A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul pretende criar, até o fim do ano, grupos especiais de combate ao tráfico de drogas em todos os pelotões da corporação. Inicialmente, o trabalho será feito na Capital e a ideia é que seja estendido para as maiores cidades do interior.
De acordo com o comandante geral da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto David dos Santos, os policiais destacados para o novo grupo antidrogas serão treinados e, até o fim do ano, os grupos começarão a atuar na Capital. “Já conversei com o Estado Maior da PM, já conversei com o secretário Jacini, a gente vai trabalhar no sentido de montar um grupo de policiais militares, em cada área de batalhão, só para cuidar desses casos, para combater de forma incessante e diária o trabalho dos pequenos traficantes que vendem drogas para jovens e crianças, os levando para o vício”.
As equipes trabalharão junto com o serviço de inteligência da PM, que já atua no estudo de locais onde o tráfico está presente. “Hoje, nós temos operações sendo feitas na faixa de fronteira. Mas a gente nota que, por mais que se faça esse trabalho, uma parte da droga acaba sendo levada para os grandes centros do Brasil e outra parte acaba ficando aqui em Campo Grande. Além dessa repressão na área de fronteira, a gente tem que aumentar a repressão na área urbana também”, defendeu o comandante da PM.
A Polícia Militar deve incorporar a esses grupos alguns dos novos policiais ainda em formação.
Problema
Para o comandante-geral da PM, o problema do tráfico de drogas vai além da prisão de traficantes. “É preciso que sejam criadas e implantadas clínicas de recuperação. Porque, essas pessoas, sendo levadas para a delegacia de polícia e sendo liberadas, elas, eu asseguro isso, vão voltar para o vício novamente”, disse o coronel, referindo-se à detenção de usuários que reunem-se para consumir drogas em áreas públicas.
Só este ano, o Correio do Estado já mostrou a realidade de locais em que o consumo de drogas é constante e a repressão não é suficiente. Na Rua 7 de Setembro, por exemplo, a reportagem flagrou a venda de crack e outros entorpecentes, sem nenhuma repressão. Depois da denúncia, a polícia organizou operações nos arredores da via, porém, meses depois, a situação voltou a incomodar moradores da região.
O mesmo acontece no Bairro Marcos Roberto, onde usuários reúnem-se nas calçadas para consumir drogas. Nem a presença de moradores e da polícia intimida os viciados, que, em plena luz do dia, preparam, acendem e fumam cigarros de maconha. Diante de tantos consumidores, com pequenos volumes da droga, não há o que ser feito. Dependentes e pessoas que portem pequenas quantidades de droga não podem ser presos. Por isso, alguns mais debochados chegam a cumprimentar os policiais que passam nas viaturas, de acordo com relatos indignados de vizinhos.
Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube


