Polícia

GUERRA JUDICIAL

Juiz determina que PMs sejam investigados por prender 'sob tortura' servente de pedreiro por tráfico

Caso ocorreu em março deste ano; detido disse ter sido afogado, agredido e coagido a confessar ser dono de cocaína 

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Episódio ocorrido na tarde do dia 9 março passado, em Três Lagoas, cidade distante 326 de Campo Grande, em que um servente de pedreiro foi capturado por policiais militares à paisana, sem farda, por tráfico de cocaína, acarretou num alvoroço judicial. O detento acusa ter sido torturado por PMs para confessar o crime. Ele está preso há cinco meses e sua defesa tenta anular o flagrante.

O histórico envolveu o servente Hernani Ribeiro Marques que, logo depois contratou para defendê-lo a advogada Anna July Souza Santos, que contesta as circunstâncias da prisão do cliente. 

Na apelação, a defensora descreve o boletim de ocorrência que narra a prisão de Marques. 

Diz a advogada: 

“Conforme relato dos policiais envolvidos no flagrante, os PM’s lotados na força tática estavam realizando ronda ostensiva nas proximidades da Av. Ranulpho Marques leal, por volta das 18h00, quando avistaram o acusado que na oportunidade teria acelerado o carro em sinal de nervosismo”. 

Segue a defensora do servente de pedreiro: “neste momento os policiais deram ordem de parada nas proximidades da loja Havan o que foi prontamente atendido, logo que revistaram o veículo, localizaram um tablete pesando aproximadamente 1,036 kg de substância análoga a cocaína, no assoalho do banco do passageiro e que após entrevista com o acusado este apontou que havia mais drogas e petrechos em sua residência”. 

Seguiu a advogada: “neste momento, eles entraram em contato com outros dois policiais à paisana para ir até a residência do acusado para realizar a busca de drogas e outros petrechos. Nesta ocasião as drogas e petrechos foram localizados no interior da residência. Eis a versão da acusação policial”, segundo a defesa. 

Daí em diante, a defensora do detido conta uma história diferente, sustentada em relato do servente: 

“Já em relação ao depoimento do acusado Hernani, este diverge do depoimento dos policiais em diversos pontos e suscita algumas dúvidas que devem ser esclarecidas. Conforme termo de interrogatório do acusado, este narra a seguinte ordem de acontecimentos: o acusado estava dirigindo um veículo por voltas das 16h00, nas proximidades da Loja Havan, quando foi abordado por 02 (dois) policiais à paisana que estavam em um veículo preto, modelo CRUZE com a placa Uber no para-brisas”. 

Continua a defensora: “após a ordem de parada, o acusado encostou o veículo dentro do estacionamento da Loja Havan, sendo que na ocasião os policiais ao revistarem o veículo localizaram a substância análoga a cocaína no assoalho do veículo, após isso, os policiais chamaram a guarnição da força Tática, que ao comparecer ao local colocou o acusado no compartimento traseiro da viatura e foram até a Cascalheira, local ermo na cidade de Três Lagoas”. 

AQUI, A TORTURA 

A defesa do servente, relata depois, a versão do detento sobre a suposta tortura: 

“No local [Cascalheira] havia 03 (três) policiais militares fardados e 04 (quatro) policiais militares à paisana, sem farda, de modo que o acusado estava algemado e na oportunidade foi ameaçado, no qual foi afogado com um pedaço de pano e uma garrafa de água, sendo coagido a confessar quem era o dono da substância e se haviam mais objetos e drogas".

A defensora cita ainda no recurso, que: "o acusado diante das agressões confessou que a titularidade da droga pertencia a pessoa e Alessandro e que havia em sua residência mais entorpecentes e petrechos para traficância. Narra que ficou por pelo menos 01 (uma) hora em poder dos policiais e que somente após terem encontrado a droga em sua residência, os policiais da força tática saíram da Cascalheira e foram até a delegacia para apresentá-lo para o boletim de ocorrência”. 

