Cidades

"O PODEROSO CHEFÃO"

Polícia Federal fecha o cerco contra grupo de "Don Corleone" da fronteira

Líder de organização criminosa paramilitar que fazia a segurança de traficantes autointitulava-se Dom e atuava em Ponta Porã

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Uma quadrilha com alto poder de organização internacional e com experiência paramilitar em zonas de conflito era responsável por fazer a segurança de traficantes e de carregamentos de drogas em Ponta Porã e em território paraguaio. O chefe da organização autointitulava-se Dom, em referência ao personagem famoso ligado à máfia italiana Don Corleone, de “O Poderoso Chefão”. 

Ele também foi alvo de mandado de prisão, cumprido pela Polícia Federal com apoio de autoridades do país vizinho.

Em Mato Grosso do Sul, havia várias ramificações do grupo paramilitar com base em Ponta Porã, no território brasileiro. 

Durante cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisão, a Polícia Federal encontrou arsenal de guerra com investigados. Foto: Divulgação/PF

“A organização criminosa tinha viés de atuação paramilitar, composta de brasileiros e estrangeiros, e promovia a segurança de pessoas e cargas do tráfico”, apontou em nota a Polícia Federal.

A investigação sobre o caso começou há cerca de sete meses. A Polícia Federal identificou que a organização criminosa procurava instalar-se na fronteira com o Paraguai.

Para isso, uma casa foi alugada no bairro Santa Izabel, que fica a cerca de 1 km da fronteira com o Paraguai. O local é bem arborizado, com casas novas, algumas de alto padrão. Um aluguel no bairro chega a custar R$ 2,5 mil mensais.

O imóvel alugado, conforme investigação, que fica desocupado boa parte do tempo, era usado como base temporária enquanto integrantes da quadrilha realizavam levantamentos na fronteira.

O primeiro envolvido preso pela PF foi capturado nesse bairro, depois que investigadores identificaram ligação do homem com o tráfico de drogas.

Com o avanço da apuração, após esse preso, descobriu-se que além do tráfico de drogas a quadrilha pretendia ampliar negócios ligados ao crime na região de fronteira.

A atual operação foi realizada com o intuito de evitar que células da quadrilha conseguissem ficar instaladas em Ponta Porã e criar ramificações maiores.

Conforme apurado, a quadrilha não está ligada diretamente a organizações criminosas com atuação nacional.

Até granadas foram encontradas com a organização paramilitar. Foto: Divulgação/PF

INVESTIGAÇÃO

Durante a Operação Magnus Dominus, a Justiça Federal expediu 11 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão contra nove brasileiros, um italiano, um romeno e um grego.

De acordo com a Polícia Federal, a complexa operação policial ocorreu simultaneamente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, além de Mato Grosso do Sul.

A operação contou com mais de 100 policiais federais, das diversas delegacias envolvidas e ainda do Comando de Operações Táticas e da Coordenação de Aviação Operacional da Polícia Federal.

Segundo a investigação, alguns integrantes desse grupo paramilitar são “de elevada expertise tática/operacional, com cursos nacionais e internacionais na área de segurança militar privada e atuação em guerras, além de se guranças militares privados de embarcações contra piratas da Somália, recrutados justamente pela sua experiência nesse tipo de serviço”.

Durante as investigações, constatou-se que a organização criminosa detém grande poder bélico, com equipamentos de última geração, como coletes balísticos, drones, óculos de visão noturna, granadas e armamento de grosso calibre, a exemplo de fuzis .556, 762 e .50, este capaz de perfurar blindagens e abater aeronaves.

“Para viabilizar o cumprimento simultâneo de medidas no Paraguai, foi implementada intensa cooperação policial direta com as autoridades paraguaias, contando também com a participação do Ministério Público Federal [MPF]”, explicou a PF em nota.

O nome da operação, Magnus Dominus, significa “o todo-poderoso” em latim e faz alusão ao líder do grupo criminoso que se autointitulava Dom, em referência a Don Corleone, do filme “O Poderoso Chefão”, que se passa nos anos 1970.

SAIBA

“O Poderoso Chefão”

O primeiro filme da trilogia “O Poderoso Chefão” é de 1972 e retrata uma família da máfia italiana nos Estados Unidos tentando estabelecer sua supremacia no país após o fim da Segunda Guerra Mundial. Vito Corleone, o Don Corleone, é o chefe do grupo e foi vivido por Marlon Brando. Após sofrer um atentado, quem assume os “negócios” da família é o filho, Michael Corleone, vivido por Al Pacino. A obra teve outras duas sequências. 

*Colaborou Daiany Albuquerque

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fenômeno

Eclipse parcial da Lua será visto em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira

Ponto máximo será às 00h31, no horário local, já na madrugada da sexta-feira, e poderá ser observado a olho nu

26/08/2026 18h00

Eclipse será visto a olho nu

Eclipse será visto a olho nu Foto: Álvaro Rezende / Arquivo / Correio do Estado

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Um eclipse parcial da Lua poderá ser visto na noite desta quinta-feira (27) e madrugada de sexta-feira (28) em Mato Grosso do Sul e todo o território brasileiro, a olho nu.

O fenômeno deve começar por volta das 22h30, no horário local, com o ponto máximo duas horas depois, às 00h30.

A astrônoma do Observatório Nacional, Josina Oliveira do Nascimento, disse que é necessário ter paciência para observar o eclipse, pois ao entrar na penumbra, que é a sombra mais clara, não é possível notar qualquer diferença no brilho da Lua.

Por volta do horário previstom de 22h30, é quando a lua começa a entrar na umbra e será possível perceber a diferença.

