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Governo amplia número de armas de uso restrito para PM, mas reduz munições

Poderão ser adquiridos até 600 cartuchos por arma registrada, com um limite máximo de 3.600 cartuchos por ano

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O Exército emitiu uma portaria que autoriza membros da Polícia Militar e dos Bombeiros a adquirir até cinco armas de uso restrito, incluindo fuzis, para uso pessoal em todo o país.

Assim, a quantidade de armas de uso restrito disponíveis para aquisição por membros das forças de segurança foi elevada de duas para seis unidades.

A arma de uso restrito é autorizada exclusivamente para uso das Forças Armadas, instituições de segurança pública e pessoas físicas e jurídicas devidamente autorizadas pelo Exército, como os CACs (colecionadores, atiradores e caçadores).

A portaria, divulgada no Diário Oficial da União na terça-feira (23), apresenta novas diretrizes para aquisição, registro, cadastro e transferência de armas de fogo sob jurisdição do Exército. A nova regulamentação entrará em vigor a partir de 1° de fevereiro.

Apesar da ampliação do número de armas de uso restrito sob o governo Lula (PT), na comparação com a gestão Jair Bolsonaro (PL) houve uma redução no quantitativo total disponível (uso permitido e restrito) para aquisição no acervo pessoal. No governo Lula, o limite estabelecido é de seis armas, incluindo até cinco de uso restrito. Sob Bolsonaro, o total autorizado era de oito armas, sendo duas de uso restrito.

As alterações da nova regra não se limitaram apenas ao número de armas, mas também abrangeram as munições disponíveis para acervo pessoal de policiais militares e bombeiros.

Agora, eles têm permissão para adquirir até 600 cartuchos por cada arma registrada, com um limite máximo de 3.600 cartuchos por ano.

Além disso, o governo liberou a compra de insumos para recarga como uma alternativa à compra de munição, contanto que o somatório de munições adquiridas e recarregadas não exceda 600 unidades por ano, para cada arma.

O atual quantitativo é quatro vezes inferior em comparação com o permitido durante o governo Bolsonaro. Se um indivíduo tivesse as oito armas a que tinha direito, teria a possibilidade de adquirir até 15,6 mil munições por ano.

"Com a publicação dos novos regulamentos do Exército, a impressão que se tem é a de que, apesar de algumas adequações à nova diretriz do governo Lula, as portarias exclusivas do Comando Logístico [Exército] seguem sendo feitas sem estudos de impacto e dos ministérios com atribuições correlatas, como o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal -da mesma forma que ocorriam no Governo Bolsonaro", afirma Bruno Langeani, gerente de projetos do Instituto Sou da Paz.

"Ao olhar o detalhamento das armas de uso restrito liberadas fica a dúvida se o objetivo era defesa pessoal de policiais ou se fazer um agrado à indústria de armas."

A portaria é mais um gesto por parte do governo Lula em direção aos policiais militares, uma base política de Bolsonaro. No ano passado, o governo sinalizou apoio à aprovação do projeto que estabelece a Lei Orgânica da Polícia Militar, uma das principais demandas da bancada da bala.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, encaminhou um ofício ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmando que o projeto era uma prioridade para a pasta.

Aprovado em outubro, o texto abre espaço para a politização dos agentes e, potencialmente, esvazia os poderes das secretarias estaduais de segurança pública.

PRINCIPAIS MUDANÇAS EM ACERVO PESSOAL DE PMs E BOMBEIROS

ARMAS
Antes do governo Bolsonaro - Oito armas, sendo seis de uso permitido (duas em cada categoria) e duas de uso restrito
Governo Bolsonaro - Oito armas, sendo seis de uso permitido e duas de uso restrito
Governo Lula - Seis armas, sendo até cinco de uso restrito  