Diante das distinções se comparadas as versões dos PMs e do detido, a defesa do servente recorreu à chamada produção antecipada da prova. 

E o que é isso?  

Pelo pedido da advogada Anna July, ela quer acessar às imagens e filmagens captadas pelas câmeras de segurança de nove estabelecimentos comerciais situados, segundo a apelação, no trajeto indicado pelo servente preso – do estacionamento da Havan, onde foi feita a abordagem policial, até a Cascalheira, local onde ocorreu, segundo Hernani Marques, a tortura e a movimentação dos carros oficiais e não oficiais dos PMs. 

Deseja a defensora, “a obtenção das gravações das câmeras de segurança”, que seriam imprescindíveis "para apuração de possível abuso policial e consequente nulidade do flagrante". 

Ou seja, por este contexto, conforme a apelação “a apuração dos supostos crimes militares teria como consequência a nulidade do flagrante”. 

O pedido do servente de pedreiro, primeiro, foi destinada à justiça comum, que não resolveu a questão por entender que: 

“O juízo [civil] é incompetente para a produção antecipada de provas pleiteada na inicial, pois esta visa a apuração de crimes militares que teriam sido praticados por policiais militares, de modo que a produção antecipada compete ao juízo da Vara da Justiça Militar Estadual”. 

JUSTIÇA MILITAR

Daí, a questão judicial saiu do fórum de Três Lagoas e seguiu para a Vara da Justiça Militar Estadual de Campo Grande, conforme definiu a juíza Aline Beatriz de Oliveira Lacerda. 

Depois deste despacho, a defesa apelou pelo pedido antecipação de prova à 24ª Promotoria de Justiça, chefiada pela promotora Tathiana Corrêa Pereira da Silva. No dia 17 de abril passado, já há um mês da captura do serviço, o pedido foi aceito. 

Contudo, a defensora manifesta-se, de novo, no dia 22 de maio, pouco mais de um mês depois de o MP concordar com a captura das imagens em nove locais – trajeto do detento, desde a abordagem até a conhecida Cascalheira. 

É que o MP, que havia deferido do pedido da defensora, encaminhou o caso ao juiz da Vara Militar de Campo Grande, Alexandre Antunes da Silva, que também concordou com a ideia, mas a determinação não seguiu adiante. 

A defesa comunicou o caso ao MP e reforçou o pedido de produção de prova e pediu que, por mandado de buscas e apreensão, as filmagens fossem liberadas a ela. 

Ocorre que o MP, agora por interpretação do promotor de Justiça Thalys Franklyn de Souza, optou por indeferir o pedido.  

Souza, contudo, no dia 1º de junho passado, por considerar “as graves alegações lançadas pelo requerente [servente] na petição inicial de que fora agredido por Policiais Militares, requer a este d. Juízo [Alexandre] que seja requisitada à Corregedoria-Geral da PMMS a imediata instauração de inquérito policial militar para apurar esses fatos”.  

E o caso retornou ao juiz da Vara Militar, Alexandre Antunes da Silva, que assim definiu: “diante da gravidade das alegações contidas na petição inicial, defiro o requerimento formulado pelo Ministério Público. Consequentemente, determino que a Corregedoria-Geral da PMMS adote as providências necessárias para imediata instauração de Inquérito Policial Militar para apurar os fatos lançados na petição inicial, instruindo-se a requisição com cópia integral destes autos”.

5 MESES

O episódio, que já supera cinco meses, segue agora para um desfecho. Quantos as imagens, a defesa já não consegue mais porque, dado o tempo, perdeu-se. A defensora do servente de pedreiro tentou ainda, via judicial, que os telefones celulares dos policiais implicados no caso, fossem apreendido, mas o pedido foi negado. O magistrado entendeu que a defesa pode obter êxito na apelação fora da esfera judicial e, sim "junto à Corregedoria da PMMS ou mesmo junto ao Comando do Batalhão de Três Lagoas".

Sustentou a defesa "que esse [celulares] é o único meio de prova capaz de elucidar de modo satisfatório a situação ocorrida, já que a prova requerida anteriormente pereceu em razão do decurso de tempo [filmagens, no caso].

 

 

 

 

Rio Verde

Mulher mata marido a facadas após ser agredida no interior de MS

Nathaly Nogueira, de 24 anos, alegou que agiu em legítima defesa

09/09/2026 08h45

Fachada e viatura da Delegacia de Polícia Civil de Rio Verde

Fachada e viatura da Delegacia de Polícia Civil de Rio Verde DIVULGAÇÃO/PCMS

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Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos, matou o marido Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos, na madrugada desta quarta-feira (9), em um bar localizado na rua Tiradentes, número 100, às margens da BR-163, em Rio Verde (MS), a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com boletim de ocorrência, ela sofria violência doméstica e ambos tinham desentendimentos frequentes.

Conforme apurado pela reportagem, horas antes do óbito, Nathaly teve uma discussão e foi agredida por Erismar, quando acionou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência (BO) de violência doméstica contra ele.

De acordo com o BO, os policiais a acompanharam até em casa e realizaram rondas para localizar Erismar, mas, ele já havia fugido e não conseguiram encontrá-lo.

Em seguida, a moça foi para o bar com duas amigas. Instantes depois, Erismar apareceu no local, iniciou uma nova discussão e partiu para cima dela.

Neste momento, a moça sacou uma faca que estava escondida em seu sutiã e, para se defender, desferiu golpes contra ele.

Após ser atingido, o rapaz caiu no asfalto sem sinais vitais. Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados por populares, mas, ele faleceu na hora, antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher vestígios do assassinato, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente. A faca utilizada no crime foi apreendida pelas autoridades.

A Perícia constatou que em poder de Erismar só havia uma carteira com documentos e que não havia nenhuma arma branca.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico e de Odontologia Legal (IMOL) de Coxim. 

A moça alega que agiu em legítima defesa e, que, perdeu a irmã para o feminicídio há um mês. Ela afirmou que “não queria ter o mesmo destino da irmã”.

Nathaly foi presa em flagrante e encontra-se a disposição da justiça na Delegacia de Polícia Civil de Rio Verde.

POLÍCIA

Homem que tentou matar a própria mãe a facadas é preso em Campo Grande

Idosa de 70 anos foi encaminhada para Santa Casa e não corre risco de morte

05/09/2026 12h45

Porta de vidro da Delegacia de Atendimento a Mulher em Campo Grande

Porta de vidro da Delegacia de Atendimento a Mulher em Campo Grande GERSON OLIVEIRA

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Homem, de 48 anos, que não teve a identidade divulgada, foi preso em flagrante após tentar matar a própria mãe, de 70 anos, em um condomínio localizado no Jardim Veraneio, em Campo Grande.

Ele desferiu golpes de faca contra o pescoço e costas da idosa. Os vizinhos presenciaram a situação e acionaram a Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.

Investigadores da Academia de Polícia Civil (Acadepol) e do Grupo de Operações e Investigações (GOI) deslocaram-se rapidamente até o endereço e prenderam o homem.

A mãe foi socorrida pelos bombeiros e encaminhada ao Hospital Santa Casa de Campo Grande. Ela não corre risco de morte.

O filho foi encaminhado à Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), onde está preso e à disposição da justiça.

Ele poderá responder pelos crimes de feminicídio na forma tentada e violência doméstica e familiar.

TENTATIVA DE FEMINICÍDIO

De acordo com o Código Penal brasileiro, a tentativa de feminicídio ocorre quando alguém tenta matar uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

A vítima sobrevive por circunstâncias alheias à vontade do agressor, por exemplo, porque foi socorrida a tempo ou porque a tentativa falhou.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que houve 74 tentativas de feminicídio, entre 1º de janeiro e 5 de setembro de 2026, em Mato Grosso do Sul. 

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

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