A Polícia Militar Ambiental está com operação em curso para inibir a pesca predatória no rio Paraguai e em tributários por conta dos registros de decoada no Pantanal. Um dos locais onde houve registro de dezenas de peixes mortos, no Porto da Manga, no município de Corumbá, foi vistoriado por uma equipe nesta terça-feira (2). Essa região tem alto fluxo de veículos por ser via de acesso para dezenas de propriedades rurais.
As ações de combate à pesca predatória foram determinadas pelo Comando da PMA e há equipes de Miranda e Corumbá empenhadas na atividade de fiscalização. “Também foi determinado para que outras Subunidades localizadas na bacia do rio Paraguai mantenham monitorando dos cardumes onde surgirem pontos com o fenômeno, no sentido de prevenir a pesca predatória, tendo em vista que devido à diminuição do oxigênio, provocada pela decoada, os peixes que resistem ficam extremamente vulneráveis à captura”, detalhou a Polícia Militar Ambiental em nota.
A decoada é um fenômeno natural e pode ocorrer em períodos de uma semana a até um mês. De acordo com a PMA, a fiscalização em áreas com registro desse fenômeno vai ocorrer de forma intensificada. A presença de policiais militares ambientais no Porto da Manga permanece nesta quarta-feira (3) e ainda não tem prazo para ser finalizada.
“O Comando da PMA alerta que mesmo que o pescado esteja morrendo pelo fenômeno da decoada, as pessoas precisam respeitar as normas de pesca. Não podem utilizar petrechos proibidos ou capturar pescado fora das medidas permitidas; respeitar as cotas de captura para a pesca profissional e amadora, bem como os locais proibidos e espécimes que devam ser preservadas”, alertou as autoridades.
Quem for flagrado realizando a pesca predatória é preso e vai responder criminalmente, podendo ser condenado a cumprir de um a três anos de detenção, além de ter de pagar multa administrativa que varia de R$ 700,00 a R$ 100 mil, mais R$ 10,00 por kg de pescado. A fiscalização envolve também a apreensão de barco, motor, veículo, e tudo que for utilizado no crime.
As ações da PMA com relação à pesca predatória vêm ocorrendo desde a semana passada e em outros locais, além do Porto da Manga. No dia 24 de abril, uma equipe foi ao Porto Limoeiro, que fica em Corumbá, para averiguar pescadores. Havia uma dezena de pescadores no local e quando viram o barco da Polícia Militar Ambiental, boa parte conseguiu fugir. Os PMAs encontraram uma cachara fora de medida e dois dourados -que tem pesca proibida - escondidos em um matagal.
Já no domingo (30), a PMA e a Polícia Federal faziam fiscalização no rio Paraguai e um grupo de pescadores fugiu ao avistar as autoridades. Ninguém foi preso, mas houve a apreensão de seis barcos de aluminio, dois remos, um motor rabeta, além de petrechos.
O fenômeno da decoada é natural no Pantanal e movimenta a cadeia alimentar. Os peixes que morrem viram alimento para outros peixes, bem como para aves, répteis e mamíferos. “A preocupação da PMA reside no fato de que muitos peixes que sofrem decoada não morrem pois, conforme o rio segue a corrente, a água vai se auto-depurando e várias espécimes sobrevivem, por isso o monitoramento da fiscalização é fundamental e continuará sendo executado”, detalhou as autoridades, em nota.
Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube


