Cidades

"NINHOS DE COBRAS"

MS fecha mais uma distribuídora de combustíveis instalada em 'barriga de aluguel'

Antiga destilaria no km 18 da Estrada da Balsinha é "incubadora do crime", lar de empresas investigadas por fraude fiscal e lavagem de dinheiro do PCC, além das maiores devedoras do Fisco federal em Mato Grosso do Sul

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Conforme publicado pelo Governo do Mato Grosso do Sul, na edição desta sexta-feira (21) de seu Diário Oficial Eletrônico (DOE), mais uma empresa que está instalada em "barriga de aluguel" em antiga destilaria no interior que serve de "incubadora do crime" teve sua inscrição estadual cancelada. 

Ainda no último dia 10 deste mês, a Secretaria de Estado de Fazenda conseguiu cancelar inscrição de uma empresa que tem como endereço uma espécie de "ninho de cobras", como bem acompanha o Correio do Estado, da mesma forma que acontece através da publicação de hoje (21). 

Enquanto a decisão publicada há cerca de 11 dias era referente à distribuidora Velox, a publicação de hoje assinada pelo superintendente de Administração Tributária, Bruno Gouvêa Bastos, cancela a inscrição estadual da Integração Combustíveis Ltda. 

Acontece que, pelo menos no papel, como mostram bancos cadastrais de empresas nacionais, ambas as empresas - bem como outras acusadas inclusive de sonegação de impostos - funcionam no quilômetro 18 da conhecida Estrada da Balsinha, trecho que liga o município de Naviraí a Iguatemi. 

Em balanço recentemente abordado pelo Correio do Estado, nota-se que esse espaço tornou-se uma espécie de "coworking" de distribuidoras "noteiras" de combustíveis, estrutura essa criada há quase três décadas para abrigar a Destilaria Centro-Oeste Iguatemi. 

O endereço serve de localização sede de uma série de empresas que têm ligação com ilícitos tributários e elos com o crime organizado. Alvo de operações como a "Carbono Oculto", o local é ainda sede de dois nomes considerados os maiores devedores do Fisco federal no Mato Grosso do Sul. 

Na prática, porém, somente a Ecológica Distribuidora de Combustíveis existe no local e em agosto do ano passado chegou a ser interditada pela Agência Nacional do Petróleo por conta de uma série de irregularidades ambientais e contábeis.

Entenda

Segundo trabalho dos investigadores, no município de Iguatemi funciona uma espécie de base fantasma nacional da distribuição de combustíveis, espaço esse que serve de "barriga de aluguel", conforme termo empregado pela própria Agência Nacional do Petróleo (ANP), para uma série de empresas alvo em 28 de agosto de 2025. 

Cabe frisar que essa Operação Carbono Oculto é considerada por especialistas como a maior ação contra o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital, da história policial brasileira. 

Vale destacar que nem a Velox, a Ecológica ou a Integração apareciam entre as investigadas na Operação Carbono Oculto, mas a base seria de fato "barriga de aluguel" para as empresas, graças à declaração à própria ANP de que haveria o cumprimento dos requisitos necessários para obter-se uma autorização de distribuidora. Para isso seria necessário um espaço de armazenagem mínimo de 750 m³. 

Entretanto, armazenagem e movimentação de combustível estariam longe de serem observados na base, o que iria contra as normas da Agência. A fraude consistiria em utilizar a empresa registrada em Iguatemi como matriz, onde há um menor custo para adquirir propriedade em parte de uma base, para, na prática, comercializar combustível em São Paulo, por exemplo.

Como a distribuição de combustíveis é considerada de utilidade pública, sem o comércio de combustíveis na localidade essas empresas lesam a sociedade ao atuarem efetivamente em outras Unidades da Federação, como no caso da própria Integração, que possui 11 filiais totais, presente nos seguintes Estados: 

  • PR - Araucária/ Perobal 
  • SP - Guarulhos/ Paulínea 
  • MT - Várzea Grande 
  • MG - Uberlândia
  • GO - Rio Verde / Senador Canedo 
  • MA - São Luíz 
  • ES - Viana 
  • PA - Vitória do Xingu

Entre outros pontos, a operação evidenciou a expansão da atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e sua infiltração de forma sistemática na chamada "economia formal". As ramificações desses tentáculos da organização criminosa, como revelado na Carbono Oculto, chegam ao setor de combustíveis, mercado financeiro paulista e diretamente à Faria Lima. 

Como detalhado pelo Ministério Público e autoridades fiscais, esse esquema criminoso teria gerado aproximadamente R$10 bilhões em importações ilícitas de combustíveis; R$52 bilhões em vendas no varejo feitas em mais de mil postos, além de outros R$46 bilhões em transações feitas por fintechs clandestinas que, no intervalo de 2020 a 2024, serviam de banco paralelo. 

Dívidas

Entre as distribuidoras com sede no mesmo endereço estão duas que ocupam o topo do ranking dos maiores devedores de impostos. Juntas, a Alpes Comércio de Combustíveis e Vetor Comércio de Combustíveis, devem R$4,9 bilhões, conforme dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. 

A maior devedora do Fisco federal em Mato Grosso do Sul é a Alpes, R$2,93 bilhões. Ela foi alvo das duas operações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo: a Carbono Oculto e a Fluxo Oculto.

A organização criminosa investigada é liderada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo ou João, que atua como o epicentro de um esquema bilionário que abrange toda a cadeia produtiva de combustíveis, desde usinas sucroalcooleiras até redes de postos.

Ao lado dele está Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, identificado como o colíder do grupo, exercendo funções cruciais na gestão operacional de empresas centrais, como a formuladora Copape e a distribuidora Aster.

