Polícia

Entrevista

Há ideia equivocada de que coisas estão piorando, diz presidente do conselho de segurança pública

Apesar da queda de Crimes Violentos Letais Intencionais, especialistas afirmam que os valores ainda são altos

Continue lendo...

Apesar das pesquisas indicando que a segurança pública figura entre as maiores preocupações dos brasileiros, o recém-eleito presidente do Consesp (Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública), Sandro Avelar, diz que existe na população uma ideia equivocada de que as coisas estão piorando na área.

Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, ele foi escolhido para liderar o grupo nesta sexta-feira (15), durante assembleia realizada em Florianópolis (SC), para um mandato de um ano.

Pesquisa Datafolha publicada em 7 de dezembro apontou a segurança como o segundo tema de maior preocupação dos brasileiros. Apesar da queda de Crimes Violentos Letais Intencionais (homicídio, lesão corporal seguida de morte, latrocínio) em 2023 em comparação com o ano anterior, especialistas afirmam que os valores ainda são altos.

"Muitas vezes fica a ideia de forma equivocada que as coisas estão piorando quando, na verdade, embora ainda exista um problema, a situação tem melhorado a cada ano", disse.

Pergunta - Qual o foco da sua gestão?

Sandro Avelar - A gente percebe que há temas que são de interesse de todos os estados, eventualmente você tem alguns estados com algumas particularidades. Por exemplo, o feminicídio é um tema que preocupa a todos porque os dados vem na contramão dos números de mortes violentas intencionais.São questões de âmbito nacional em que as soluções são transversais e não dependem somente da segurança pública, mas de transparência para que sociedade civil, imprensa ajudem também de alguma forma.

P. - Qual o principal problema que enxerga na segurança pública?

S. A. - Talvez seja justamente essa necessidade de participação de pessoas que atuam na segurança pública no dia a dia. É importante a integração por partes de todos os atores no âmbito municipal, estadual e federal da segurança pública, além de outras áreas para construir soluções em conjunto.

P. - O grupo pensa em trabalhar na discussão do combate ao crime organizado, violência de gênero?

S. A. - Sem dúvida. Não existe nenhum estado do país que não tenha preocupação com o crime organizado e com a violência de gênero. Então são duas pautas comuns e com certeza vão ser tratadas com prioridade.

P. - As pesquisas mostram que a população está preocupada com a segurança pública. O senhor enxerga que a segurança pública tem melhorado ou piorado?

S. A. - Os números mostram uma tendência de melhora. Os crimes violentos letais intencionais que envolvem homicídio, tentativa de homicídio, latrocínio têm caído no Brasil. Por outro lado, a gente tem crimes como o feminicídio que cresceram. Então, é preciso que haja um trabalho para que todos possam contribuir.

P. - O caso dos dois presos que fugiram do presídio federal de Mossoró pode ser visto como negativo para o país?

S. A. - A gente espera que eles sejam localizados e confio que isso acontecerá com os esforços do governo federal e dos próprios estados. Eu não digo que seja uma visibilidade ruim, mas é um dos problemas reais que a segurança pública tem de enfrentar. Isso demanda, inclusive, uma discussão sobre alguns benefícios que são concedidos a presos estaduais que se utilizam da legislação para fugir e cometer crimes, sendo legalmente autorizados a estarem nas ruas. Muitas vezes não se pode atribuir a segurança pública a responsabilidade de algo que está na legislação.

P. - Isso quer dizer que o senhor é contra a saída temporária?

S. A. - Sou a favor do debate, sou a favor de se discutir questões com essa gravidade, que muitas vezes impactam na segurança.

P. - Mas o senhor tem uma opinião se deveria ou não ser aprovado o projeto no Congresso?

S. A. - Tenho a minha opinião que isso tem que ser discutido com transparência, que a gente tem que encarar isso aí como sendo um dos grandes problemas em matéria de combate a criminalidade.

P. - Como as questões ideológicas têm afetado a segurança pública?

S. A. - Aqui [no colégio] nós não temos corpo partidário, os secretários de segurança têm uma origem técnica, são profissionais qualificados com experiência na segurança pública.

P. - Mas fora do conselho, as questões ideológicas têm afetado a segurança pública, como pauta de drogas, ampliação de pena para determinados crimes?

S. A. - Isso tem que ser discutido no âmbito do Congresso Nacional. Dando voz aos profissionais de segurança, o Congresso vai saber das nossas dificuldades, linha de pensamento para fazer uma legislação adequada a nossa realidade.

P. - A política de armas teve algum impacto na segurança pública?

S. A. - Os números estatísticos demonstram que tem havido uma queda do número de homicídios no país ao longo dos últimos anos.

P. - O que o senhor pensa da PEC [proposta de emenda à Constituição] antidrogas no Congresso e a possibilidade do porte de maconha para consumo próprio ser descriminalizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal)?

S. A. - É um assunto que a gente quer tratar, mas ainda não foi tratado no âmbito do colégio, é um assunto importante que deve ser tratado para que, no momento oportuno, eu possa falar em nome do colegiado. É um dos temas que merece um debate claro, um debate transparente.

P. - O senhor tem dito que os números têm mostrado uma melhora na segurança pública, mas a população não tem tido essa sensação de melhora. Como reverter isso?

