Cidades

OPERAÇÃO JANUS

PMs ligados ao narcotráfico são transferidos para presídio em Campo Grande

O 2º sargento Marcos Augusto Barbosa e os cabos Thiego Rodrigues Vianna e Hudson Luiz Garajo Ferreira são acusados de prestarem serviços de agiotagem e proteção a traficantes

Continue lendo...

Os policiais militares de Ribas do Rio Pardo presos na Operação Janus, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), foram transferidos para o Presídio Militar Estadual (PME), em Campo Grande. A transferência foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira 929). Eles são acusados de prestarem serviço a narcotraficantes e também atuarem na agiotagem. 

Três dos quatro presos na operação de ontem (28) tiveram seus nomes divulgados na publicação. São eles: o 2º sargento Marcos Augusto Barbosa e os cabos Thiego Rodrigues Vianna e Hudson Luiz Garajo Ferreira.

Na publicação, consta que a transferência foi "por inconveniência da permanência na OPM (Organização Policial Militar)". Eles pertenciam a 13ª Companhia Independente da PM (CIPM), de Ribas do Rio Pardo.

Operação

A Operação Janus, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), tem o objetivo de desmantelar crimes praticados por policiais militares em atuação perante a 13ª Companhia Independente da Polícia Militar, que atua na cidade que desde 2021 e recebeu milhares de novos moradores em decorrência da instalação da fábrica de celulose da Suzano, ativada em julho de 2024. 

Segundo o MPMS, a investigação começou nos primeiros meses de 2025, a partir de denúncias apresentadas à promotoria revelando que policiais militares, então lotados na referida cidade, associaram-se a traficantes locais para o fim de praticar o comércio ilícito de entorpecentes.

O trabalho investigativo, que se estendeu por 14 meses, demonstrou que os agentes públicos protegiam os criminosos com os quais firmavam parceria, permitindo que comercializassem drogas livremente e até chegavam a usar violência contra inimigos desses traficantes parceiros.

Além disso, forneciam drogas para que esses comparsas revendessem, com posterior repasse de lucros, sendo que algumas dessas substâncias eram desviadas de apreensões realizadas em flagrante, inclusive após informações repassadas pelos próprios “sócios” deste comércio ilegal. 

Também restou apurado que alguns dos policiais militares investigados atuavam na prática ilícita da agiotagem e na cobrança de dívidas entre terceiros, quando eram contratados para empregar ameaças contra os devedores, valendo-se, evidentemente, da condição de servidores da segurança pública.

A operação cumpriu 4  mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão domiciliar, nas cidades de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Todos os mandados foram cumpridos com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado.

O nome da operação faz referência ao deus romano de duas faces – Janus – e simboliza a inversão de papéis verificada na investigação, em que policiais ostentam a importante representação estatal pela frente, mas agem de forma criminosa nos bastidores.

OPERAÇÃO CONTENÇÃO

Polícia Civil carioca inclui MS em operação contra o CV

Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta que esquema ligado à facção movimentou R$ 453 milhões em quatro anos por meio de empresas de reciclagem e ferros-velhos

29/05/2026 08h45

Operação mira núcleo financeiro do Comando Vermelho e cumpre mandados em Mato Grosso do Sul e outros estados do país

Operação mira núcleo financeiro do Comando Vermelho e cumpre mandados em Mato Grosso do Sul e outros estados do país Divulgação

Continue Lendo...

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta sexta-feira (29), mais uma fase da Operação Contenção, que mira a estrutura financeira e a expansão territorial do Comando Vermelho (CV). Além do território fluminense, mandados judiciais também são cumpridos em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Maranhão. 

De acordo com o portal G1 do Rio de Janeiro, até a última atualização da operação, 17 mandados de prisão haviam sido cumpridos. Entre os alvos está Antônio Ilário Ferreira, conhecido como "Rabicó", apontado como um dos principais chefes da facção criminosa e considerado foragido da Justiça. Ele não foi localizado pelos agentes.

A esposa do traficante, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa durante as diligências. Outro investigado é Alex Sandro Ferreira de Araújo, chamado de "Tek", identificado pela polícia como responsável pela gestão financeira do grupo criminoso. Ele também não foi encontrado.

Segundo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-Cap), o esquema tinha base no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), e teria movimentado cerca de R$ 453 milhões em quatro anos. As investigações apontam que empresas de reciclagem e comércio de sucatas eram usadas para ocultar recursos obtidos com o tráfico de drogas. 

