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Veja passo a passo da fraude em cartão de vacinação de Bolsonaro, segundo a PF

o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 16 pessoas foram indiciadas pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema público e associação criminosa

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A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) e mais 14 pessoas no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas de Covid-19.

Eles foram indiciados sob suspeita pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema público e associação criminosa.

A pena para associação criminosa é a reclusão de 1 a 3 anos. Já a inserção de dados falsos em sistema de informações tem pena de reclusão de 2 a 12 anos e multa.

Essa investigação está vinculada ao inquérito das milícias digitais, que tramita em sigilo no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Foi no âmbito deste inquérito que foi feito o acordo de delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid.

No ano passado, Bolsonaro disse em depoimento à Polícia Federal que não determinou a inserção de dados falsos na carteira de vacinação. Ele também afirmou que só teve conhecimento da adulteração quando esse tema começou a ser divulgado pela imprensa.

Veja o passo a passo que teria resultado na falsificação do cartão de vacinação do ex-presidente.

CID PEDE AJUDA PARA FALSIFICAR CARTÃO DA ESPOSA

Segundo a PF, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, pediu ajuda ao sargento Luis Marcos dos Reis, outro ajudante de ordens, para conseguir um cartão de vacinação preenchido com doses da vacina contra a Covid-19 em nome de sua esposa, Gabriela Santiago Cid.

Com ajuda do sobrinho, o médico Farley Vinicius Alcantara, Reis teria obtido um cartão da Secretaria de Saúde de Goiás em nome de Gabriela.

Os dados da vacina (data, lote, fabricante e aplicador), de acordo com as mensagens de WhatsApp identificadas pela PF, teriam sido retirados por Alcantara de um cartão de vacinação de uma enfermeira que teria sido vacinada na cidade de Cabeceiras (GO).

AILTON BARROS CONSEGUE INSERIR DADOS NO SISTEMA

Houve, porém, dificuldade para inserir os dados no sistema do Ministério da Saúde. Cid procurou então o major reformado Ailton Barros, que, segundo a polícia, intermediou a inserção dos dados com a emissão de nova carteira de vacinação pela prefeitura de Duque de Caxias (RJ).

Segundo a PF, Gabriela viajou para o exterior em três ocasiões depois do esquema, burlando a exigência de vacinação.

Em acordo de colaboração, Mauro Cid afirmou que, depois que obteve o cartão da esposa, pediu para Barros intermediar outros certificados falsos de vacinação —para o próprio Cid e suas filhas. A inserção dos dados falsos, segundo a PF, foi realizada por João Carlos Brecha, secretário do município de Caxias.

CID ENTÃO PEDE FALSIFICAÇÃO DO CARTÃO DE BOLSONARO

Em colaboração premiada, Cid afirmou que pediu a Ailton Barros cartões de vacinação falsos para Bolsonaro e sua filha, Laura, assim como a inserção dos dados no ConecteSUS.

O ex-ajudante de ordens disse que a determinação veio do próprio ex-presidente, depois que ficou sabendo que Cid havia conseguido o documento para a família. Em depoimento, Bolsonaro negou ter dado essa ordem.

Segundo a PF, o modus operandi do esquema funcionava assim: primeiro, alguém pedia a Cid que conseguisse um certificado de vacina falso. Ele, então, encaminhava o pedido a Barros que, por sua vez, enviava os dados do beneficiário ao secretário de Duque de Caxias, João Carlos Brecha. Brecha, por ter credenciais de acesso, inseria os dados falsos no sistema do Ministério da Saúde.

De acordo com a polícia, foi ele o operador que inseriu no sistema, no dia 21 de dezembro de 2022, a informação de que Bolsonaro teria tomado duas doses da Pfizer no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias. Brecha também teria inserido dados falsos sobre a vacinação de Laura, filha do ex-presidente.

Na inserção realizada em dezembro, Brecha informou que Bolsonaro tomou a primeira e a segunda doses em agosto e outubro de 2022, respectivamente. Geralmente os dados da vacinação são inseridos imediatamente no sistema do Ministério da Saúde.

A CGU (Controladoria-Geral da União) identificou que o ex-presidente não esteve em Duque de Caxias na data da suposta imunização com a primeira dose. Ele passou o dia na cidade do Rio de Janeiro, participando da Marcha para Jesus.

CID EMITE CERTIFICADO DE BOLSONARO

Segundo a PF, no dia seguinte à inserção dos falsos dados de imunização no sistema do Ministério da Saúde, Cid chegou ao Palácio da Alvorada, acessou o ConecteSUS do então presidente e emitiu o certificado de vacinação. Em sua casa, João Carlos Brecha cadastrou um email para se conectar à conta de Laura no ConecteSUS e emitiu o certificado da filha de Bolsonaro.

A PF argumenta que o ex-presidente não apenas tinha ciência, como ordenou a falsificação.