Ela acrescentou que o estudo dos horários em que os eventos ocorrem se baseia unicamente nas posições do Sol, da Terra e da Lua.

“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou à Agência Brasil.

Segundo a astrônoma, durante o eclipse, primeiro se vê um pontinho preto, que vai evoluindo até a parte preta ficar em formato de uma “mordidinha”, o que significa que a Lua está entrando cada vez mais na umbra, que é a sombra escura. 

“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”.

Ao contrário do eclipse solar, que para observar é preciso usar filtros, equipamentos especiais ou óculos próprios, o eclipse parcial da Lua poderá ser visto a olho nu, e de qualquer lugar. 

“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.

De acordo com o Observatório Nacional, o eclipse desta quinta-feira “pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes”.

A astrônoma explicou ainda que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol. 

“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra. A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”, disse à Agência Brasil.

Transmissão

O eclipse parcial poderá ser acompanhado também pela live que o Observatório Nacional vai fazer no seu canal do YouTube a partir das 23h pelo horário de Brasília, em uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota.

Segundo o Observatório, como ocorreu no eclipse solar no começo do mês, todos os veículos de comunicação poderão retransmitir gratuitamente a cobertura, mas precisam avisar antes pelo e-mail [email protected].

* Com Agência Brasil

Descumpriu normas

Após morte em MS, AGU pede indenização de R$ 500 milhões ao Discord

Menina de 13 anos teve a morte transmitida ao vivo na plataforma em Naviraí, incentivada por grupo extremista que agia online

26/08/2026 17h30

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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Após a morte da adolescente Lívia, de 13 anos, em Naviraí, no dia 22 de julho, que foi incentivada e obrigada a tirar a própria vida com transmissão ao vivo no Discord, a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal contra a plataforma, pedindo indenização de R$ 500 milhões por descumprimento de normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Marco Civil da Internet.

Além da multa, também é requerida a aplicação de medidas cautelares para forçar a empresa a se adequar às leis do Brasil.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (26) pelo ministro da Pasta, Jorge Messias, em entrevista coletiva.

A rede social já estava impedida de realizar transmissões ao vivo no País há duas semanas, após a morte da sul-mato-grossense.

O ato de sanção partiu da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que investiga o caso.

O ministro afirmou que a ausência da rede de proteção tem levado a situações de ordem criminal envolvendo crianças, adolescentes, mulheres e animais.

“Nós não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais sejam criadas em um ambiente virtual brasileiro. E esta ação representa que a tolerância do Estado brasileiro é zero para esse tipo de prática. Todas as empresas que queiram participar do ambiente digital brasileiro são bem-vindas, mas devem cumprir integralmente a legislação brasileira.”

Na ação, a AGU requer que a Justiça obrigue o Discord a aprimorar os instrumentos de supervisão e controle parental, de controle de idade dos usuários, de detecção e remoção de conteúdos nocivos e de comunicação às autoridades.

Em caso de descumprimento, é solicitada aplicação de multa de R$ 500 mil por dia.

Segundo Messias, a ação civil pública foi protocolada devido ao fracasso das negociações junto à empresa.

“Tentamos, por duas semanas, construir um termo de ajustamento de conduta. A empresa, no primeiro momento, demonstrou o interesse de assumir compromissos significativos com o Estado brasileiro, mas, infelizmente, recusou a assinatura do termo no último momento. Portanto, não nos restou outra saída que não a apresentação, o ingresso de uma ação civil pública.”

Caso Lívia

Encontrada morta na manhã de 22 de julho, em Naviraí,  Lívia foi incitada a automutilação e suicídio por grupos extremistas.

No dia 4 de agosto, a Operação Livia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em conjunto com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP).

A polícia descobriu que adolescentes e um jovem de 18 anos faziam parte de grupo que utilizava diferentes plataformas para localizar as vítimas, conquistar sua confiança e exercer controle sobre elas. 

Entre as práticas identificadas estão desafios cada vez mais violentos, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras formas de violência psicológica, que em casos extremos culminavam na indução ao suicídio.

“Nós podemos falar que existem escravos virtuais. Isso acontece principalmente com as meninas. Então, dentro dessa organização criminosa, eles têm aquelas pessoas que vão captando vítimas, fazem uma engenharia social. Os adolescentes, eles deixam, muitas vezes, suas redes sociais abertas, então, eles começam a procurar pela família, onde estudam e, diante de todas aquelas informações, se passam por outra pessoa”, explicou a delegada Anne Karine Sanches Trevizan Duarte.

No dia da morte de Lívia, o grupo teria ficado cerca de duas horas pressionando a jovem até que ela decidisse cometer o suicídio, que teria sido um “castigo” por não ter cumprido uma tarefa passada pelos administradores do que eles chamavam de “panela”.

A jovem teria que fazer o que eles chamam de “luz”, que seria matar o próprio gato. Com a recusa dela de machucar o animal, os administradores e também expectadores, segundo a delegada, teriam pressionado a jovem a cometer suicídio.

“É como se eles estivessem jogando um videogame, tem que passar de fase. Então, assim, é uma frieza muito grande, é uma violência muito grande, é desconsiderar a vida humana de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado. Várias pessoas assistindo e incentivando que praticassem a automutilação, em outros casos, a morte mesmo em si”, contou a delegada.

Anne Trevisan ainda afirmou que outros suicídios também são investigados por ligação com esses grupos, mas não quis detalhar o estado onde eles teriam acontecido.

Ainda conforme a delegada, o adolescente infrator de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi quem determinou “todas as coordenadas” que a adolescentes que morreu em Naviraí devia seguir para se suicidar.

* Com Estadão Conteúdo

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