Cidades

ASSISTÊNCIA MÉDICA

Planos de saúde cancelaram contratos de crianças autistas em Mato Grosso do Sul

O Correio do Estado contabilizou seis contratos de menores de idade cancelados, e de uma idosa, todos no interior de MS

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Um levantamento feito pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) aponta 391 reclamações a respeito de rescisão de contratos sem solicitação ou aviso prévio, feito por parte dos planos de saúde no Brasil até maio deste ano. Em Mato Grosso do Sul, uma pesquisa feita pelo jornal Correio do Estado constatou que boa parte dos usuários que têm as assistências canceladas são crianças portadoras do espectro autista.

A Senacon relatou à reportagem que foram recebidas, através do canal ‘consumidor.gov.br’ apenas duas reclamações de rescisão de contrato em MS, sendo feitas em Dourados e Corumbá, contra as empresas nacionais Qualicorp Planos de Saúde e Seguros e AllCare Gestora de Saúde, no entanto, o Correio do Estado encontrou mais processos judiciais envolvendo essas instituições.

Apenas em Dourados, a AllCare possui cinco processos, todos movidos por responsáveis por crianças portadoras do espectro autista, que tiveram os planos cancelados. Em Corumbá, a reportagem encontrou um plano cancelado, de uma pessoa que estava em tratamento grave de saúde, necessitando inclusive de procedimento cirúrgico.

Já em relação a Qualicorp, foram encontrados dois processos em Dourados, referentes ao cancelamento de plano de saúde de uma idosa e de uma criança portadora do espectro autista.

 

CRIANÇAS

Em um dos casos, o pai de Carlos (nome fictício para proteger a identidade da criança), aponta que estava com as obrigações contratuais com a Unimed Norte de Minas, operadora de saúde, quando recebeu a notícia de que havia sido rescindido o contrato, um mês antes do prazo de vigência do plano.

No processo é relatado que “a notícia causou enorme espanto ao genitor do requerente”. A criança possui laudos médicos que afirma que não podia ter a interrupção do tratamento que fazia com psicoterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e apoio de professor em sala de aula.

“Portanto, a postura adotada pelas partes requeridas, configura-se como um verdadeiro ato de má-fé e uma tentativa desesperada de eximir-se de suas obrigações contratuais, devendo haver a intervenção do poder judiciário para garantir a preservação integral do vínculo contratual até a respectiva alta médica”, pontua o advogado do pai da criança.

Outro caso, José (nome fictício), de três anos de idade, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e por isso precisa de acompanhamento neurológico e multidisciplinar, tratamento específico e indicado para crianças com esse diagnóstico.

No entanto, a responsável pelo menor entrou com processo na Justiça devido a AllCare e a Unimed Montes Claros Cooperativa Trabalho Médico pretenderem rescindir unilateralmente o plano de saúde do paciente, “deixando-o sem qualquer cobertura para procedimentos, consultas, exames e, mais grave, sem cobertura para as terapias que necessita com frequência e por prazo indeterminado”.

A responsável pela criança relata no processo que nenhuma informação foi prestada pela operadora, justificando a rescisão do contrato.

A Unimed Norte de Minas e a AllCare Gestora de Saúde cancelaram outros três planos de saúde de crianças com o espectro autista em Dourados. A Allcare informou em nota que recebeu o comunicado de rescisão contratual da Operadora, e “na condição de administradora de benefícios, cumpriu seu dever de informação e comunicou seus clientes”. A empresa ainda acrescentou que “está proibida por lei de exercer atividade própria de Operadora, em especial prestar atendimento assistencial”.

A administradora afirma que “tem se comunicado com os beneficiários impactados pelo cancelamento prestando informações e orientações, e auxiliando na busca de alternativas, dentre elas o exercício de direito de portabilidade”, e ressalta que está solidária com todos os clientes.

Também em Dourados, a Amil Assistência Médica Internacional e a Qualicorp Administradora de Benefícios foram processadas por rescisão unilateral do contrato de uma paciente que foi diagnosticada com autismo infantil moderado e TEA. No processo, a responsável pela criança alega que os tratamentos prescritos para a paciente devem ser realizados de maneira contínua.

Em uma parte do documento é relatado que o contrato foi cancelado porque a Amil alega que a adesão entre a operadora e a Qualicorp vinha “gerando prejuízo acumulado, resultando em altos índices de reajuste, que ainda assim não foram suficientes para reverter a situação do contrato”.

Em nota, a empresa relatou que “na condição de administradora de benefícios, a Qualicorp informa que o plano de saúde da beneficiária (nome ocultado para preservar a identidade) está ativa no sistema da administradora. A decisão pelo cancelamento do plano é uma atribuição da operadora Amil, responsável pela cobertura assistencial.”

 

IDOSA

Também em Dourados, uma idosa de 86 anos, professora aposentada, relata que a Qualicorp é a responsável pela administração do seu plano e por realizar os descontos das parcelas em sua aposentadoria. No entanto, ao buscar realizar exames de rotina, a foi surpreendida com a informação de que seu plano de saúde havia sido cancelado.

“Sem entender o motivo, procurou a empresa Qualicorp, quando então tomou conhecimento do comunicado que a parcela do mês de dezembro não havia sido descontada em janeiro”, relata o processo.

Entretanto, a idosa alega que ao saber que a parcela não havia sido paga pela empresa, efetuou o pagamento e contactou a Qualicorp e a Bradesco Seguro, para comunicar o depósito.

As parcelas de janeiro e fevereiro foram descontadas normalmente pela Qualicorp, relata a aposentada, e mesmo assim, o seu plano de saúde permaneceu cancelado. 

A professora esclarece ainda que não foi notificada de qualquer inadimplência, e que a Qualicorp enviou um comunicado à Universidade de São Paulo (USP), o qual ela foi docente, para informar que não houve o desconto no plano de saúde para os segurados, sendo relatada após o prazo previsto em lei.

Devido a uma série de problemas, como estes relatados pela reportagem, que são de pessoas de Mato Grosso do Sul, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), que integra o Ministério da Justiça, tem questionado os planos de saúde a respeito de explicações do cancelamento dos planos de saúde, não só em MS, mas no Brasil.

Em matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, a Senacon alega que as respostas dos planos de saúde foram insuficientes, pois alegam apenas que os cancelamentos unilaterais não ocorreram de forma discriminatória ou direcionada a grupos específicos, e que boa parte ocorreu por inadimplência, no entanto, sem informar dados específicos e números solicitados.

Saiba

As rescisões de contratos por parte dos planos de saúde virou alvo de investigação por parte da Senacon devido ao aumento de reclamações. Em 2023, a secretaria relata que teve 486 problemas reportados, e esse ano já chegou a 391 em cinco meses.

*Matéria atualizada dia 22/07 às 14h30

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Brasil

Próximo presidente herdará R$ 204 bilhões em concessões de infraestrutura

Entre os projetos que sofreram atraso e não foram concedidos, estão a Malha Oeste e a Hidrovia do Rio Paraguai, em MS

21/09/2026 08h00

Projeto da Malha Oeste, que passa pela Capital, foi adiado

Projeto da Malha Oeste, que passa pela Capital, foi adiado Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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O próximo governo federal herdará uma extensa carteira de concessões de infraestrutura com investimentos projetados em, ao menos, R$ 204 bilhões, marcada pelo adiamento de grandes projetos para 2027 ou anos posteriores. Entre as obras represadas que afetam diretamente o escoamento de produção no Centro-Oeste, destacam-se empreendimentos vitais para Mato Grosso do Sul, como a relicitação da Ferrovia Malha Oeste e o pacote de concessões hidroviárias no País.

No setor ferroviário, a carteira de projetos repassada ao próximo mandato soma R$ 154,9 bilhões. O planejamento inicial previa oito leilões para este ano, mas apenas um deve ser realizado. Apesar dos atrasos gerais na malha nacional, a Ferrovia Malha Oeste, que conecta São Paulo a Mato Grosso do Sul, permanece na lista prioritária do governo para publicação de edital.

Em entrevista à Folha, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou o rito para viabilizar a transferência do trecho ferroviário ao setor privado. “[Fazer]concessão é muito mais complexo, eu não vou fazer na afobação. Eu vou fazer seguindo o rito tranquilo: vou publicar os editais e o próximo governo faz leilão”, afirmou Santoro.

