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Investigação

PF põe Campo Grande na rota do escândalo do Banco Master

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande e gabinete da vice-prefeita ontem foram alvo de operação em função da aplicação de R$ 1,2 milhão feita em abril de 2024

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A Polícia Federal (PF) colocou Campo Grande na rota de operações envolvendo os investimentos feitos no Banco Master mais de dois anos depois de o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) ter aplicado R$ 1,2 milhão nas Letras Financeiras do banco privado, que foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado.

Ontem, agentes da PF cumpriram seis mandados de busca e apreensão na Capital, incluindo a sede do IMPCG e o gabinete da vice-prefeita, Camila Nascimento, na Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS). O Correio do Estado apurou que, além do gabinete, os policiais federais estiveram na residência de Camila e levaram seu celular e documentos.

Camila foi diretora-presidente do IMPCG de agosto de 2017 a março de 2024, quando saiu para integrar a chapa de Adriane Lopes (PP) nas eleições municipais.

Vale lembrar que, há três meses, a PF deflagrou as Operações Zehirut e Charitzut, que tiveram por alvo Fátima do Sul e Angélica por aplicações, somadas, da ordem de R$ 10 milhões nas Letras Financeiras do Banco Master. Agora, pelo mesmo motivo, Campo Grande também está no radar da corporação.

“O relatório apontou possíveis irregularidades no processo decisório que resultou no investimento de R$ 1,2 milhão pelo IMPCG em Letras Financeiras emitidas por banco privado. Há indícios de que servidores envolvidos no processo decisório, mediante ações ou omissões, teriam deixado de observar os procedimentos técnicos e administrativos aplicáveis, expondo o patrimônio do RPPS [Regime Próprio de Previdência Social] municipal a riscos”, disse a PF em nota.

Em comunicado, a prefeitura afirmou que foi uma das primeiras cidades do Brasil a garantir o ressarcimento de valores aplicados na instituição financeira investigada, o que teria evitado prejuízo aos cofres públicos.

A administração municipal declarou também que, na época da liquidação, o IMPCG ajuizou ação de compensação de créditos, com pedido de tutela provisória de urgência, na 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos, em que obteve decisão favorável, com determinação de depósito judicial do valor aplicado devidamente atualizado.

Na decisão, também teria sido determinado que a instituição financeira se abstivesse de realizar cobranças, promover negativações ou adotar quaisquer medidas constritivas relativas a contratos de empréstimo consignado.

Em conversa com a reportagem, Marcos Tabosa, atual diretor-presidente do IMPCG, disse que o instituto já conseguiu recuperar o dinheiro investido, via processo judicial, mas que ainda não foi depositado no caixa em razão de uma fila de credores que estão na mesma situação da previdência campo-grandense, o que ele acredita ser resolvido até o fim de 2027.

“A gente vai tentar mostrar para eles [empresa responsável pela liquidação do Master] que o nosso dinheiro já está resguardado, está em uma conta judicial, ou seja, não tem por que não autorizar o Judiciário a transferir o dinheiro para a conta do instituto. É esse trabalho de convencimento que nós vamos fazer”, afirmou.

Considerando os juros e a correção monetária, Tabosa prevê que o dinheiro que será depositado seja superior a R$ 1,5 milhão, portanto, 25% a mais do que o investido no título de renda fixa emitido pelo Banco Master há quase dois anos e meio.

Histórico

À frente do instituto, Camila chegou a anunciar a aplicação de R$ 3,7 milhões no Master, mas somente
R$ 1,2 milhão foi efetivamente aplicado. Na ocasião, sindicalistas foram contrários ao investimento da prefeitura, utilizando o argumento de que as aplicações financeiras eram arriscadas, uma vez que o Master era novo e não havia garantias de que a instituição seria capaz de devolver à prefeitura o valor investido.

Durante seu lançamento como vice de Adriane, Camila foi questionada pela equipe do Correio do Estado sobre o risco das aplicações, quando afirmou que todo seu trabalho em vida pública foi legal.

