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Policial paraguaio suspeito de 'limpar' conta de pecuarista é preso

Agente da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) é acusado de invadir celular apreendido e depois realizar transferências bancárias

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Um policial paraguaio identificado como Víctor Alejandro Miguel Barreto Cárdenas, de 25 anos, acabou preso pela polícia nessa quinta-feira (6).

O agente — atuante na Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) — é acusado de fazer uma "limpa" nas contas bancárias do pecuarista brasileiro Orlando Vendramini Neto, de 64 anos.

Cárdenas foi detido após investigação conduzida pela procuradora Irma Encarnación Llano Pereira, da Unidade Especializada em Crimes Informáticos, conforme o site MS em Foco.

Suspeito de mandar matar pecuarista de MS acusa Paraguai de 'limpar' sua conta bancária

O advogado Hugo López — defesa do pecuarista brasileiro Orlando Vendramini Neto — acusou agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) de fazerem uma "limpa" em suas contas bancárias.

Vendramini está preso desde o último dia 23 de janeiro, suspeito de executar o pecuarista Valdereis Rodrigues de França, de 61 anos, em Sete Quedas. Conforme López, os funcionários da Senad realizaram os desvios por meio de celulares apreendidos.

Vale destacar que, na ocasião da prisão do pecuarista, realizada no Paraguai, os agentes apreenderam celulares, cartões de crédito, entre outros documentos.

O ministro local Jalil Rachid afirmou que o caso está sob investigação pelo Ministério Público do Paraguai, conforme informações do site paraguaio ABC Color.

Ainda segundo o advogado Hugo López, as contas foram esvaziadas nos dias 27 e 28 de janeiro, sem violar os níveis de segurança do aplicativo bancário.

A movimentação suspeita foi identificada pelo filho do pecuarista, que após a prisão de seu pai, solicitou relatórios aos bancos, tanto no Paraguai quanto no Brasil.

“Ele me contou que alguém transferia os valores e fazia compras por correio em vários comércios do Paraguai. As contas são em dólares e guaranis”, disse López.

Ao todo, os agentes da Senad apreenderam quatro telefones em poder do pecuarista, dois dos quais tinham quatro contas bancárias habilitadas em guaranis e dólares.

Desvio de US$ 30 mil

“Todos [os celulares] foram violados, mas nem todos ficaram vazios. O prejuízo é de US$ 30 mil", enfatizou Hugo López.

O advogado também relatou, que segundo o filho de Vendramini, o pecuarista foi obrigado a entregar os códigos telefônicos aos agentes da Senad, bem como os “tokens” de suas contas bancárias.

Orlando Vendramini Neto é um pecuarista brasileiro com carteira de identidade paraguaia que possui propriedades e investimentos principalmente no distrito de Corpus Christi, departamento de Canindeyú, no Paraguai. Atualmente encontra-se recolhido na Penitenciária Estadual de Dourados (PED).

Homem foragido por mandar matar pecuarista em MS é preso no Paraguai

Após quase 75 dias desde a execução do pecuarista Valdereis Rodrigues de França, de 61 anos, em Sete Quedas, o principal suspeito de mandar matar o criador de gado foi preso no Paraguai, trata-se de Orlando Vendramini Neto, de 64 anos.

Orlando foi localizado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) em Mariano Roque Alonso, região metropolitana de Assunção, capital do país vizinho. Segundo informações dos agentes paraguaios, ele foi preso no momento em que adentrava ao seu veículo, uma Volkswagen Amarok, no shopping center do município.

Ainda, a Senad informou que a troca de informações e a parceria com a Polícia Federal Brasileira foi fundamental para capturar o acusado. Com Orlando, foram encontradas inúmeras posses de armas e documentos.

Após as diligências no local da prisão, o suspeito foi encaminhado à Polícia Federal no escritório da Direção Nacional de Migrações, na Ponte da Amizade, entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu (PR).

Execução

O pecuarista Valdereis Rodrigues de França, de 61 anos, foi executado com diversos disparos enquanto transitava pelo Centro de Sete Quedas, em plena luz do dia. A motivação do crime foi uma dívida de US$ 2 milhões (R$ 11,88 milhões na cotação atual).

O caso aconteceu no dia 5 de novembro, às 9h15 da manhã, quando Valdereis estava dentro de sua Toyota Hilux na Rua 4 de abril e foi atingido por balas de arma de fogo calibre 9mm. No trabalho de perícia, foram encontrados 8 estojos de munição calibre 9mm e 5 projéteis, evidenciando que o crime foi cometido de forma premeditada.

Ao constatar isso, a equipe da Seção de Investigações Gerais de Dourados (SIG) foi definida como responsável pelo caso, pelo fato de suspeitar do envolvimento de uma quadrilha de pistoleiros na ação criminosa. Os militares conseguiram identificar o mandante, Orlando Vendramini Neto, de 64 anos, que tem cidadania paraguaia e reside no Brasil.

A moto utilizada como veículo de fuga no crime também foi encontrada, mas estava carbonizada, a fim de apagar uma das provas do crime.

Na manhã do dia 11 de novembro, policiais se deslocaram até a fazenda de Orlando, localizada entre o município de Paranhos e Sete Quedas, e sua residência em Adamantina (SP). Através de mandado de busca no local, os militares encontraram 10 armas de fogo e cerca de 1.000 munições, além de acessórios como drones, binóculos e outros petrechos que podem ter sido utilizados no momento do crime.

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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