Cidades

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Preços das commodities sobem e analistas falam em uma nova "bolha"

Preços das commodities sobem e analistas falam em uma nova "bolha"

Redação

10/05/2009 - 19h00
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        Dad redação

         Os sinais de recuperação da economia mundial ainda são incipientes, mas o sentimento de que o pior da crise ficou para trás foi mais do que suficiente para impulsionar o preço das commodities. Com o apetite por riscos renovado e o aumento da liquidez no mercado, os fundos de investimento voltaram a carregar suas carteiras com contratos futuros de metais, energia e produtos agrícolas, inflando as cotações dessas matérias-primas.
        Nos últimos 30 dias, o índice de commodities CRB (Commodity Research Bureau) acumulou alta de 7,5%, mas vários componentes da cesta registraram ganhos de dois dígitos. O petróleo, principal deles, subiu 10,7%. A soja avançou 11,5% e o açúcar, 20%. Os preços já são os mais altos desde novembro, setembro e agosto, respectivamente.
        Na verdade, a recuperação começou antes, entre o fim de fevereiro e o início de março. Desde então, o índice CRB subiu mais 20%; petróleo e soja, mais de 30%; e o cobre, impressionantes 41%.
        A escalada iniciada em março, após oito meses seguidos de queda, está diretamente associada à entrada de capital especulativo nas bolsas. Os fundos de investimento, especialmente de hedge, ampliaram suas compras de contratos de petróleo, soja, café, algodão, cobre e açúcar na expectativa de vendê-los por preços mais altos no futuro.
        De acordo com dados da Comissão de Comércio de Commodities e Futuros (CFTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, o saldo de compra dos fundos no mercado futuro de soja da Bolsa de Chicago (CBOT) cresceu de 7,6 mil contratos, em 3 de março, para 93,7 mil no último dia 28 - um salto de 1.132%. Ou seja, em menos de dois meses, os fundos compraram o equivalente a mais de 11,69 milhões de toneladas do grão, mais do que toda a safra do Paraná, segundo maior produtor brasileiro de soja.
        O número é ainda o maior desde julho do ano passado, antes do estouro da crise financeira. Com isso, o saldo de compra dos investidores, que em março correspondia a 9% do número de contratos abertos, subiu para 25% no fim de abril. No algodão, o aumento foi de 0% para 8%; no café, de -6% para 8%; no petróleo, de -11% para 0%; e no cobre, de -31% para -17%.
        Segundo levantamento do banco de investimento Barclays Capital, o saldo de compra dos fundos nos principais mercados futuros de commodities passou de 273,2 mil contratos, em 3 de março, para 458,4 mil, em 28 de abril, uma expansão de 67,7%.
        Um economista de um banco brasileiro explica que uma combinação de fatores explica a súbita elevação das commodities. "Esses mercados refletem a percepção de que o risco diminuiu e o pior da crise foi superado após a divulgação de alguns dados positivos nos Estados Unidos. Supostamente, todos os ativos, incluindo as commodities, deveriam ter uma melhora neste cenário", afirmou.
        É exatamente o que mostram os principais indicadores financeiros O índice Dow Jones da bolsa de valores de Nova York acumula alta de 24% desde março, embora ainda esteja negativo em 4,2% em 2009. No último mês, o Dow Jones avançou 7,9%, variação quase idêntica à do CRB. "A correlação entre ações e commodities se moveu para máximas históricas", informou na quarta-feira o banco Morgan Stanley.
        Mas os especuladores também estariam de olho em outros três fatores para justificar seu interesse pelas commodities. O primeiro deles é o medo da inflação por causa das sucessivas injeções de liquidez por parte das autoridades financeiras.
        Em março, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) colocou mais de US$ 1,2 trilhão no mercado por meio da compra de títulos da própria dívida americana, os chamados Treasuries, e de ativos "tóxicos", papeis lastreados em hipotecas e dívidas de agência.  (informações da Agência Estado)

         

Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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