“Meu lema é legalidade, responsabilidade e transparência, e não será diferente nessa posição que me encontro agora. Quem falou isso desconhece todo processo que foi realizado ali dentro. Antes de falar, precisa conhecer. O IMPCG sempre esteve de portas abertas. As atas estão todas à disposição, a contabilidade está toda à disposição. Não tenho receio nenhum e estou à disposição para responder suas dúvidas”, declarou Camila na ocasião.

Após as aplicações, a Prefeitura de Campo Grande habilitou o banco de Daniel Vorcaro a conceder empréstimos consignados aos servidores por meio de cartão de crédito. A taxa mensal de juros era da ordem de 4,5%, enquanto em bancos tradicionais a taxa máxima dos consignados é de 1,7%.

Depois do investimento, servidores públicos do Município passaram a ser bombardeados com ofertas de empréstimos consignados e cartões de crédito do chamado Credcesta, oferecido pelo Master. Em outras palavras, o Banco Master, primeiro, teria feito caixa com o dinheiro dos servidores e, logo em seguida, ofertou o dinheiro.

A situação piorou em novembro do ano passado, quando o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após a descoberta de um rombo financeiro bilionário estimado em mais de R$ 50 bilhões, fraudes em balanços e emissão de títulos sem lastro. Daniel Vorcaro, dono do banco, está preso preventivamente desde março.

O colapso do Master provocou perdas aos fundos de pensão dos servidores municipais em pelo menos cinco prefeituras em Mato Grosso do Sul, incluindo Campo Grande, Fátima do Sul e Angélica. São Gabriel do Oeste e Jateí são outros dois municípios do Estado que também fizeram aplicações no Banco Master, somando R$ 5,5 milhões.

* Saiba 

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu seis mandados de busca e apreensão na manhã de ontem em Campo Grande. 

A PF investiga a captação de recursos de fundos de previdência de todo o Brasil pelo Banco Master. A Capital é uma das cidades que investiu milhões de reais na instituição liquidada pelo Banco Central em 2025. 

HOMICÍDIO

Investigação confirma que garagista foi morto por engano

Vitor Orsini, de 19 anos, foi confundido com o verdadeiro alvo de uma emboscada; autor só descobriu após o crime que havia matado a pessoa errada

26/08/2026 12h30

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados Osvaldo Duarte/Dourados News

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A Polícia Civil confirmou que Vitor Orsini, de 19 anos, foi morto por engano na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem de veículos da família, em Dourados. O jovem não era o alvo da execução planejada pelo grupo e teria sido confundido pelos criminosos com outro homem, que era esperado no estabelecimento naquele horário. 

Novos detalhes da investigação foram apresentados nesta quarta-feira (26) pelo delegado Lucas Albé, do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados. Segundo informações divulgadas pelo portal Dourados News, o próprio autor dos disparos, Denis Barbosa de Melo, de 25 anos, descobriu somente após retornar a Ponta Porã que havia executado a pessoa errada.

A conclusão reforça a linha de investigação revelada anteriormente, de acordo com as informações já apresentadas, uma negociação envolvendo uma Toyota SW4 teria sido utilizada para preparar a emboscada. O verdadeiro alvo deveria comparecer à garagem por volta das 14h, mesmo horário programado para a chegada dos executores.

O homem no entanto, não apareceu. Quando os criminosos chegaram ao estabelecimento, encontraram Vitor próximo aos veículos e efetuaram os disparos contra ele. 

Até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem qualquer participação do jovem na disputa que teria motivado o plano de execução.

A Polícia Civil também descartou a versão de que Denis teria saído de Brasília (DF) especificamente para cometer o assassinato. Conforme Albé, o suspeito já estava na região de fronteira havia aproximadamente três ou quatro meses antes do homicídio.

A presença dele na região estaria relacionada ao tráfico de drogas. Segundo a investigação, Denis atuava no transporte de entorpecentes para grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, realizando fretes para diferentes grupos criminosos.

Apesar desse histórico, a Polícia Civil afirma que ele não era um pistoleiro profissional e que sua participação no plano para matar o verdadeiro alvo teria sido acertada quando ele já estava na região de Ponta Porã.