O ministro explicou que a complexidade de estruturar grandes projetos ferroviários do zero exigiu ajustes de viabilidade com órgãos de controle antes da liberação.

“A grande questão é que a gente não tinha uma trajetória de fazer concessões de ferrovias, principalmente greenfield. A gente está colocando no mercado projetos gigantescos. Sem modelagens, sem previsão de cobertura de ‘gap’ de viabilidade, sem previsão de tudo isso, a gente teve que trabalhar no TCU [Tribunal de Contas da União], e tudo isso foi aprovado recentemente. Eu acredito que a gente vai publicar editais neste ano para os leilões acontecerem no início do próximo ano”, acrescentou o titular dos Transportes.

Além do modal sobre trilhos, a logística do Centro-Oeste aguarda a evolução dos transportes fluviais, uma vez que todas as cinco concessões hidroviárias previstas na carteira do governo federal acabaram sendo empurradas para os próximos ciclos, sem datas consolidadas.

O represamento do setor hidroviário compromete a previsão de aportes e a definição do cronograma de leilões para a expansão dos eixos de navegação.

Os atrasos no cronograma global atingiram ainda rodovias e portos. Das 13 licitações rodoviárias prometidas para este ano, a expectativa é de concluir apenas sete, transferindo R$ 28,8 bilhões em investimentos para a futura gestão. Já nos portos, apenas três das 18 concessões anunciadas foram efetuadas até setembro, deixando mais de R$ 20,8 bilhões em aportes travados para depois deste ano.

Fatores como a suspensão de estudos, alterações de cronograma, acúmulo de processos na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e frustração de acordos no Tribunal de Contas da União (TCU) explicam o gargalo das concessões. Para o especialista em infraestrutura e concessões Maurício Portugal, o ambiente político também influencia o ritmo das licitações. “É natural você conseguir fazer menos leilões no ano eleitoral. O governo fica muito mais sensível a esse tipo de pressão”, afirmou Portugal.

Apesar dos adiamentos acumulados neste ano, levantamento conjunto dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos aponta que a atual gestão registrou 50 leilões realizados entre 2023 e 2025 em rodovias, portos e aeroportos. 

O volume supera o número de leilões promovidos durante os mandatos dos ex-presidentes Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.
 

Educação

IFMS: alunos de dois cursos podem se inscrever no programa Pé-de-Meia

Iniciativa contempla acadêmicos de Computação (Jardim) e Química (Coxim) que ingressaram via Sisu. Bolsas são de R$ 1.050 mensais

20/09/2026 18h50

Divulgação/IFMS

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Alunos matriculados nos cursos presenciais de Licenciatura em Computação, ofertado no Campus Jardim, e Licenciatura em Química, no Campus Coxim, podem se inscrever no programa Pé-de-Meia Licenciaturas, ação do Ministério da Educação (MEC) que integra o programa Mais Professores. 

Para ingressantes de 2026, as inscrições ficam abertas até o dia 19 de dezembro, enquanto houver disponibilidade de vagas, e devem ser realizadas diretamente pela Plataforma Freire.

A análise e aprovação das pré-inscrições são conduzidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) até o dia 20 de cada mês.

Benefício financeiro - O programa concede apoio financeiro no valor total de R$ 1.050 mensais durante toda a graduação:

  • R$ 700 mensais: disponíveis para saque direto do estudante;
  • R$ 350 mensais: depositados em conta-poupança. O valor acumulado poderá ser resgatado se o formando ingressar como docente em rede pública de ensino em até cinco anos após a formatura.

O pagamento das bolsas é efetuado até o quinto dia útil do mês subsequente ao cadastramento do bolsista no sistema da Capes.

Quem pode participar - Podem solicitar o benefício os acadêmicos que atendam cumulativamente às seguintes condições:

Estar regularmente matriculado em curso presencial de licenciatura do IFMS (Computação em Jardim ou Química em Coxim);
Ter ingressado no curso em 2026 por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu);
Ter alcançado nota igual ou superior a 650 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem);
Cumprir os critérios do Edital nº 2/2025 da Capes e as diretrizes do programa de ingresso.
O atendimento oficial do MEC e da Capes para esclarecimentos sobre o programa é feito pelo e-mail [email protected].

Com informações do Ministério da Educação 

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