Ainda conforme a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, depósitos fracionados em dinheiro vivo e emissão de notas fiscais falsas para dar aparência legal às movimentações financeiras.

A Polícia Civil também identificou indícios de receptação qualificada e monitorou áreas utilizadas para a queima clandestina de cabos de cobre, além de estabelecimentos ligados aos investigados. 

As apurações foram realizadas com base em relatórios de inteligência financeira, análises bancárias, quebra de sigilos fiscal, telefônico e telemático, além do cruzamento de dados patrimoniais.

A Operação Contenção mobiliza equipes de diferentes unidades especializadas da Polícia Civil do Rio de Janeiro e conta com apoio da Polícia Militar. O objetivo, segundo a corporação, é enfraquecer financeiramente o Comando Vermelho e desarticular a estrutura econômica que sustenta o tráfico de drogas.

Assine o Correio do Estado

Fluxo Oculto

Máfia dos combustíveis ligada ao PCC mantém tentáculos em MS

Ministério Público de São Paulo e Receita Federal deflagraram ontem segunda fase da Operação Carbono Oculto em 5 estados

29/05/2026 08h00

Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva

Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva Reprodução

Continue Lendo...

Empresas localizadas em Iguatemi voltaram a ser alvo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Receita Federal, desta vez, na Operação Fluxo Oculto, um desdobramento da Operação Carbono Oculto. Mais uma vez, o município de Iguatemi, onde a máfia que tem como chefões Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, foi alvo dos mandados de busca e apreensão.

Nesta segunda fase da Operação Carbono Oculto, que teve a primeira fase deflagrada em agosto do ano passado, foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de Mato Grosso do Sul.

Conforme o MPSP, o objetivo da nova operação foi “avançar no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes. Os focos principais nessa operação são mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta [solvente]”.

Em Mato Grosso do Sul o esquema teria voltado a endereços em Iguatemi. Na primeira fase foram alvos de busca e apreensões as empresas Alpes Distribuidora de Combustíveis, Start Petróleo S.A., Maximus

Distribuidora de Combustíveis Ltda., Império Comércio de Petróleo S.A., Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda., Safra Distribuidora de Petróleo S.A. e Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda.

As sete empresas possuem o mesmo endereço: Rodovia das Balsinhas, zona rural de Iguatemi. As semelhanças não estariam apenas no local da sede, mais também no proprietário, segundo investigação do Gaeco de São Paulo, todas faziam parte do “Grupo Mohamad”.

“Há fortes laços entre o grupo de Mohamad e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital [PCC], que se beneficiam do ecossistema de lavagem de capitais facilitado pela atuação nas usinas e no setor de combustíveis”, diz trecho da representação do MPSP no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Segundo o Gaeco, após a primeira fase da operação, a investigação descobriu que mais seis fintechs atuavam como “bancos paralelos” da organização criminosa. 

“Elas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”, descreve o MPSP.

Além das fintechs, a investigação também apurou que, apesar da operação de 2025, houve aumento do volume de desvio de solventes petroquímicos e abertura de novas empresas de fachada para a lavagem de dinheiro.

NÚCLEOS

Conforme a investigação, foi identificado que a organização criminosa tinha vários núcleos, o de lavagem de dinheiro, que envolvia fintechs da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e também o núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustível.

A investigação identificou “robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma”, segundo nota do Gaeco de São Paulo.

“Neste núcleo, a investigação conjunta do Gaeco [de São Paulo] e da Receita Federal identificou que são utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização”, explica o MPSP.

“Os recursos financeiros obtidos com o esquema eram então remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvos da operação, juntamente com duas administradoras de recursos e duas gestoras”, completa a nota.

Para que esse esquema funcione, criminosos criavam diversas empresas em vários estados do País e utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas, para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, que na prática eram desviados para a Grande São Paulo.

Ainda de acordo com o MPSP, os quatro fundos investigados no esquema de desvio de solvente possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. “Em pouco mais de um ano, houve incremento patrimonial superior a 200% nesse montante”, diz o Gaeco de SP.

FINTECHS

Em coletiva realizada em São Paulo, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, afirmou que apenas uma das fintechs investigadas movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo do esquema ligado ao PCC.

Segundo reportagem do G1, os relatórios de inteligência financeira apontaram que, ao todo, houve movimentação atípica e suspeita de quase R$ 26 bilhões do grupo criminoso.

* Saiba 

No ano passado, além de endereços em Iguatemi, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Copape Produtos de Petróleo Ltda., Control Participações Ltda. e Gasp Participações e Investimentos S.A., em Campo Grande.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).