O evento com a presença do vice-presidente, ministros, governador e deputados que chegou a ser anunciado para Porto Murtinho para sexta-feira (24) foi cancelado, mas isso não reduziu a expectativa da administração municipal pelo início das obras do acesso à ponte sobre o Rio Paraguai, uma vez que o mega-investimento vai triplicar o faturamento relativo ao Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) do município.
A previsão é de que os trabalhos para construção dos 13 quilômetros de asfalto e da estrutura aduaneira durem 26 meses. E, dos R$ 472,4 milhões previstos para as obras, a prefeitura terá direito a cobrar 3% a título de ISS, o que equivale a R$ 14,17 milhões, ou R$ R$ 7 milhões por ano.
Em 2022, conforme os dados do portal da transparência, o município fechou o ano com receita de R$ 149,6 milhões, sendo R$ 3,8 milhões com ISS. Agora, durante as obras, essa receita deve ultrapassar os R$ 11 milhões anuais, e isso somente com o recolhimento de impostos que o consórcio vencedor da licitação terá de fazer ao município.
Além disso, haverá um incremente indireto na economia da cidade, já que todos os envolvidos nas obras ficarão residindo na cidade, que ele fica a 120 quilômetros de Caracol e a 200 de Jardim, as duas cidades mais próximas.
A escolha do consórcio de empresas que vai executar as obras, PDC Fronteira, formado pelas empreiteiras Caiapó, Paulitec e DP Barros, de Goiás e São Paulo, foi anunciado no último dia 16. O valor ficou apenas R$ 15 mil abaixo do teto estipulado pelo DNIT.
Uma outra empresa, Entec Empreendimentos, chegou apresentar lance para executar os trabalhos por R$ 279 milhões, mas acabou desistindo no meio do pregão eletrônico iniciado em 16 de outubro. E, com essa desistência, a segunda melhor proposta acabou sendo escolhida.
Ainda não existe data exata para início das obras e somente a terraplanagem dos 13 quilômetros que separam a BR-267 da cabeceira da ponte terão o impressionante custo de R$ 145,9 milhões..
Na construção da estrutura aduaneira, que faz parte do pacote, serão outros R$ 126,6 milhões. O item “obras de arte especiais” vai demandar mais R$ 101,5 milhões.
Tanto a estrada quanto a aduana terão de ser construídos sobre um gigantesco aterro, já que esta região do pantanal é passível de alagamentos. A cidade de Porto Murtinho é toda circundada por um dique de 11 metros de altura, o que impede que a água do Rio Paraguai invada a cidade em período de cheia.
A ponte sobre o Rio Paraguai está sendo considerada fundamental para viabilizar rota bioceânica, um corredor que promete facilitar o acesso aos portos chilenos, passando pelo Paraguai e a Argentina. A ponte, que está com cerca de 40% dos trabalhos concluídos, está sendo custeada pela Itaipu Binacional.
Rila
Após deixar Campo Grande nesta sexta-feira (24), na manhã deste sábado a caravana de 107 pessoas em 36 caminhonetes da terceira expedição da Rota de Integração Latina Americana (RILA) cruzou o Rio Paraguai de balsa e começou a percorrer o percurso em território paraguaio, onde ainda falta concluir parte do asfalto desta rota.
Entre Carmelo Peralta, a primeira cidade paraguaia depois de Porto Murtinho, e o porto de Antofagasta, no Chile, são ainda 1,8 mil quilômetros. Embora não pareça ser tão distante, a questão é que no meio do caminho existe a Cordilheira dos Andes, com altitudes de quase 4 mil metros em alguns trechos.
E, em meio às subidas e decidas das cordilheiras, a viagem tem ritmo totalmente diferente do que nas planícies de Mato Grosso do Sul ou do Paraguai. Por conta das constantes paradas, a previsão é de que a expedição chegue ao Pacífico somente em 5 de dezembro.
Pela primeira vez, um caminhão com 13 toneladas de carne bovina também está fazendo a rota. Até agora, nem mesmo os mais entusiastas desta “nova rota” estão convencidos de que ela realmente será benéfica para exportação e importação de produtos asiáticos.
Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube


