Com a buraqueira sendo um dos principais problemas enfrentados cotidianamente pelos campo-grandenses, o Executivo da Cidade Morena afirma, através da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), que quase 21 mil buracos foram tapados em julho.
Conforme a Sisep, as obras executadas somaram a recupração de 20.950 buracos no último mês, o que teria sido possível graças à uma ampliação das equipes e consequente aumento dos serviços em julho.
Em balanço divulgado no início deste mês, a Prefeitura de Campo Grande aponta que quase três mil toneladas (2.858 t.) do chamado Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), foram empregadas em julho para a recuperação de 39,7 mil metros quadrados de pavimento em regiões distintas da Capital.
Esse retomada e reforço iniciados no último mês acontecem após a devassa da "Operação Buraco Sem Fim" - que desmantelou um esquema de corrupção na Sisep de Campo Grande com contratos de tapa-buracos, envolvendo mais de R$ 113 milhões entre 2018 e 2025 -, com o Executivo ainda atrás da solução para esse problema crônico na Capital que é mirado até mesmo pelo Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS). e Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS)
Relembre
Após o conselheiro do TCE-MS, Osmar Domingues Jeronymo, pedir que o executivo comandando pela prefeita Adriane Lopes explicasse a situação da buraqueira em Campo Grande, a chefe do Executivo precisou indicar quais seriam as providências a serem tomadas, tendo em vista que parte dos contratos voltados para esse tipo de serviço teria a vigência prevista até os dias 24 e 31 de julho.
Campo Grande conta com uma extensão de malha viária que ultrapassa os 4.000 km, dos quais mais de três mil quilômetros seriam vias pavimentadas e distribuídas pelas mais diversas regiões da Cidade Morena.
Diante das dimensões da Capital e com os contratos prestes a vencer, sendo que inclusive um certame não levaria menos de 30 dias para ser concluído, Campo Grande estava sob o risco de ficar um período sem o serviço em todas as regiões enquanto se via também envolta em escândalos e tomada pelos buracos.
Vale lembrar que, antes mesmo dos prazos finais de alguns contratos, em quatro localidades o serviço já estava paralisado por se tratarem de contratos com a Construtora Rial, - empresa da "mafia do tapa-buraco" que, como abordado no Correio do Estado, inclusive mudou de nome recentemente - que foi alvo da Operação Buraco Sem Fim do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Quando houve essa operação em 12 de maio, a própria empresa teria solicitado, conforme repassado pela prefeitura, a paralisação dos serviços e, posteriormente, o município também decidiu pela suspensão do contrato.
Em resposta ao TCE-MS, a Prefeitura de Campo Grande indica que espera tratar da "buraqueira" economizando quase R$ 3 milhões com o uso da usina do Consórcio Central-MS. Cabe esclarecer que, até concluir uma licitação própria, a Prefeitura não pretende trocar um pelo outro, e tampouco trataria-se de uma "alteração de rota administrativa".
Como adiantado anteriormente, o Executivo da Capital não desistirá da licitação, mas deverá optar em paralelo e, simultaneamente, por essa ampliação da disponibilidade de empresas aptas à mobilização de diversas frentes de trabalho e à redução do tempo de resposta às demandas identificadas na malha viária.
Entretanto, já no começo deste mês, o Executivo cita que tal credenciamento com o objetivo de ampliar a capacidade de atuação até o momento não foi concluído e, ainda em andamento, a intenção é que Campo Grande atinja 10 frentes de trabalho até o fim de agosto.
Através deste credenciamento de empresas para execução de serviços de restauração e manutenção de pavimentos em vias urbanas, o município espera que a iniciativa privada forneça a mão de obra, equipamentos, transporte e demais meios necessários à execução dos serviços, enquanto o Executivo se encarregará de fornecer o chamado Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ).
Economia de milhões
Esse é justamente o principal insumo empregado para serviços de conservação e restauração da malha viária urbana, que por sua vez, sozinho, representa em média de 60 a 70% do custo total do objeto.
Com essa frente voltada tanto para recomposição da capa asfáltica nos pontos degradados, como também para recuperação estrutural da base do pavimento,
quando tecnicamente necessária, o fornecimento do CBUQ será de responsabilidade exclusiva do Consórcio Central-MS.
As empresas ficarão encarregadas de, com frota própria, retirar e transportar esse material diretamente na usina do Consórcio, bem como fornecer os demais insumos necessários à execução dos serviços como, por exemplo:
- material granular para base,
- emulsões asfálticas,
- equipamentos,
- mão de obra e
- demais componentes previstos nas composições de custos.
Vale lembrar que a usina móvel de R$5 milhões que promete "asfaltar uma rua inteira em dois dias" foi adquirida ainda em 2023, sendo um equipamento com capacidade mínima de processamento de 100 a 110 toneladas/hora, prometendo à época reduzir os custos de pavimentação em mais de 35%.
O Executivo de Campo Grande lista três referências convergentes que permitem avaliar a vantajosidade econômica do modelo, sendo:
- o valor de referência do insumo conforme tabela Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi);
- o histórico de competitividade com base em licitação anterior pelo Município e
- o valor praticado pelo Consórcio para o fornecimento do CBUQ.
Com base no certame nº 005/2022, voltado para empresas especializadas para manutenção de pavimento asfáltico, recomposição de capa asfáltica e recomposição da estrutura do pavimento nas regiões urbanas do Município, a comparação de preço dos sete lotes por esse processo de licitação e o valor a ser desprendido através do Consórcio Central, à uma economia constatada de quase trinta por cento (28,83%).
Se comparada o preço do tal concreto betuminoso fornecido através do Consórcio e o valor de referência conforme o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), a diferença entre ambas as referências é de 30,79%.
Na ponta do lápis, isso representaria uma diferença de quase três milhões de reais (economia de R$2.943.253,64) em favor do Consórcio Central-MS para ampliar essa capacidade operacional e reduzir os riscos de descontinuidade na manutenção da pavimentação asfáltica.