Juntos, eles comandam uma estrutura profissionalizada que utiliza fundos de investimento e centenas de empresas de fachada para ocultar a origem ilícita de recursos e realizar fraudes tributárias, apontam os investigadores.

A Alpes desempenha um papel fundamental nesse ecossistema, servindo como um dos principais canais para a distribuição de etanol produzido pelas usinas controladas pelo grupo, como a Itajobi e a Carolo.

A segunda maior devedora é a Vetor Comércio de Combustíveis, que deve R$2,04 bilhões ao Fisco federal. A empresa, cujo sócio-administrador que aparece em seu contrato social é Servio Tulio Fagotti Zaqueti, responde a vários processos de execução fiscal na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul e nos estados de São Paulo e do Paraná.

Significado

A expressão "ninho de cobras" significa, em sentido figurado, um lugar ou um grupo de pessoas onde reinam a falsidade, a maldade, a intriga e a traição. 

 

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ACIDENTE

Explosão deixa sete trabalhadores feridos em fábrica de ração em Campo Grande

Funcionários inalaram produto químico após acidente em compartimento da empresa

21/08/2026 12h15

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram mobilizadas após explosão envolvendo enxofre em fábrica na Avenida Gunter Hans, em Campo Grande

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram mobilizadas após explosão envolvendo enxofre em fábrica na Avenida Gunter Hans, em Campo Grande Marcelo Victor

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Uma explosão envolvendo enxofre deixou sete trabalhadores feridos em uma fábrica de suplementação animal localizada na Avenida Gunter Hans, saída para Sidrolância, em Campo Grande, na manhã desta sexta-feira (21). As vítimas inalaram o produto químico e precisaram de atendimento médico. Nenhuma delas está em estado grave.

A informação foi confirmada pela tenente Edilene Borges, do Corpo de Bombeiros. Segundo ela, a empresa utiliza produtos químicos no processo de produção e, no momento do acidente, trabalhadores manuseavam enxofre quando ocorreu a explosão. 

Após o incidente, houve princípio de incêndio, que foi controlado pelos próprios funcionários antes da chegada das equipes de emergência. No entanto, sete trabalhadores acabaram inalando o produto e apresentaram mal-estar. 

Das sete vítimas, uma foi levada ao hospital pela própria empresa, duas foram encaminhadas à Santa Casa de Campo Grande e outras quatro, para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Conforme os bombeiros, não há registro de vítima em estado grave.

A ocorrência mobilizou uma grande estrutura de atendimento. Segundo a tenente, quatro unidades de resgate do Corpo de Bombeiros foram deslocadas para a fábrica. Equipes do Samu também participaram do socorro. Ao todo, pelo menos sete viaturas de emergência estiveram no local. 

Depois do controle das chamas, os militares realizaram o trabalho de rescaldo no compartimento atingido. A medida é adotada para eliminar possíveis focos remanescentes e evitar que o incêndio volte a ocorrer.

A área onde aconteceu a explosão também foi isolada enquanto as equipes faziam os procedimentos de segurança. Conforme o Corpo de Bombeiros, não há risco para a população que vive ou circula no entorno da empresa.

A causa da explosão ainda não foi identificada e deverá ser apurada.

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CAPITAL

Ex-aliado de Fernandinho Beira-Mar, 'Barão do Tráfico' morre em Campo Grande

Leonardo Dias Mendonça estava internado na Santa Casa desde o dia 17 de agosto

21/08/2026 12h00

Em 2002, Leonardo Dias foi condenado por tráfico de drogas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro

Em 2002, Leonardo Dias foi condenado por tráfico de drogas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro Reprodução

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Morreu na tarde de ontem (20), aos 63 anos, Leonardo Dias Mendonça, o “Barão do Tráfico”, um dos principais narcotraficantes do Brasil. Ele estava internado em estado grave na Santa Casa de Campo Grande desde a segunda-feira (17), quando passou mal na Penitenciária Federal.

O Barão do Tráfico era apontado como um dos principais chefes do tráfico internacional de drogas na América Latina, no início dos anos 2000 e era procurado por autoridades de quatro países. Segundo a Polícia Federal, o modus operandi de Leonardo era através da compra de terras e gado para lavar dinheiro do crime.

A defesa e a família aguardam as providências das autoridades para a liberação e o traslado do corpo de Leonardo. Ele deve ser levado para Goiás, onde reside sua família.

Histórico criminal

Leonardo possuía condenações em crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica e lavagem ou ocultação de bens.

Em 2002, o criminoso era considerado um dos maiores chefes do tráfico na América Latina, com projeção que chegou a superar a de seu ex-aliado Fernandinho Beira-Mar, líder do Comando Vermelho. Brasil, Estados Unidos, Holanda e Colômbia chegaram a cassá-lo na época.

Investigações da Polícia Federal revelaram que seu dinheiro era utilizado na compra de terras e gado para lavar dinheiro, além de exercer influência sobre políticos e magistrados.

Mesmo preso, ele comandou uma organização criminosa de tráfico internacional composta por 35 pessoas. Uma operação do Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) junto com Polícia Federal desmantelou a organização criminosa.

Em 2018, após receber uma tornozeleira eletrônica, Leonardo Dias iniciou o cumprimento da pena em regime semiaberto, em Aparecida de Goiânia.

Em 2019, Leonardo voltou a ser preso em Goiás por envolvimento no transporte de cocaína. Na operação, a Polícia Federal prendeu 24 pessoas e apreendeu um avião usado pela organização para transportar drogas.

Sua transferência para a Penitenciária Federal de Campo Grande ocorreu em novembro de 2023.

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