Ainda conforme o portal Dourados News, a investigação aponta que Denis possuía uma dívida com pessoas da fronteira e teria recebido outro valor para participar da execução. 

Após o assassinato, ele retornou para Ponta Porã. Foi nesse momento, conforme relatado pelo próprio investigado durante interrogatório, que os responsáveis pela contratação comunicaram que o grupo havia matado a pessoa errada.

Denis acabou preso quatro dias depois do crime, na região de Ponta Porã. 

Emboscada

A investigação identificou conversas mantidas na manhã do homicídio relacionadas à venda de uma Toyota SW4 que estava na garagem da família de Vitor.

Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e proprietário de uma academia em Ponta Porã, teria demonstrado interesse no veículo e informado que um homem iria até o estabelecimento por volta das 14h para avaliar a caminhonete.

Para a Polícia Civil, a negociação teria sido utilizada como meio de fazer com que o verdadeiro alvo estivesse na garagem justamente no momento da chegada dos executores.

Esse homem teria relação anterior com Cláudio e os dois já haviam sido presos por tráfico de drogas anos atrás.

Cláudio foi preso preventivamente no dia 21 de agosto, durante uma operação que também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira. A extensão da participação dele na preparação e execução do crime ainda é apurada.

As diligências apontam que a execução contou com uma estrutura organizada entre Ponta Porã e Dourados, envolvendo pessoas responsáveis pela contratação, deslocamento, transporte e apoio aos executores.

Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23, são apontados como suspeitos de participar da contratação dos executores e de levá-los de Ponta Porã para Dourados em uma BMW. Os dois permanecem foragidos.

Em Dourados, um adolescente de 17 anos teria fornecido uma motocicleta furtada e auxiliado os envolvidos a chegar até a garagem.

Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, preso no dia 17 de agosto, é apontado como responsável por pilotar a motocicleta utilizada para transportar o autor dos disparos e auxiliar na fuga após o homicídio.

Denis havia sido localizado no dia 11 de agosto, quatro dias após a morte de Vitor, escondido na região de Ponta Porã. O adolescente também foi apreendido por suspeita de participação.

Embora alguns dos investigados tenham histórico ligado a atividades criminosas, a Polícia Civil afirma que, até o momento, não há elementos que demonstrem que uma facção criminosa tenha ordenado ou organizado a execução.

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Em MS

Traficante foge de abordagem da PRF, bate em árvore e morre

Carro furtado e com placas clonadas era usado para transportar mais de 445 quilos de maconha pela BR-158

26/08/2026 12h10

Foto: Divulgação/CBMMS

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abordagem da Polícia Rodoviária Federal. Durante a fuga o condutor acabou perdendo o controle e colidindo contra uma árvore. 

Na abordagem a PRF apreendeu cerca de 445,2 quilos de maconha. A ação aconteceu no quilômetro 332 da BR-158, em Brasilândia, à 364 km de Campo Grande. 

De acordo com a PRF, a equipe realizava a fiscalização da rodovia, quando deu ordem de parada a um veículo identificado como um Honda/Fit prata, o condutor ameaçou que encontraria, mas fugiu em alta velocidade por uma estrada de terra. 

A perseguição policial aconteceu por 5 quilômetros, até que o motorista perdeu o controle da direção, rompeu uma cerca de uma propriedade rural, tombou e colidiu fortemente contra uma árvore. Com o impacto, inúmeros tabletes de maconha se espalharam ao redor do automóvel.

A colisão contra a árvore foi tão forte que o condutor ficou preso entre as ferragens, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros ainda com vida e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas (MS), onde passou a noite em observação e veio a falecer na manhã desta quarta-feira, dia 26. 

A Polícia Civil realizou uma inspeção e perícia no veículo e foi constatado que o carro estava com placas clonadas e possuía registro de furto na cidade de São Paulo (SP), ocorrido em 08/08/2026. 

O veículo, a droga e os materiais apreendidos foram entregues na Delegacia de Polícia Civil de Brasilândia (MS).

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