MUNIÇÕES
Antes do governo Bolsonaro  - 600 unidades por arma de fogo, podendo chegar a 4.800 munições ao ano
Governo Bolsonaro - 600 unidades para arma de uso restrito, 1.200 para arma de uso permitido e 2.400 para calibres de espingarda, podendo chegar a 15,6 mil munições ao ano
Governo Lula - 600 munições por arma, podendo adquirir até 3.600 cartuchos por ano. Além disso, o governo liberou a compra de insumos para recarga como uma alternativa à aquisição de munição, contanto que o somatório de munições obtidas e recarregadas não exceda 600 unidades por ano para cada arma

Parque do lageado

Menino de 17 anos assassinado a tiros é a 396ª vítima de homicídio em 2026

Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora

15/09/2026 09h00

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado Paulo Ribas

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Menino, de 17 anos, que não teve o nome divulgado, foi assassinado a tiros, na noite desta segunda-feira (14), em uma conveniência localizada na rua Anselmo Selingard, Parque do Lageado, em Campo Grande. Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora.

Conforme apurado pela reportagem, o menino estava no bar acompanhado de outras pessoas, quando um homem chegou de carro atirando e fugiu logo em seguida.

A princípio, horas antes, a vítima teria se envolvido em uma discussão com outras pessoas nas proximidades do local. Corpo de Bombeiros Militar foi acionado, mas ele faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica estiveram no local para realizar os procedimentos de praxe. O Batalhão de Choque (BPMChoque) também deu apoio a ocorrência. Em seguida, a funerária retirou o corpo.

Após o homicídio, houve intensa aglomeração de populares no local. Autoridades competentes vão apurar as causas do assassinato e as circunstâncias da ocorrência.

ESTATÍSTICA

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 396 pessoas foram mortas (homicídio doloso), entre 1º de janeiro e 15 de setembro de 2026, em Mato Grosso do Sul.

Desse número,

  • 354 são homens
  • 34 mulheres
  • 8 não tiveram o sexo divulgado
  • 135 são jovens
  • 203 são adultos
  • 28 são idosos
  • 18 são adolescentes
  • 6 são crianças
  • 6 não tiveram a idade divulgada
  • 108 ocorreram em Campo Grande
  • 288 ocorreram no interior do Estado

Os assassinatos ocorreram em janeiro (29), fevereiro (19), março (35), abril (23), maio (38), junho (37), julho (46), agosto (41) e setembro (20).

 

tragédia

Mulher que matou marido perdeu a irmã para o feminicídio há um mês

Nathaly afirma que agiu em legítima defesa pois "não queria ter o mesmo destino da irmã"

09/09/2026 10h15

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto Foto: Rio Verde News

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Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos - que matou o marido Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos - é irmã de Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, morta em 6 de agosto de 2026 pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos.

A mulher matou o esposo com uma facada no peito em um bar localizado em Rio Verde (MS), horas após ser agredida e registrar boletim de violência doméstica contra ele.

Ela afirmou que agiu em legítima defesa pois “não queria ter o mesmo destino da irmã”.

FEMINICÍDIO DA IRMÃ

Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi morta pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos, em 6 de agosto de 2026, na frente da casa em que moravam, localizada na rua Joaquim Voltinha, bairro Santa Inês, em Rio Verde (MS).

Ela deixa dois filhos. Nathália foi esfaqueada com quatro golpes na região das costas, próximo a nuca.

Conforme apurado pela reportagem, na noite do crime, ambos saíram e, quando retornaram para casa, começaram a discutir.

Em seguida, ele desferiu golpes de faca contra ela na calçada de casa e fugiu do local em uma motocicleta. Os dois filhos estavam dentro da residência, que fica nos fundos do terreno.

Jucimar ligou para um familiar dizendo que havia feito “uma cagada”, mas desligou o telefone logo em seguida. Minutos depois, familiares da vítima foram avisados sobre a morte.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados, mas, ela faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher vestígios do feminicídio, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente.

FEMINICÍDIO

De acordo com o Código Penal Brasileiro, o feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. 

O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que 26 mulheres foram mortas entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2026 em Mato Grosso do Sul. 

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

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