"Vários atos de acesso ao sistema ConecteSUS, inclusive a impressão de certificado de vacinação ideologicamente falso, foram praticados na residência oficial da Presidência da República, Palácio do Alvorada, ocupada na época dos fatos por JAIR MESSIAS BOLSONARO", diz relatório da PF.

Em depoimento em maio do ano passado, Bolsonaro negou ter solicitado a Cid ou a outras pessoas envolvidas no esquema a adulteração dos cartões de vacina dele e de sua filha, e disse desconhecer motivos para que tenham feito isso.

Ele afirmou ainda não acreditar que seu ex-ajudante tenha arquitetado a ação criminosa, que não a determinou, e que se ele o fez, "foi à revelia, sem qualquer conhecimento ou orientação" dele.

Bolsonaro também disse que só teve conhecimento da adulteração quando esse tema começou a ser divulgado pela imprensa, em fevereiro de 2023. Ele afirmou ainda que nem sequer sabia mexer no ConecteSUS e que toda a sua "gestão pessoal" sempre ficou a cargo de Cid. Mas disse não saber se foi, de fato, o ex-ajudante quem emitiu os certificados.
 

Parque do lageado

Menino de 17 anos assassinado a tiros é a 396ª vítima de homicídio em 2026

Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora

15/09/2026 09h00

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado

Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (Depac-Cepol), onde o caso foi registrado Paulo Ribas

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Menino, de 17 anos, que não teve o nome divulgado, foi assassinado a tiros, na noite desta segunda-feira (14), em uma conveniência localizada na rua Anselmo Selingard, Parque do Lageado, em Campo Grande. Ele foi atingido com quatro tiros na região da face e faleceu na hora.

Conforme apurado pela reportagem, o menino estava no bar acompanhado de outras pessoas, quando um homem chegou de carro atirando e fugiu logo em seguida.

A princípio, horas antes, a vítima teria se envolvido em uma discussão com outras pessoas nas proximidades do local. Corpo de Bombeiros Militar foi acionado, mas ele faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica estiveram no local para realizar os procedimentos de praxe. O Batalhão de Choque (BPMChoque) também deu apoio a ocorrência. Em seguida, a funerária retirou o corpo.

Após o homicídio, houve intensa aglomeração de populares no local. Autoridades competentes vão apurar as causas do assassinato e as circunstâncias da ocorrência.

ESTATÍSTICA

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 396 pessoas foram mortas (homicídio doloso), entre 1º de janeiro e 15 de setembro de 2026, em Mato Grosso do Sul.

Desse número,

  • 354 são homens
  • 34 mulheres
  • 8 não tiveram o sexo divulgado
  • 135 são jovens
  • 203 são adultos
  • 28 são idosos
  • 18 são adolescentes
  • 6 são crianças
  • 6 não tiveram a idade divulgada
  • 108 ocorreram em Campo Grande
  • 288 ocorreram no interior do Estado

Os assassinatos ocorreram em janeiro (29), fevereiro (19), março (35), abril (23), maio (38), junho (37), julho (46), agosto (41) e setembro (20).

 

tragédia

Mulher que matou marido perdeu a irmã para o feminicídio há um mês

Nathaly afirma que agiu em legítima defesa pois "não queria ter o mesmo destino da irmã"

09/09/2026 10h15

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto

Movimentação de viaturas para socorrer Nathalia Rodrigues, em 6 de agosto Foto: Rio Verde News

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Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos - que matou o marido Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos - é irmã de Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, morta em 6 de agosto de 2026 pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos.

A mulher matou o esposo com uma facada no peito em um bar localizado em Rio Verde (MS), horas após ser agredida e registrar boletim de violência doméstica contra ele.

Ela afirmou que agiu em legítima defesa pois “não queria ter o mesmo destino da irmã”.

FEMINICÍDIO DA IRMÃ

Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi morta pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos, em 6 de agosto de 2026, na frente da casa em que moravam, localizada na rua Joaquim Voltinha, bairro Santa Inês, em Rio Verde (MS).

Ela deixa dois filhos. Nathália foi esfaqueada com quatro golpes na região das costas, próximo a nuca.

Conforme apurado pela reportagem, na noite do crime, ambos saíram e, quando retornaram para casa, começaram a discutir.

Em seguida, ele desferiu golpes de faca contra ela na calçada de casa e fugiu do local em uma motocicleta. Os dois filhos estavam dentro da residência, que fica nos fundos do terreno.

Jucimar ligou para um familiar dizendo que havia feito “uma cagada”, mas desligou o telefone logo em seguida. Minutos depois, familiares da vítima foram avisados sobre a morte.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados, mas, ela faleceu antes mesmo da chegada do socorro.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher vestígios do feminicídio, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente.

FEMINICÍDIO

De acordo com o Código Penal Brasileiro, o feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. 

O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que 26 mulheres foram mortas entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2026 em Mato Grosso do Sul. 

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

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