Somados, caminhões levarão gás suficiente para abaster toda a demanda do município do interior
A MSGás comprou dois caminhões de gás natural comprimido para viabilizar a chegada do insumo à fábrica da JBS Dourados.
Com gasto de R$ 2,1 milhões, a alternativa foi escolhida diante da ausência de um gasoduto no trecho e antecede um projeto maior de interiorização da rede à segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul. Ao todo, os veículos transportarão cerca de 16 mil metros cúbicos de gás, quantia suficiente para abastecer toda a demanda do município, atualmente em cerca de 10 mil.
Para contornar essa lacuna, o gás será retirado da rede ainda na Capital, comprimido, transportado por caminhão e descomprimido para entrar na rede local.
Em entrevista ao Correio do Estado, a presidente da MSGás, Cristiane Alquimim Junqueira Schmidt, afirmou que a decisão faz parte de uma estratégia de desenvolvimento energético do Estado.
“Temos um projeto de fazer um gasoduto em Dourados porque entendemos que o desenvolvimento do Estado também passa por desenvolver uma fonte energética importante e mais barata e que futuramente vai poder transitar pela rede o biometano. Campo Grande para Dourados. Não temos um duto até lá para transportarmos o gás natural. Então a gente teria que ter um outro tipo de transporte até lá.”
Segundo ela, a logística foi desenhada para garantir abastecimento contínuo. Antes da compra, a empresa avaliou a terceirização do serviço. A conta, porém, não fechou.
“Para fazermos isso nós tínhamos duas opções: ou a gente terceirizava ou a gente comprava. Chegamos à conclusão financeira de que comprar os caminhões […] seria mais vantajoso”, disse Cristiane.
De acordo com a presidente, a aquisição dos veículos elimina um custo anual elevado. Segundo ela, a compra possibilitou uma economia de R$1,5 milhão por ano à MSGás. Ela afirma que a redução de despesas evita repasse para o consumidor.
“Como a gente está beneficiando, diminuindo esse custo, então a gente não onera a tarifa", falou.
A operação prevê que os dois caminhões trabalhem de forma alternada. “Enquanto uma carreta estará em Campo Grande, o outra estará em Dourados e elas vão se cruzar. Lógico que uma pode ser o backup da outra”, destacou Cristiane.
Segundo Cristiane, a própria rede local funciona como uma espécie de reserva. Por lá, a rede local, além de servir a fábrica, funcionará como um "pulmão" à demanda municipal.
A presidente ressalta que os caminhões até podem atender outros clientes no futuro, mas desde que o abastecimento de Dourados esteja garantido.
“Se fizer sentido pra MSGás, claro que faríamos isso, desde que a gente não deixe nenhum dos nossos clientes em Dourados na mão. A gente tem uma responsabilidade na hora que entra no município de não faltar aquela fonte energética.”
Para a empresa, o projeto também serve como etapa intermediária até a construção de um gasoduto definitivo.
“A gente consolida Dourados para, no futuro, na hora que fizer sentido, a gente construir o gasoduto.”
A expectativa é que isso seja avaliado a partir da renovação da concessão, que se encerra em 2028.
“Quando você tiver uma concessão de mais tempo, de 30 anos, uma renovação da nossa concessão, aí sim você pode pensar em estendendo essa rede de Campo Grande aos poucos até Dourados.”
Expansão
O gerente comercial e de ligações da MSGás, Jason Willians Silva, destacou que a ampliação da concessionária até Dourados é algo inevitável.
“Dourados é a segunda maior cidade do Estado. A concessionária precisa desenvolver o Estado. Nosso papel é desenvolver e expandir, interiorizar o gás. Como nós já estamos em Campo Grande e Três Lagoas, a cidade mais importante na sequência é Dourados, então a gente não pode deixar de atender a região”, falou.
Atualmente, a MSGás opera cerca de 530 quilômetros de rede de gás canalizado em Mato Grosso do Sul e atende mais de 24 mil clientes.
*Saiba
Os caminhões serão fornecidos pela Gasprom Soluções Inteligentes, com prazo de entrega de até seis meses após o pedido. A compra foi informada via Diário Oficial nesta quarta-feira (14).
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