A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS), concluiu, nesta sexta-feira (28), a identificação das sete vítimas do grave acidente ocorrido na MS-295, entre Iguatem e Japorã, no último dia 14 de agosto. As três identificações que ainda aguardavam confirmação foram obtidas por meio de exames de DNA realizados em Campo Grande.
Os exames confirmaram as identidade de Laudiceia Benites, de 30 anos, Cleonice Honorio dos Santos, de 42, e Genilson Euzebio Karay Mirim, de 32. As análises foram realizadas por peritos criminais do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), a partir da comparação do material genético das vítimas com amostras fornecidas por familiares.
Como parte dos familiares reside em São Paulo, algumas das amostras de referência foram coletadas naquele estado, com apoio da Polícia Científica paulista.
As outras quatro vítimas já haviam sido identificadas anteriormente por peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação (II), por meio de necropapiloscopia. Foram identificados Luna Benites Santos, de 7 anos; Tiago Honorio dos Santos, de 34; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14; e Ileo Benites, de 30.
Com os resultados dos exames de DNA, a Polícia Científica considera encerrada a etapa pericial destinada à identificação das sete vítimas. Os demais procedimentos necessários para a liberação dos corpos aos familiares seguem em andamento.
Todos os mortos eram indígenas Guarani e moradores da aldeia Kalipety, localizada na Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros, na cidade de São Paulo. Entre as vítimas estavam integrantes de uma mesma família.
Tiago Honorio dos Santos, conhecido como Tiago Karai, viajava com a esposa, Laudiceia Benites, os filhos Luna Benites Santos e Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos e a irmã Cleonice Honorio dos Santos. Ileo Benites e Genilson Euzebio Karay Mirim também estavam no veículo.
Dinâmica do acidente
O acidente ocorreu entre 20h e 20h30, de sexta-feira (14), conforme registro policial. O caso envolveu um carro Chevrolet Spin, enquanto o outro veículo era uma combinação de caminhão e semirreboque, que transportava uma carga de milho.
De acordo com a Polícia Civil, o semirreboque teria se desprendido do conjunto ao qual estava acoplado e atingido violentamente a Spin.
Ao ver a tragédia, o motorista abandonou o local utilizando a parte dianteira do veículo, seguindo em direção ao município de Japorã, sem prestar socorro às vítimas ou fornecer esclarecimentos sobre o ocorrido.
De acordo com informações apuradas pelos bombeiros, o carro de passeio havia acabado de sair da aldeia indígena Porto Lindo e estava a caminho de Iguatemi. A tragédia aconteceu a cerca de 60 metros da ponte sobre o Rio Iguatemi e por conta da gravidade do caso, a rodovia ficou interditada entre 19h de sexta-feira (14) e 5h da manhã do sábado (15).
A carreta seguia no sentido contrário, em uma descida, e de acordo com a suspeita dos peritos que estavam no local, possivelmente a caçamba basculante se ergueu com o veículo em movimento no meio da rodovia sem o motorista perceber. Por conta disso, perdeu a estabilidade em meio à alta velocidade e tombou no meio da pista.
O motorista da Spin não conseguiu parar e em alta velocidade bateu contra esta caçamba, que é toda de ferro. Imediatamente o carro pegou fogo e os peritos não conseguiram identificar se as pessoas morreram em decorrência da colisão ou por conta do fogo. Dependendo do modelo, a Spin tem capacidade legal para o transporte de sete pessoas.
A suspeita de que a tragédia tenha sido provocada por uma falha mecânica no sistema hidráulico da caçamba basculante surgiu porque o pino deste hidráulico estava completamente estendido, o que só ocorre quando o motor do caminhão está em funcionamento e quando a caçamba está atrelada ao chamado cavalo, explicou um dos bombeiros que passou a noite no local da tragédia.
E, como o cavalo e a caçamba se desconectaram no momento em que a parte traseira tombou, os peritos acreditam que este pino tenha erguido a caçamba com o veículo em movimento.
Pelo fato de o acidente ter ocorrido próximo a uma ponte, o tráfego ficou completamente interditado durante cerca de dez horas. Porém, por ser rodovia com pouco movimento, a fila de veículos não chegou a dois quilômetros ao longo da noite e começo da madrugada.


