Em meio à crescente onda de pedidos de Recuperação Judicial, principalmente no setor do agronegócio, a Justiça tenta mais uma vez leiloar uma das mais tradicionais fazendas para produção de arroz irrigado em Mato Grosso do Sul, uma área que soma pouco mais de 2,7 mil hectares, avaliados em quase R$ 161 milhões como valor inicial.
Localizada a quatro quilômetros da área urbana de Miranda, às margens da MS-339, rodovia que liga Miranda a Bodoquena, o leilão da fazenda Pouso Alegre, pertencente à empresa que produz e revende o arroz Tio Bepy, está dividido em nove lotes, mas os 2.727 hectares são todos contíguos.
Conforme publicação do diário da Justiça desta segunda-feira (31), o leilão é para tentar pagar dívidas que os proprietários da fazenda têm com a Petrobras, Banco do Brasil e Bradesco. As dívidas foram contraídas pela empresa Engenho Tio Bepy, com sede em Dourados, e responsável pela industrialização e venda do arroz.
O prazo para apresentação de lances começou nesta segunda-feira (31) e vai até dia 13 de outubro. Caso não haja compradores neste período, o valor inicial dos imóveis cai em até 20%.
As mesmas terras já haviam sido colocadas a leilão em julho de 2024, por valor mínimo de R$ 147 milhões. Sobre as nove matrículas incidem uma série de dívidas de impostos, mas, conforme o edital publicado no diário da Justiça, o comprador não será responsável por estes débitos.
Próxima ao Rio Miranda, a propriedade conta com sede estruturada, estação de captação de água, casas de operação, pista de pouso e ampla estrutura de canais para irrigação das plantações de arroz. As áreas de Miranda eram utilizadas para a produção de arroz de uma grande indústria, porém a execução judicial está relacionada à pessoa física de um dos proprietários.
Além da área agrícola, a Justiça também está leiloando uma casa de 124 metros quadrados localizada em um terreno de 300 metros quadrados na área urbana de Miranda pertencente à mesma família. O valor mínimo desta casa foi fixado em R$ 200 mil.
RECUPERAÇÕES JUDICIAIS
Embora o leilão de imóveis rurais seja somente um dos últimos passos da crise financeira de uma empresa, o número de recuperações judiciais em Mato Grosso do Sul bateu recorde no primeiro trimestre deste ano e a maior parte é de empresas ligadas ao agronegócio.
Dados da Receita Federal mostram que 70 empresas estavam em recuperação judicial no Estado nos três primeiros meses deste ano, ante 44 no mesmo período de 2025, aumento de 59,1%.
Na comparação com a série histórica recente, a escalada é ainda mais expressiva. No primeiro trimestre de 2024, Mato Grosso do Sul registrava 28 empresas em recuperação judicial.
Um ano depois, o total subiu para 44 e, nos três primeiros meses deste ano, chegou a 70, representando um crescimento de 150% em dois anos e estabelecendo o maior patamar já registrado pelo monitor da RGF.



