de um choque anafilático. O documento, porém, não informa qual substância provocou a reação alérgica.

Antes da divulgação do laudo, familiares haviam informado que Grazielle foi internada após apresentar um quadro de infecção intestinal, inicialmente associado à suspeita de salmonela.

Segundo relatos, ela também chegou ao hospital com inchaço no rosto e dificuldade para respirar. O estado de saúde evoluiu rapidamente para um quadro grave, e a ex-deputada morreu na madrugada da última quarta-feira (24), aos 45 anos, em Campo Grande.

Considerado uma emergência médica, o choque anafilático é uma reação alérgica grave e de rápida evolução, capaz de comprometer diversos órgãos do corpo em poucos minutos.

A condição pode ser desencadeada por alimentos, medicamentos, picadas de insetos ou outras substâncias que provocam uma resposta intensa do sistema imunológico.

Entre os principais sintomas estão dificuldade para respirar, inchaço das vias aéreas, queda acentuada da pressão arterial e alterações na circulação sanguínea

Trajetória na política

O interesse pela vida pública acompanhou Grazielle Machado desde cedo. Filha do deputado estadual Londres Machado e da ex-prefeita de Fátima do Sul, Ilda Salgado Machado, ela cresceu inserida no ambiente político e participou da organização de campanhas eleitorais antes de disputar o primeiro cargo eletivo.

Antes de iniciar a carreira nas urnas, Grazielle consolidou sua atuação na área da comunicação. Graduada em Publicidade e Propaganda, trabalhou como empresária, professora universitária e diretora da Revista Ímpar, experiências que antecederam sua trajetória no serviço público.

A entrada na Câmara Municipal de Campo Grande ocorreu em 2004. Naquele ano, foi eleita vereadora com 6.273 votos, tornando-se a candidata mais votada de sua coligação.

Já no primeiro mandato, assumiu funções de destaque na Mesa Diretora, entre elas a vice-presidência e a primeira-secretaria da Casa de Leis.

O trabalho desenvolvido no Legislativo garantiu sua permanência na Câmara por três mandatos consecutivos.

Reeleita em 2008 e 2012, participou da implantação da Escola do Legislativo, presidiu comissões permanentes e defendeu iniciativas voltadas às áreas de saúde, assistência social e fortalecimento da participação feminina na política.

O reconhecimento nas urnas se ampliou em 2014, quando foi eleita deputada estadual com 39.374 votos, tornando-se, à época, a mulher mais votada da história de Mato Grosso do Sul para a Assembleia Legislativa.

Mesmo após deixar o mandato parlamentar, Grazielle permaneceu ligada à vida pública. Em 2024, disputou novamente uma cadeira na Câmara Municipal de Campo Grande, ficando na suplência. Mais recentemente, exercia função na Secretaria de Estado da Casa Civil, onde continuava atuando na administração estadual.

Comoção

A morte de Grazielle Machado provocou manifestações de pesar de autoridades, lideranças políticas e instituições públicas.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e a Câmara Municipal de Campo Grande decretaram luto oficial em homenagem à ex-parlamentar, destacando sua contribuição para a política sul-mato-grossense e sua atuação em defesa da participação das mulheres na vida pública.

Casada e mãe de dois filhos, Grazielle deixou um legado construído ao longo de mais de 20 anos de vida pública, em uma trajetória marcada pela dedicação ao serviço público e à representação da sociedade sul-mato-grossense

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