S. A. - Com um trabalho forte, transparente. Nós temos bons números para apresentar, são números que demonstram que a criminalidade, de maneira geral, tem caído ao longo dos últimos anos.

P. - Por que a população não tem essa mesma sensação?

S. A. - Acho que a população muitas vezes tem esse sentimento de insegurança sobretudo porque tem os crimes contra o patrimônio, não aqueles contra a vida do cidadão. Isso repercute muito na sociedade. Então, por mais que tenha uma redução desses números, ainda há uma quantidade considerável de crimes dessa espécie. A gente acaba tendo essa situação amplificada pelas redes sociais, pelas imagens que antigamente não eram gravadas. Dessa forma, muitas vezes fica a ideia de forma equivocada que as coisas estão piorando quando, na verdade, embora ainda exista um problema, a situação tem melhorado a cada ano.

ARAL MOREIRA (MS)

Bebê de cinco meses é morto com foice e mãe fica ferida na fronteira

Autor do crime alegou que teria agido por vingança, pois o pai do bebê queimou sua motocicleta

30/08/2026 15h15

Fachada da Delegacia de Polícia Civil de Aral Moreira

Fachada da Delegacia de Polícia Civil de Aral Moreira DIVULGAÇÃO/PCMS

Continue Lendo...

Bebê de cinco meses, do sexo masculino, foi morto com golpes de foice, na madrugada deste domingo (30), em Aral Moreira, município localizado a 386 quilômetros de Campo Grande, na fronteira Mato Grosso do Sul (Brasil)/Paraguai.

A mãe da criança, Regina Ramires, também foi agredida e está internada no hospital.

O assassino é Rafael Romero Escobar, que pertence a mesma vizinhança. De acordo com populares, ele confessou o crime e alegou que teria agido por vingança, pelo fato do esposo de Regina e pai do bebê ter queimado sua motocicleta no sábado (29).

Conforme apurado pela reportagem, a Polícia Civil foi acionada pela Polícia Nacional do Paraguai para auxiliar em uma ocorrência de homicídio e tentativa de homicídio. Então, os policiais civis seguiram até o local, o qual estava preservado pelas autoridades paraguaias.

De acordo com o boletim de ocorrência, o autor, Rafael Romero, invadiu a casa onde estava Regina Ramires (mãe) e seus dois filhos, de 5 meses e de 5 anos e os atacou.

O filho de 5 anos conseguiu fugir da residência e pediu socorro a populares. Em seguida, a Polícia Paraguaia e o Corpo de Bombeiros Militar foram acionados.

Regina foi socorrida pelos bombeiros e encaminhada ao hospital. Não se sabe o estado de saúde dela. A foice, com resquícios de sangue, foi apreendida no local dos fatos.

Polícia Científica e Polícia Militar estiveram no local para realizar a perícia e isolar a área. O corpo da criança foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Ponta Porã.

O pai do bebê teve que reconhecer o corpo do filho no IMOL. O corpo da criança deve ser liberado nas próximas horas para velório e sepultamento.

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Aral Moreira como “homicídio qualificado por motivo fútil” e “homicídio qualificado por motivo fútil na forma tentada”.

Operação Little Bag

PF bloqueia R$ 7 milhões em bens contra organização criminosa em MS

Dinheiro em espécie e veículos foram apreendidos

27/08/2026 09h00

Dinheiro em espécie apreendido pela Polícia Federal

Dinheiro em espécie apreendido pela Polícia Federal DIVULGAÇÃO/PF

Continue Lendo...

Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (27), quatro mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, durante a Operação Little Bag, em Dourados e de Itaporã, municípios localizados a cerca de 230 quilômetros de Campo Grande.

Além dos mandados, também houve bloqueio e sequestro de bens no valor de R$ 7 milhões. Dinheiro em espécie (R$ 160.000,00) e veículos (Fiat Strada, Volkswagen Voyage e Iveco Daily) foram apreendidos. Quatro pessoas tiveram a prisão decretada, sendo que três foram presas e uma está foragida.

As medidas foram expedidas pela Justiça da Comarca de Dourados.

Conforme apurado pela reportagem, a operação está relacionada a apreensões de maconha que ocorreram em 2025.

A investigação apontou uma organização criminosa atuante em Mato Grosso do Sul, com participação em outros estados brasileiros, que é responsável pelo envio de drogas a regiões do País.

O objetivo é combater a produção, tráfico, comercialização, venda e envio de entorpecentes de Mato Grosso do Sul para outros estados do Brasil.

Dados divulgados pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que 38.992,959 quilos de maconha foram apreendidos, no ano de 2025, em Dourados. De 1° de janeiro a 27 de agosto de 2026, foram 69.761 quilos.

Não há dados sobre o município de Itaporã na plataforma da Sejusp.

O tráfico de drogas é um problema crescente no Brasil.

Comércio, transporte e armazenamento de cocaína, maconha, crack, LSD e haxixe são proibidos no território brasileiro, de acordo com a Lei nº 11.343/2006.

Mas, mesmo proibidos, ainda ocorrem em larga escala em Mato Grosso do Sul. O Estado é conhecido como um vasto corredor no Brasil, devido à sua extensa fronteira com outros países. Com isso, é uma das principais rotas utilizadas para a entrada de substâncias ilícitas no país. 

O tráfico resulta em diversos crimes direta e indiretamente, como furto, roubo, receptação e homicídios.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).