Ministério Público de São Paulo e Receita Federal deflagraram ontem segunda fase da Operação Carbono Oculto em 5 estados
Empresas localizadas em Iguatemi voltaram a ser alvo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Receita Federal, desta vez, na Operação Fluxo Oculto, um desdobramento da Operação Carbono Oculto. Mais uma vez, o município de Iguatemi, onde a máfia que tem como chefões Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, foi alvo dos mandados de busca e apreensão.
Nesta segunda fase da Operação Carbono Oculto, que teve a primeira fase deflagrada em agosto do ano passado, foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de Mato Grosso do Sul.
Conforme o MPSP, o objetivo da nova operação foi “avançar no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes. Os focos principais nessa operação são mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta [solvente]”.
Em Mato Grosso do Sul o esquema teria voltado a endereços em Iguatemi. Na primeira fase foram alvos de busca e apreensões as empresas Alpes Distribuidora de Combustíveis, Start Petróleo S.A., Maximus
Distribuidora de Combustíveis Ltda., Império Comércio de Petróleo S.A., Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda., Safra Distribuidora de Petróleo S.A. e Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda.
As sete empresas possuem o mesmo endereço: Rodovia das Balsinhas, zona rural de Iguatemi. As semelhanças não estariam apenas no local da sede, mais também no proprietário, segundo investigação do Gaeco de São Paulo, todas faziam parte do “Grupo Mohamad”.
“Há fortes laços entre o grupo de Mohamad e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital [PCC], que se beneficiam do ecossistema de lavagem de capitais facilitado pela atuação nas usinas e no setor de combustíveis”, diz trecho da representação do MPSP no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Segundo o Gaeco, após a primeira fase da operação, a investigação descobriu que mais seis fintechs atuavam como “bancos paralelos” da organização criminosa.
“Elas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”, descreve o MPSP.
Além das fintechs, a investigação também apurou que, apesar da operação de 2025, houve aumento do volume de desvio de solventes petroquímicos e abertura de novas empresas de fachada para a lavagem de dinheiro.
NÚCLEOS
Conforme a investigação, foi identificado que a organização criminosa tinha vários núcleos, o de lavagem de dinheiro, que envolvia fintechs da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e também o núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustível.
A investigação identificou “robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma”, segundo nota do Gaeco de São Paulo.
“Neste núcleo, a investigação conjunta do Gaeco [de São Paulo] e da Receita Federal identificou que são utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização”, explica o MPSP.
“Os recursos financeiros obtidos com o esquema eram então remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvos da operação, juntamente com duas administradoras de recursos e duas gestoras”, completa a nota.
Para que esse esquema funcione, criminosos criavam diversas empresas em vários estados do País e utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas, para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, que na prática eram desviados para a Grande São Paulo.
Ainda de acordo com o MPSP, os quatro fundos investigados no esquema de desvio de solvente possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. “Em pouco mais de um ano, houve incremento patrimonial superior a 200% nesse montante”, diz o Gaeco de SP.
FINTECHS
Em coletiva realizada em São Paulo, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, afirmou que apenas uma das fintechs investigadas movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo do esquema ligado ao PCC.
Segundo reportagem do G1, os relatórios de inteligência financeira apontaram que, ao todo, houve movimentação atípica e suspeita de quase R$ 26 bilhões do grupo criminoso.
* Saiba
No ano passado, além de endereços em Iguatemi, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Copape Produtos de Petróleo Ltda., Control Participações Ltda. e Gasp Participações e Investimentos S.A., em Campo Grande.
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